O assunto sobre a morte é incompleto.
O tema sobre a morte é diferente para cada escritor.
Nunca ou quase nunca o conhecimento, as citações, as fontes e o enfoque é o
mesmo.
Cada um contribui com um pouco.
Por outro lado, o tema da morte é difícil,
tanto de escrever, tanto de ler, tanto de entender.
É
inesgotável.
É misterioso.
Ninguém fala ou escreve com autoridade sobre
a morte.
Uma
coisa é certa:
a
morte vai causar surpresas
para
muitos.
No
reino da Terra,
a
morte carrega a última palavra
e
sua fala é autoritária: irás morrer.
Existe
um lugar
onde
a morte
não
tem a última palavra.
O
Reino dos céus
é
um reino de vivos.
O
reino do Deus dos céus
é
um reino de vivos,
não
de mortos.
Aqui
na terra
vivemos
a realidade da morte.
Se
algo foi criado pelo Pai e Criador,
Supremo
Cientista do Cosmos,
sendo
Deus, e sendo essencialmente Pai,
não
criará nada para a morte,
para
o esquecimento,
para
o vazio,
para
desaparecer para sempre.
Talvez a morte não seja um fim de tudo.
Talvez seja o ponto final de uma frase. Logo em seguida a frase continua
começando com letra maiúscula.
Sentimos
que precisamos saber
um
pouco mais sobre a Dona Morte,
principalmente,
para viver a vida
mais
ardentemente.
A
maioria de nós não gostamos
de
ouvir falar dela,
daquela
senhora feminina,
conhecida
como Dona Morte.
Esta
realidade,
a
mais crua realidade,
causa
em cada um de nós,
uma
apreensão e um desconforto.
Porém,
como
um problema
que
precisa ser resolvido,
nos
impomos este desafio
e
nos lançamos no campo da pesquisa.
Olhemos
a morte de frente.
Resistir
é inútil.
Fugir
desta realidade
é
praticar o maior ato de covardia
que
o ser humano pode cometer.
Se
a vida é um pacote
onde
lá dentro estão muitas coisas,
uma
delas, uma dentro de tantas,
é
a morte.
Ela
faz parte do pacote da vida.
Estudando
e pesquisando
a
questão morte, acabamos
nos
familiarizando com ela,
e
no final achamos tão natural
e
familiar falar sobre ela
como
se estivéssemos falando
sobre
qualquer outro assunto.
Isto
não nos tornará mais mortíferos,
mas
nos revestiremos de uma carga
com
mais entusiasmo
e
motivação
para
curtir a vida
com
toda a carga possível
de
vitalidade.
E,
quando ela vier nos abraçar,
não
oporemos resistências.
Possivelmente,
ela nos surpreenderá
quanto
ao dia e a hora
em
que nos abraçaremos.
Não
sabemos
quando
esse fato vai acontecer.
E,
possivelmente,
nos
surpreenderá também
porque
nossa imaginação
e
nossos pensamentos
nem
sequer consigam prever
o
estilo de vida
que
teremos
após
este acontecimento.
Ninguém
voltou de lá
para
contar.
Talvez
seja coisa de anjo.
E
dos anjos, quase nada sabemos.
Apenas
sabemos que existem.
É
importante conhecer
esta
ou qualquer outra realidade,
que
faça parte da vida.
Como
uma parente
que
morava longe,
a
prima Morte, quase desconhecida,
sugere
que saibamos mais sobre ela.
Agora
ela já mora mais perto
e
já é mais conhecida.
Ela
é muda,
e
se apresenta para nós,
os
vivos,
muito
mais na tardinha
do
que no amanhecer
e
no meio do dia.
E
quase sempre
encontra
desprevenidos,
os
escolhidos para a sua visita.
Dificilmente
encontra a casa arrumada, preparada com os materiais
ou
trajes para a ocasião.
Não
a convidamos,
mas
ela vem assim mesmo.
Se
algo foi criado pelo Pai e Criador,
Supremo
Cientista do Cosmos,
sendo
Deus, e sendo essencialmente Pai,
não
criará nada para a morte,
para
o esquecimento,
para
o vazio,
para
desaparecer
para
sempre.
