sábado, 15 de março de 2014

97.- Cristianismo não é religião.





 A religião,
com seus ritos e fórmulas
procura traduzir o invisível
para o visível.


Muita gente
sabe que existem muitas ciências,
cada qual com seus métodos,
objetivos, conteúdos.

 
Convém também aceitar
as religiões como ciência.

 
Temos muito a aprender
com as religiões.

 
A apatia
diante desta realidade
é falta de bom senso,
pois quem não se ocupa com a religião
está descomprometido com o seu futuro.

 
Quando a nossa racionalidade
não consegue alcançar o nível exigido
para entrar no mundo do invisível,
é necessário arriscar o pulo
para um nível acima.


A glória da fé
acontecerá se ela evoluir
até tornar-se filosofia.
A glória da filosofia
acontecerá se ela evoluir
até tornar-se ciência
Pierre Teilhard de Chardin


A filosofia provoca perguntas.
Perguntas esperam respostas.

Empregando princípios científicos,
Deus criou o mundo.


As ciências e os cientistas 
decifram os códigos 
com os quais Deus 
criou todos os elementos do mundo.


Os cientistas aprenderam ler
e decifrar a escrita
que o Cientista Deus Criador usou.

 
Nos elementos físicos e químicos
e nas combinações entre eles
estão as senhas
que abrem os mistérios do universo
e respondem aos anseios transcendentais
da pessoa humana.

 
A sede insaciável
é a marca registrada
dos filhos e herdeiros
dos bens vindouros.

 
Para aceitar a realidade do invisível
como parte do elemento humano
é necessário convocar
um instinto ou faculdade
que existe na pessoa humana
que é a ‘religiosidade’.

 
Esta palavra e esta realidade
também é pouco compreendida
e pouco cultivada na nossa sociedade atual.

 
Se não faz mal
aceitamos pacificamente
a existência e a convivência
da religiosidade na vida das pessoas
e percebemos seus efeitos
na prática da convivência pacífica
das pessoas, na sociedade.

 
Porém, toda moeda tem seu reverso:
existem ainda nações
que brigam por razões
ou filosofias de vida
fundamentadas na religião.

 
A Teologia do Novo Testamento,
do Jesus Cristo,
em nenhum momento
fundamenta a violência
como alternativa para conquistar seus fins. 

 
O filho do Cristianismo sofre,
é injustiçado, não compreendido,
não aceito, e morre,
mas não usa de meios violentos.

 
Não fere a justiça.

Isso é de fato incompreensível
para um ser humano natural. 


O Cristianismo não é religião.


Este texto foi redigido 
com a finalidade de mostrar 
que o Cristianismo pode até ser religião, 
mas é uma religião diferente, 
que presta mais atenção ao próximo 
e vai ao Deus através do próximo, 
bem próximo, aqui da terra. 

 
Se admitirmos a religião
como tema de debate racional,
haverá a consequente abertura
para dois campos
razoavelmente desconhecidos,
ignorados ou até mesmo desprezados:
o campo do invisível e o campo da fé.


Desprezar, desconhecer ou ignorar 
estes dois campos ocasionará prejuízos 
a estas pessoas.


Ou será que devemos concluir 
que todos os crentes são alienados 
ou desprovidos de equilíbrio. 


Não são loucos?

Respondo com uma citação 
da Carta do São Paulo Apóstolo 
aos Corintios 1,17-31, 
deixando a conclusão para você tirar:

  “A linguagem da cruz do cristianismo 
é loucura para aqueles que se perdem,
mas para aqueles que se salvam,
é poder de Deus,
pois está escrito
no livro do Profeta Isaías (29,14):
“destruirei a sabedoria dos sábios
e aniquilarei a inteligência
dos inteligentes....
Visto que o mundo,
por meio da sabedoria
não reconheceu o Deus
na sabedoria do Deus,
aprouve ao Deus Pai,
pela loucura da pregação,
salvar aqueles que creem ...
Pois
o que é loucura do Deus
é mais sábio do que os homens,
e o que é fraqueza do Deus
é mais forte do que os homens...
O que é loucura no mundo,
Deus escolheu
para confundir os sábios
e o que é fraqueza no mundo,
Deus escolheu
para confundir o que é forte;
e o que no mundo é vil e desprezado,
o que não é, Deus escolheu
para reduzir a nada o que é,
a fim de que nenhuma criatura
se possa vangloriar diante do Deus ...


