com
seus ritos e fórmulas
procura
traduzir o invisível
para
o visível.
Muita
gente
sabe
que existem muitas ciências,
cada
qual com seus métodos,
objetivos,
conteúdos.
Convém
também aceitar
as
religiões como ciência.
Temos
muito a aprender
com
as religiões.
A
apatia
diante
desta realidade
é
falta de bom senso,
pois
quem não se ocupa com a religião
está
descomprometido com o seu futuro.
Quando
a nossa racionalidade
não
consegue alcançar o nível exigido
para
entrar no mundo do invisível,
é
necessário arriscar o pulo
para
um nível acima.
A glória da fé
acontecerá se ela
evoluir
até tornar-se
filosofia.
A glória da filosofia
acontecerá se ela
evoluir
até tornar-se ciência.
Pierre Teilhard de
Chardin
A filosofia provoca
perguntas.
Perguntas esperam
respostas.
Empregando princípios
científicos,
Deus criou o mundo.
As ciências e os cientistas
decifram os
códigos
com os quais Deus
criou todos os elementos do mundo.
Os
cientistas aprenderam
ler
e
decifrar a
escrita
que
o Cientista Deus Criador usou.
Nos
elementos físicos e químicos
e
nas combinações entre eles
estão
as senhas
que
abrem os mistérios do universo
e
respondem aos anseios transcendentais
da
pessoa humana.
A
sede insaciável
é
a marca registrada
dos
filhos e herdeiros
dos
bens vindouros.
Para
aceitar a realidade do invisível
como
parte do elemento humano
é
necessário convocar
um
instinto ou faculdade
que
existe na pessoa humana
que
é a ‘religiosidade’.
Esta
palavra e
esta realidade
também
é pouco compreendida
e
pouco cultivada na
nossa sociedade atual.
Se
não faz mal
aceitamos
pacificamente
a
existência e a convivência
da
religiosidade na vida das pessoas
e
percebemos seus efeitos
na
prática da convivência pacífica
das
pessoas, na sociedade.
Porém,
toda moeda tem seu reverso:
existem
ainda nações
que
brigam por razões
ou
filosofias de vida
fundamentadas
na religião.
A
Teologia do Novo Testamento,
do
Jesus Cristo,
em
nenhum momento
fundamenta
a violência
como
alternativa para conquistar seus fins.
O
filho do Cristianismo sofre,
é
injustiçado, não
compreendido,
não
aceito, e
morre,
mas
não usa de meios violentos.
Não
fere a justiça.
Isso
é de fato incompreensível
para
um ser humano natural.
O Cristianismo não é
religião.
Este texto foi redigido
com a finalidade de
mostrar
que o Cristianismo pode até ser religião,
mas é uma religião diferente,
que presta mais atenção ao próximo
e vai ao Deus através do próximo,
bem
próximo, aqui da terra.
Se admitirmos a
religião
como tema de debate
racional,
haverá a consequente
abertura
para dois campos
razoavelmente
desconhecidos,
ignorados ou até
mesmo desprezados:
o campo do invisível
e o campo da fé.
Desprezar, desconhecer ou ignorar
estes dois
campos ocasionará prejuízos
a estas pessoas.
Ou será que devemos concluir
que todos os
crentes são alienados
ou desprovidos de equilíbrio.
Não
são loucos?
Respondo com uma citação
da Carta do São Paulo Apóstolo
aos Corintios 1,17-31,
deixando a conclusão para você tirar:
é loucura para aqueles que se perdem,
mas para aqueles que
se salvam,
é poder de Deus,
pois está escrito
no livro do Profeta
Isaías (29,14):
“destruirei a
sabedoria dos sábios
e aniquilarei a
inteligência
dos inteligentes....
Visto que o mundo,
por meio da sabedoria
não reconheceu o Deus
na sabedoria do Deus,
aprouve ao Deus Pai,
pela loucura da
pregação,
salvar aqueles que
creem ...
Pois
o que é loucura do
Deus
é mais sábio do que os homens,
e o que é fraqueza do
Deus
é mais forte do que
os homens...
O que é loucura no
mundo,
Deus escolheu
para confundir os
sábios
e o que é fraqueza no
mundo,
Deus escolheu
para confundir o que
é forte;
e o que no mundo é
vil e desprezado,
o que não é, Deus escolheu
para reduzir a nada o
que é,
a fim de que nenhuma
criatura
se possa vangloriar
diante do Deus ...
