quarta-feira, 12 de março de 2014

94.- Morte. A morte pode ser preparada como um momento solene, sagrado, cheio de boas expectativas. 94



O assunto sobre a morte é incompleto.

O tema sobre a morte é diferente para cada escritor. Nunca ou quase nunca o conhecimento, as citações, as fontes e o enfoque é o mesmo.

Cada um contribui com um pouco.

Por outro lado, o tema da morte é difícil, tanto de escrever, tanto de ler, tanto de entender.

 É inesgotável.

É misterioso.

Ninguém fala ou escreve com autoridade sobre a morte.

Uma coisa é certa:

a morte vai causar surpresas

para muitos.  

 

No reino da Terra,

a morte carrega a última palavra

e sua fala é autoritária: irás morrer.  

 

Existe um lugar

onde a morte

não tem a última palavra.

 

O Reino dos céus

é um reino de vivos.

 

O reino do Deus dos céus

é um reino de vivos,

não de mortos. 

 

Aqui na terra

vivemos a realidade da morte.

 

Se algo foi criado pelo Pai e Criador,

Supremo Cientista do Cosmos,

sendo Deus, e sendo essencialmente Pai,

não criará nada para a morte,

para o esquecimento,

para o vazio,

para desaparecer para sempre.

 

Talvez a morte não seja um fim de tudo. Talvez seja o ponto final de uma frase. Logo em seguida a frase continua começando com letra maiúscula.

 

Sentimos que precisamos saber

um pouco mais sobre a Dona Morte,

principalmente, para  viver a vida

mais ardentemente.

 

A maioria de nós não gostamos

de ouvir falar dela,

daquela senhora feminina,

conhecida como Dona Morte.

  

Esta realidade,

a mais crua realidade,

causa em cada um de nós,

uma apreensão e um desconforto. 

 

Porém,

como um problema

que precisa ser resolvido,

nos impomos este desafio

e nos lançamos no campo da pesquisa. 

 

Olhemos a morte de frente.

 

Resistir é inútil.

 

Fugir desta realidade

é praticar o maior ato de covardia

que o ser humano pode cometer.

 

Se a vida é um pacote

onde lá dentro estão muitas coisas,

uma delas, uma dentro de tantas,

é a morte. 

 

Ela faz parte do pacote da vida.

 

Estudando e pesquisando

a questão morte, acabamos

nos familiarizando com ela,

e no final achamos tão natural

e familiar falar sobre ela

como se estivéssemos falando

sobre qualquer outro assunto.

 

Isto não nos tornará mais mortíferos,

mas nos revestiremos de uma carga

com mais entusiasmo

e motivação

para curtir a vida

com toda a carga possível

de vitalidade.

 

E, quando ela vier nos abraçar,

não oporemos resistências.

 

Possivelmente, ela nos surpreenderá

quanto ao dia e a hora

em que nos abraçaremos.

 

 

Não sabemos

quando esse fato vai acontecer.

 

E, possivelmente,

nos surpreenderá também

porque nossa imaginação

e nossos pensamentos

nem sequer consigam prever

o estilo de vida

que teremos

após este acontecimento.

 

Ninguém voltou de lá

para contar.

 

Talvez seja coisa de anjo.

 

E dos anjos, quase nada sabemos.

Apenas sabemos que existem. 

É importante conhecer

esta ou qualquer outra realidade,

que faça parte da vida.

 

Como uma parente

que morava longe,

a prima Morte, quase desconhecida,

sugere que saibamos mais sobre ela.

 

Agora ela já mora mais perto

e já é mais conhecida.

 

Ela é muda,

e se apresenta para nós,

os vivos,

muito mais na tardinha

do que no amanhecer

e no meio do dia.

 

E quase sempre

encontra desprevenidos,

os escolhidos para a sua visita.

 

Dificilmente encontra a casa arrumada, preparada com os materiais

ou trajes para a ocasião. 

 

Não a convidamos,

mas ela vem assim mesmo. 