Transparece no texto
duas categorias diferentes,
uns meio loucos,
outros sábios
dentro dos parâmetros
de sabedoria do mundo.


Mas o mundo invisível 
trata de conteúdos de sabedoria divina.

O texto mostra que há uma grande diferença 
nestas duas sabedorias.

 
Uma é parcial,
somente visível,
interesseira e egoísta
e a outra é tão somente uma pista
da sabedoria divina,
que é geral, global,
incluindo o mundo visível
e o mundo invisível.

 
Transparece na sabedoria humana,
a pequenez, a ignorância,
a teimosia e o orgulho
da raça desprovida
da visão re-ligiosa.

 
Também aqui aparecem pistas
ou dicas para perceber
que alguns elementos
que compõem o contexto da fé,
surgem nas escritas da Bíblia
e do Evangelho.

 
Não dá para ter fé
se não entrar em contato
com a literatura religiosa.

 
Jamais terá fé quem não se envolver 
com as realidades que se referem à fé.

 
Na leitura que fazemos do mundo,
pela lógica podemos afirmar
que todos os ateus são os equilibrados,
sãos e perfeitos.

 
Será que não cabe a pergunta:
estão errados ou com preguiça
de se envolver e encontrar
as respostas que precisam?

 
Seremos nós cristãos,
que com a fé
ficamos sem visão suficiente,
ou são os ateus
que não conseguem ver claro
para dar o pulo “no escuro”?  

 
Então todos os crentes
estão com um parafuso a menos
no complexo corpo humano. 
 

Ainda temos campo para discutir
se as religiões estão ou deveriam estar 
preocupados com “o aqui e agora”
ou somente com o “depois da morte”.


O Cristianismo acontece hoje.

 
Aqui e agora,
ampliando os efeitos do agora,
no futuro. 

 
A resposta mais aproximada
tem que abranger
a totalidade dos elementos
que compõem
a complexa rede da vida,
inclusive a história de antes,
do hoje e do futuro.

 
Talvez estejamos incluídos
dentro do campo da limitação
e não tenhamos ainda a visão global
que o Deus Pai tem,
e por isso, toda nossa discussão
seja apenas um “balbuciar sobre a fé’”.


Gostaria de estar certo na minha visão,
de que a fé é uma síntese
que supõe no crente
a existência ativa
dos seguintes ingredientes.

 
Falo em ingredientes
como aqueles elementos
que fazem parte da receita
para fazer o bolo.

 
O bolo da fé
é composto por muitos elementos
essencialmente necessários: 

- o contato direto
com realidades da dimensão espiritual;

- a prática do conhecimento
dos elementos constitutivos da religião;

- a leitura e o estudo dos livros da Bíblia,
dos Evangelhos, das Cartas 
ou Epístolas dos Apóstolos;

- a leitura, conhecimento,
estudo dos documentos dos Papas,
bispos e congregações;

- a prática da oração;

- a prática das virtudes;

- a prática do perdão;

- a prática da caridade;

- a prática da esperança;

- a participação nas Missas,
liturgias e ritos Sacramentais.

- ser batizado e crismado;

- ser membro ativo
de uma comunidade paroquial;

- testemunhar, viver o que se é,
filho do eterno.

- praticar mais a compreensão,
a tolerância, do que julgar;

- desapegar-se de tudo, até de si mesmo.

 
E muito mais,
buscar o silêncio,
aprender a contemplar,
praticar a gratidão ...

 
E mais uma coletânea de valores, ou virtudes,
que transfiguram nossa vida,
mudando-a da água para o vinho.

 
Além do mais, há que se conhecer
a história da Salvação,
a vida dos papas,
a vida dos santos
e dos grandes homens
que influenciaram nos rumos benéficos
da história da humanidade.

 
O campo da religião é muito grande.


Quem é cristão de fato
procura estar por dentro
do Tempo Litúrgico da Igreja
da qual faz parte, e vive de acordo. 

 
O cristão batizado,
por coerência,
participa das festas litúrgicas,
le e estudar os documentos Conciliares
e da Igreja,
conhece as Linhas fundamentais
do Cristianismo,
conhece a história
e a vida dos Profetas.

