O mundo no qual vivemos
e no qual estamos inseridos
é organizado a partir
de princípios bons
e princípios egoísticos.
Por
isso, a concorrência, a competição, o querer aparecer, demonstrar poder, o
orgulho, a busca dos primeiros lugares, a indiferença com os problemas dos
outros, e ai vai uma relação sem fim de problemas para serem superados pelos
que libertam-se, amadurecem e adquirem consciência crística.
O
Cristianismo possui a fórmula da libertação quando recomenda amar o próximo
como a si mesmo, fazendo do serviço ou do agir em favor do próximo, o remédio
contra o egoísmo.
A pedagogia dos ensinamentos do Jesus Cristo (=Cristianismo)
atende às duas dimensões do ser humano: a dimensão humana e a dimensão divina.
Esta
é a visão religiosa e definitiva do ser humano: o ser humano é alguém que
serve. “Eu vim para servir e dar a vida” ... foi o lema do Jesus Cristo.
«Em verdade, em verdade vos digo, se o grão de
trigo não cair na terra e não morrer, permanecerá só; se morrer, dará muitos
frutos.»
O Jesus Cristo exorta os cristãos a imitarem-no:
«Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem não se prender a ela neste mundo
conservá-la-á para a vida eterna.»
Devemos estar prontos para suportar os mesmos
sofrimentos, para podermos dar os mesmos frutos. Porque aquele que se preocupa
com a sua vida terrena e não quiser submetê-la às provações e dificuldades da
vida, vai perdê-la. Aquele que dela não se apegar no mundo presente e
a se submeter aos sofrimentos, dificuldades, exigências da morte do
egoísmo, recolherá numerosos frutos.
«Se alguém quiser me servir, siga-me.» Se alguém quiser ser meu servidor,
mostre que quer caminhar após mim.
«Onde Eu estiver, aí estará também o meu servidor. Se alguém me servir, meu Pai
o honrará.» Aquele que tomar parte nos meus sofrimentos participará igualmente
da minha glória; estará comigo eternamente no mundo que há de vir e partilhará
a minha alegria no reino dos Céus.
Eis como meu Pai honrará os que me servirem com
fidelidade.
Qualquer
outro princípio deve ser analisado para ver se conduz a pedagogias egoísticas
ou a pedagogias libertadoras e personalizantes.
Quando,
no processo educativo, caminhamos respirando esta atmosfera de filhos e irmãos,
vamos crescendo naturalmente, com saúde, com equilíbrio, sabedoria,
discernimento, decisões certas, paz, mesmo que inquieta, harmonia, serenidade,
bom humor e evolução.
Quando,
no processo educativo, caminhamos respirando qualquer outra pedagogia que não
seja esta dinâmica de filhos e irmãos, vamos adquirindo uma maneira de ser
egoísta, doentia, deformada, desequilibrante, estressante e involutiva.
O
egoísmo é um tema complexo e paradoxal porque trata sobre a nossa maneira de
ser ... que, às vezes, achamos correta. E às vezes nem questionamos e fazemos
os outros sofrerem.
O
egoísta não se conhece, por isso, desperdiça a sua vida.
“O
egoísta está sempre indisponível, por isso não se gasta, não se desgasta mas
também não se realiza, permanecendo incapaz de responder aos apelos da vida”. Gabriel Marcel.
Na
História, desde o começo da humanidade, tenho que aprender com o Abraão, tenho
que matar este filho da minha carne.
No
Novo Testamento, o Jesus Cristo adverte: “... quem quiser salvar a própria
vida, a perderá, mas quem a perder por amor de Mim, este viverá.”
Como
vocês percebem o tema do egoísmo interfere, entra em conexão com a sabedoria do
Cristianismo.
Falar
ou conversar sobre o egoísmo é uma questão mística, porque interpenetram coisas
minhas com elementos dos outros, coisas da terra e valores do céu.
