sábado, 15 de março de 2014

99.- Fé. A fé é a ferramenta apropriada para uso no mundo invisível.




A dificuldade em falar e escrever sobre a fé transparece na Carta do São Paulo aos Hebreus: “A fé é uma posse antecipada do que se espera; um meio de demonstrar as realidades que não se vêem” Hebreus 11.



No rodapé da Bíblia de Jerusalém consta uma observação complementar sobre esta afirmação, onde se lê: “A fé é totalmente orientada para o futuro e liga-se somente ao invisível”. 



A mesma nota afirma ainda que “... a fé é um conhecimento seguro sobre as realidades celestes”.



Todo o Capítulo 11 e 12 da Carta ao Hebreus fala sobre a fé.  



É na bíblia onde buscamos os exemplos de pessoas que foram provocadas e desafiadas pela força destas duas letras: fé.



A Bíblia toda são temas relacionadas com a fé.



Transcrevemos algumas linhas da Epístola aos Hebreus, com a intenção de alicerçar nossos próximos passos: 



A fé é um modo de já possuir o que se espera, isto é, um meio de conhecer as realidades que não se vêem”.



“A fé é a posse antecipada e conhecimento seguro das realidades celestes”.

O Capítulo 11 da Epístola aos Hebreus contém os fundamentos da nossa fé. Leia e medite. Depois, sinta-se desafiado e entre por este caminho.



Para que o tema que estamos estudando tenha credibilidade e peso científico, inclui alguns pensamentos do sacerdote e cientista Pierre Teilhard de Chardin, a respeito da sua visão sobre a fé.



Veja como a fé é importante dentro da linha mestra da história, que é a evolução. No Livro do escritor J L Poersch: Evolução e Antropologia no espaço e no tempo, síntese do pensamento do sacerdote e cientista Pierre Teilhard de Chardin, encontramos nas páginas 202 e 203 o seguinte conteúdo:



Uma fé estática ou passiva passará pelo processo de crescimento até tornar-se dinâmica”.



A fé no nosso Pai Criador, no Cristo, na ressurreição Dele e da nossa,  e na vida eterna já não é apenas uma sutil expectativa e um repouso na esperança, mas deve se transformar num vigoroso apelo para a ação, para o progresso e o desenvolvimento, para que aconteça o mundo que deve ser construído por nós, filhos do Eterno.



Desde que possuímos todos os dons recebidos do nosso Pai, pela lógica, Ele não nos dará de mãos beijadas os bens que herdamos ou herdaremos, mas deverá ser conquistado pelo esforço inteligente e generoso das gerações humanas através dos tempos”...”.



A fé infunde novas energias no seio da humanidade para que prossiga, sempre mais longe, na busca da verdade e na criação do mundo, até alcançar a plenitude divina universal”. 



“O Cristianismo é a religião da evolução por ser a mais audaciosa das crenças pela doutrina da ressurreição.



É nela que se reflete a plenitude divina e universal do espírito e da matéria, inspirando e estimulando as pessoas humanas a colocarem seus esforços em função da conquista desse objetivo supremo.



Em face disso, a verdadeira fé cristã na ressurreição é aquela que encampa, no pensamento e na ação, todos os conhecimentos científicos e técnicos da evolução como instrumentos para implantar, progressivamente, a imagem divina no mundo e preparar o triunfo definitivo, para que venha o reino do nosso Pai até junto de nós”.



Estamos iniciando os primeiros passos numa outra ordem de leitura e interpretações. Mas não se descartam as outras experiências já conquistadas.



E aqui, nesta outra dimensão, neste nível acima, não temos a segurança nem a certeza como auxiliares.



Queremos colocar como base e fundamento dessas novas linhas a resposta carregada de responsabilidade e não fuga ou omissão.



Aceitamos o compromisso de conhecer e aprofundar mais a realidade espiritual na qual estamos envolvidos. 



Ignorar esta realidade é uma fuga.



Mais do que fuga é atitude de infantilismo.



Infantislimo é atitude de quem não quer aceitar as condições da maturidade.



