quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

523.- Alma. Não sou terráqueo. Minha alma é leve.



Quando escrevo,
traduzo,
o que as pessoas sentem,
não o que pensam.

Quase ninguém sabe responder
sobre a alma,
sobre o espírito,
sobre o infinito,
sobre o futuro,
das esperanças.

Se você pergunta para alguém
quem você é,
qual o sentido da sua vida,
qual a sua essência,
quais são os seus desejos profundos,
quase ninguém sabe responder.

Sabemos,
o que sentimos,
o que experimentamos.

Pouca gente sabe,
por experiência.

Por isso, procuro ler,
na testa das pessoas,
interpretar suas pressas,
suas dúvidas,
entender seus silêncios,
suas angústias
e seus sonhos. 

Então, quando você me lê,
você está se lendo,
por dentro.

Somos quase iguais,
em quase tudo.

Numa hora
quero ser mais livre,
quero voar,
mas não consigo,
não tenho asas.

Noutra hora
quero transportar-me
para o alto da montanha,
sem dar os passos
por entre as pedras.

Querendo ser mais
experimento as barreiras,
as cadeias,
as cordas,
as correntes,
as carências,
as impotências,
e a paralisia.

Eis que ainda sou
uma mistura de massas,
composta pela síntese mineral,
vegetal, animal e humana,
habitado por migalhas
de infinito.

Quero devolver-me ao infinito
mesmo sendo massa pesada.

Sei que minha alma é leve
e transparente.

Estou na terra,
mas não sou terráqueo.

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 12/01/2019

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