O corpo e o espírito,
juntos, unificados é a mais poderosa empresa humana, capaz de levantar e
transcender toda a materialidade que compõem nosso corpo terráqueo.
Não o corpo, mas
o espírito é capaz de elevar os dois.
Se estudarmos os
dois, separados, veremos como os dois já estão casados, vivendo juntos, em
direção ao aperfeiçoamento.
Um não se
desenvolve sem o outro.
Um só consegue
aperfeiçoamento com a ajuda do outro.
Vamos ver, vamos
estudar um e outro para melhor compreendermos a nós mesmos.
Tenho a
convicção de que faremos coisas extraordinárias investindo na pesquisa sobre o
domínio do espírito, que é o maior poder, o extraordinário potencial que existe
dentro de nós, ou melhor, que somos nós.
É
correto, sábio e prudente compararmos o que é perfeito com o que é ou
manifesta-se imperfeitamente.
É
muito fácil para nós, escritores, trair inconscientemente um princípio que
consideramos perfeito, justamente porque vemos o ideal, mas estamos encharcados
e absorvidos pela materialidade do nosso corpo.
Nossa
cultura, nossa formação foi marcadamente dualista.
Pensamos
e queremos transmitir o ideal, mas podemos ser traídos pelo dualismo.
Para
fugir do dualismo convém sempre ter presente que só evoluímos quando o
princípio da unidade está presente. Qualquer separação ou divisão pode
prejudicar.
Tentaremos
trazer à nossa consciência a potencialidade de cada um, do corpo e do espírito.
Também as fraquezas, limites e imperfeições. Por fim, veremos como a dupla tem
potencial para vencer, juntos.
O espírito é
pleno, completo.
Nada falta ao espírito.
Ele é imaterial.
Está em cada um de nós.
O espírito
é aquela parte
invisível
que está em nós.
Nós usamos o
corpo visível,
para manifestar
potencialidades
invisíveis.
Nós sentimos ou vivemos o espírito,
de uma forma
imperceptível,
quase inexplicável.
Talvez estejamos nos aproximando da alma,
sem sabermos
bem.
Sabemos por experiência
como é sentir-se
composto
da matéria a do
espírito.
Refletindo sobre a nossa maneira de ser,
achamos até que
nos sentimos
mais como um ser
espiritual
do que como um
ser carnal.
Nossa experiência
como corpo
acontece
quando sentimos
dor, fome, sede, frio, calor, falta de ar, suor, cansaço.
Este jeito de ser conhecemos bem.
Porém,
quando sentimos
o vazio,
a falta de
sentido,
a falta de fé,
fazemos a
experiência do espírito dividido,
a experiência da
falta de plenitude.
Afirmar que sabemos
o que é a
experiência do espírito
é delicado,
sutil e arriscado.
De qualquer
forma,
convém fazer
aliança com o espírito,
com aquilo que é
espiritual em cada um de nós,
pois é esta
parte que vai continuar vivendo
depois que a
materialidade que nos compõem
vire pó. (Perceba
aí o dualismo).
O espírito
é a dimensão
profunda
e essencial que
habita
cada pessoa
humana.
O espírito
que se manifesta
em nós
está sempre
relacionado
com novidade,
inovação,
criatividade,
libertação da ignorância,
do medo, dos
traumas,
das
incompetências
e dos limites.
O corpo é
completo,
mas também e
ainda incompleto,
imperfeito,
material,
sujeito à
deterioração,
e mesmo assim,
o espírito
aceita e ajusta-se;
aceita fazer
parceria comigo e conosco,
nesta carga
material que carregamos.
Porque somos
corpo e espírito,
somos ou
experimentamos a divisão.
Mas é importante
saber e dizer
que também
fazemos a experiência gostosa
da unidade,
entre o corpo e o espírito.
Quando digo: “sou”,
integro corpo e espírito.
Entao sinto-me
uno.
Porque somos corpo e espírito,
somos e
experimentamos
a unidade.
Porque somos corpo,
somos lentos e
pesados,
subordinados à
lei da gravidade.
Porque somos corpo e espírito,
pelo espírito
sabemos o que sabemos
e expressamos o
que queremos,
o que sentimos e
esperamos.
O corpo
é meio
cego.
É o espírito
que proporciona
a visão
do que é
invisível e essencial.
Jesus Cristo
caminhou sobre as águas
porque seu
espírito era superior
e comandava o
seu corpo.
A fé não pesa,
e é subordinada
ao espírito:
é altruísta.
A desconfiança,
a descrença,
pesa mais que
chumbo e pedras,
pois que é filha
do corpo,
da segurança,
do cuidado em
manter-se vivo:
é egoísta.
Porque somos
corpo,
temos
necessidades de roupas,
comidas, casa e
conforto.
Porque somos corpo,
nos submetemos
às exigências do
corpo.
E como é fácil este processo.
As exigências do corpo
são atendidas
pelas
necessidades básicas
da
sobrevivência,
quando buscamos
o prazer
e o conforto, o
comodismo
e o
estacionamento.
Porque somos espírito,
sentimos
dificuldades
em administrar
este processo.
O corpo quer
facilidade, tudo pronto.
