quarta-feira, 10 de agosto de 2022

793.- Saída. Onde é a saída?


Não deixem

que me acostume por estas terras.

 

Não permitam

que eu goste de morar por aqui.

 

Não se acostumem também.

 

Cutuquemos a acomodação.

 

Não insistamos em fincar raízes

na terra árida.

 

Procuremos a terra fértil

onde se encontram os principais

e mais importantes nutrientes

que alimentam o impossível,

sonhável e desejável.

 

Procurem,

decifrem e deem-me

os mistérios

que alimentem

a minha natureza infinita.

 

Saciem minha sede

com água pura,

da verdadeira fonte,

e forneçam-me alimentos

que me eternizem.

 

Queiramos junto,

adquirir a virtude da teimosia,

buscando o caminho e o alimento certo,

que contenham nutrientes apropriados.

 

Teimemos contra a própria correnteza,

nem que seja oposição à nossa própria

natureza.

 

Não posso

e não podemos aceitar

que a própria natureza

nos reduza ainda mais.

 

Não aceitemos, passivamente,

entregar-nos para os limites.

 

Não fomos criados

Para permanecer

no mundo do fechado,

do pouco, do túmulo lacrado,

da morte sem sentido,

sem aberturas para o futuro,

sem dar chances

ao infinito ser parceiro permanente.

 

Queremos encontrar abertura

para a eternidade.

 

Não tiremos de nós

as poucas esperanças

que nos vêm dos bons profetas

e dos sensíveis poetas.

 

Afastemos de nós

os profetas do mau agouro,

que não avistam nada

além das fronteiras.

 

Estes, não nos fazem pensar,

nem imaginar sobre ‘algo a mais’

que possa existir.

 

Não acho próprio da natureza humana

permanecer preso

só no que vemos e tocamos.

 

Não suporto a ideia de ser só isso.

 

É muito pouco.

 

Deve ter muito mais.

 

Não, não quero estar satisfeito.

 

Não aceitemos permanecer

no campo limitado da matéria

ou nos limites geográficos horizontais

da natureza visível e palpável.

 

Ainda há a explorar,

a dimensão de profundidade

e a dimensão da verticalidade.

 

Asas não as temos.

Não conseguimos ainda,

mas sonhamos voar.

 

Nossa existência

não é só natural.

 

Ela é também,

sobrenatural.

 

Sentimos isso.

 

Fazemos esta experiência.

 

Queremos viver mais

o sobrenatural

do que a dimensão perecível

do natural.

 

Algo nos diz,

talvez um anjo sussurrando

em nossos ouvidos,

insistindo que acreditemos

que a natureza essencial,

que não aparece,

é sobrenatural.

 

Muito mais do que para os lados,

forças íntimas e profundas

empurram-nos para cima,

para o alto,

exigindo alicerces

de profundidade.

 

 

........................


Não é o chão da rotina

que trará novidades.

 

Até as árvores,

no reino irmão da natureza,

crescem para cima

e abrem seus galhos,

alargando os braços,

numa atitude de acolhimento

e ansiosos para crescer para o céu.

 

E até nós, humanos,

crescemos bem menos em estatura,

muito mais em compreensão e espichamento

do desejo para ir além

do que até onde já

chegamos.

 

Mais do que com pesadelos,

povoamos e alimentamos

nossa imaginação

com sonhos e ideais.

 

Onde está a resposta

do porquê vivemos?

 

Onde está a essência

e o essencial?

 

Tem que ter algo mais.

 

O que até hoje tivemos

é muito pouco.

 

Não nos contentou.

 

Não deram respostas satisfatórias.

 

Deve ter muito mais aí,

pelo mundão afora.

 

Onde estão os garçons,

aqueles que servem pratos especiais?

 

O essencial

ainda não foi posto na mesa.

 

Muito mais do que a passividade,

é o movimento que nos remete para o alto.

 

Muito mais do que as resistências,

são as motivações

que despertam sonhos e ideais.