Transparece
no texto
duas
categorias diferentes,
uns
meio loucos,
outros
sábios
dentro
dos parâmetros
de
sabedoria do mundo.
Mas o mundo invisível
trata de conteúdos de
sabedoria divina.
O texto mostra que há uma grande diferença
nestas duas sabedorias.
Uma
é parcial,
somente
visível,
interesseira
e egoísta
e
a outra é
tão somente uma pista
da
sabedoria divina,
que
é geral, global,
incluindo
o mundo visível
e
o mundo invisível.
Transparece
na sabedoria humana,
a
pequenez, a ignorância,
a
teimosia e o orgulho
da
raça desprovida
da
visão re-ligiosa.
Também
aqui aparecem pistas
ou
dicas para
perceber
que
alguns elementos
que
compõem o contexto da fé,
surgem
nas escritas da Bíblia
e
do Evangelho.
Não
dá para ter fé
se
não entrar em contato
com
a literatura religiosa.
Jamais terá fé quem não se envolver
com as
realidades que se referem à fé.
Na
leitura que fazemos do mundo,
pela
lógica podemos
afirmar
que
todos os ateus são
os equilibrados,
sãos
e perfeitos.
Será
que não cabe a pergunta:
estão
errados ou
com preguiça
de
se envolver e
encontrar
as
respostas que precisam?
Seremos
nós cristãos,
que
com a fé
ficamos
sem visão suficiente,
ou
são os ateus
que
não conseguem ver claro
para
dar o pulo “no escuro”?
Então
todos os crentes
estão
com um parafuso a menos
no
complexo corpo humano.
Ainda
temos campo para
discutir
se
as religiões estão
ou deveriam estar
preocupados com
“o aqui e agora”
ou
somente com o “depois da morte”.
O
Cristianismo acontece hoje.
Aqui
e agora,
ampliando
os efeitos do agora,
no
futuro.
A
resposta mais
aproximada
tem
que abranger
a
totalidade dos elementos
que
compõem
a
complexa rede da vida,
inclusive
a história de antes,
do
hoje e
do futuro.
Talvez
estejamos incluídos
dentro
do campo da limitação
e
não tenhamos ainda a
visão global
que
o Deus Pai tem,
e
por isso, toda nossa discussão
seja
apenas um “balbuciar sobre a fé’”.
Gostaria
de estar certo na minha visão,
de
que a fé é uma síntese
que
supõe no crente
a
existência ativa
dos
seguintes ingredientes.
Falo
em ingredientes
como
aqueles elementos
que
fazem parte da receita
para
fazer o bolo.
O
bolo da fé
é
composto por muitos elementos
essencialmente
necessários:
- o contato direto
com realidades da
dimensão espiritual;
- a prática do
conhecimento
dos elementos
constitutivos da religião;
- a leitura e o
estudo dos livros da Bíblia,
dos Evangelhos, das
Cartas
ou Epístolas dos
Apóstolos;
- a leitura,
conhecimento,
estudo dos documentos
dos Papas,
bispos e
congregações;
- a prática da
oração;
- a prática das
virtudes;
- a prática do
perdão;
- a prática da
caridade;
- a prática da
esperança;
- a participação nas
Missas,
liturgias e ritos
Sacramentais.
- ser batizado e
crismado;
- ser membro ativo
de uma comunidade
paroquial;
- testemunhar, viver o que se é,
filho do eterno.
- praticar mais a
compreensão,
a tolerância, do que
julgar;
- desapegar-se de
tudo, até de si mesmo.
E muito mais,
buscar o silêncio,
aprender a
contemplar,
praticar a gratidão
...
E mais uma coletânea
de valores, ou virtudes,
que transfiguram
nossa vida,
mudando-a da água
para o vinho.
Além
do mais, há que se conhecer
a
história da Salvação,
a
vida dos papas,
a
vida dos santos
e
dos grandes homens
que
influenciaram nos rumos benéficos
da
história da humanidade.
O
campo da religião é muito grande.
Quem
é cristão de fato
procura
estar por dentro
do
Tempo Litúrgico da Igreja
da
qual faz parte, e
vive de acordo.
O
cristão batizado,
por
coerência,
participa
das festas litúrgicas,
le
e estudar os documentos Conciliares
e
da Igreja,
conhece
as Linhas fundamentais
do
Cristianismo,
conhece
a história
e
a vida dos Profetas.
