quarta-feira, 10 de agosto de 2022

797.- Espiritualidade afetiva.

Sentimos dificuldades

em vivenciar

a nossa filiação divina

porque aprendemos

a expressar nossa religiosidade

de uma forma

demasiadamente racional.


Sentimos dificuldades

em expressar nossa espiritualidade

porque não aprendemos

a sentar no colo do Jesus

para ouvir dele

as palavras misericordiosas

que endereça a cada um de nós.

 

Sentimos dificuldades

em falar com Ele, ou rezar,

porque não nos sentimos

carregados nos ombros do Jesus

quando estamos passando por dificuldades,

aflitos, preocupados

com coisas que nos fazem sofrer inutilmente,

porque desconhecemos

as suas promessas de salvação,

de perdão, de compreensão amorosa. 

 

Em todos os encontros do Jesus,

com quem quer que fosse,

transparece o olhar misericordioso,

as palavras libertadoras,

os milagres de cura e ressurreição,

o perdão sempre dado.

 

O Jesus Cristo

inaugurou um tipo de espiritualidade

a partir do seu relacionamento com seu Pai,

e nosso Pai,

ao referir-se a ele

como Paizinho.

Abba, na língua hebraica

significa Papai Querido.

 

O São João Evangelista,

(formado nos ombros do Jesus),

quando se dirigia aos seus ouvintes dizia:

“Filhinhos queridos ...”. 

Aprendeu a pedagogia do amor,

vivenciou-a, e, com cargas afetivas

se relacionava com os membros

da sua fraternidade.

 

Nós fomos ensinados

a fazer orações verbais,

escritas, lidas nos folhetos,

formalizadas, nos livros de catequese.

 

Orações escritas

não são personalizadas.

São letras nos papéis.

São lidas ou decoradas.

Não estão carregadas

de afeto e carinho.

 

Não abrem

para o diálogo.

 

Não conduzem

para conversas íntimas.

 

Não há espontaneidade,

liberdade para aberturas.

 

Podem até ser úteis,

mas não favorecem

a convivência afetiva,

o diálogo carinhoso

entre pai e filho,

e ao amadurecimento

de uma espiritualidade amorosa.

 

Todo ser humano

necessita ser amado,

experimentar o amor,

a graça

de ser abençoado

e perdoado.

 

A definição

que o Jesus deu para seu pai é, AMOR.

O Pai é Amor.

É dessa experiência,

dessa pedagogia do amor

que queremos aprender

e expressar em nosso agir.

 

Imagine você

diante de alguma autoridade,

recitando palavras

ou lendo de algum livro,

sem olhar

para os olhos da autoridade.

Só da boca para fora. 

A autoridade, olhando para você,

espera que você tire os olhos do papel

e fite os olhos dele,

em atitude de admiração,

respeito e, silenciosamente.

 

Fechado em seu quarto,

em segredo,

longe dos olhos dos outros,

nem precisa de palavras.

Basta a atitude filial,

de humilde reconhecimento

da nossa condição humana

diante do Criador do Céu e da Terra.

 

Essa é a forma

de expressar a espiritualidade afetiva,

reconhecendo o dom da nossa filiação divina,

e em espírito e verdade,

adorar afetuosamente

nosso Paisinho querido,

com pensamentos

e gemidos de gratidão. 

Não precisamos pedir nada.

Ele é nosso Paizinho Querido.

Já nos deu tudo que precisamos.

Basta-nos vivermos

em sua presença

a na sua companhia.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

30/06/2022

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