sábado, 16 de fevereiro de 2019

555.- Pescaria. Fui pesgado no Alagado.


Às vezes pergunto
os por quês
do meu gosto
pela pesca.

Há sim,
motivos internos,
misteriosos,
incompreensíveis.

Não sou bom,
na arte,
de pegar peixes.

Surpreendo-me,
sendo fisgado,
capturado,
envolvido,
pela paz,
quietude,
e pela beleza
do ambiente.

Fui pescar no Alagado.

E esqueci 
que fui pescar.

A pesca
perdeu importância.

Fui fisgado,
como cão de caça,
farejando.

O silêncio
murmurava.

Calado,
contemplava.

Havia ali,
Algo escondido,
nas águas, nas nuvens,
na mata.

Vi vestígios,
pegadas,
pinceladas.

Não preciso ver
o Invisível.

Basta-me pressentir,
interpretar,
reconhecer a Presença
nas artes da natureza.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 13/11/2018


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