Todos nos encaixamos
no
conceito de caminhantes.
Graças
aos dons que recebemos:
-
Nossos pés
nos
colocam em movimento.
-
Nossa racionalidade,
escolhendo
caminhos.
-
Nossas preferências,
por
caminhos, estradinhas
por
entre a natureza,
no
interior, nas periferias da cidade.
E
saímos, a caminhar,
nos
finais de semana,
levando
a máquina fotográfica
para
trazer na bagagem,
e
depois curtir,
a
simplicidade,
as
mensagens e lições da natureza,
e
suavizar, com saudades,
o
que vimos por lá.
Nos
primeiros passos,
já
bem distante da agitação,
a
paisagem natural,
convida
ao silêncio;
e a harmonia
encaminha-nos
para o encontro com a paz.
Saímos
da cidade
em
busco do quê?
O
que nos leva a sair?
O
que estamos procurando?
Parece-me que é
ao sair da cidade,
sair da agitação,
que encontramos a nós mesmos.
E, quando
olhamos para fora,
abre
dentro do nosso peito
um vazio a ser preenchido
pelo silêncio e pela paz,
pela harmonia,
a unidade
que tanto desejamos realizar.
Sentimentos
estranhos, indefinidos,
mas
gostosos, criam expectativas
de
um encontro.
A
naturalidade
a
simplicidade da natureza,
a
paz e a harmonia entre todas as coisas,
as
cores, o som do silêncio, as nuvens nos céus,
vão
colocando em ordem a multiplicidade
que
me habita.
Percebo
que devo me descomplicar,
clarear
meus pensamentos,
reduzir
meus desejos,
unificar-me.
Caminhando,
abrem-se
oportunidades,
esquinas,
estradas, escolhas,
para
muitos lugares, regiões, vilas,
vales
e montanhas, cavernas, rios e mares.
Para
onde eu for,
levo
junto, quem sou,
quem
penso, minhas dúvidas,
meus
problemas, meus sonhos,
minhas
expectativas.
Naquilo
que vou encontrando,
observando
e contemplando,
respostas
vem se oferecendo. .
Nas
estradinhas do interior
surpresas
vão se apresentando.
Numa
curva,
um
pequeno bosque,
uma
pequena capela.
Não
posso passar adiante,
sem
chegar,
parar,
silenciar,
para
me lembrar,
que
estou de passagem,
que
preciso de orientações
para
onde ir, qual esquina virar
para
o passado não mais voltar.
Para
frente devo seguir,
descobrindo
outras capelas,
refúgios,
avisos, alertas,
ao
lado da estrada,
para
descansar
e
retomar
a
direção certa.
A
capela lembra
outra
dimensão, vertical.
Não
tenho aqui na terra,
morada
permanente.
Estou
de passagem.
Segue
na próxima esquina ...
Foto cedida por Tania Regina Cordeiro
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
03/06/2022

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