segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

272.- Unidade. O corpo e o espírito. Separar para estudar, depois unificar.


O corpo e o espírito, juntos, unificados é a mais poderosa empresa humana, capaz de levantar e transcender toda a materialidade que compõem nosso corpo terráqueo.

 

Não o corpo, mas o espírito é capaz de elevar os dois.  

 

Se estudarmos os dois, separados, veremos como os dois já estão casados, vivendo juntos, em direção ao aperfeiçoamento.

 

Um não se desenvolve sem o outro.

 

Um só consegue aperfeiçoamento com a ajuda do outro.

 

Vamos ver, vamos estudar um e outro para melhor compreendermos a nós mesmos.

 

Tenho a convicção de que faremos coisas extraordinárias investindo na pesquisa sobre o domínio do espírito, que é o maior poder, o extraordinário potencial que existe dentro de nós, ou melhor, que somos nós.

É correto, sábio e prudente compararmos o que é perfeito com o que é ou manifesta-se imperfeitamente.

 

É muito fácil para nós, escritores, trair inconscientemente um princípio que consideramos perfeito, justamente porque vemos o ideal, mas estamos encharcados e absorvidos pela materialidade do nosso corpo. 

 

Nossa cultura, nossa formação foi marcadamente dualista.

 

Pensamos e queremos transmitir o ideal, mas podemos ser traídos pelo dualismo.

 

Para fugir do dualismo convém sempre ter presente que só evoluímos quando o princípio da unidade está presente. Qualquer separação ou divisão pode prejudicar.

 

Tentaremos trazer à nossa consciência a potencialidade de cada um, do corpo e do espírito. Também as fraquezas, limites e imperfeições. Por fim, veremos como a dupla tem potencial para vencer, juntos.

 

O espírito é pleno, completo.


Nada falta ao espírito. 


Ele é imaterial. 


Está em cada um de nós.

 

O espírito

é aquela parte invisível

que está em nós.

 

Nós usamos o corpo visível,

para manifestar

potencialidades invisíveis.  


Nós sentimos ou vivemos o espírito,

de uma forma imperceptível,

quase inexplicável. 


Talvez estejamos nos aproximando da alma,

sem sabermos bem. 


Sabemos por experiência

como é sentir-se composto

da matéria a do espírito.


Refletindo sobre a nossa maneira de ser,

achamos até que nos sentimos

mais como um ser espiritual

do que como um ser carnal. 


Nossa experiência

como corpo

acontece

quando sentimos dor, fome, sede, frio, calor, falta de ar, suor, cansaço. 


Este jeito de ser conhecemos bem. 


Porém,

quando sentimos o vazio,

a falta de sentido,

a falta de fé,

fazemos a experiência do espírito dividido,

a experiência da falta de plenitude. 


Afirmar que sabemos

o que é a experiência do espírito

é delicado, sutil e arriscado.

 

De qualquer forma,

convém fazer aliança com o espírito,

com aquilo que é espiritual em cada um de nós,

pois é esta parte que vai continuar vivendo

depois que a materialidade que nos compõem

vire pó. (Perceba aí o dualismo).


O espírito

é a dimensão  profunda

e essencial que habita

cada pessoa humana. 


O espírito

que se manifesta em nós

está sempre relacionado

com novidade, inovação,

criatividade,

libertação da ignorância,

do medo, dos traumas,

das incompetências

e dos limites.

 

O corpo é completo,

mas também e ainda incompleto,

imperfeito, material,

sujeito à deterioração,

e mesmo assim,

o espírito aceita e ajusta-se;

aceita fazer parceria comigo e conosco,

nesta carga material que carregamos.

 

Porque somos corpo e espírito,

somos ou experimentamos a divisão. 

 

 

Mas é importante saber e dizer

que também fazemos a experiência gostosa

da unidade, entre o corpo e o espírito.

Quando digo: “sou”, integro corpo e espírito.

Entao sinto-me uno.


Porque somos corpo e espírito,

somos e experimentamos

a unidade. 


Porque somos corpo,

somos lentos e pesados,

subordinados à lei da gravidade.


Porque somos corpo e espírito,

pelo espírito sabemos o que sabemos

e expressamos o que queremos,

o que sentimos e esperamos. 


O corpo

é meio cego. 


É o espírito

que proporciona a visão

do que é invisível e essencial.

 

Jesus Cristo caminhou sobre as águas

porque seu espírito era superior

e comandava o seu corpo. 


A fé não pesa,

e é subordinada ao espírito:

é altruísta.

 

A desconfiança,

a descrença,

pesa mais que chumbo e pedras,

pois que é filha do corpo,

da segurança,

do cuidado em manter-se vivo:

é egoísta.

 

Porque somos corpo,

temos necessidades de roupas,

comidas, casa e conforto. 


Porque somos corpo,

nos submetemos

às exigências do corpo. 


E como é fácil este processo. 


As exigências do corpo

são atendidas

pelas necessidades básicas

da sobrevivência,

quando buscamos o prazer

e o conforto, o comodismo

e o estacionamento.


Porque somos espírito,

sentimos dificuldades

em administrar este processo.

O corpo quer facilidade, tudo pronto. 