Nossos irmãos ancestrais

não se contentaram

nem se realizaram no mundo das cavernas.

 

Procuraram o progresso no fogo,

na caça, na agricultura,

na indústria,

no domínio dos mares,

no voar com os aviões pelos ares.

 

E jamais chegaram dizendo: chegamos.

 

Nos espaços siderais, irmãos nossos,

já voaram procurando o infinito.

 

Não, não somos órfãos.

Traços e pistas do nosso Pai e Pai dos céus

existem por toda parte.

 

Não, não somos só humanos.

 

A alegria nos diz isso.

 

Queremos sempre a alegria por perto.

 

Desejamos cultivar

a fonte da alegria

na nossa horta.

 

Somos pessoas humanas,

com potencial espiritual infinito,

abertos ao ilimitado,

pela imagem e semelhança

com o Cientista,

Criador da Terra e dos Céus,

que cria para a eternidade.

 

Extasia-nos

e nos desperta,

um convite,

um aceno,

um chamado lá

das estrelas.

 

Quem saciará a fome

e o desejo de conhecer o céu?

 

Estes escritores procuramos.

 

Estes cientistas esperamos.

 

Que mãe parirá

estes necessários

novos escritores,

novos profetas,

novos poetas,

cientistas do além?

 

Por favor,

reitores,

cientistas,

filósofos,

artistas e poetas,

rabisquem linhas

e profiram palavras

que alarguem e prolonguem

estes sonhos, necessidades básicas,

das nossas esperanças.

 

Políticos,

assinem projetos ousados,

capazes de fazer acontecer,

a esperança brotar de novo, de verde,

em todos os povos.

 

Teólogos,

alimentem nossa fé

no Criador do Universo.

Ele é nosso Pai.

Revelem-nos o rosto Dele

e as moradas

que está preparando para nós.

 

Profissionais de todas as ocupações,

insistam, percam o sono,

invistam neste financiamento,

nas provas e demonstrações

que os mistérios não são fechados

ou impossíveis de serem lidos.

 

Queremos provas

desta filiação.

 

Não queremos ser filhos

sem heranças.

 

Queremos acreditar

nas promessas

de que somos herdeiros dos céus.

 

Não esvaziem

o conteúdo misterioso do Criador,

nosso Pai.

 

Não nos deixem famintos,

alimentando-nos

com a ignorância destas verdades.

 

Falem do nosso Papai do céu.

 

Nós, filhos, não queremos nos sentir órfãos.

 

Não aceitamos esta condição.

 

Não escondam

as verdades eternas.

 

Permitam-nos curtir

o mistério da natureza Divina,

e abram os espaços, mostrando-nos

o impossível, o infinito e o Incognoscível.

 

Demonstrem as evidências do espírito.

 

Falem da ressurreição após a morte,

da vida, da vida eterna.

 

Queremos continuar

vivendo eternamente.

 

Não nos deixem

curtindo ilusões e fantasias

ou mentiras que viajam pelos séculos.

 

O livro da história

já nos contou muitas verdades.

 

Verdades eternas permanecem

com o passar dos anos.

 

Já temos um sul.

Já temos a esperança

de que tais ideais são possíveis.

 

Águias que somos,(*)

feitos para voar nas alturas,

não aceitemos permanecer

como galinhas,

que também possuem asas,

mas não voam mais,

porque a cultura do conforto acomodou.

 

Caminhemos juntos.

 

Sejamos parceiros nesta pesquisa,

nesta ânsia de coisas melhores e maiores.

 

Prefiro ser um iludido

e viver nesta esperança

a sofrer numa vida triste

sem saída para a imortalidade.

 

      *Leia o livro do escritor Leonardo Boff, A águia e a Galinha, uma metáfora da condição humana / Petrópolis, RJ: Vozes.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                  

Criado em 14/12/2014

Atualizado em 14/06/2022

eneaspb@gmail.com 

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