Você conhece bem,
bem mesmo,
todas as suas tias?
Acho que sim,
mas tem gente
que ainda não conhece.
Vou apresentá-las.
Mas antes de conversar sobre elas
vamos
colocar um princípio
que vai nos ajudar a penetrar mais profundamente
na raiz
da personalidade de cada uma delas.
"Todo ser como tal é
bom,
isto é, é capaz de
satisfazer
as necessidades de um
outro ser
e de lhe comunicar
as perfeições que lhe faltam."
Aristóteles.
Dentro da área da psicologia humana
estamos
sempre esperando,
desejando e procurando
padrões de relacionamentos perfeitos,
alegres, cordiais, afetivos e carinhosos,
carregados de emoções
e extravasando
entusiasmo.
Minha mãe sugeriu
que eu fosse visitar as
irmãs dela
para aprender, com cada uma,
algumas lições importantes.
Ops! ... quase esquece de avisar,
cada uma das minhas tias
é diretora de uma escola.
Lá
fui eu ...
Na ida, enquanto caminhava (fui a pé),
fui
pensando com meus botões:
Qual é o tipo de relacionamento
que mais
gostamos?
Qual
o tipo ideal de relacionamento?
Toda e qualquer
pessoa
por mais madura que
seja,
que não pratica a
arte
do relacionamento
suave e sábio,
justo e amoroso, leve e profundo,
com as outras pessoas,
consciente ou
inconscientemente,
sentirá muita dificuldade nos seus relacionamentos.
Temos, portanto,
muitas lições para
aprender
com nossas “tias”.
Para facilitar nosso relacionamento
com
nossos irmãos,
fui pesquisar as fundamentações
do nosso relacionamento.
Por que algumas pessoas
vencem fácil na vida,
às vezes sem muito estudo?
Acho que a resposta é a seguinte:
É só dizer
‘sim’ para a tia.
Gostaria de
apresentar a nossa família.
Todos nós temos quatro
tias ... ou mais.
A mãe de todas se chama Patia.
Se você for
procurar
a raiz grega ou latina do termo ‘patia’
vai aprender que a palavra
significa
‘comportamento’.
Antecipando todo o texto,
resumimos dizendo
que a pessoa
pode ter um comportamento simpático,
gostoso, alegre,
suave, atraente,
dentro do contexto de sim-patia.
Quando a pessoa se
identifica
com o comportamento do outro,
quando entende o
outro,
quando compreende o
outro,
quando ri com o
outro,
quando chora com o
outro,
dizemos que está
havendo
um comportamento
ou relacionamento
de em-patia,
empático, isto é,
sentir o mesmo que o
outro.
Quando o nosso
comportamento
é de total
indiferença diante do outro,
quando estamos com o
outro,
na frente do outro,
e estamos pensando
outras coisas,
como quem está fora
da órbita,
fora de sintonia,
estamos demonstrando
o quanto a Tia Apatia
exerceu influência
na formação ou
deformação
da estrutura da
personalidade,
prejudicando,
empobrecendo
e provocando rupturas
em nosso próximo
bem próximo.
Finalmente,
a tia rejeitada
também tem que ser
apresentada.
Ela se apresenta ou
melhor,
ela se esconde
atrás de uma roupagem
que não é dela.
Nem é necessário
falar
da tia Antipatia
porque ela é muito
conhecida
e reconhecida, e, rejeitada.
Portanto, agora apresentadas,
estaremos a
falar das tias:
A tia Simpatia.
A tia Empatia.
A tia Apatia.
A tia Antipatia.
Vamos procurar conhece-las
um pouco mais
profundamente
e perceber que elas
influenciaram demais
a formação do nosso
caráter
e personalidade.
Muitas das nossas atitudes
se encaixam dentro
do jeitão
de cada uma delas.
Em
cada uma delas
encontramos
identificações.
Com
algumas
cultivamos
e mantemos
proximidade
e amizade.
Com a outra não damos bola nenhuma
e a outra
até tentamos excluir da família.
Tentamos ...
Vocês já perceberam que a tia-mãe,
a tia
Patia,
é aquela que se apresenta
com o comportamento normal.
Nas outras tias, em cada uma,
há um
diferencial bem visível,
que provoca em nós reações
boas e menos boas.
Estamos agora a falar
da tia Simpa.
Na tia Simpatia
encontramos atração,
ou aproximação
cativante.
Simpatia o que é?
