Sentimos dificuldades
em vivenciar
a nossa filiação
divina
porque aprendemos
a expressar nossa
religiosidade
de uma forma
demasiadamente racional.
Sentimos dificuldades
em expressar nossa
espiritualidade
porque não aprendemos
a sentar no colo do
Jesus
para ouvir dele
as palavras
misericordiosas
que endereça a cada
um de nós.
Sentimos dificuldades
em falar com Ele, ou
rezar,
porque não nos
sentimos
carregados nos ombros
do Jesus
quando estamos
passando por dificuldades,
aflitos, preocupados
com coisas que nos
fazem sofrer inutilmente,
porque desconhecemos
as suas promessas de
salvação,
de perdão, de
compreensão amorosa.
Em todos os encontros
do Jesus,
com quem quer que
fosse,
transparece o olhar
misericordioso,
as palavras
libertadoras,
os milagres de cura e
ressurreição,
o perdão sempre dado.
O Jesus Cristo
inaugurou um tipo de
espiritualidade
a partir do seu
relacionamento com seu Pai,
e nosso Pai,
ao referir-se a ele
como Paizinho.
Abba, na língua hebraica
significa Papai
Querido.
O São João Evangelista,
(formado nos ombros
do Jesus),
quando se dirigia aos
seus ouvintes dizia:
“Filhinhos queridos
...”.
Aprendeu a pedagogia
do amor,
vivenciou-a, e, com
cargas afetivas
se relacionava com os
membros
da sua fraternidade.
Nós fomos ensinados
a fazer orações
verbais,
escritas, lidas nos
folhetos,
formalizadas, nos
livros de catequese.
Orações escritas
não são
personalizadas.
São letras nos
papéis.
São lidas ou
decoradas.
Não estão carregadas
de afeto e carinho.
Não abrem
para o diálogo.
Não conduzem
para conversas
íntimas.
Não há
espontaneidade,
liberdade para
aberturas.
Podem até ser úteis,
mas não favorecem
a convivência afetiva,
o diálogo carinhoso
entre pai e filho,
e ao amadurecimento
de uma
espiritualidade amorosa.
Todo ser humano
necessita ser amado,
experimentar o amor,
a graça
de ser abençoado
e perdoado.
A definição
que o Jesus deu para
seu pai é, AMOR.
O Pai é Amor.
É dessa experiência,
dessa pedagogia do
amor
que queremos aprender
e expressar em nosso
agir.
Imagine você
diante de alguma
autoridade,
recitando palavras
ou lendo de algum
livro,
sem olhar
para os olhos da
autoridade.
Só da boca para
fora.
A autoridade, olhando
para você,
espera que você tire
os olhos do papel
e fite os olhos dele,
em atitude de
admiração,
respeito e,
silenciosamente.
Fechado em seu
quarto,
em segredo,
longe dos olhos dos
outros,
nem precisa de
palavras.
Basta a atitude
filial,
de humilde
reconhecimento
da nossa condição
humana
diante do Criador do
Céu e da Terra.
Essa é a forma
de expressar a
espiritualidade afetiva,
reconhecendo o dom da
nossa filiação divina,
e em espírito e
verdade,
adorar afetuosamente
nosso Paisinho
querido,
com pensamentos
e gemidos de
gratidão.
Não precisamos pedir
nada.
Ele é nosso Paizinho
Querido.
Já nos deu tudo que
precisamos.
Basta-nos vivermos
em sua presença
a na sua companhia.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
30/06/2022

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