Viajando lá por cima,
além das nuvens e da lua,
não precisaríamos de roupas,
nem de casas.
Nada do que temos.
Só o que somos.
Estaríamos
todos
vivendo
de
forma totalmente
transparente.
Não
precisaríamos comprar nada,
nem
roupas,
nem
maquiagens,
nem
máscaras
para
toda e qualquer situação.
Todos
nus,
transparentes,
revelando-se,
como
realmente somos.
Aqui na Terra,
escondemos
tudo.
Nos
escondemos
atrás
das roupas,
da
maquiagem,
das
palavras
e
das resistências.
E
vivemos num mesmo mundo,
todos, nas mesmas
condições de vida,
igualzinha
para cada um.
–
O que queremos esconder?
Não
somos todos iguais?
–
Há! o ego.
Ia
esquecendo do ego.
Aqui,
em baixo,
o
ego é o desequilibrador.
Há
uma mentalidade social,
inconsciente,
que
nos despersonaliza,
impondo
a massificação.
Tens
que se adaptar,
e
a viver,
como
a sociedade vive.
É
inaceitável,
ser
diferente,
ser
original.
Há muito a esconder.
E o desgaste,
para esconder tudo,
toma muito tempo,
e com este mesmo
tempo,
em cobrir,
em esconder,
despistar,
fomos perdendo a
originalidade,
e a transparência
natural.
Adquirimos um comportamento,
que vai se
transformando
em uma visão de
mentiras,
de falsidade,
de desconfiança,
como se esta fosse,
a forma certa
de ver e viver.
E, o que há de bom,
tem que ser
procurado,
cavado,
trabalhado,
teimosamente,
pois é este padrão
bom,
bonito, artístico,
que está tão mais
escondido,
difícil de ser
encontrado.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/11/2018
Atualizado em 26/11/2018

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