É uma
relação fisiológica entre dois órgãos
mais ou menos afastados;
é uma tendência
instintiva
para uma pessoa ou para uma coisa;
é uma inclinação recíproca
entre
duas pessoas
ou entre duas coisas ou mais;
é uma correspondência; é afinidade.
Esta é uma das nossas tias preferidas.
Dá
gosto conviver com ela.
Viver é sentir, e sentir é captar
o valor das coisas, é sentir-se atraído.
Valor é o caráter precioso dos seres;
é
aquilo que os torna dignos de ser,
e os faz apetecíveis.
A tia Simpatia
conquista, comove,
convence e agrada mais.
Na tia Empatia
encontramos e
efetuamos
uma relação de identificação.
São emoções e comportamentos sadios,
benéficos, enriquecedores,
em relação a outra pessoa.
É identificação. É
o sentir junto com.
Significa dançar no
ritmo da música;
é um sentir-se
afetado positiva
e entusiasticamente
pela própria
existência
e pelo mundo todo;
é principalmente
um fazer-se ativo
e tomar a iniciativa de sentir
e de identificar-se com a realidade
sentida.
É aquela força
que nos faz buscar
a união com as coisas
que sentimos e
apreciamos,
com nossa própria
realização,
com as pessoas
significativas
de nossos contatos,
com nossos ideais,
com nossa vocação,
com o nosso Pai
celestial,
fonte, razão, origem e fim
do nosso existir.
A tia Empatia é responsável
pela inspiração do artista e do
poeta.
É responsável pela
mística
que abrasa o
cientista
em busca de fórmulas
decifradoras das estruturas do
real.
A tia Empatia
não significa apenas
um sentir,
mas um consentir.
Não significa
apenas um dar-se
conta
da paixão do mundo,
mas ter compaixão.
A tia Empatia
não é um viver
enriquecido
com sensibilidade,
mas é um conviver,
um simpatizar,
e entrar em comunhão.
A tia Empatia quer é unir
o sujeito com o
objeto,
com compaixão,
entusiasmo e com
ardência.
A tia Empatia
é geradora da
fantasia,
da criatividade,
da irrupção do novo,
do surpreendente,
do maravilhoso.
A tia Empatia
é um impulso
permanente
para a busca do mais
alto ideal,
para cima,
para o mais belo,
para o mais
verdadeiro,
para o mais justo,
para o mais humano,
para o mais divino.
É através da tia Empatia
que conseguimos nos
aproximar
do nosso Pai do céu.
A tia Empatia
nos arrebata
para os vôos místicos
da união com o nossa
origem,
em êxtase.
Pensar como Jesus
pensa.
Amar como Jesus amou
e ama.
Ver o mundo com os
olhos do Jesus.
A tia Empatia
possui um monte de
filhas,
primos e afilhados.
A tia Empatia
é a mãe da ternura
e do cuidado.
O cuidado e a ternura
são dois irmãos
inseparáveis,
compassivos, capaz de sentir
e comungar com todos
os outros,
descansar no colo do
irmão Carinho
ou do irmão Amor.
Estes irmãos,
primos e primas,
exigem atenção ao
outro,
um estar atento
à sua estrutura,
mostrar solicitude,
andar e crescer
juntos.
A ternura e o cuidado
possuem mais um
parente
muito próximo
que se chama
Espírito de Fineza.
O ser humano
quando ativa a sua
afetividade,
desperta o espírito
de fineza.
O espírito de fineza
produz a cordialidade,
que é sinônimo de
ternura e cuidado.
A afetividade
racional
é a capacidade do ser
humano
de captar o caráter
de valor do ser,
seu fascínio e
seu brilho.
O ser humano,
quando usa sua
afetividade,
aciona o coração
e as virtudes
fundamentais
da existência humana.
O coração ou a
afetividade
e o espírito de
fineza
constituem
os personagens mais
importantes
do ser humano.
Estes personagens
são responsáveis
por uma cultura
que humaniza e
aperfeiçoa
os passos seguintes
em direção àquilo
que nos plenificará.
É a afetividade
e toda a família
originária da
matriarca bondade
e do patriarca amor,
que vieram as outras
filhas e filhos
como a Ternura,
o Cuidado, o Carinho,
a Atenção, a Fineza,
as Compreensões e Aceitações
que criam o universo
das excelências,
das significações
existenciais,
daquilo que vale
e ganha importância,
em função da qual
se pode sacrificar o
tempo
e empenhar a própria
vida.
A raiz básica da nossa crise cultural
reside
na aterradora falta
de ternura e de carinho
uns para com os outros.