 

Se algo foi criado pelo Pai e Criador, 

Supremo Cientista do Cosmos, 

sendo Deus, e sendo essencialmente Pai, 

não criará nada para a morte, 

para o esquecimento, 

para o vazio, 

para desaparecer

para sempre.

 

A não ser que seja algo provisório,

como uma ponte, uma porta,

mudança de visual, sei lá ...

 

Quando buscamos melhor conhecê-la,

sentimos que a intensidade

em viver a vida, dobra.

 

Após fazer amizade

com esta velha senhora,

percebemos que ela está sempre presente,

em todas as etapas, estações,

idades e situações, junto com a vida. 

 

A vida e a morte são irmãs gêmeas:

uma fica e a outra vai.

 

Quanto mais perto dela nos achegamos,

mais damos valor à sua irmã, a vida.

 

A vida é cheia de movimentos,

inquieta e atraente.

 

A morte é inerte,

apática e insensível,

e em alguns,

provoca até atos de repugnância.

 

Esta senhora,

que de quase todos é desconhecida,

possui algumas características da vida:

Ela é também acolhedora. 

Ela não recusa os que morrem.

 

Ela tem autoridade,

e é praticamente invencível.

 

Apenas um, até agora, venceu-a.

 

Se é para lá que vamos,

queremos ir

conhecendo um pouco mais

aquela que vai nos acolher!

 

Quanta vergonha

teremos em seus braços,

de repente aparecer

como  desconhecidos e medrosos.

 

Opomos uma real resistência

não querendo ver,

nem antever,

aquela verdade

que após re-velada

não nos fará mal nenhum.

 

Dizem os filósofos

que temos medo do que não conhecemos.

 

E deixamos de ter medo

daquilo que conhecemos,

porque nos tornamos poderosos,

conhecendo os pontos fracos

ou os buracos negros

do medo imaginado,

de uma senhora

que apenas nos acolhe

e nos abraça.

 

Quanto mistério há em ti,

irmã morte.

 

Quão poucas pessoas

te conheceram como objeto próprio.

 

Quantos poucas pessoas

tiveram a ousadia de te amar.

 

Só do Francisco de Assis

recordamos,

chamou-te de irmã Morte.

 

O próprio Jesus,

o filho do Deus dos céus,

pediu para afastar o cálice

que a morte lhe ofereceu.

 

Naquele momento,

o Jesus, o filho do José da Galiléia,

como homem, tremeu.

Mas como é também o Cristo,

filho do Deus Eterno,

é maior do que a morte,

por isso, ressuscitou.

 

E ressuscitou porque,

depois da luta,

a aceitou.

 

E a ela se entregou,

com a ajuda da fé,

crendo que a promessa da ressurreição aconteceria.

 

Só consegue morrer em paz

Aquele que a ela se entrega.

 

A morte não é um nada.

Não é um escuro.

Não é um vazio.

 

Não pode ser.

Nem poderia ser.

Porque não é.

Isso é um mito.

É um pré-conceito,

porque não podemos,

de fato, fazer um completo conceito

sobre a morte.

 

Se algo foi criado pelo Pai e Criador,

Supremo Cientista do Cosmos,

sendo Deus, e sendo essencialmente Pai,

não criará nada para a morte,

para o esquecimento,

para o vazio,

para desaparecer para sempre.

 

Neste caminho,

todos sabemos,

não há volta.

 

Uma vez nascido,

para a morte caminhamos.

 

Cansados, deitamos e dormimos.

 

E quando acordamos

já não somos mais daqui.

 

Não seremos para sempre terráqueos.

 

No momento, porém,

de darmos as mãos,

mais fácil será,

se dermos o corpo todo,

sem gestos de resistências,

sem preconceitos de conhecimentos

ou sem ações de ignorância.

 

Deitado, sem vida,

agora de costas para a terra,

não conseguimos abraça-la,

numa última tentativa

de querer segurar-se nela,

para não ir.

 

Já sem vida,

sem forças,

só nos resta entregar-se a ela,

como quem se deita no colo de alguém,

sem resistências.

