terça-feira, 4 de março de 2014

83.- Evolução. Permanecem em nós o egoísmo e certo grau de imaturidade, atrasando nossa evolução.




Conhecer o egoísmo, esta potência humana, é condição de sucesso ou fracasso existencial.

 

Egoístas nascemos.

 

Egoístas crescemos,

e às vezes, egoístas morremos.

 

A nossa promoção de animais

para humanos

dá-se através da superação

dos nossos instintos básicos

pelo domínio da nossa capacidade racional, afetiva e espiritual. 

 

 

O maior em qualidade

deve ter o comando

sobre o menor em possibilidades. 

 

 

Se a nossa natureza bruta é animal.

Se nossa natureza educada é humana.

 

Falta ainda alcançar

a natureza divina, a perfeita.

 

 

Temos consciência da nossa evolução

em direção à perfeição.

 

 

Nossa consciência

está subordinada

a uma escala de valores,

comuns a todos nós,

irmãos que somos.

 

 

O natural da vida

é usarmos todas as nossas capacidades

para crescermos

e ajudarmos os outros

a crescerem e atingirem

a estatura de filhos do Deus Pai eterno.

 

 

Temos um personagem

que foi referencia e modelo,

e se apresentou a nós,

dizendo: Eu sou o caminho, verdade e vida.

 

 

Não perderemos

nossa condição original

de desobediência egoística

se não seguirmos o modelo  

Jesus Cristo.

 

 

Domar o egoísmo

exige a decisão

por um estilo de vida altruísta,

que requer atenção

e policiamento constante

em nossa maneira de ser, pensar e agir.

 

 

O egoísmo

é causador de confusão e desordem.

 

 

Não permite

que se enxergue a si mesmo

como servidor.

 

 

O egoísta

não percebe,

que tudo o que é e que tem,

veio através dos outros.

 

 

O egoísta

inverte os papéis:

o maior é aquele que serve,

não o que é servido.

 

 

Em vez do bem a fazer,

está atento aos benefícios a usufruir. 

 

 

O egoísta

é um míope, um aluno da vida,

em constante reprovação,

pois permanece na condição

de quem está com o umbigo

ainda atado.

 

 

Daí a preocupação constante

com o próprio umbigo,

seu mundinho fechado. 

 

 

Anestesiado,

sob o efeito do sangue suga,

o egoísta não sente a dor,

mas não curte a alegria.

 

 

É um embalsamado,

como uma múmia.

 

 

Quem olha para si,

não ilumina o mundo.

 

 

Fechado em si,

não se abre para o mundo.

 

 

Fechado em si,

constrói e fortalece

sua própria prisão.

 

 

Os egoístas,

de tão egoístas,

possuem as suas próprias fronteiras.

Escolhem seus próprios limites.

Usam óculos curvilíneos. 

 

 

Quando se escapa destas fronteiras,

entra-se no clima da fraternidade universal. 

Aí não há mais fronteiras.

 

 

O egoísta

é possuidor de uma personalidade

marcada pelo resmungo,

porque nada recebe.

 

 

Nada recebe

porque se mantém

com as mãos fechadas. 

 

 

Dá a impressão

que os egoístas

querem ocupar o lugar do próprio Deus,

pois que desejam ser admirados,

cultuados, servidos,

bajulados, e escutados.

 

 

A auto suficiência

leva-os a prescindirem

do Pai Salvador.

 

 

O egoísmo

gera a morte

e tudo mais que a ela se relaciona.

 

 

O contrário,

o amor é aquela qualidade

que concentra a atenção fora de si. 

 

 

Esta atitude provoca a saída

em direção à vida

e tudo o mais que a ele se relaciona.

 

 

Fechar-se em si mesmo,

causa a própria perdição,

pois que o ser humano

não é o seu próprio modelo,

nem o seu próprio fim. 

 

 

Ninguém é modelo

para si mesmo.

 

 

Quem tem a si mesmo

como referência,

acaba ficando sozinho.

 

 

O egoísta

não presta atenção aos demais,

por isso não percebe suas carências

ou necessidades.

 

 

Achamos importante

conhecer estes aspectos

da nossa personalidade

para saber como escapar

das armadilhas que ele nos prepara.

 

 

Outros escritores escreveram sobre o egoísmo.

 

 

Transcreveremos algumas citações:

 

O egoísmo

é resultado

da miopia intelectual.

Ruy Barbosa de Oliveira

 

 

 

Entramos irrevogavelmente

em um caminho

que nos levará às estrelas.

A não ser que,

por uma monstruosa

capitulação ao egoísmo

e à estupidez,

acabemos nos destruindo antes disso.

Carl Sagan.

 

 

Procurar apenas

o proveito próprio

em tudo só traz aborrecimentos.

Aborrecimento é o sintoma do egoísmo.