A
não ser que seja algo provisório,
como
uma ponte, uma porta,
mudança
de visual, sei lá ...
Quando
buscamos melhor conhecê-la,
sentimos
que a intensidade
em
viver a vida, dobra.
Após
fazer amizade
com
esta velha senhora,
percebemos
que ela está sempre presente,
em
todas as etapas, estações,
idades
e situações, junto com a vida.
A
vida e a morte são irmãs gêmeas:
uma
fica e a outra vai.
Quanto
mais perto dela nos achegamos,
mais
damos valor à sua irmã, a vida.
A
vida é cheia de movimentos,
inquieta
e atraente.
A
morte é inerte,
apática
e insensível,
e
em alguns,
provoca
até atos de repugnância.
Esta
senhora,
que
de quase todos é desconhecida,
possui
algumas características da vida:
Ela
é também acolhedora.
Ela
não recusa os que morrem.
Ela
tem autoridade,
e
é praticamente invencível.
Apenas
um, até agora, venceu-a.
Se
é para lá que vamos,
queremos
ir
conhecendo
um pouco mais
aquela
que vai nos acolher!
Quanta
vergonha
teremos
em seus braços,
de
repente aparecer
como
desconhecidos e medrosos.
Opomos
uma real resistência
não
querendo ver,
nem
antever,
aquela
verdade
que
após re-velada
não
nos fará mal nenhum.
Dizem
os filósofos
que
temos medo do que não conhecemos.
E
deixamos de ter medo
daquilo
que conhecemos,
porque
nos tornamos poderosos,
conhecendo
os pontos fracos
ou
os buracos negros
do
medo imaginado,
de
uma senhora
que
apenas nos acolhe
e
nos abraça.
Quanto
mistério há em ti,
irmã
morte.
Quão
poucas pessoas
te
conheceram como objeto próprio.
Quantos
poucas pessoas
tiveram
a ousadia de te amar.
Só
do Francisco de Assis
recordamos,
chamou-te
de irmã Morte.
O
próprio Jesus,
o
filho do Deus dos céus,
pediu
para afastar o cálice
que
a morte lhe ofereceu.
Naquele
momento,
o
Jesus, o filho do José da Galiléia,
como
homem, tremeu.
Mas
como é também o Cristo,
filho
do Deus Eterno,
é
maior do que a morte,
por
isso, ressuscitou.
E
ressuscitou porque,
depois
da luta,
a
aceitou.
E
a ela se entregou,
com
a ajuda da fé,
crendo
que a promessa da ressurreição aconteceria.
Só
consegue morrer em paz
Aquele
que a ela se entrega.
A
morte não é um nada.
Não
é um escuro.
Não
é um vazio.
Não
pode ser.
Nem
poderia ser.
Porque
não é.
Isso
é um mito.
É
um pré-conceito,
porque
não podemos,
de
fato, fazer um completo conceito
sobre
a morte.
Se
algo foi criado pelo Pai e Criador,
Supremo
Cientista do Cosmos,
sendo
Deus, e sendo essencialmente Pai,
não
criará nada para a morte,
para
o esquecimento,
para
o vazio,
para
desaparecer para sempre.
Neste
caminho,
todos
sabemos,
não
há volta.
Uma
vez nascido,
para
a morte caminhamos.
Cansados,
deitamos e dormimos.
E
quando acordamos
já
não somos mais daqui.
Não
seremos para sempre terráqueos.
No
momento, porém,
de
darmos as mãos,
mais
fácil será,
se
dermos o corpo todo,
sem
gestos de resistências,
sem
preconceitos de conhecimentos
ou
sem ações de ignorância.
Deitado,
sem vida,
agora
de costas para a terra,
não
conseguimos abraça-la,
numa
última tentativa
de
querer segurar-se nela,
para
não ir.
Já
sem vida,
sem
forças,
só
nos resta entregar-se a ela,
como
quem se deita no colo de alguém,
sem
resistências.
