quarta-feira, 10 de agosto de 2022

794.- Evolução.


Não é o chão da rotina

que trará novidades.

 

As árvores,

no reino irmão da natureza,

crescem para cima

e abrem seus galhos,

alargando os braços,

numa atitude de acolhimento

e ansiosos para crescer para o céu.

 

E até nós, humanos,

crescemos bem menos em estatura,

muito mais em compreensão e espichamento

do desejo para ir além

do que até onde já chegamos.

 

Crescemos para cima.

Evoluímos em direção 

à eternidade.


Aumenta sempre mais 

em cada um de nós

o desejo de ser eterno. 

 

Mais do que com pesadelos,

povoamos e alimentamos

nossa imaginação

com sonhos e ideais.

 

O que até hoje tivemos

é muito pouco.

 

Não nos contentou.

 

Não deram respostas satisfatórias.

 

Deve ter muito mais aí,

pelo mundão afora.

 

Onde está a resposta

do porquê vivemos?

 

Onde está a essência

e o essencial?

 

Tem que ter algo mais.

 

Onde estão os garçons,

aqueles que servem pratos especiais?

 

O essencial

ainda não foi posto na mesa.

 

Muito mais do que a passividade,

é o movimento que nos remete para o alto.

 

Muito mais do que as resistências,

são as motivações

que despertam sonhos e ideais.

 

Nossos irmãos ancestrais

não se contentaram

nem se realizaram

no mundo das cavernas.

 

Procuraram o progresso no fogo,

na caça, na agricultura,

na indústria,

no domínio dos mares,

no voar com os aviões pelos ares.

 

E jamais chegaram dizendo: chegamos.

 

Nos espaços siderais, irmãos nossos,

já voaram procurando o infinito.

 

Não, não somos órfãos.

 

Traços e pistas

do nosso Pai

e Pai dos céus

existem por toda parte.

 

Não, não somos só humanos.

 

A alegria nos diz isso.

 

Queremos sempre a alegria por perto.

 

Desejamos cultivar

a fonte da alegria

na nossa horta.

 

Somos pessoas humanas,

com potencial espiritual infinito,

abertos ao ilimitado,

pela imagem e semelhança

com o Cientista,

Criador da Terra e dos Céus,

que cria para a eternidade.

 

Extasia-nos

e nos desperta,

um convite,

um aceno,

um chamado lá

das estrelas.

 

Quem saciará a fome

e o desejo de conhecer o céu?

 

Estes escritores procuramos.

 

Estes cientistas esperamos.

 

Que mãe parirá

estes necessários

novos escritores,

novos profetas,

novos poetas,

cientistas do além?

 

Por favor,

reitores,

cientistas,

filósofos,

artistas e poetas,

rabisquem linhas

e profiram palavras

que alarguem e prolonguem

estes sonhos, necessidades básicas,

das nossas esperanças.

 

Políticos,

assinem projetos ousados,

capazes de fazer acontecer,

a esperança brotar de novo,

de verde,

em todos os povos.

 

Teólogos,

alimentem nossa fé

no Criador do Universo.

Ele é nosso Pai.

 

Revelem-nos o rosto Dele

e as moradas

que está preparando para nós.

 

Profissionais de todas as ocupações,

insistam, percam o sono,

invistam neste financiamento,

nas provas e demonstrações

que os mistérios não são fechados

ou impossíveis de serem lidos,

e que o infinito,

está a um passo

da evolução.

 

Queremos provas

desta filiação.

 

Não queremos ser filhos

sem heranças.

 

Queremos acreditar

nas promessas

de que somos herdeiros dos céus.

 

Não esvaziem

o conteúdo misterioso do Criador,

nosso Pai.

 

Não nos deixem famintos,

alimentando-nos

com a ignorância destas verdades.

 

Falem do nosso Papai do céu.

 

Nós, filhos,

não queremos

viver como órfãos.

 

Não aceitamos essa condição.

 

Não escondam

as verdades eternas.

 

Permitam-nos curtir

o mistério da natureza Divina,

e abram os espaços, mostrando-nos

o impossível, o infinito e o Incognoscível.

 

Demonstrem as evidências do espírito.

 

Falem da ressurreição após a morte,

da vida, da vida eterna.

 

Queremos continuar

vivendo eternamente.

 

Não nos deixem

curtindo ilusões e fantasias

ou mentiras que viajam pelos séculos.

 

O livro da história

já nos contou muitas verdades.

 

Verdades eternas permanecem

com o passar dos anos.

 

Já temos um sul.

 

Já temos a esperança

de que tais ideais são possíveis.

 

Águias que somos,(*)

feitos para voar nas alturas,

não aceitemos permanecer

como galinhas,

que também possuem asas,

mas não voam mais,

porque a cultura do conforto

acomodou.

 

Caminhemos juntos.

 

Sejamos parceiros nesta pesquisa,

nesta ânsia de coisas melhores e maiores.

 

Prefiro ser um iludido

e viver nesta esperança

a sofrer numa vida triste

sem saída para a imortalidade.

 

*Leia o livro do escritor Leonardo Boff,

A águia e a Galinha, uma metáfora

da condição humana. 

Petrópolis, RJ: Vozes.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

15/06/2022.

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