Há
ainda todo o processo histórico
da
vida do Jesus Cristo,
sua
encarnação, redenção,
vida,
morte e ressurreição,
e
o envio do Espírito Santo
para
que estivesse sempre conosco.
O
Jesus Cristo viveu entre nós.
O Jesus Cristo é um ser histórico.
Conhecer
a vida do Jesus Cristo Histórico
é
uma das mais importantes conquistas
do
conhecimento humano,
pois
ele aperfeiçoou
de
tal forma a vida humana
que
abriu a possibilidade,
pela
ressurreição,
de introduzir-nos na dimensão
de
perfeição que ele chegou.
O Jesus
Cristo
aboliu
a religião antiga
e
fundou uma nova maneira
de
viver a religião.
A
partir do Jesus Cristo,
ELE
se tornou religião.
Ele disse: EU sou o
caminho.
EU sou a Verdade.
EU sou a Vida...
isto é, EU SOU
A nova
RELIGIÃO.
O
CRISTIANISMO
É
A NOVA RELIGIÃO,
FUNDADA
NUMA PESSOA
e
praticada co e para as pessoas.
A
nova religião, portanto, é
personalista.
Leva
em consideração
a
pessoa concreta,
na
terra,
tanto
quanto o Deus Pai
que
está nos céus.
E mais: Ouvistes o que os antigos praticavam
...
Agora Eu vos digo ... (Leia no Capítulo 5, do
vangelho do São Mateus,
principalmente 5,20-48,
dentro desta perspectiva em que Ele demonstra
que é
fundamental cultivar e relacionar-se bem
com as pessoas como condição de aproximação
e culto do Pai que está nos céus.
“... se
tiveres algo a levar para o altar
mas se tiveres algum conflito com seu
semelhante,
deixa a oferta no altar e vai primeiro
reconciliar-te com teu
irmão..." e mais
" ... a religião que eu quero
é que dês assistência
às viúvas,
órfãos, estrangeiros ...".
O
campo da religião,
da
fé, é uma conquista,
uma
luta, uma caminhada,
uma
recompensa
da
busca, da
sede
e
da fome que quer ser saciada.
“Quem
tem sede venha a mim e beba” ,
diz
o Jesus Cristo nos Evangelhos.
Em
outra parte, nas
Epístolas,
São
Paulo nos ensina que
“No Cristo estão escondidos
todos os tesouros da
sabedoria,
das ciências e de
todo conhecimento”.
Veja
bem,
é
na pessoa do Jesus Cristo.
A
religião do Cristianismo
é
a religião fundada
na
pessoa do Jesus Cristo.
Portanto,
é
necessário conhecer este homem histórico,
Jesus
de Nazaré e
tudo o que Ele ensinou.
Uma
tendência natural
de
quase todos aqueles
que
são abordados
e
cobrados desta intenção
é
apegar-se nos fatos históricos,
dos
erros daqueles que envergaram
e
defenderam a bandeira de cristãos
durante
os séculos e séculos
da
história da Igreja,
como
por exemplo as guerras santas,
as
cruzadas, a Inquisição.
Esquecem-se
de
que desde o começo
da
história das religiões,
os
homens são mais humanos
e
não ainda, divinos, perfeitos.
Como
homens imperfeitos
interpretam humanamente
e
vivem humanamente
o
que acham ser verdade.
Outros, como
filhos do Pai eterno,
aparecem
como humildes e
obedientes.
Alguns
apreendem
e
executam os ensinamentos do Pai,
fundamentando suas ações no amor
e
no perdão.
Outros,
rebeldes,
não
obedecem
e
não reconhecem os outros
como
irmãos.
Não
encontrarás a fé
se
não a procurares
nos
lugares apropriados.
Não
conseguirás decifrar
a
leitura da fé
no
final da vida
quando
só pensarás
e
‘verás’ a morte
que
se aproxima.
E,
o que é mais importante.
A
religião que
não presta atenção nos outros,
como irmãos,
não
é religião,
é exploração.
Religião
verdadeira
se
pratica na terra,
como
fez o Jesus Cristo,
prestando
atenção
e
atendendo às necessidades
de
quem está na Terra.
Ter
fé é
acreditar
que
todos somos filhos do Pai dos céus
e
ter comportamentos filiais e fraternos.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski.
eneaspb@gmail.com - 41 98854 5166
Atualizado em 10/03/2016
Atualizado em 02/04/2026.
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