Martim Heidegger, filósofo alemão,
considera
a ternura e o cuidado
como os dois fenômenos estruturantes
da existência
humana.
Recomendo a leitura
do livro:
“Saber Cuidar”,
do escritor Leonardo
Boff,
publicado pela
Editora Vozes,
para aprofundar e enriquecer
este saboroso tema do
cuidado,
cuidado como atenção,
como concentração
maternal
sobre o querido
filho.
Foi a partir da
leitura deste livro
que tomei a decisão de montar este texto
sobre as tias.
Na tia Apatia
percebemos nela a
indiferença,
a insensibilidade, a frieza, a falta de energia.
Ela é a geladeira lá de casa.
A frieza, a falta de entusiasmo pela
vida,
o sentimento de que nada tem importância,
é comportamento típico
dela.
É a tia do vasto campo da indiferença.
Não dá para contar com ela
para quase nada.
É
tudo do contra.
Não quero fofocar,
mas tem gente que falou o
seguinte sobre ela:
“O pior pecado contra nossos semelhantes
não é o
de odiá-los,
mas de sermos indiferentes para com eles”,
disse o
escritor irlandês George Bernard Shaw.
E, finalmente, não podemos de deixar de falar
da tia Antipatia.
Ela também é da nossa família.
Toda vez que queremos falar com ela,
nos
deparamos com a rejeição.
Ela nem nos percebe.
Nem liga para nós.
Ela até nos rejeita.
A tia Antipatia
utiliza um
comportamento
de aversão espontânea e instintiva.
Ao nos olhar, demonstra
repugnância.
É a tia oposta à simpatia.
Vamos dar uma de antipáticos,
recusando-nos a
falar sobre ela.
Ela não tem nada mesmo
que atrai nossa atenção
ou exerça atração.
A tia Antipatia,
mesmo com diplomas e
capacidades extras,
não agrada.
“Pessoas antipáticas
apresentam
determinados comportamentos
que despertam
sentimentos negativos
e hostis com relação
a elas.
A boa notícia
é que mudando o
comportamento
(e comportamentos são
gerenciáveis),
essas mesmas pessoas
podem tornar-se
simpáticas
e fazer com que sua
vida
fique mais fácil”.
José Antônio Rosa
Enriqueceremos a nossa existência
com a companhia
das nossas boas titias.
A tia Empatia
e a tia Simpatia,
juntas, geram o fascínio e a atração.
Produzem a ânsia, o desejo
e a eterna procura da expansão.
São as manifestações
da vida do espírito
que jamais se
apresenta
como algo pronto e
feito,
mas como um processo
e projeto sempre se
fazendo,
se aprofundando,
buscando formas novas
e alçando-as para além
de qualquer
determinação.
Ao entrar em contato
com nossas boas tias,
percebemos o quanto elas são importantes
como educadoras.
Aceitando e acolhendo-as
para conviverem
conosco,
elas vão facilitar nossos passos
nos caminhos desta vida.
Onde se encontram
todos estes parentes?
Por aí, onde existam pessoas
ocupadas e
preocupadas
com sementes que
alegram,
constroem e
imortalizam.
Estão nas
bibliotecas,
nas escolas,
nas faculdades,
Universidades,
Igrejas ou templos,
nas famílias,
nos grupos
organizados,
nos movimentos de
casais,
nos cursos de
aperfeiçoamento.
Estão lá, onde se vive como irmãos,
como parentes bem
próximos.
Estes nossos parentes
e amigos,
muito queridos,
imortalizam
porque possuem
valores
visíveis e
invisíveis,
que projetam
para além das
fronteiras materiais.
Você logo nota:
estão sempre ocupados
e preocupados
com as coisas
importantes
da vida.
As coisas mais importantes
não dizem respeito
somente a esta vida que vemos.
A partir das coisas
que se vêem,
nossas tias, primos e
parentes
constroem pontes ou
trampolins
para as coisas que
não se veem.
Elas ensinam
que os valores
principais
conquistam-se com
relacionamentos
na esfera do amor,
na profundidade da
fé,
nas alturas das
esperanças
e nas obras da
caridade,
aplicadas no campo da
vida,
no dia-a-dia.
Cada ser humano é um
irmão.
Cada irmão é um
parente carente,
como eu e você.
Ninguém é completo
sozinho.
Ninguém se realiza
sozinho.
Vivemos uns ao lado
dos outros,
por isso valorizamos
imensamente
nossos relacionamentos,
aprendidos com nossas
TI-TIAS.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski.
Atualizado
em 21/03/2016.
Atualizado em 12/04/2026
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