quarta-feira, 10 de agosto de 2022

785.- Capelinha. Na beira da estrada, uma capelinha.

 


Todos nos encaixamos

no conceito de caminhantes.

 

Graças aos dons que recebemos:

- Nossos pés

nos colocam em movimento.

- Nossa racionalidade,

escolhendo caminhos.

- Nossas preferências,

por caminhos, estradinhas

por entre a natureza,

no interior, nas periferias da cidade.

 

E saímos, a caminhar,

nos finais de semana,

levando a máquina fotográfica

para trazer na bagagem,

e depois curtir,

a simplicidade,

as mensagens e lições da natureza,

e suavizar, com saudades,

o que vimos por lá.

 

Nos primeiros passos,

já bem distante da agitação,

a paisagem natural,

convida ao silêncio;

e a harmonia 

encaminha-nos 

para o encontro com a paz.

 

Saímos da cidade

em busco do quê?

 

O que nos leva a sair?

 

O que estamos procurando?

 

Parece-me que é 

ao sair da cidade,

sair da agitação, 

que encontramos a nós mesmos.

 

E, quando olhamos para fora,

abre dentro do nosso peito

um vazio a ser preenchido

pelo silêncio e pela paz,

pela harmonia,

a unidade 

que tanto desejamos realizar. 


Parece que é exatamente aí que encontramos 

a nossa essência, nosso eu original. 

 

Sentimentos estranhos, indefinidos,

mas gostosos, criam expectativas

de um encontro.

 

A naturalidade

a simplicidade da natureza,

a paz e a harmonia entre todas as coisas,

as cores, o som do silêncio, as nuvens nos céus,

vão colocando em ordem a multiplicidade

que me habita.

 

Percebo que devo me descomplicar,

clarear meus pensamentos,

reduzir meus desejos,

unificar-me.

 

Caminhando,

abrem-se oportunidades,

esquinas, estradas, escolhas,

para muitos lugares, regiões, vilas,

vales e montanhas, cavernas, rios e mares.

 

Para onde eu for,

levo junto, quem sou,

quem penso, minhas dúvidas,

meus problemas, meus sonhos,

minhas expectativas. 

 

Naquilo que vou encontrando,

observando e contemplando,

respostas vem se oferecendo. .

 

Nas estradinhas do interior

surpresas vão se apresentando.

 

Numa curva,

um pequeno bosque,

uma pequena capela.

 

Não posso passar adiante,

sem chegar,

parar, silenciar,

para me lembrar,

que estou de passagem,

que preciso de orientações

para onde ir, qual esquina virar

para o passado não mais voltar.

 

Para frente devo seguir,

descobrindo outras capelas,

refúgios, avisos, alertas,

ao lado da estrada,

para descansar

e retomar

a direção certa.

 

A capela lembra

outra dimensão, vertical.


Não tenho aqui na terra,

morada permanente.

Estou de passagem.

 

Segue na próxima esquina ...

 

Foto cedida por Tania Regina Cordeiro 



Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

03/06/2022

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