Ela
sim,
nos
abraçará
e
nos levará,
como
uma criança,
sem
reação,
disponível
no colo
do
chão da terra.
Do
chão da terra,
material
emprestado,
do
qual fomos feitos,
agora
devolvemos,
pois
que deste material
não
mais necessitaremos.
Que
mistério infinito este,
da
morte não dizer nada de si mesma.
Talvez
seja que a morte é linda.
De
tão linda, bela
e
esplêndida que é
não
queira provocar
em
cada um de nós,
uma
vontade louca
de
antecipar o momento
de
conhecê-la.
Se
ela se apresentar como linda,
iniciará
uma infeliz concorrência
com
os preconceitos que dela temos.
E
talvez se acabem os mistérios.
Mas
nós não queremos
que
os mistérios sejam decifrados.
Não
ainda. Não agora.
Queremos
cultivar expectativas boas.
Achamos
que a morte
deve
continuar escondida
atrás
dos véus
que
não permitem
ainda
uma clara visualização.
Vamos
indo,
caminhando,
conversando,
sorrindo
e cantando,
servindo
e curtindo
o
encurtamento dos nossos dias.
Na
estrada que vai em direção da morte,
não
há outra mão, nem contramão.
Todos
nós estamos viajando
por
esta avenida.
A
vida e a morte
são
ambas mães, filhas,
amigas
e companheiras nossas.
Duas
parentes
na
máxima proximidade
de
parentesco.
Nascemos
para a vida
através
de um parto.
Dentro
do útero da nossa mãe,
não
respirávamos.
Ao
sair do ventre da nossa mãe,
passamos
a respirar.
Parece
que a morte
é
um novo nascimento.
Entraremos
para o lado da morte,
através
de um outro parto.
Do
lado de lá da morte,
deixaremos
de respirar.
O
pulmão não será mais necessário.
Pulmão
nenhum
aguentará
respirar
o
ar puro que há por lá.
Mas
então,
será
uma nova Terra,
um
céu, sem ar,
nem
poluição?
Não
sabemos.
Não
sabemos não,
mas
continuamos curiosos.
Três
coisas são essenciais
para
morrer em paz:
Primeira:
perdoar
todos que nos ofenderam
ou
pensaram que nos prejudicaram.
Segunda:
pedir
perdão, sinceramente,
para
o Papai do céu,
confessando-lhe
que não sabíamos
o que fazíamos.
Aprendemos
na oração ao nosso Pai,
a
rezar assim: perdoai as nossas ofensas
como
perdoamos os que nos ofenderam.
Nosso
Pai nos deu uma condição:
só
nos perdoa, se nós perdoarmos.
Terceira:
aceitar
a morte, em paz,
como
um elemento
que
veio junto com a vida,
e
que é a porta
que
abre o novo
e
definitivo estilo de vida:
vida
eterna de filhos
do
nosso Pai Criador.
Se com a morte do
corpo
terminasse também
a vida da alma,
aí sim, estaríamos
sem nenhuma boa expectativa sobre a morte.
Santo Agostinho.
Com
o Cristianismo, temos uma boa notícia:
O
Jesus Cristo venceu a morte.
Se cremos
que o Jesus Cristo
morreu e ressuscitou,
cremos também que
Deu,
nosso Pai,
evará com Jesus
os que nele morrerem.
São Paulo Apóstolo.
1 Tessalonicenses 4,14.
Os cientistas já decidiram:
a morte
será a última inimiga a ser vencida.
Será a última, mas será vencida.
É
se nós nos empenharmos
em
viver o Cristianismo
estaremos
garantindo esta vitória.
É
através desta porta
ou
deste ‘parto’
que
entraremos em contato,
pessoalmente,
com nosso Pai eterno.
Não
podemos ter medo
de
um Pai
que
cria para a vida eterna,
para
uma vida nova,
junto
com Ele.
Se
para chegar até Ele
temos
que passar pela porta da morte, preparemos este momento.
Preparemos o momento da nossa morte como um
momento solene, sagrado, especial, cheio de boas expectativas.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 03/03/2016.
eneaspb@gmail.com
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