As exigências do espírito

são difíceis de serem atendidas. 


Exige esforço, treinamento e educação,

perseverança,

continuidade no processo das conquistas.  


As necessidades do espírito

exigem empenho.

 

Não acontecem naturalmente.

 

Como somos corpo e espírito,

temos necessidades de aprender,

de buscar o conhecimento e a experiência. 


Alcançaremos a sabedoria

pela supremacia do espírito

na administração

das nossas necessidades corporais,

necessidades de conhecimento,

de experiências.

 

Ser sábio

torna-se um ideal a ser buscado,

pela superação dos obstáculos,

domínio dos instintos 

e pela determinação radical

nesta direção.


Este ideal

estará se realizando

quando houver a harmonia pacífica

entre o corpo e espírito.

 

Esta harmonia existirá

quando o espírito se impuser

como coordenador, líder e sábio.

 

Assim como nos experimentamos corporalmente

e sentimos limitações,

também sentimos limitações

ao fazermos a experiência

do nosso espírito. 


Porém, se fôssemos preferencialmente espirituais, teríamos a experiência da unidade (quase) perfeita, e as limitações seriam em menor número e menor a escala de dificuldades.

 

As virtudes da pobreza, da humildade, da verdade, da sinceridade, da simplicidade, pertencem ao espírito que mora no corpo. 


As falhas, as imperfeições, os defeitos, pertencem ao corpo material ou a ele estão subordinados ou decorrentes ou consequentes.

 

O corpo envelhece,

enfraquece

e influencia o espírito. 


Por outro lado,

o corpo velho,

com um espírito jovem,

renovado,

rejuvenesce

e mantém-se sempre ativo. 


O corpo,

que é e que não é,

quer aparecer e ser elogiado

ou conhecido e amado.  


O espírito

que é,

se impõe,

e não se preocupa

com o aparecer. 


O corpo

quer ter posses e poder. 


O corpo, por ser fraco, deixa-se domar pelo egoísmo, pelas ambições, pelas potencialidades subordinadas à fraqueza da força de vontade, pela preguiça, acomodações, atrofias, cansaços e rotinas. 


O espírito avalia tudo.

 

Como somos corpo e espírito, é muito mais fácil buscar a harmonia pelo desenvolvimento e domínio do espírito, do que iludir-se no investimento do corpo, permitindo-lhe o comando. 


Quando isto acontece,

vêm os desequilíbrios

de todos os tipos e tamanhos. 

 

O Espírito,

como entidade, como empresa,

não precisa de nada:

ele é completo. 

 

É simples.

Isso é tudo,

e basta. 

 

Se conseguirmos adquirir

e assimilar a ciência do espírito,

a história mudará de rumo rapidamente.

 

Poderemos ainda aprofundar esta realidade do espírito considerando, de novo, uma visão teológica: Deus, nosso Pai, nosso Criador, que é espírito perfeito, no seu Filho Jesus Cristo, se fez carne, se fez corpo e veio morar conosco. Se fez presente, historicamente. Nos escritos dos Evangelhos, encontraremos pistas para reforçar esta tese da primazia do espírito. São os exemplos dados pelo Jesus Cristo que conseguimos vivenciar a harmonia entre corpo e espírito. 


Não seria o caso de nós, humanos, imitá-Lo e incorporar o estilo de vida do futuro, investindo mais na primazia da vida espiritual junto com o corpo unificado?

 

Portanto, o caminho lógico a percorrer é buscar em primeiro lugar a primazia ou o comando do espírito sobre o corpo-matéria, pois que é mais lógico o superior em potencialidades comandar o inferior em capacidades.

 

É com princípios superiores que se governam reinos inferiores e condições inferiores.


Dos dois, do corpo e do espírito, vemos só o corpo. 


Não vemos o Espírito. 


Vemos as manifestações do espírito. 


Vemos a integridade destes dois, em um.

 

Quando é que podemos dizer que a pessoa humana está manifestando a sua espiritualidade? 


Sinceramente, em nenhum momento, visto que a pessoa humana manifesta-se viva por uma questão físico-química e biológica. 


Explicamos cientificamente a vida de uma pessoa humana do ponto de vista da observação como matéria corporal.

 

Onde quero chegar? Quero chegar ao ponto de poder afirmar que não há como provar que o ser humano está capacitado ou habitado pelo espírito.

 

Existe sim a motivação para fazer o leitor pensar, raciocinar e perceber se a verdade anda por aqui. 

 

E agora? Paramos por aqui?

 

Temos dificuldades em admitir que o espírito viva e anima o homem porque não vemos o espírito como um objeto concreto visível e palpável. 


Se cortarmos nossa alegria de viver,

se matarmos o sentido da  nossa  vida,

não veremos o espírito morto. 


É outra dimensão. 


É necessário fazer outra leitura. 

 

Existem sim, dois mundos:

o mundo visível, que enxergamos,

e o mundo invisível, que não vemos.  


É outra ciência, ciência mais superior ainda, na qual  temos que ir pesquisando, elaborando e fortalecendo.  

 

Como é difícil enxergar

atrás ou através das aparências. 


Faltam-nos as ferramentas e o necessário treinamento. 

 

Chegaremos lá.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 08/02/2016

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