“O
cristão é um soldado da esperança. Ele sabe que o fim da história é feliz e já
foi mostrado e garantido pela Ressurreição do Jesus Cristo. Sabe do seu futuro
absoluto: ser assumido pelo Paizinho dos céus, de forma semelhante como Jesus
Cristo foi assumido. A máxima felicidade do seu eu é extrapolar e encontrar-se
aceito na profundidade do Tu divino. Isso vem significar concretamente para a
nossa situação terrestre: só a situação abraâmica de quem larga tudo, se aliena
e se perde no outro garante a verdadeira hominização. É no sair de si, no
aventurar-se que se encontra e se ganha a casa paterna. Se quiser ficar
egoisticamente em casa e morar em si mesmo, a pessoa humana perde o lar e seu
próprio eu”. Leonardo Boff.
O egoísmo é um estilo de vida
que aprisiona o ser humano
numa visão parcial da vida.
Na arena,
no palco da vida,
não estamos sozinhos.
Convivendo com os outros,
aprendemos as regras da convivência.
As regras da convivência
nos ensinam
que a sabedoria
está no empenho e desempenho
da arte da convivência.
Quando nos irmanamos,
as vitórias
são conquistadas
mais rapidamente
e com menos sofrimentos.
Não estamos sós no mundo.
Juntos, como irmãos,
Ajudamos e somos ajudados
nos empreendimentos difíceis.
Este padrão de comportamento
transforma-se
na razão da motivação
e das consequentes alegrias.
Pessoas com atitudes egoísta
continuam existindo.
Eles revelam o mundo
como um palco de competidores,
cada uma a seu modo,
querendo vencer,
sem respeitar os demais.
É aí, nesta arena,
que aparece a questão egoística:
querer permanecer
no mundo da criança
e do adolescente,
apegados às próprias coisas.
Querer continuar sendo ser-vido
é sintoma do egoísmo,
de infantilismo,
de falta de maturidade psicológica
e intelectual.
Sintoma da maturidade
é perceber que o mundo dos adultos
é o mundo do ser-viço, do ser-motivador,
ser alegria, ser hum-mano,
ser um irmão, ser um igual
dentro deste Universo.
Ser que leva ao fazer.
Um dos grandes suportes na vida
é a pessoa sentir-se útil e amada,
até os momentos finais da sua vida,
na velhice.
Este é o grande antídoto
para a depressão.
Sentir-se útil
é uma das principais necessidades
e base da estrutura da pessoa.
Quem serve é útil.
Sentir-se útil
é encontrar o sentido da vida.
Você já deve ter constatado
que qualquer profissão
é um ato social de serviço.
Ter uma profissão
é escolher um padrão profissional
de ser útil aos outros.
Ser motorista é ser motorista para os outros;
ser professor, não é para mim,
é para meus alunos que sou;
ser garçom é ser para os outros,
servidor.
Ser advogado
é ser prestador de serviços para o outro.
Ser contador, bancário, eletricista,
publicitário, técnico ou doutor,
qualquer profissão é exercida
em favor dos clientes,
dos necessitados.
Ter uma profissão
é escolher uma maneira de servir.
Servir
é atender às necessidades dos outros,
e encontrar a resposta
da realização como pessoa.
Exercer uma determinada profissão
é escolher uma forma
para atender às necessidades
das pessoas.
Este é o mérito do trabalho:
sentir-se útil.
Só os inúteis
não acham sentido na vida.
Ser útil é a chave
que abre a porta
da realização pessoal
e do aperfeiçoamento do mundo.
Pelo exercício das profissões,
antecipamos a chegada do futuro,
solucionando os problemas de cada um
e de toda a humanidade.
Não há outro caminho.
O egoísta destrói.
O cristão constrói.
Não existe satisfação maior
do que promover uma pessoa,
de uma situação menor
para uma condição maior
de humanidade e espiritualidade,
com a sincera intenção
de ver espelhada
a alegria no rosto dele(a).
Isto é amor
ou é o autentico
egoísmo cristão.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 09/02/2016
eneaspb@gmail.com
Publicado
no Blog Heipo World
em
09/02/2016.
Atualizado
em 21/07/2024

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