 

Ela sim,

nos abraçará

e nos levará,

como uma criança,

sem reação,

disponível no colo

do chão da terra.

 

Do chão da terra,

material emprestado,

do qual fomos feitos,

agora devolvemos,

pois que deste material

não mais necessitaremos.

 

Que mistério infinito este,

da morte não dizer nada de si mesma.

 

Talvez seja que a morte é linda.

 

De tão linda, bela

e esplêndida que é

não queira provocar

em cada um de nós,

uma vontade louca

de antecipar o momento

de conhecê-la.

 

Se ela se apresentar como linda,

iniciará uma infeliz concorrência

com os preconceitos que dela temos.

 

E talvez se acabem os mistérios.

 

Mas nós não queremos

que os mistérios sejam decifrados.

 

Não ainda. Não agora.

Queremos cultivar expectativas boas. 

 

Achamos que a morte

deve continuar escondida

atrás dos véus

que não permitem

ainda uma clara visualização.

 

Vamos indo,

caminhando,

conversando,

sorrindo e cantando,

servindo e curtindo

o encurtamento dos nossos dias.

 

Na estrada que vai em direção da morte,

não há outra mão, nem contramão.

 

Todos nós estamos viajando

por esta avenida.

 

A vida e a morte

são ambas mães, filhas,

amigas e companheiras nossas.

 

Duas parentes

na máxima proximidade

de parentesco.

 

Nascemos para a vida

através de um parto.

 

Dentro do útero da nossa mãe, 

não respirávamos.

 

Ao sair do ventre da nossa mãe, 

passamos a respirar.

 

Parece que a morte 

é um novo nascimento.

 

Entraremos para o lado da morte, 

através de um outro parto.

 

Do lado de lá da morte, 

deixaremos de respirar.

 

O pulmão não será mais necessário.

Pulmão nenhum 

aguentará respirar 

o ar puro que há por lá.

 

Mas então,

será uma nova Terra, 

um céu, sem ar, 

nem poluição? 

 

Não sabemos. 

Não sabemos não, 

mas continuamos curiosos.

 

Três coisas são essenciais

para morrer em paz:

 

Primeira:

perdoar todos que nos ofenderam

ou pensaram que nos prejudicaram. 

 

Segunda:

pedir perdão, sinceramente,

para o Papai do céu,

confessando-lhe que não sabíamos

 o que fazíamos.

Aprendemos na oração ao nosso Pai,

a rezar assim: perdoai as nossas ofensas

como perdoamos os que nos ofenderam.

Nosso Pai nos deu uma condição:

só nos perdoa, se nós perdoarmos.

 

Terceira: 

aceitar a morte, em paz,

como um elemento

que veio junto com a vida,

e que é a porta

que abre o novo

e definitivo estilo de vida:

vida eterna de filhos

do nosso Pai Criador.

 

Se com a morte do corpo

terminasse também

a vida da alma,

aí sim, estaríamos sem nenhuma boa expectativa sobre a morte.

Santo Agostinho.

 

 

Com o Cristianismo, temos uma boa notícia:

 

O Jesus Cristo venceu a morte.

 

Se cremos

que o Jesus Cristo morreu e ressuscitou,

cremos também que Deu,

nosso Pai,

evará com Jesus

os que nele morrerem.

São Paulo Apóstolo.

1 Tessalonicenses 4,14.

 


Os cientistas já decidiram:

a morte

será a última inimiga a ser vencida.

Será a última, mas será vencida. 

 

É se nós nos empenharmos

em viver o Cristianismo

estaremos garantindo esta vitória.

 

É através desta porta

ou deste ‘parto’

que entraremos em contato,

pessoalmente, com nosso Pai eterno.

 

Não podemos ter medo

de um Pai

que cria para a vida eterna,

para uma vida nova,

junto com Ele. 

 

Se para chegar até Ele

temos que passar pela porta da morte, preparemos este momento.

 

Preparemos o momento da nossa morte como um momento solene, sagrado, especial, cheio de boas expectativas.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 03/03/2016.

eneaspb@gmail.com 
 




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