quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

281.- Ações e seus efeitos. Todos os meus feitos, produzem efeitos.



 


Se pararmos e ficarmos olhando

e analisando nossas ações,

percebemos que elas acontecem

seguindo várias fases.

 

Vamos ver quais são elas:

 


Pré-Feito

Feito

E-feito

Per-feito/De-feito

Des-feito

Re-feito

Per-feito

 
Na primeira fase temos o pré-feito,
isto é, feito na mente;
na segunda fase acontece o feito;
na terceira fase aparece o efeito;
na quarta fase vem o resultado perfeito ou com defeito; (Somos humanos, imperfeitos).
na quinta fase, se acontece o defeito, o feito tem que ser desfeito;
na sexta fase, o ato de refazer tem que acontecer;
na sétima fase, finalmente, o ato sai perfeito.
 
Vamos repensar e refletir
sobre cada uma das fases. 
 
Na primeira fase: o pré-feito. Diz-se que antes do ato vem o pensamento.
 
Assim é: primeiro pensamos em algo.
 
O que vem antes ainda?
A inspiração? A intuição?
 
O fato que constatamos é que, antes de nos decidirmos pelo ato, acontece a ação de pensar ou refletir sobre o que vamos fazer.
 
Esta é uma condição humana para que um feito seja caracterizado como decorrente da atividade do homem e da mulher.
 
Antes de construirmos uma casa, idealizamos a casa.
 
 
Antes de comprar um carro, imaginamos o tipo, marca, cor, potência e características diversas do carro que desejamos.
 
Costumamos idealizar, sonhar ou imaginar um cenário em que gostaríamos de estar e viver.
 
         A pessoa humana está equipada com uma série de potencialidades ou capacidades ou qualidades que a definem e a distinguem.
 
A capacidade de pensar possibilita à pessoa humana a aquisição do conhecimento e, através do estudo (aprofundamento do conhecimento), podemos analisar o conteúdo, verificando os valores e todos os componentes do objeto estudado.
 
A partir de um determinado ponto de partida teórico (conhecer, estudar) passa-se para a etapa da atividade prática.
 
Dentro do contexto ‘teoria mais prática’, o feito será realizado, baseado, fundamentado numa formação, numa cultura ou numa educação.
 
Esta cultura, esta formação ou esta educação, quanto mais universal ou global conseguir ser, o feito daí decorrente será bom, dignificante ou personalizante, ou até mesmo, eternizante.
 
 
Segunda fase: o feito, ou o ato.  Dentro do campo da eternidade, nós moramos nesta terrinha, um pequeno planeta cheio de obras humanas.
 
A terra, habitada por pessoas humanas, adquiriu ao longo dos séculos e milênio, uma fisionomia.
 
Ao olharmos os feitos das pessoas humanas, vemos obras que nos assombram, comovem-nos e nos orgulham, pela sua utilidade, pela sua grandeza, pela sua beleza e perfeição.
 
Na condição de reis da criação, dentro do reino humano, o mais perfeito, o mais completo, mais uno dos reinos (mineral, vegetal, animal e humano), o reino humano sintetiza em si todos os elementos dos demais reinos.
 
Criado à imagem do Deus Pai Criador, a pessoa humana é possuidora de algumas qualidades divinas, como a liberdade, a espiritualidade, a criatividade, a capacidade de refletir, decidir e fazer.
 
Estamos constantemente pré-ocupados em aperfeiçoar ou concluir esta nossa casa, através das ferramentas que temos.
 
Executamos nossos atos, nossos feitos, atendendo ou tentando responder as necessidades dos habitantes deste planeta.
 
Nossa missão aqui na terra é recriar o paraíso terrestre, citado no Livro Bíblico do Gênesis.
 
E já estamos capacitados para tal tarefa.
 
Vá percebendo, fazendo uma leitura da história, e avalie em que fase estamos, e onde é necessário efetivar melhoramentos.
 
Em que fase nos encontramos?
 
Terceira Fase: o efeito.   Dos nossos feitos, sempre decorrem efeitos. Todo e qualquer ato, fato, gesto, expressão, palavra escrita, fala, ou seja lá o que for que se perceba, semeia uma consequência, derrama, reflete, causa ou provoca um ou vários efeitos colaterais, que podem ser bons ou podem ser maus, morais ou imorais, construtivos ou destrutivos, protetores ou ameaçadores, libertadores ou escravizadores.
 
Diz o Livro do Gênesis que o Deus Pai Criador demorou seis dias para construir o universo e no sétimo dia, descansou.
 
E depois de tudo feito,
viu que tudo era bom.
 
Ora, o Deus Pai Criador, sendo eterno, entre todas as coisas criadas, criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança.
 
 Nós, criaturas, temos, portanto, várias qualidades divinas,
como a capacidade espiritual,
a liberdade,
o conhecimento.
 