Não querer amadurecer é desistir dos caminhos que apresentarão dificuldades.



É somente através da fé que vamos poder transpor as barreiras que o mundo visível impõe.



Além do que é visível, existe a dimensão do invisível. Tentarmos enxergar o invisível é um desafio e uma aventura.



Mas é uma conquista. Exige um preço e tomadas de decisões comprometedoras. Outros conseguiram. 



A fé é a mais difícil de todas as aventuras para o ser humano.



Por ser a mais difícil, ela é uma das bases sustentadoras dos humanos que a possuem.



Talvez esta ferramenta seja a base e a sustentação do progresso para o estágio acima do natural.



Estaremos então falando e entrando dentro do mundo sobrenatural.



Por ser a fé uma realidade difícil de assimilar pelo tradicional meio da razão, não há como não começar por ela.



Se a própria razão não nos convencer de entrar por este túnel, seremos loucos ou desprovidos da normalidade.



De qualquer forma, a fé é  ativada pelo processo racional.



É claro que em primeiro plano vai aparecer a dúvida.



A dúvida vai expor argumento e sugerir obstáculos.



Daí, a nossa capacidade racional vai acionar algo que exige um pouco mais da nossa própria racionalidade, solicitando agregar os elementos da decisão, da força de vontade, da persistência, da dedicação, e até da teimosia.



Por tudo isso torna-se difícil a convivência familiar e íntima com a fé.



A convivência com a fé sempre vai ter este sabor de não contentamento.



Convém alertar que estamos caminhando num campo muito delicado, difícil, novo, diferente, ousado, atrevido e, intuitivo.



Mas não é um caminho sem volta.



Não é uma utopia ou uma ilusão.



Não é ficção.



Não é literatura.



Não é história para crianças.



Não é mentira.



Não é irreal.



Veremos muitos exemplos de pessoas que empenharam suas vidas nesta aventura e não morreram fracassadas. Pelo contrário, foram pessoas normais, ou foram heróis, mártires ou santos.



No dia a dia agimos quase sempre fundamentados em atitudes pensadas e refletidas.



Porém, esta nova aventura, aceita, torna-se uma situação de sucesso, recusada transformar-se-á na desventura do fracasso existencial.



A teimosia, a persistência ou a loucura em buscar a convivência com as ramificações da fé vai trazer consequências naturalmente humanas e sobrenaturalmente, experiências situadas no extracampo do natural.



Custe o que te custar, procure, pesquise, cave, persiga, vá atrás da fé.



Busque-a e cultive-a, para não viver na superfície e no vazio existencial.



É difícil sim, mas outros já trilharam este desafio, e venceram.



É a aventura que nos falta, como seres humanos.



É o nível da existência que está faltando para completá-lo. 





Uma provocação

vem na direção de cada ser humano:

aceitar a verdade sobre a fé.



Esta provocação

impõe obrigação,

exigindo resposta.



Você oporá resistências.



Haverá luta interna.



Jamais deixará de abrandar-se.



Ela poderá ficar sufocada,

mas estará sempre viva, mesmo que fraca.

Assim como nós, assim como a vida.



Não fomos criados

para estacionar no meio da viagem.



Continuar evoluindo é próprio do ser humano. 



Aceitar o desafio da fé é condição de querer ser eterno ou não.  



A fé é uma resposta assinada num documento em branco, comprometendo-se a viver os termos de um contrato.



Quem assina em branco um documento? Só quem tem fé que o documento será usado para o seu próprio bem.



Em palavras bem simples:

você assina e está envolvido.



Não querer saber nada sobre nada, sobre os elementos relacionados com toda a sua estrutura de vida pessoal, familiar, social, planetária, futura, após a sua morte é infantilismo, atitude de adolescente.  



Você já está no campo da vida, maduro.  



Consequentemente, você está no campo da fé.



Nem todas as respostas foram respondidas.



Perguntas permanecem latejando.



As realidades relativas à fé

continuam provocando,

esperando respostas.



Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 11/03/2016.



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