que trará novidades.
As árvores,
no reino irmão da natureza,
crescem para cima
e abrem seus galhos,
alargando os braços,
numa atitude de acolhimento
e ansiosos para crescer para o céu.
E até nós, humanos,
crescemos bem menos em estatura,
muito mais em compreensão e espichamento
do desejo para ir além
do que até onde já chegamos.
Crescemos para cima.
Evoluímos em direção
à eternidade.
Aumenta sempre mais
em cada um de nós
o desejo de ser eterno.
Mais do que com pesadelos,
povoamos e alimentamos
nossa imaginação
com sonhos e ideais.
O que até hoje tivemos
é muito pouco.
Não nos contentou.
Não deram respostas satisfatórias.
Deve ter muito mais aí,
pelo mundão afora.
Onde está a resposta
do porquê vivemos?
Onde está a essência
e o essencial?
Tem que ter algo mais.
Onde estão os garçons,
aqueles que servem pratos especiais?
O essencial
ainda não foi posto na mesa.
Muito mais do que a passividade,
é o movimento que nos remete para o alto.
Muito mais do que as resistências,
são as motivações
que despertam sonhos e ideais.
Nossos irmãos ancestrais
não se contentaram
nem se realizaram
no mundo das cavernas.
Procuraram o progresso no fogo,
na caça, na agricultura,
na indústria,
no domínio dos mares,
no voar com os aviões pelos ares.
E jamais chegaram dizendo: chegamos.
Nos espaços siderais, irmãos nossos,
já voaram procurando o infinito.
Não, não somos órfãos.
Traços e pistas
do nosso Pai
e Pai dos céus
existem por toda parte.
Não, não somos só humanos.
A alegria nos diz isso.
Queremos sempre a alegria por perto.
Desejamos cultivar
a fonte da alegria
na nossa horta.
Somos pessoas humanas,
com potencial espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e dos Céus,
que cria para a eternidade.
Extasia-nos
e nos desperta,
um convite,
um aceno,
um chamado lá
das estrelas.
Quem saciará a fome
e o desejo de conhecer o céu?
Estes escritores procuramos.
Estes cientistas esperamos.
Que mãe parirá
estes necessários
novos escritores,
novos profetas,
novos poetas,
cientistas do além?
Por favor,
reitores,
cientistas,
filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e prolonguem
estes sonhos, necessidades básicas,
das nossas esperanças.
Políticos,
assinem projetos ousados,
capazes de fazer acontecer,
a esperança brotar de novo,
de verde,
em todos os povos.
Teólogos,
alimentem nossa fé
no Criador do Universo.
Ele é nosso Pai.
Revelem-nos o rosto Dele
e as moradas
que está preparando para nós.
Profissionais de todas as ocupações,
insistam, percam o sono,
invistam neste financiamento,
nas provas e demonstrações
que os mistérios não são fechados
ou impossíveis de serem lidos,
e que o infinito,
está a um passo
da evolução.
Queremos provas
desta filiação.
Não queremos ser filhos
sem heranças.
Queremos acreditar
nas promessas
de que somos herdeiros dos céus.
Não esvaziem
o conteúdo misterioso do Criador,
nosso Pai.
Não nos deixem famintos,
alimentando-nos
com a ignorância destas verdades.
Falem do nosso Papai do céu.
Nós, filhos,
não queremos
viver como órfãos.
Não aceitamos essa condição.
Não escondam
as verdades eternas.
Permitam-nos curtir
o mistério da natureza Divina,
e abram os espaços, mostrando-nos
o impossível, o infinito e o Incognoscível.
Demonstrem as evidências do espírito.
Falem da ressurreição após a morte,
da vida, da vida eterna.
Queremos continuar
vivendo eternamente.
Não nos deixem
curtindo ilusões e fantasias
ou mentiras que viajam pelos séculos.
O livro da história
já nos contou muitas verdades.
Verdades eternas permanecem
com o passar dos anos.
Já temos um sul.
Já temos a esperança
de que tais ideais são possíveis.
Águias que somos,(*)
feitos para voar nas alturas,
não aceitemos permanecer
como galinhas,
que também possuem asas,
mas não voam mais,
porque a cultura do conforto
acomodou.
Caminhemos juntos.
Sejamos parceiros nesta pesquisa,
nesta ânsia de coisas melhores e maiores.
Prefiro ser um iludido
e viver nesta esperança
a sofrer numa vida triste
sem saída para a imortalidade.
*Leia o livro do escritor Leonardo Boff,
A águia e a Galinha, uma metáfora
da condição humana.
Petrópolis, RJ: Vozes.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
15/06/2022.

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