Temos, portanto, uma grande responsabilidade.
 
A responsabilidade pela administração
desta nossa vida recai sobre tudo,
tudo o que está relacionada a ela.
 
Temos a capacidade de gerar, de criar, recriar, transformar, criar feitos que também possam ser caracterizados como expressões do nosso ser, como atos bons.
 
Porém, como somos ‘só meio’ deuses’, nossos atos ainda não são plenamente perfeitos, por isso, nossos atos podem produzir efeitos bons e efeitos não bons.
 

Quarta fase: perfeito ou defeito. Vamos considerar aqui, que o feito teve um defeito.
 
O perfeito analisaremos na última etapa.
O natural do ser humano desenvolvido, equilibrado, justo, digamos, uma pessoa humana perfeita, somente faria atos perfeitos.
 
Porém, considerando nossa situação de deuses em projeção, nossa condição humana ainda é imperfeita.
 
Temos condições de fazer atos perfeitos?
Sim, porém, estamos carregados de defeitos, preconceitos, desequilíbrios, fraquezas, ambições, e muitos etc.
 
Estamos ainda em condições de efetuar feitos imperfeitos, isto é, feitos com defeitos.
 
Pois bem, alguma coisa não funcionou direito na pessoa humana.
 
Fazer mal feito é fácil.
 
Fazer bem feito é muito difícil,
muito trabalhoso e muito exigente.
 
Do fazer coisas com defeitos,
de quem é a culpa?
 
Do Deus Pai Criador, que, confiando nos seus filhos, deu um dom muito maior que nossa capacidade?
 
Constatamos que temos em nós a capacidade da liberdade, um dos atributos da personalidade do Deus.
 
Talvez tenhamos levado a sério demais nossa semelhança com o Deus e, tentamos nos aproveitar disso, esquecendo-nos dos outros componentes da nossa personalidade eterna.
 
Um dos grandes méritos da pessoa humana é perceber que nossos atos sejam bons.
 
Quanta e emoção e alegria sentimos quando fazemos um ato bom.
 
Deus, ao criar viu, imediatamente, que todas as suas obras foram perfeitas.
 
Nós, humanos, ainda não temos a visão abrangente, que nos dê uma certeza de que nossos feitos são totalmente bons.
 
Quando uma pessoa comete um erro por desconhecer o manual de orientação,
por desconhecer métodos ou técnicas ou normas de funcionamento ou comportamento,
podemos até compreender,
mesmo sofrendo as consequências
do malfeito.
 
 Porém, das pessoas cultas, letrados, diplomados, encarregados de responsabilidades públicas, qualquer ato feito que decorra em consequências ou efeitos malfeitos, consideramos omissão de responsabilidade, fraqueza de caráter, desvio de personalidade, incoerência vital, pois que, sendo já um ser humano perfeito, produz obras im-perfeitas, conscientemente.
 
Felizmente temos também a capacidade para perceber nossos de-feitos. Muitos dos nossos atos ainda não correspondem à nossa dignidade de filhos do Deus, herdeiros dos céus, administradores ou reis da criação.
 
Precisamos relembrar que nossos dons e capacidades nos foram dados para, diante do Deus Pai, nos comportamos como filhos; diante dos outros, nos comportamos como irmãos, e, diante do mundo adotar o correto comportarmos de bons administradores.
 

Quinta fase: desfeito. Se algo foi feito com defeito, precisa ser desfeito e feito de novo. Esta etapa precisa ser ainda melhor analisada. Pressupõe uma consciência moral, uma educação universal para o bem, para o belo, para o bom.
 
Se não existe estes pré requisitos, todas as ações terão defeitos ou efeitos colaterais.
 
Veja o quanto é importante ter uma visão global sobre qualquer coisa. 
 
Como humanos, ainda é natural reconhecer nossa incapacidade atual.
 
Como filhos do Deus Criador do Céu e da Terra, há que reconhecer nossa filiação divina.
 
Como humanos e divinos, temos que reconhecer que erramos.
 
O ser humano precisa avaliar a caminhada da história.
 
Fazemos parte dela como responsáveis. 
 
Há que considerar os atalhos escolhidos e as perdas no caminho.
 
Reconhecer que precisamos cultivar a humildade, esta virtude que nos coloca no nosso devido lugar.
 
Há ainda dois problemas que interferem em nosso agir: um é o orgulho e o outro é o poder.  
 
É necessário avaliar a influência do orgulho. É de fundamental importância perceber a tendência do ser humano para o uso do poder.
 
O poder judiciário existe quase que exclusivamente para ocupar-se de todos os efeitos do mal uso destas duas forças do ser humano.
 
O poder e o orgulho geram todos os desequilíbrios da natureza humana.
 
