quarta-feira, 10 de agosto de 2022

806. Eu queria ...


Quanta coisa eu queria

e a felicidade insistia,

            e trazia, muito mais

                            do que pedia.


 O que a felicidade ensina

é que ela vem, sempre vem,

dizendo: algo ainda te falta,

sempre faltará.

 

E diz mais: sou uma promessa

que não pode ser cumprida.

 

Jamais descansarás,

de me procurar,

nunca cessarás

de me buscar.

 

Jamais terás

a sensação

de plenitude.

 

Um amigo insatisfeito,

deixou de falar,

para tanta gente,

desconhecida.

 

Largou dos microfones

e hoje fala só

com uma pessoa

de cada vez,

olhando nos olhos,

escutando a respiração,

sentindo a presença,

tocando nas mãos,

ajudando, curando.

 

Tenho agora,

a mesma motivação,

não escrever mais,

para tanta gente,

distante.

 

Mais do que falar,

queremos ser escutados,

entendidos, acolhidos,

receber atenção.

 

A palavra escrita,

não me leva até você,

ou não vai até lá,

onde a tardinha leva.

 

Hoje eu quero,

mais do que queria,

saber o teu nome,

responder à sua pergunta,

pesquisar a sua cura,

entregar-te o que você precisa.

 

Tenho tempo,

vivo entre os livros,

e o silêncio.

 

Leio,

estudo,

escuto,

medito,

e espero 

o teu contato.

 

Quero a sua companhia,

mais do que antes queria.

 

Deixo-te aproximar-se de mim.

 

O que é o que te preocupa?

 

Quero te ajudar

a carregar

o que estiver

te sobrecarregando.

 

Permito-te entrar

no jardim da minha casa,

e na mesinha, sob a árvore,

você, eu, os pássaros, o ar puro,

o espírito de infância,

sem censuras,

compartilhar a vida,

e as perguntas

ainda não nascidas.

 

Eu queria

desfrutar juntos

da tardinha,

permitindo que a noite

deixe de ser só sua

e seja também minha.

 

Só quero descansar

no teu abraço,

acolher o teu cansaço,

ser você em mim.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

41 98854-5166

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