quarta-feira, 10 de agosto de 2022

807.- Fome do corpo e sede da alma.


Somos viajantes.


A Terra viaja no espaço,

em volta do sol na velocidade

de trinta quilômetros por segundo.

 

A Terra gira, em volta de si mesma

na velocidade de vinte quilômetros

por segundo.

 

E nem percebemos.

 

Universo

é administrado

por uma Mente Superior

que tudo enxerga e vê

como uma única realidade,

onde tudo está funcionando,

conectado, unido um ao outro.

 

Nós humanos

não conseguimos ter esse tipo de visão,

pois somos parciais, egoístas,

limitados, imperfeitos.

 

Dentro da terra,

a família humana

é um povo cigano.

 

A humanidade caminha.

 

Os homens possuem pés,

o corpo humano possui pernas.

 

Somos caminhantes.

 

O corpo é pesado

mas carrega

uma alma leve. 

 

Não quero separar.

 

Somos unidade de corpo e alma.

 

Mas, para este texto,

separo, para distinguir

o peso do corpo,

da leveza da alma,

separo, para perceber,

o que é do tempo,

e o que é da eternidade.

 

Ambos, corpo e alma,

necessitam de alimentos.

 

Se vou de corpo,

terei fome,

de vez em quando.

 

Se vou de alma,

sentirei sede,

insaciável,

o tempo todo.

 

A alma

está atenta

à fome do corpo

e à sede da alma.

 

Se vou de corpo,

sinto cansaço.

Se vou de alma,

apresso o passo.

 

Se vou de corpo,

a alma vai de carona

numa boa.

 

Se vou de alma,

o corpo resiste,

dificulta,

esperneia, mas,

resmungando,

consegue dizer:

tamo junto.

 

Se vou de corpo

e ele fica doente,

solidária, a alma sofre

de tristeza.

 

Se o corpo sofre,

a alma ameniza,

e logo cicatriza.

 

O corpo, material,

me separa dos outros corpos.

Sua essência é o egocentrismo,

o ego, a individualidade;

a essência da alma é espiritual,

é una, indivisível, altruísta,

me une a tudo e a todos.

 

Se vou de corpo,

gordo e feio,

a alma não se ressente,

mesmo que destituída

de qualquer fisionomia,

é amorosa, meiga e bondosa.

 

Se vou de corpo,

me agito;

se vou de alma,

digo para o corpo;

calma.  

 

Se vou de corpo,

o ego quer o comando;

se vou de alma,

ela, humilde,

aceita obedecer.

 

Se vou de corpo,

as marcas do tempo me ferem,

na chuva, me molho, no frio me fecho;

se vou de alma,

não estou sob a influência do tempo,

mas da eternidade, e nada me afeta.

 

Se vou de corpo, envelheço;

se vou de alma, rejuvenesço.

 

Se vou de corpo,

esqueço de onde vim;

se vou de alma,

tenho um princípio,

que não tem fim.

 

Se vou de corpo,

morro, faleço;

se vou de alma,

permaneço.

 

Se vou de corpo,

o corpo é sagrado,

habita nele

a alma da divindade.

 

Se vou de corpo,

ele leva a alma,

de carona,

por uns tempos.  

 

O corpo fica, estaciona,

volta ao pó, descarrega;

a alma continua viajando,

para outras dimensões,

cada vez mais perfeitas.

 

O que vos parece,

que estou olhando o mundo,

do lado avesso?

 

E assim nos parece,

que tudo o que ao corpo está ligado,

desativa, desliga a alma

do seu destino.

 

Então, um conflito,

na Terra, uma luta

entre dois poderes,

se trava, o tempo todo.

 

A alma tem o poder,

a autoridade

e a responsabilidade

de viver unidos,

pacificamente,

com o corpo,

orientando-o,

conduzindo-o

ao bem maior

que beneficia a ambos,

o corpo e a alma.  

 

Se a alma

cede aos instintos do corpo,

enfraquece, adoece e falece;

se o corpo

aceita o comando da alma,

beneficia-se com a ressurreição

e a vida eterna.

 

Alguns, cientes;

outros, indiferentes.

 

Alguns, se posicionando,

tirando conclusões, decidindo,

escolhendo, evoluindo,

continuam viajando;

outros, na dúvida, indecisos,

ignorando para onde estamos viajando,

acabam desistindo.

 

Estes são apenas alguns pensamentos

do futuro livro que estou escrevendo

sobre a alma.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

31/07/2022


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