O estudo da arte, dos objetos de arte deve se
transformar em objetivos a ser incorporados na nossa cultura, a curto prazo.
Para começar ou para dar continuidade ao que já
sabemos, fiz uma pesquisa sobre o tema.
Criei duas personagens (Numa e Noutra) para incorporar dois tipos de atitudes que podemos ter
diante da arte.
Numa
é a personagem que é familiar
à correta visão da arte.
Noutra
é a personagem que vê tudo
dentro do conceito de normal e rotineiro.
Vejam como as duas são diferentes.
Numa
desperta o entusiasmo, a alegria e a vibração;
procura visualizar curvas, formas, entonações, expressões, cores e
charmes.
Noutra,
a naturalidade acompanha os passos da observação e
cai na rotina.
Numa,
o espírito e todas as potencialidades está
totalmente presente;
Noutra,
parece estar ausente, longe dali,
pensando em outra coisa,
fugindo de onde está,
imaginando-se noutro lugar,
perdendo o momento
e a integração
com quem ou com qual objeto
está envolvida.
Um dos princípios da unidade pessoal é estar
totalmente presente, com todo o seu ser, com todos os sentidos alertas e
atualizados ali onde se encontra.
Isto é sabedoria conquistada,
ensinada pelos grandes inventores,
escritores, pensadores e personagens históricos que
mudaram o rumo da história.
As duas personagens femininas,
de novo, diante de uma mesma realidade.
Numa
a sensação de liberdade toma conta;
Noutra
inexiste qualquer reação ou sentimento nobre.
Numa
há a percepção da unidade de vários elementos que
afirmam o triunfo da ordem sobre o caos;
Noutra,
há a observação de objetos diversos, bonitos,
elegantes e atraentes, porém, comuns e rotineiros. Objetos normais, comuns em
todos os dias.
Numa
há o despertar de uma sensação de poder,
um poder interior de possuir o que vê,
um poder de interiorizar
as perfeições que observa.
Henry
Wadsworth Longfellow.
Noutra
a observação simples,
de quem vê e não transfere para o interior
o que vê.
Numa,
a observação de uma obra de arte
é um passo do conhecido
para o desconhecido.
Gibran
Kahlil Gibran.
Noutra,
a observação de uma obra de arte é um ato
de visualizar a ação de um artista
na transformação de uma pedra bruta,
numa escultura. Uma ação comum.
Simplesmente um ato de tirar lascas.
Nada, nada de extraordinário.
Uma total apatia,
Numa,
a arte leva a uma viagem,
além do que se vê;
a uma outra dimensão da vida.
Mais além, mais longe,
mais cheia de significados,
como um símbolo,
plena de conteúdos e mensagens.
Noutra
as obras de arte,
são vários objetos artísticos,
expostos em museus ou praças ou palcos,
e mesmo na natureza.
Numa,
a arte é uma busca que se inicia;
Noutra,
é apenas um encontro que satisfaz.
Numa,
a arte é a certeza
que o ideal de uma ideia
pode ser concretizado.
É a curtição
de que um sonho
pode ser realizado.
Aristóteles
Noutra,
a arte é apenas uma ideia concretizada,
é um sonho conquistado e finalizado.
Numa
sabe que a arte é uma trilha
que leva de volta,
da fantasia à realidade
e da realidade à fantasia.
Sigmund
Freud
Noutra
sabe que a arte é uma obra a mais,
entre tantas,
no mundo possível da realidade.
Numa
tenta perceber que a arte
é já mais da metade do caminho
para a perfeição.
Madame De
Puisieux.
Noutra
vê na arte,
uma obra perfeita,
sem defeitos.
Numa
é uma entre tantas personagens
que vê a arte como fruto do esforço
para criar, além do mundo real,
um mundo mais humano, (André Maurois), querido e desejado pelo Criador e Pai Eterno;
Noutra
é uma entre tantas personagens
que vê a arte
onde não há desordem,
não há conflitos,
não há desvios,
não há burocracias nem politicagem.
Numa,
existe a convicção
de que a arte
é uma expressão dos mistérios
mais ricos e profundos da natureza humana,
a expressão de valores eternos
que existem na interioridade
do homem e da mulher.
Papa João
Paulo II.
Noutra,
a arte é uma certeza
da capacidade natural do ser humano,
e a expressão de um ser dotado da racionalidade,
afetividade e operosidade artística.
Numa,
a arte é uma linguagem
que emprega elementos da fé
e do mistério,
não esgotando conteúdos,
e acenando um algo a mais.
Papa João
Paulo II.
Noutra,
a arte é uma linguagem
que encanta pelos valores
que revelam no que está sendo observado,
não ultrapassando os limites da fronteira racional.
Numa
aprendeu que a arte
é a capacidade de expressar
o invisível por meio do visível.
Eugène
Fromentin.
Noutra,
acredita que a arte
é a capacidade visível
de expressar as perfeições humanas
que podem ser divulgadas e conhecidas.
Numa,
a arte consiste em perceber
que em todas as coisas
está uma recordação
do paraíso perdido,
a ser de novo, reconquistado.
Phil
Bosmans.
Noutra,
a arte consiste em perceber
que em todas as coisas,
está potente e latente,
à espera de decisões e ações nossas,
a possibilidade de fazer qualquer coisa
de uma maneira mais perfeita.
Numa e Noutra,
a arte é um valor humano.
Numa e Noutra,
a arte é uma linguagem.
Numa e Noutra,
querem decifrar esta linguagem.
Numa
está sempre com sede;
Noutra
está sempre saciada.
Numa e Noutra
a arte existe.
Numa e Noutra,
a arte faz falta.
Numa e Noutra,
a arte complementa
e aperfeiçoa.
Não é do mundo da arte,
a superficialidade e a rapidez.
É do time da arte,
a admiração,
a concentração,
a calma,
a paz e o silêncio,
as boas intenções
e as intenções boas
colocadas na prática.
Duas irmãs professoras.
Podemos aprender muito,
com as duas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/02/2016
eneaspb@gmail.com
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