A dificuldade em falar e escrever
sobre a fé transparece na Carta do São Paulo aos Hebreus: “A fé é uma posse
antecipada do que se espera; um meio de demonstrar as realidades que não se
vêem” Hebreus 11.
No rodapé da Bíblia de Jerusalém
consta uma observação complementar sobre esta afirmação, onde se lê: “A fé é
totalmente orientada para o futuro e liga-se somente ao invisível”.
A mesma nota afirma ainda que “... a
fé é um conhecimento seguro sobre as realidades celestes”.
Todo o Capítulo 11 e 12 da Carta ao
Hebreus fala sobre a fé.
É na bíblia onde buscamos os exemplos
de pessoas que foram provocadas e desafiadas pela força destas duas letras: fé.
A Bíblia toda são temas relacionadas
com a fé.
Transcrevemos algumas linhas da
Epístola aos Hebreus, com a intenção de alicerçar nossos próximos passos:
“A fé é um modo de já possuir o que
se espera, isto é, um meio de conhecer as realidades que não se vêem”.
“A fé é a posse
antecipada e conhecimento seguro das realidades celestes”.
O Capítulo 11 da Epístola aos Hebreus
contém os fundamentos da nossa fé. Leia e medite. Depois, sinta-se desafiado e
entre por este caminho.
Para que o tema que estamos estudando
tenha credibilidade e peso científico, inclui alguns pensamentos do sacerdote e
cientista Pierre Teilhard de Chardin, a respeito da sua visão sobre a fé.
Veja como a fé é importante dentro da
linha mestra da história, que é a evolução. No Livro do escritor J L Poersch: Evolução
e Antropologia no espaço e no tempo, síntese do pensamento do sacerdote e
cientista Pierre Teilhard de Chardin, encontramos nas páginas 202 e 203 o
seguinte conteúdo:
“Uma fé estática ou passiva passará
pelo processo de crescimento até tornar-se dinâmica”.
A fé no nosso Pai
Criador, no Cristo, na ressurreição Dele e da nossa, e na vida
eterna já não é apenas uma sutil expectativa e um repouso na esperança, mas
deve se transformar num vigoroso apelo para a ação, para o progresso e o
desenvolvimento, para que aconteça o mundo que deve ser construído por nós,
filhos do Eterno.
Desde que possuímos
todos os dons recebidos do nosso Pai, pela lógica, Ele não nos dará de mãos
beijadas os bens que herdamos ou herdaremos, mas deverá ser conquistado pelo
esforço inteligente e generoso das gerações humanas através dos tempos”...”.
A fé infunde novas
energias no seio da humanidade para que prossiga, sempre mais longe, na busca
da verdade e na criação do mundo, até alcançar a plenitude divina
universal”.
“O Cristianismo é a
religião da evolução por ser a mais audaciosa das crenças pela doutrina da
ressurreição.
É nela que se
reflete a plenitude divina e universal do espírito e da matéria, inspirando e
estimulando as pessoas humanas a colocarem seus esforços em função da conquista
desse objetivo supremo.
Em face disso, a
verdadeira fé cristã na ressurreição é aquela que encampa, no pensamento e na
ação, todos os conhecimentos científicos e técnicos da evolução como
instrumentos para implantar, progressivamente, a imagem divina no mundo e
preparar o triunfo definitivo, para que venha o reino do nosso Pai até junto de
nós”.
Estamos iniciando os primeiros passos
numa outra ordem de leitura e interpretações. Mas não se descartam as outras
experiências já conquistadas.
E aqui, nesta outra dimensão, neste
nível acima, não temos a segurança nem a certeza como auxiliares.
Queremos colocar como base e
fundamento dessas novas linhas a resposta carregada de responsabilidade e não
fuga ou omissão.
Aceitamos o compromisso de conhecer e
aprofundar mais a realidade espiritual na qual estamos envolvidos.
Ignorar esta realidade é uma fuga.
Mais do que fuga é atitude de
infantilismo.
Infantislimo é atitude de quem não
quer aceitar as condições da maturidade.