 
Há ainda todo o processo histórico
da vida do Jesus Cristo,
sua encarnação, redenção,
vida, morte e ressurreição,
e o envio do Espírito Santo
para que estivesse sempre conosco. 

 
O Jesus Cristo viveu entre nós.

O Jesus Cristo é um ser histórico. 

 
Conhecer a vida do Jesus Cristo Histórico
é uma das mais importantes conquistas
do conhecimento humano,
pois ele aperfeiçoou
de tal forma a vida humana
que abriu a possibilidade,
pela ressurreição,
de introduzir-nos na dimensão
de perfeição que ele chegou.

 
O Jesus Cristo
aboliu a religião antiga
e fundou uma nova maneira
de viver a religião. 

 
A partir do Jesus Cristo,
ELE se tornou religião. 

 
Ele disse: EU sou o caminho.
EU sou a Verdade.
EU sou a Vida...
isto é, EU SOU 
A nova RELIGIÃO.

 
O CRISTIANISMO
É A NOVA RELIGIÃO,
FUNDADA NUMA PESSOA
e praticada co e para as pessoas.

 
A nova religião, portanto, é personalista.

 
Leva em consideração
a pessoa concreta,
na terra,
tanto quanto o Deus Pai
que está nos céus.


E mais: Ouvistes o que os antigos praticavam ... 
Agora Eu vos digo ... (Leia no Capítulo 5, do 
vangelho do São Mateus, principalmente 5,20-48, 
dentro desta perspectiva em que Ele demonstra 
que é fundamental cultivar e relacionar-se bem 
com as pessoas como condição de aproximação 
e culto do Pai que está nos céus.


 “... se tiveres algo a levar para o altar 
mas se tiveres algum conflito com seu semelhante, 
deixa a oferta no altar e vai primeiro 
reconciliar-te com teu irmão..." e mais 
" ... a religião que eu quero 
é que dês assistência às viúvas, 
órfãos, estrangeiros ...".

 
O campo da religião,
da fé, é uma conquista,
uma luta, uma caminhada,
uma recompensa
da busca, da sede
e da fome que quer ser saciada. 

 
Quem tem sede venha a mim e beba” ,
diz o Jesus Cristo nos Evangelhos.   

 
Em outra parte, nas Epístolas,
São Paulo nos ensina que
 No Cristo estão escondidos
todos os tesouros da sabedoria,
das ciências e de todo conhecimento”. 

 
Veja bem,
é na pessoa do Jesus Cristo.

A religião do Cristianismo
é a religião fundada
na pessoa do Jesus Cristo. 


Portanto,
é necessário conhecer este homem histórico,
Jesus de Nazaré e tudo o que Ele ensinou.

 
Uma tendência natural
de quase todos aqueles
que são abordados
e cobrados desta intenção
é apegar-se nos fatos históricos,
dos erros daqueles que envergaram
e defenderam a bandeira de cristãos
durante os séculos e séculos
da história da Igreja,
como por exemplo as guerras santas,
as cruzadas, a Inquisição.


Esquecem-se
de que desde o começo
da história das religiões,
os homens são mais humanos
e não ainda, divinos, perfeitos.

 
Como homens imperfeitos
interpretam humanamente
e vivem humanamente
o que acham ser verdade.

 
Outros, como filhos do Pai eterno,
aparecem como humildes e obedientes.


Alguns apreendem
e executam os ensinamentos do Pai, 
fundamentando suas ações no amor
e no perdão.


Outros, rebeldes,
não obedecem
e não reconhecem os outros
como irmãos.

 
Não encontrarás a fé
se não a procurares
nos lugares apropriados.

 
Não conseguirás decifrar
a leitura da fé
no final da vida
quando só pensarás
e ‘verás’ a morte
que se aproxima.

 
E, o que é mais importante.
A religião que não presta atenção nos outros, 
como irmãos,
não é religião, 
é exploração.

 
Religião verdadeira
se pratica na terra,
como fez o Jesus Cristo,
prestando atenção
e atendendo às necessidades
de quem está na Terra. 


Ter fé é acreditar
que todos somos filhos do Pai dos céus
e ter comportamentos filiais e fraternos. 

 Que a espiritualidade que cultivas
te aumente as convicções 
e que a sua consciência filial e fraterna 
se fortaleça. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski.

eneaspb@gmail.com -  41 98854 5166

Atualizado em 10/03/2016

Atualizado em 02/04/2026.

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