sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

548.- Ego. Eu sou transparente. Vestimos o ego.



Viajando lá por cima,
além das nuvens e da lua,
não precisaríamos de roupas,
nem de casas.
Nada do que temos.
Só o que somos. 

Estaríamos todos
vivendo
de forma totalmente
transparente.

Não precisaríamos comprar nada,
nem roupas,
nem maquiagens,
nem máscaras
para toda e qualquer situação.

Todos nus,
transparentes,
revelando-se,
como realmente somos.

Aqui na Terra,
escondemos tudo.

Nos escondemos
atrás das roupas,
da maquiagem,
das palavras
e das resistências.

E vivemos num mesmo mundo,
todos, nas mesmas condições de vida,
igualzinha para cada um.

– O que queremos esconder?
Não somos todos iguais?

– Há! o ego.
Ia esquecendo do ego.

Aqui, em baixo,
o ego é o desequilibrador.

Há uma mentalidade social,
inconsciente,
que nos despersonaliza,
impondo a massificação.

Tens que se adaptar,
e a viver,
como a sociedade vive.

É inaceitável,
ser diferente,
ser original.

Há muito a esconder.
E o desgaste,
para esconder tudo,
toma muito tempo,
e com este mesmo tempo,
em cobrir,
em esconder,
despistar,
fomos perdendo a originalidade,
e a transparência natural.

Adquirimos um comportamento,
que vai se transformando
em uma visão de mentiras,
de falsidade,
de desconfiança,
como se esta fosse,
a forma certa
de ver e viver.

E, o que há de bom,
tem que ser procurado,
cavado,
trabalhado,
teimosamente,
pois é este padrão bom,
bonito, artístico,
que está tão mais escondido,
difícil de ser encontrado.



Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/11/2018





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