Não querer amadurecer é desistir dos
caminhos que apresentarão dificuldades.
É somente através da fé que vamos
poder transpor as barreiras que o mundo visível impõe.
Além do que é visível, existe a
dimensão do invisível. Tentarmos enxergar o invisível é um desafio e uma
aventura.
Mas é uma conquista. Exige um preço e
tomadas de decisões comprometedoras. Outros conseguiram.
A fé é a mais difícil de todas as
aventuras para o ser humano.
Por ser a mais difícil, ela é uma das
bases sustentadoras dos humanos que a possuem.
Talvez esta ferramenta seja a base e a
sustentação do progresso para o estágio acima do natural.
Estaremos então falando e entrando
dentro do mundo sobrenatural.
Por ser a fé uma realidade difícil de
assimilar pelo tradicional meio da razão, não há como não começar por ela.
Se a própria razão não nos convencer
de entrar por este túnel, seremos loucos ou desprovidos da normalidade.
De qualquer forma, a fé é ativada
pelo processo racional.
É claro que em primeiro plano vai
aparecer a dúvida.
A dúvida vai expor argumento e sugerir
obstáculos.
Daí, a nossa capacidade racional vai
acionar algo que exige um pouco mais da nossa própria racionalidade, solicitando
agregar os elementos da decisão, da força de vontade, da persistência, da
dedicação, e até da teimosia.
Por tudo isso torna-se difícil a
convivência familiar e íntima com a fé.
A convivência com a fé sempre vai ter
este sabor de não contentamento.
Convém alertar que estamos caminhando
num campo muito delicado, difícil, novo, diferente, ousado, atrevido e,
intuitivo.
Mas não é um caminho sem volta.
Não é uma utopia ou uma ilusão.
Não é ficção.
Não é literatura.
Não é história para crianças.
Não é mentira.
Não é irreal.
Veremos muitos exemplos de pessoas que
empenharam suas vidas nesta aventura e não morreram fracassadas. Pelo
contrário, foram pessoas normais, ou foram heróis, mártires ou santos.
No dia a dia agimos quase sempre
fundamentados em atitudes pensadas e refletidas.
Porém, esta nova aventura, aceita,
torna-se uma situação de sucesso, recusada transformar-se-á na desventura do
fracasso existencial.
A teimosia, a persistência ou a
loucura em buscar a convivência com as ramificações da fé vai trazer
consequências naturalmente humanas e sobrenaturalmente, experiências situadas
no extracampo do natural.
Custe o que te custar, procure,
pesquise, cave, persiga, vá atrás da fé.
Busque-a e cultive-a, para não viver
na superfície e no vazio existencial.
É difícil sim, mas outros já trilharam
este desafio, e venceram.
É a aventura que nos falta, como seres
humanos.
É o nível da existência que está
faltando para completá-lo.
Uma
provocação
vem
na direção de cada ser humano:
aceitar
a verdade sobre a fé.
Esta
provocação
impõe
obrigação,
exigindo
resposta.
Você
oporá resistências.
Haverá
luta interna.
Jamais
deixará de abrandar-se.
Ela
poderá ficar sufocada,
mas
estará sempre viva, mesmo que fraca.
Assim
como nós, assim como a vida.
Não fomos criados
para estacionar no meio da viagem.
Continuar evoluindo é próprio do ser
humano.
Aceitar o desafio da fé é condição de
querer ser eterno ou não.
A fé é uma resposta assinada num
documento em branco, comprometendo-se a viver os termos de um contrato.
Quem assina em branco um documento? Só
quem tem fé que o documento será usado para o seu próprio bem.
Em palavras bem simples:
você assina e está envolvido.
Não querer saber nada sobre nada,
sobre os elementos relacionados com toda a sua estrutura de vida pessoal,
familiar, social, planetária, futura, após a sua morte é infantilismo,
atitude de adolescente.
Você já está no campo da
vida, maduro.
Consequentemente, você está no campo
da fé.
Nem todas as respostas foram
respondidas.
Perguntas permanecem latejando.
As realidades relativas à fé
continuam provocando,
esperando respostas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 11/03/2016.
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