Confúcio

 

 

O amor ao nosso Pai do céu

produz santos e mártires.

O amor aos semelhantes

aponta os cientistas e sábios.

O egocentrismo, ou o egoísmo

só abre caminho aos inúteis.

Aloísio Derossi Costa

 

 

Enquanto o ser humano

estiver centrado em si mesmo,

encerrado nos muros do egoísmo,

será vítima

das próprias armadilhas.

Ignácio Larrañaga

 

 

 

Somente a admiração

é capaz de tirar o ser humano

do isolamento egocêntrico

e libertá-lo das auto complacências

e auto suficiências.

É condição primária

ser livre de si mesmo

para poder admirar e adorar.

Ignácio Larrañaga

 

 

Para poder amar,

a primeira condição

é não amar-se desordenada

e exclusivamente a si mesmo.

O que se opõe ao amor é o egoísmo.

Os filhos do egoísmo são:

o orgulho, o ódio, o ressentimento,

o rancor, a vaidade, a inveja,

a vingança, o tudo para mim

e nada para você,

o desejo de apropriação,

a arrogância, a agressividade,

a tensão e o medo.

Estes são os instintos selvagens

que lançam irmão contra irmão,

separam, escurecem, obstruem

e destroem o amor e a unidade.

Inácio Larranaga

 

 

Importa à pessoa humana

estender o olhar para fora de si

a fim de descobrir as dimensões

do mundo e concluir que todo ele

não se pode curvar

diante de uma das suas pequeninas parcelas.

Dentro deste ponto de vista,

não há lugar para o egoísmo

e ninguém pretenderá polarizar

as atenções de toda a humanidade,

para os seus casos particulares.

Que é afinal, a vida de cada um

senão esse período de tempo

que lhe é dado para conseguir

sua própria destinação temporal e eterna, criando, ao mesmo tempo,

condições favoráveis

para que os outros também o consigam.

É justamente este o critério

que estabelece as grandes diferenças

observadas nas reações dos homens,

sempre que é atingido,

irremediavelmente seu pequeno mundo.

Aloísio Derossi Costa.

 

 

Vocês perceberam que nós,

humanos, somos naturalmente egoístas.

 

 

Muita gente acha que é mesmo,

natural que seja assim.

 

 

Mas não é.

É uma doença curável.

Tratável.

Tem cura.

 

 

Vejamos alguns remédios, vacinas, cirurgias...

Todas as realidades que existem fora de nós funcionam como “acenos”, convites, iscas, chamadas, advertências, sinais,

atrações e seduções,

para nos tirar de dentro de nós mesmos, insistindo que olhemos,

escutemos, prestemos atenção

no que está fora de nós.

 

 

Uma das grandes sínteses,

facilitadoras e libertadoras da vida

é saber que somos naturalmente egoístas

e sobrenaturalmente anjos.  

 

 

Todo o esforço para alcançar a maturidade

leva a libertar-nos da limitação do ego.

 

 

Se permanecermos egoístas

ficaremos sempre na dimensão humana.

 

 

Se permanecermos egoístas,

acabaremos com a extinção desta espécie,

pois a dimensão divina

exige a superação deste instinto

que é mais de natureza animal que humana.

 

 

A passagem para a natureza divina

supõe a ultrapassagem deste limite

ou desta fronteira.

 

 

O Cristianismo

possui a fórmula,

a receita médica,

quando recomenda

amar o próximo

como a si mesmo,

fazendo do serviço

ou do agir em favor do próximo,

o remédio contra o egoísmo.

 

 

A cura

é obtida com a realização

de si mesmo.

 

“O cristão maduro,

domador do egoísmo,

é um cavaleiro da esperança.

 

Ele sabe que o fim da história é feliz

e já foi mostrado e garantido

pela Ressurreição do Jesus Cristo.

 

Sabe do seu futuro absoluto:

ser assumido pelo Paizinho dos céus,

de forma semelhante

como Jesus Cristo foi assumido.

 

A máxima felicidade do seu eu

é extrapolar e encontrar-se aceito

na profundidade do Tu divino.

 

Isso vem significar concretamente

para a nossa situação terrestre:

só a situação abraâmica

de quem larga tudo,

se aliena e se perde no outro

garante a verdadeira hominização.

 

É no sair de si, no aventurar-se

que se encontra e se ganha

a casa paterna.

 

Se quiser ficar,

egoisticamente,

em casa e morar em si mesmo,

a pessoa humana perde o lar

e seu próprio eu”.

Leonardo Boff.

 

 

Concluímos que temos as capacidades especiais de discernimento para avaliar nossas atitudes, e estamos interessados na nossa promoção para o próximo estágio.

 

 

Conhecer-se a si mesmo

é o princípio da Sabedoria.

Sócrates

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 23/02/2016.

 

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