Engraçado este pressentimento,
essa sensação de me sentir
como se estivesse num país estrangeiro.
Não consigo me apegar nas coisas,
na geografia nem na cultura.
Tudo me parece tão familiar
e ao mesmo tempo, tão estranho.
Meus sentimentos,
minhas sensações
são tão passageiras
que não permitem tempo
para fincar raízes,
para estabelecer ligações
com a natureza nem com as pessoas.
Como é esquisita esse tipo de percepção,
que me mantém, assim, tipo desligado,
fora de órbita, desorientado, esquisito,
como se estivesse longe do meu país,
como se estivesse em lugar estranho,
fora do ninho, faltando aconchego.
Quantas e quantas vezes
já saí por aí, de madrugada
transportando-me lá para as estrelas,
passeando pelo infinito,
cavalgando nas asas da imaginação,
e em companhia do silêncio.
E como desperto, burrento,
com o barulho do mundo,
logo ao clarear do dia.
Quando acordo,
me sinto estranho,
como um estrangeiro,
longe da Pátria celeste.
Acho mesmo,
que não sou daqui.
Se daqui eu fosse,
seria muito mais sossegado.
Tem coisa dentro de mim
que cutuca a preguiça,
que desperta outro bicho,
escondido,
dentro da natureza humana,
projetada
para novos horizontes,
novos espaços,
novo jeito de ser,
ainda desconhecido.
Não me acostumo
com minhas limitações.
Meus limites temporários coçam,
provocam inquietações,
fazem-me desejar
superar depressa
essa condição humana,
limitado pelos dois pés.
De vez em sempre,
experimento-me,
curtindo,
uma expectativa,
uma esperança,
ou uma ânsia,
uma saudade,
que parece
não ser minha,
uma sensação
de que não sou daqui.
Atualizado em 13/01/2019

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