Somos viajantes.
A
Terra viaja no espaço,
em
volta do sol na velocidade
de
trinta quilômetros por segundo.
A
Terra gira, em volta de si mesma
na
velocidade de vinte quilômetros
por
segundo.
E
nem percebemos.
Universo
é
administrado
por
uma Mente Superior
que
tudo enxerga e vê
como
uma única realidade,
onde
tudo está funcionando,
conectado,
unido um ao outro.
Nós
humanos
não
conseguimos ter esse tipo de visão,
pois
somos parciais, egoístas,
limitados,
imperfeitos.
Dentro
da terra,
a
família humana
é
um povo cigano.
A
humanidade caminha.
Os
homens possuem pés,
o
corpo humano possui pernas.
Somos
caminhantes.
O
corpo é pesado
mas
carrega
uma
alma leve.
Não
quero separar.
Somos
unidade de corpo e alma.
Mas,
para este texto,
separo,
para distinguir
o
peso do corpo,
da
leveza da alma,
separo,
para perceber,
o
que é do tempo,
e
o que é da eternidade.
Ambos,
corpo e alma,
necessitam
de alimentos.
Se
vou de corpo,
terei
fome,
de
vez em quando.
Se
vou de alma,
sentirei
sede,
insaciável,
o
tempo todo.
A
alma
está
atenta
à
fome do corpo
e
à sede da alma.
Se
vou de corpo,
sinto
cansaço.
Se
vou de alma,
apresso
o passo.
Se
vou de corpo,
a
alma vai de carona
numa
boa.
Se
vou de alma,
o
corpo resiste,
dificulta,
esperneia,
mas,
resmungando,
consegue
dizer:
tamo
junto.
Se
vou de corpo
e
ele fica doente,
solidária,
a alma sofre
de
tristeza.
Se
o corpo sofre,
a
alma ameniza,
e
logo cicatriza.
O
corpo, material,
me
separa dos outros corpos.
Sua
essência é o egocentrismo,
o
ego, a individualidade;
a
essência da alma é espiritual,
é
una, indivisível, altruísta,
me
une a tudo e a todos.
Se
vou de corpo,
gordo
e feio,
a
alma não se ressente,
mesmo
que destituída
de
qualquer fisionomia,
é
amorosa, meiga e bondosa.
Se
vou de corpo,
me
agito;
se
vou de alma,
digo
para o corpo;
calma.
Se
vou de corpo,
o
ego quer o comando;
se
vou de alma,
ela,
humilde,
aceita
obedecer.
Se
vou de corpo,
as
marcas do tempo me ferem,
na
chuva, me molho, no frio me fecho;
se
vou de alma,
não
estou sob a influência do tempo,
mas
da eternidade, e nada me afeta.
Se
vou de corpo, envelheço;
se
vou de alma, rejuvenesço.
Se
vou de corpo,
esqueço
de onde vim;
se
vou de alma,
tenho
um princípio,
que
não tem fim.
Se
vou de corpo,
morro,
faleço;
se
vou de alma,
permaneço.
Se
vou de corpo,
o
corpo é sagrado,
habita
nele
a
alma da divindade.
Se
vou de corpo,
ele
leva a alma,
de
carona,
por
uns tempos.
O
corpo fica, estaciona,
volta
ao pó, descarrega;
a
alma continua viajando,
para
outras dimensões,
cada
vez mais perfeitas.
O
que vos parece,
que
estou olhando o mundo,
do
lado avesso?
E
assim nos parece,
que
tudo o que ao corpo está ligado,
desativa,
desliga a alma
do
seu destino.
Então,
um conflito,
na
Terra, uma luta
entre
dois poderes,
se
trava, o tempo todo.
A
alma tem o poder,
a
autoridade
e
a responsabilidade
de
viver unidos,
pacificamente,
com
o corpo,
orientando-o,
conduzindo-o
ao
bem maior
que
beneficia a ambos,
o
corpo e a alma.
Se
a alma
cede
aos instintos do corpo,
enfraquece,
adoece e falece;
se
o corpo
aceita
o comando da alma,
beneficia-se
com a ressurreição
e
a vida eterna.
Alguns,
cientes;
outros,
indiferentes.
Alguns,
se posicionando,
tirando
conclusões, decidindo,
escolhendo,
evoluindo,
continuam
viajando;
outros,
na dúvida, indecisos,
ignorando
para onde estamos viajando,
acabam
desistindo.
Estes
são apenas alguns pensamentos
do
futuro livro que estou escrevendo
sobre
a alma.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
31/07/2022

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