As exigências do espírito
são difíceis de
serem atendidas.
Exige esforço, treinamento e educação,
perseverança,
continuidade no
processo das conquistas.
As necessidades do espírito
exigem empenho.
Não acontecem
naturalmente.
Como somos corpo
e espírito,
temos
necessidades de aprender,
de buscar o
conhecimento e a experiência.
Alcançaremos a sabedoria
pela supremacia
do espírito
na administração
das nossas
necessidades corporais,
necessidades de
conhecimento,
de experiências.
Ser sábio
torna-se um
ideal a ser buscado,
pela superação
dos obstáculos,
domínio dos
instintos
e pela determinação
radical
nesta direção.
Este ideal
estará se
realizando
quando houver a
harmonia pacífica
entre o corpo e
espírito.
Esta harmonia
existirá
quando o
espírito se impuser
como
coordenador, líder e sábio.
Assim como nos
experimentamos corporalmente
e sentimos
limitações,
também sentimos
limitações
ao fazermos a
experiência
do nosso
espírito.
Porém, se fôssemos preferencialmente espirituais, teríamos a experiência da unidade (quase) perfeita, e as limitações seriam em menor número e menor a escala de dificuldades.
As virtudes da pobreza, da humildade, da verdade, da sinceridade, da
simplicidade, pertencem ao espírito que mora no corpo.
As falhas, as imperfeições, os defeitos, pertencem ao corpo material ou a ele estão subordinados ou decorrentes ou consequentes.
O corpo envelhece,
enfraquece
e influencia o
espírito.
Por outro lado,
o corpo velho,
com um espírito
jovem,
renovado,
rejuvenesce
e mantém-se
sempre ativo.
O corpo,
que é e que não
é,
quer aparecer e
ser elogiado
ou conhecido e
amado.
O espírito
que é,
se impõe,
e não se
preocupa
com o
aparecer.
O corpo
quer ter posses
e poder.
O corpo, por ser fraco, deixa-se domar pelo egoísmo, pelas ambições, pelas potencialidades subordinadas à fraqueza da força de vontade, pela preguiça, acomodações, atrofias, cansaços e rotinas.
O espírito avalia tudo.
Como somos corpo e espírito, é muito mais fácil buscar a harmonia pelo
desenvolvimento e domínio do espírito, do que iludir-se no investimento do
corpo, permitindo-lhe o comando.
Quando isto acontece,
vêm os
desequilíbrios
de todos os
tipos e tamanhos.
O Espírito,
como entidade, como empresa,
não precisa de nada:
ele é completo.
É simples.
Isso é tudo,
e basta.
Se conseguirmos adquirir
e assimilar a ciência do espírito,
a história mudará de rumo rapidamente.
Poderemos ainda
aprofundar esta realidade do espírito considerando, de novo, uma visão
teológica: Deus, nosso Pai, nosso Criador, que é espírito perfeito, no seu
Filho Jesus Cristo, se fez carne, se fez corpo e veio morar conosco. Se fez
presente, historicamente. Nos escritos dos Evangelhos, encontraremos pistas
para reforçar esta tese da primazia do espírito. São os exemplos dados pelo
Jesus Cristo que conseguimos vivenciar a harmonia entre corpo e espírito.
Não seria o caso de nós, humanos, imitá-Lo e incorporar o estilo de vida do futuro, investindo mais na primazia da vida espiritual junto com o corpo unificado?
Portanto, o
caminho lógico a percorrer é buscar em primeiro lugar a primazia ou o comando
do espírito sobre o corpo-matéria, pois que é mais lógico o superior em
potencialidades comandar o inferior em capacidades.
É com princípios
superiores que se governam reinos inferiores e condições inferiores.
Dos dois, do corpo e do espírito, vemos só o corpo.
Não vemos o Espírito.
Vemos as manifestações do espírito.
Vemos a integridade destes dois, em um.
Quando é que
podemos dizer que a pessoa humana está manifestando a sua
espiritualidade?
Sinceramente, em nenhum momento, visto que a pessoa humana manifesta-se viva por uma questão físico-química e biológica.
Explicamos cientificamente a vida de uma pessoa humana do ponto de vista da observação como matéria corporal.
Onde quero
chegar? Quero chegar ao ponto de poder afirmar que não há como provar que o ser
humano está capacitado ou habitado pelo espírito.
Existe sim a
motivação para fazer o leitor pensar, raciocinar e perceber se a verdade anda
por aqui.
E agora? Paramos
por aqui?
Temos
dificuldades em admitir que o espírito viva e anima o homem porque não vemos o
espírito como um objeto concreto visível e palpável.
Se cortarmos nossa alegria de viver,
se matarmos o
sentido da nossa vida,
não veremos o
espírito morto.
É outra dimensão.
É necessário fazer outra leitura.
Existem sim, dois mundos:
o mundo visível, que enxergamos,
e o mundo invisível, que não vemos.
É outra ciência, ciência mais superior ainda, na qual temos que ir pesquisando, elaborando e fortalecendo.
Como é difícil enxergar
atrás ou através das aparências.
Faltam-nos as ferramentas e o necessário treinamento.
Chegaremos
lá.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/02/2016
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