Quando escrevo,
traduzo,
o que as pessoas
sentem,
não o que pensam.
Quase ninguém sabe
responder
sobre a alma,
sobre o espírito,
sobre o infinito,
sobre o futuro,
das esperanças.
Se você pergunta para
alguém
quem você é,
qual o sentido da sua
vida,
qual a sua essência,
quais são os seus
desejos profundos,
quase ninguém sabe
responder.
Sabemos,
o que sentimos,
o que experimentamos.
Pouca gente sabe,
por experiência.
Por isso, procuro
ler,
na testa das pessoas,
interpretar suas
pressas,
suas dúvidas,
entender seus
silêncios,
suas angústias
e seus sonhos.
Então, quando você me
lê,
você está se lendo,
por dentro.
Somos quase iguais,
em quase tudo.
Numa
hora
quero
ser mais livre,
quero
voar,
mas
não consigo,
não
tenho asas.
Noutra
hora
quero
transportar-me
para
o alto da montanha,
sem
dar os passos
por
entre as pedras.
Querendo
ser mais
experimento
as barreiras,
as
cadeias,
as
cordas,
as
correntes,
as
carências,
as
impotências,
e
a paralisia.
Eis
que ainda sou
uma
mistura de massas,
composta
pela síntese mineral,
vegetal,
animal e humana,
habitado
por migalhas
de
infinito.
Quero
devolver-me ao infinito
mesmo
sendo massa pesada.
Sei
que minha alma é leve
e
transparente.
Estou
na terra,
mas
não sou terráqueo.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em 12/01/2019
Atualizado em 12/01/2019

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