sexta-feira, 7 de março de 2014

91.- Compreender. A distancia entre entender e compreender.


 

O coração tem razões

que a razão desconhece.

Blaise Pascal

 

 
Há sim, distancia
entre entender
e COMPREENDER.
 
 
A distancia é tão pequena
que está dentro,
na estrutura da personalidade
da cada um. 
 
 
Mas é ao mesmo tempo
uma distancia tão grande,
percebida somente quando comparamos
o nosso status com a Sabedoria divina.
 
 
Entender
é próprio da razão humana.
 
 
Compreender
é próprio do coração humano.
 
 
No ato de entender
aplicamos a razão.
 
 
No ato de compreender
acionamos o coração.
 
 
Nas nossas falas,
muitas vezes, confundimos e misturamos
estas duas atitudes humanas.
 
 
Acontece que cada uma
ocupa um lugar
dentro da estrutura humana.
 
 
Uma, a capacidade de entender,
está na dimensão da razão,
do intelecto, do avaliar, analisar.
 
 
É o campo da lógica matemática,
da concordância entre o que se diz
e o que se enxerga.
 
 
É a coerência
entre o pensamento
e o objeto externo.
 
 
É o que os filósofos chamam
de verdade subjetiva.
 
 
É o que acontece
quando avaliamos,
um evento qualquer
e enxergamos todos os os e-feitos,
os de-feitos,
e até o que está per-feito,
sem emoção,
sem qualquer tipo de sentimento. 
 
 
A dimensão da compreensão,
está dentro do coração
e se manifesta como sentimento,
abrindo a COMPREENSÃO.
 
 
É onde nascem os pensamentos
e ações amorosas,
aquilo que nos faz sair
da órbita humana
e entrar na dimensão divina.
 
 
Entender
refere-se ao campo da vida humana,
simplesmente humana.
 
 
Forçando a barra
e empurrando a intenção
para colocar a compreensão
em algum lugar,
fica claro que a compreensão
está definitivamente
na esfera e dimensão divina
que existe na pessoa humana.
 
 
O coração
é a base,
a morada do amor.
 
 
Nas interações,
quando usamos a inteligência para falar,
direcionamos a nossa fala
ou nossas palavras,
para a cabeça das pessoas,
consciente ou inconscientemente.
 
 
Quando uma pessoa se ofende,
pode ser que as palavras
entraram mais no coração,
no sentimento,
do que na cabeça.
 
 
E aqui nascem os conflitos.
 
 
Por isso é muito difícil
querer corrigir alguém
sem antes abrir o coração
dela.
 
 
Dificilmente estamos alertas
a este princípio fundamental
das relações humanas.
 
 
Os sacerdotes (confessores)
e teólogos
possuem este conhecimento
básico, da estrutura
da personalidade humana.
 
 
Eles sabem de que barro somos feitos. 
 
 
Por isso dizemos
que existe distancia.
 
 
Um palmo é a distancia
entre o coração e a cabeça.
 
 
Um passo à frente
é a distancia entre entender
e compreender.
 
 
Você lembra
da oração
do São Francisco de Assis?
 
...
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais
consolar, que ser consolado;
compreender,
que ser compreendido.
 
 
Talvez ele quisesse dizer:
que eu procure mais
compreender que ser entendido
 

Traduzindo,
forçando e sugerindo conexão
com a intenção deste texto:
 
 
“Que eu não esteja interessado
tanto na estrutura
e dinâmica do conhecimento,
mas sim, compreender mais
para amar mais”.
 
 
Certa vez o Jesus Cristo disse
aos mestres da Lei:
Eu quero a Misericórdia
e não os sacrifícios”.
 
 
Vamos continuar nossa reflexão
fazendo as comparações
entre os dois termos,
agora citando um texto
da escritora mística,  
Chiara Lubich:
 
 
Jesus disse estas palavras:
“Quero a misericórdia,
e não o sacrifício’
quando ele estava à mesa,
antes de uma refeição.
 
 
Junto dele
estavam os fariseus.
 
 
Eles perguntaram
aos discípulos do mestre
que estavam à mesa:
Por que vosso Mestre
come com os publicanos
e pecadores?
 
 
O Jesus, bom de ouvido,
respondeu lá da ponta da mesa. 
“Ide aprender o que significa:
Eu quero misericórdia
e não sacrifícios”.
 
 
Aprendemos muita coisa com a razão,
mas não praticamos com o coração.
Percebam a distancia, de novo.
 
 
A frase do Jesus
exprime a supremacia do amor
sobre qualquer outro mandamento,
sobre qualquer outra regra
ou preceito racional.
 
 
Jesus veio dizer
que Deus quer de cada um de nós,
antes de tudo,
o amor para com os outros.
 
 
Para cada cristão
o amor é o programa da sua vida,
a lei fundamental das suas ações,
o critério do seu pensamento
e comportamento.
 
 
O amor (coração) deve prevalecer
sobre qualquer outra lei (racional).
 
 
O amor aos outros
deve constituir, para o cristão
a base sólida
que lhe permite legitimamente
cumprir todas as outras normas.
Chiara Lubich.
 
 
Voltemos à reflexão
a partir da tese que está no título.
 
 
A distancia infinita
que existe entre entender
e COMPREENDER.
 
 
A distancia pode não ser infinita,
mas é grande o suficiente
para passar da etapa da razão,
entender, saber, avaliar, definir, ...
próprio dos humanos letrados,
para a outra etapa,
a etapa da compreensão,
onde as atitudes do amor
levam a refletir,
analisar,
comparar,
esclarecer ...
para perceber,
com o olhar divino,
as limitações humanas,
as nossas rotineiras falhas
provocadas pelo orgulho
e pelo egoísmo.
 
 
Convém a nós,
criaturas humanas,
espelhar-nos no Criador
para assimilar a sabedoria
que nos falta.
 
 
“Quero a misericórdia...”,
ou em outras palavras,
“Quero atitudes afetivas
mais do que racionais”.  
 
 
A misericórdia é fruto do amor. 
 
 
Adotar este mandamento
como filosofia de vida,
é promover-nos já,
para a dimensão mais elevada
da esfera humana.
 
 
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 26/02/2016



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