terça-feira, 9 de agosto de 2022

809.- Caminhando sobre as águas

E se ...

não houvesse outro jeito

e tivéssemos que atravessar

os rios e os mares da vida,

pisando sobre as águas,

sem nenhum receio

de afundar-nos?

 

E que, se afundássemos,

haveria alguém Poderoso

estendendo as suas mãos,

segurando e arrastando-nos

para o chão firme?

 

Essa é a função da religião,

e da espiritualidade

que nos habita.

 

O ser humano não é órfão,

mesmo que assim pareça.

 

As verdadeiras religiões

procuram mostrar

que somos todos irmãos

e que temos um Deus

que é o Criador,

nosso Pai.

 

Tudo o que por Ele foi feito

é para servir a nós, seus filhos.

 

Todos somos iguais.

Todas as profissões se intercambiam,

cada uma servindo às outras.

 

Alguém já caminhou

sobre as águas.

 

É possível?

 

Sim, até

com explicações científicas.

 

Quando dois elementos

entram na água

um, pesado, o corpo, afunda;

o outro, a alma leve, desliza,

flutua, passeia

sobre a superfície da água.

 

Alguém, físico,

com o domínio da alma

sobre o corpo,

é capaz de andar

sobre as águas.

 

...

 

Sabe as razões

por que não conseguimos andar

sobre as águas?

 

Porque

não temos coragem.

 

Porque

somos medrosos.

 

O medo

é maior

do que nossa ousadia

e nossa coragem.

 

Porque

somos ignorantes.

 

Desconhecemos

nosso potencial espiritual.

 

Porque resistimos.

 

Porque

não desenvolvemos a fé

em nosso potencial.

 

Porque

não nos conhecemos.

 

Por isso somos impotentes.

 

Só estamos aonde chegamos,

porque fomos levados pelo instinto

de segurança.

 

Fomos educados

e estamos acostumados

a pensar e a agir de acordo

com o que nos foi ensinado.

 

A cultura deste mundo

é materializada.

 

Tudo é pensado e planejado

em função do corpo:

alimentos, embelezamento,

poder, prazer, conforto.

 

A cultura da alma, do espírito,

da imortalidade, do mundo invisível,

é o objeto das religiões e da espiritualidade.  

 

Desconhecemos nosso poder espiritual.

 

Se ousássemos mais,

muito mais longe estaríamos.

 

Se fossemos com coragem,

a fé teria nos levado

até o infinito.

 

O Pedrão,

desejando caminhar sobre as águas

pediu autorização para o mestre.

 

O mestre lhe diz: vem.

E ele foi ... só até uns passos adiante,

e começou a afundar.

 

Faltou coragem.

Sobrou medo.

 

O medo

foi a causa do seu insucesso.

 

A falta de coragem

está ligada ao excesso de medo.

 

O medo

faz parte da cultura do corpo.

 

A coragem

é o componente da alma.

 

Coragem

é o que nos falta

para alcançar um nível de fé

suficiente para exercer a função divina

que herdamos do nosso Pai celestial.

 

Coragem

é a arma que usamos

para derrotar o medo.

 

Coragem

é o caminho

que leva à maturidade da fé,

ou é a virtude que amadurece a fé.

 

Coragem x medo:

Aquele que vencer

determinará o tipo de pessoa

que seremos.

 

Se o medo vencer,

permaneceremos terráqueos;

se a coragem vencer

entraremos na dimensão infinita

da eternidade.

 

É a coragem

que expande os limites da vida.

O medo reduz.

 

Se a sua coragem te der

determinação e arrojo,

superarás os limites

da existência humana.

 

É preciso coragem

para abrir-se

ao estranho,

aos mistérios,

ao mundo invisível.

 

Nos rios da vida,

a coragem navega

contra a correnteza do medo.

 

Não precisamos de coragem

para viver neste mundo natural,

precisamos sim, de coragem,

para nos abrir

ao mundo sobrenatural.

 

O medo fecha portas.

A coragem abre.

 

É missão do ser humano

adquirir coragem

como um dos únicos passaportes

para ultrapassar a sua própria natureza

em direção ao mundo da fé.

 

É o medo

que nos faz ver fantasmas.

É a coragem que tira os lençóis

que encobrem o desconhecido.

 

O medo

supõe a segurança e a certeza;

a coragem

aceita a aventura de navegar

na insegurança e na incerteza

agarrada à confiança

de Quem está no leme

do barquinho.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado e publicado no FACE  

em 09/08/2022

eneaspb@gmail.com


https://heiposworld.blogspot.com

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