quarta-feira, 10 de agosto de 2022

800.- Adorar. Ah, se soubéssemos adorar!

Ainda um tema de estudos

precisa fazer parte das lições

mais importantes do livro da vida. 


        Trata-se da característica

     das grandes personalidades,

dos grandes personagens

  que experimentaram e vivenciaram

     a virtude da adoração e da gratidão.


A arte de adorar

   produz nos humanos

      alguns efeitos      

         com características

            e sabores

                sobrenaturais. 

 

      Temos sim,

      em nossa estrutura humana,

      componentes sobrenaturais,

      gratuitamente acoplados

      em nossa caixa de ferramentas.


Só aos que quiserem.

    Não precisamos forçar tanto,

         pois que não deixamos de ser humanos

                      enquanto estivermos por aqui. 


O que queremos realçar

     é a gostosa experiência

          que fazemos quando ‘adoramos’. 


É uma experiência que amplia,

     enriquece, sublima e eleva

              nossas poucas experiências

                              bem humanas,

                     elevando-as a um nível

                    que não ousamos subir,

                        por falta de conhecimento

                       e de prática.  

 

 É um novo desafio

   que propomos

     dentro da cadeira pedagógica

       do amor:

          conquistar essa ciência,

                dentro da faculdade

                  ou da universalidade

                    do amor.

 

Através dessa ciência

    a pessoa

       centra o foco de atenção

          no seu Criador

            e em todas as suas criações,

               ativa a faculdade da admiração,

                  e através dos seus efeitos,

                      desemboca na gratidão. 

 

É o que se chama

‘viver em estado de graça’.


                  Adorar

             é um ato de sair de si,

                e o efeito é sentido dentro

                   de si mesmo,

                        no sentimento

                           de gratidão.


               Gratidão ao Pai

       Criador do céu e da terra

       e a todas as criaturas e elementos

       que compõem o universo. 

        

                  O sentimento da gratidão,

                        é consequência. 


                          É o resultado

                 do ato de admirar e adorar.


Admirar é sair de si

   e encontrar lá fora,

       motivos, razões

          e fundamentos

               de admiração

                    e adoração.

 

Estas são atitudes enriquecedoras,

pois trazemos para dentro de nós

o que é belo, harmonioso,

cheio de conteúdos e significados

que realizam e despertam em nós

a nobreza. 

 

Se soubéssemos adorar,

dizia Frei Ignácio Larrañaga*,

atravessaríamos a vida,

como a calma dos grandes rios. 


Frei Ignácio Larrañaga 04/05/1928-30/10/2013, foi sacerdote capuchinho espanhol, fundador das Oficinas de Oração, pregador de retiros, escritor, criador dos Encontros de Experiência com Deus. Autor de dezenas de livros: Mostra-me teu Rosto, O silêncio de Maria, O Sentido da Vida, As Forças da Decadência, Suba Comigo, entrre outros.

 

Transcrevemos um pequeno trecho

sobre o adorador

na visão do Frei Ignácio.

 

“O adorador é uma pessoa,

com uma consciência

dominada pela surpresa.

 

A surpresa

é um desprendimento,

um sair de si mesmo,

sair daquelas amarras,

apropriações e aderências,

mediante as quais

a pessoa ata a si mesma

e às demais criaturas

ao seu elo central.

 

Somente a admiração

é capaz de tirar o ser humano

do isolamento egocêntrico

e libertá-lo

das autocomplacências

e autossuficiências.

 

É preciso ser livre

até de si mesmo

para poder admirar

e adorar”.

 

Vamos buscar

outra personalidade

que também fez a experiência

de adorador.

 

Procuremos penetrar

na personalidade

do cidadão italiano,

Francisco de Assis*. 


São Francisco de Assis 05/07/
1182-04/10/1226. Foi religioso e santo Italiano. Nasceu e morreu em Assis, Itália. Foi o fundador da Ordem Religiosa dos Franciscanos. É o patrono da Ecologia. Foi o autor do Hino ao irmão Sol e da Oração “Senhor Fazei de Mim um Instrumento da Sua Paz”.

 

 Foi ele uma das poucas pessoas

que mais próximo chegou,

identificando-se a aproximando-se

da personalidade do Jesus Cristo.

 

Ao conhecer mais profundamente

a personalidade deste homem,

através dos livros,

conseguimos perceber

como ele recuperou

a inocência original,

a leveza dos passos,

o carinho e a ternura,

a empatia com todas as criaturas

a ponto de chamá-las, todas,

de irmãs.

 

Suas palavras e atitudes

foram de louvor,

adoração

e gratidão.

 

Eis a manifestação

do Francisco de Assis,

através do Cântico das Criaturas:

 

“Altíssimo,

onipotente, bom Senhor,

teus são os louvores,

a glória, a honra

e toda benção.

 

A ti, somente,

altíssimo, eles convêm,

e nenhum homem

é digno de te imitar.

 

Louvado seja, meu senhor,

com todas as tuas criaturas,

especialmente o senhor irmão sol,

que faz o dia e, por ele, alumia.

E ele é belo e radiante,

com grande esplendor,

de ti Altíssimo,

traz imagem.

 

Louvado seja, meu senhor,

pela irmã lua e pelas estrelas.

No céu formaste-as claras

e preciosas e belas.

 

Louvado seja, meu senhor,

pelo irmão vento

e pelo ar e pelas nuvens

e pelo sereno da noite,

e por todo tempo,

pelo qual às tuas criaturas

dás sustento.

 

Louvado seja, meu senhor,

pela irmã água,

a qual mui útil é

e humilde

e preciosa

e casta.

 

Louvado seja, meu senhor,

pelo irmão fogo,

pelo qual iluminas a noite.

Ele é belo e alegre, robusto e forte.

 

Louvado seja, meu senhor,

por nossa irmã, a mãe terra,

a qual nos sustenta e governa,

e produz diversos frutos

com coloridas flores

e ervas.

 

Louvado seja, meu senhor,

por aqueles que perdoam por teu amor

e suportam doenças e tribulações.

 

Felizes

os que sustentam

e promovem a paz,

que por ti serão coroados.

 

Louvado seja, meu senhor,

pela irmã nossa, a morte corporal,

da qual nenhum vivente pode escapar.

 

Felizes os que se encontrarem

na tua santíssima vontade,

a quem a segunda morte

não lhes fará

nenhum mal.

 

Louvai e bendizei, o meu senhor,

e agradecei-lhe

e servi-o

com grande humildade”.

 

Nestas poucas linhas

percebemos

como acontece

a prática da adoração.

 

É focar a atenção

nos elementos

e criaturas externas,

procurando motivos,

razões,

argumentos

e fundamentos,

do ato de admirar

e adorar.

 

Assim também acontece

quando estamos diante

de qualquer obra de arte.

 

Assistir ao pôr do sol,

        sempre que possível,

            é um bom exercício

               para ir praticando

                  e aperfeiçoando,

                       até chegar a ser

                           adorador.

 

Ah, se aprendêssemos

a adorar,

não sobraria tempo

para julgar

nem criticar,

porque estaríamos

mais concentrados

no que é bom

e belo,

agradável,

construtivo

e eterno.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski                      

Atualizado em 29/08/2015

Atualizado em 03/09/2019

Atualizado em 05/07/2022

Publicado no Blog em 25/10/2023

eneaspb@gmail.com


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