Quando se chega a um estágio do desenvolvimento do nosso caráter e da nossa personalidade, onde admitimos as falhas cometidas, e decidimos por desfazer o que foi feito errado ou com defeito, estamos já numa dimensão promovida para a solidariedade ou a vivência da fraternidade universal, tanto em nível antropológico como ecológico e espiritual.   
 

Sexta fase: refeito.  Num contexto cultural onde a religião é um quadro de referência milenar, possibilitando ao ser humano uma fonte segura, equilibrada, motivadora, redentora e, ressuscitadora, fundamentada na justiça, no perdão, no amor, na fé e na esperança, abre-se um horizonte sem fronteiras, revelando-nos nosso destino eterno, além desta nossa pátria terrena, além das fronteiras do planeta terra. 
 
Somos irmãos quando reconhecemos nossa filiação divina.
 
É necessário admitir a existência do Pai dos céus e da Terra.
 
É necessário aceitar as regras da filiação divina.
 
É necessário refazer o elo e confirmar a aliança de fidelidade. 
 
A morte não é um fim de viagem, mas recomeço.
O Cristianismo, com o Jesus Cristo, veio dar um sentido à morte, que até então tinha a última palavra.
 
Jesus Cristo demonstrou pela encarnação, vida e ressurreição que há um sentido transcendental inclusive para o sofrimento.
 
A característica principal da religião é a fé, fundamentada ou ajudada pela razão até onde ela pode chegar na sua materialidade.
 
A pessoa humana
atua a sua consciência
nos feitos da sua vida.
 
Com uma cultura enriquecida pela moral,
pela ética, pela educação ou formação familiar baseada nos valores do amor, respeito, perdão, reconciliação ou conversão, se refaz o que não está ainda plenamente perfeito.
 
Como irmão dá para recomeçar. 
 
Deus Pai ao criar o mundo,
já tinha criado o paraíso.
 
Com o mau uso da liberdade,
perdemos o paraíso.
 
O próprio Deus refez seu plano original.
 
Escalou o seu próprio filho para arrumar, para ajeitar, para aperfeiçoar o plano original.
 
Agora, nossas conquistas passam sempre pela porta estreita, onde o esforço pessoal passou a ser a característica fundamental do refazer.
 
Dentro deste campo, a luta básica,
constante será sempre contra o egoísmo,
o fechamento, o desregramento,
a injustiça, o mal uso do poder
e do orgulho mal compreendido.
 
Tudo o que foi feito com estes desequilíbrios, precisam agora ser refeitos, com o uso das virtudes que constroem definitivamente,
sem defeitos. 
 
O atraso na construção das obras
que o nosso Pai dos céus nos confiou
devem-se aos desequilíbrios pessoais, grupais, societários ocasionados pela desobediência à autoridade Paterna, não reconhecida por alguns habitantes deste nosso planeta terra.
 
A demora na entrega da obra retarda a chegada definitiva do perfeito.
 
Não há mais como fazer contratos aditivos.
 
As regras já são conhecidas.
A desobediência terá consequências não desejadas. 
 
As metas e objetivos deveriam estar todas direcionadas para o bem, para o bom e para o belo.
 

Sétima fase: perfeito.  O natural do ser humano desenvolvido, equilibrado, justo, são atos feitos de tal modo que possam ser chamados de per feitos.
 
A responsabilidade é acentuada na obrigação natural de feitos realizados tendo em vista o bem e a verdade.
 
A coerência e a verdade se ajustam. 
 
A responsabilidade é a consequência do amadurecimento adquirido através do conhecimento, da formação, da cultura dos valores da filiação divina, da fraternidade universal e da administração do cosmos
como nossa casa e casa do Deus Pai.
 
Dizemos que uma pessoa humana
é desenvolvida quando percebemos em seus atos, a coerência entre seu pensar, seu agir e sua maneira de ser.
 
Dizemos também que é pelos bons frutos
que se conhece uma boa árvore.
 
Supondo que a pessoa humana é possuidora de capacidades, talentos ou potencialidades capazes de agir perfeitamente, concluímos que, um feito perfeito é um investimento resultante de uma educação integral.
 
A história de novo nos prova,
pela biografia dos poetas, cientistas, dos santos, dos grandes filósofos, dos grandes líderes,
dos grandes estadistas, que a luta pelo perfeito está em andamento.
 
Se está em andamento
está dentro da lei da evolução.
 
Tenhamos pois, paciência histórica
e perseverança. 

Que nossos feitos possam manifestar-se sem defeitos.
 
Desde o começo
nossos feitos deveriam estar
na condição
de perFEITOS.
 
Quantas páginas foram necessárias para demonstrar como seria bom se fizéssemos nossos feitos, bem feitos, desde o começo.


 
Eneas Paulo Budel Bogucheski         

Atualizado em 11/02/2016.

eneaspb@gmail.com 

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