A fé é uma resposta
a um convite:
Vem e vê’.
Ver, de uma forma
diferente:
ver sem os olhos.
Venha,
tome conhecimento,
faça essa experiência
e dê uma resposta.
Fé que é fé
não é ‘minha’ fé.
É um dom, um presente que
ganho,
que recebo, que aceito,
um dom pequeno, muito pequeno,
mas que pode crescer.
Como criancinhas
aprendendo a caminhar,
somos
convidados
a dar os primeiros passos
nesta aventura.
Os demais passos
serão aprendidos.
Ganhamos a bicicleta:
teremos que aprender
a andar com ela
e andar nela.
E, como um presente,
o guardo, ou o uso.
Guardando-o,
não aprendo o
manuseio.
Usando-o,
aprendo a andar,
monto e desmonto suas
peças
e decoro suas
funções.
Em que oportunidades
ou ocasiões,
me vestirei deste
traje
ou usarei esta
ferramenta?
É um uniforme de
trabalho diário.
É uma ferramenta de
ofício
que se usa todos os
dias
e todas as noites.
Mas para que serve?
Não vemos utilidade,
de imediato.
Virão oportunidades
difíceis,
dias escuros,
em que o traje da fé,
será necessário
e esta ferramenta
será a única
disponível.
Não haverá apoios
onde colocar os pés.
Há que se adiantar
que jamais poderemos
dispensar a fé
e caminhar sem ela
nesta terra.
É um acessório
especial
a ser acoplado
em nosso veiculo
vital.
Curto de visão ainda
somos,
necessitando de
óculos especiais
para ver a vida, e as tramas da vida,
nem sempre claras,
e às vezes, sem os frutos do
sucesso.
Falta-nos um olhar
abrangente,
onde o fracasso e o
sucesso
possam expressar
juntos,
uma mesma mensagem.
É essa a utilidade da
fé.
Se sem a fé,
o bolo da vida não
fermenta,
e se a fé é o
fermento essencial da vida,
este ingrediente tem que constar
na receita do bolo da nossa existência.
Também com a fé,
a sabedoria propõe
que façamos parceria.
Com ela, os olhos brilharão,
o sorriso estará
estampado
em nosso semblante
e o bom humor dará
passos
junto conosco.
O início da experiência
da fé
assemelha-se à
escalada de uma montanha.
A escalada de uma
montanha
leva o alpinista
a curtir o sabor da
conquista,
antes de começar.
É com esta esperança
que devemos caminhar.
Na trilha da fé,
as dificuldades são
muitas.
Mais do que
ferramentas concretas,
lanternas, faróis,
temos apenas setas
indicativas
e caminhamos
apalpando ‘no escuro’.
Lentamente ganhamos
experiência
e os caminhos ficam
mais fáceis.
Parábolas, histórias,
lendas e criações de
literatura ajudam.
Tudo o que pode
ajudar,
vamos buscar e usar.
Escalar uma montanha é arriscado.
Não se escala,
sozinho.
Numa escalada,
você sairá dos
caminhos naturais
da facilidade, da
rotina,
das repetições e do automatismo.
Vai sair da
superfície e vai subir.
Subir já diz tudo: exige esforço.
Sair da dimensão
da horizontalidade da
vida
é algo que poucas
pessoas fazem.
Exige pensamentos,
pesquisas e decisões
planejadas.
Mas é também uma
aventura.
Mas você vai.
Nem sabe bem porque, mais vai.
Você sabe que o teu corpo vai
cansar.
Vai ser difícil, mas mesmo assim
o teu poder de
decisão decide ir.
A escalada é difícil,
dura, cansativa, alguns arranhões,
falta de ar, paradas para
descansar.
Nessa aventura
de subir a montanha
você consegue
convencer o teu corpo
a participar, mesmo sendo penoso e
cansativo.
Você aceita o
desafio.
Vê a montanha.
Vê a altura.
Vê a distancia
afastando-se lentamente.
A altitude te fascina
e ao mesmo tempo te
amedronta.
Você aceita caminhar
e escalar.
E você vai, porque o fascínio
e a expectativa é maior do que o
medo,
ou do que a covardia.
Há um desafio e uma provocação:
você é convidado e desafiado
a escalar a montanha da fé.
Se a tua determinação
não for
suficientemente forte,
vendo a montanha,
você terá a tentação de desistir
ao contato com as primeira
dificuldades.
Aí o teu corpo poderá ficar
preguiçoso.
Não havendo motivação
suficientemente
forte,
poderá ocorrer
desistência.
Se não sente motivação nenhuma
não há combustível que anime
quem quer que seja.
Sem a curiosidade
ou motivações
superiores,
o alpinista não antevê
um momento de glória
que lhe dê forças para superar
os obstáculos da
subida.
Antes de começar a
escalada,
quando ouvia alguém
falar
da beleza da visão lá
de cima,
a tua mente
idealizava e via teu corpo
conquistando as
alturas.
Sentia que havia
motivação
para o teu ego.
Porém, já neste momento
temos que abrir
a mochila de
ferramentas
e verificar se dentro dela
tem motivações de satisfação
egoística.
E não tem.
Na mochila,
com todo material
necessário
para a escalada da
montanha,
você vai precisar, além de tudo,
de uma boa porção de
coragem.
Vai ter de levar
um pacotinho de
ousadia
ou teimosia pura.
Não leve lógica
nenhuma.
Não vai ter
utilidade,
e não servirá de
apoio.
Somente o bastão,
o cajado, seu
terceiro pé,
sua terceira mão.
Para você que está
indo,
vá preparado para não ver
e mesmo assim, acreditar em algo
que você não viu nem verá, por enquanto.
Você não usará as
mãos,
nem qualquer tipo de
toque.
Você não apalpa.
Você não vai usar os
olhos.
Nem os ouvidos.
Deixe na gaveta os
cinco sentidos.
Ative a intuição e acione o botão da
fé.
No caminho da fé,
querendo e teimando,
brigando com o vento,
você não conseguirá
nenhum êxito,
pois que ainda não
está preparado.
Nesta primeira fase, lembre-se que você
apenas foi convidado e desafiado.
Com toda calma e serenidade
que te for capaz, aceite e ande.
Somente esteja aberto
e preste atenção.
Tem que haver
abertura.
Preste bem atenção:
a fé não existe.
Não existe mesmo.
A fé como substantivo
próprio
que não existe, porque você não a toca.
Ela é indelével. Transparrente. Invisível.
Você não vê a fé.
Vê apenas pessoas que
acreditam.
A fé é vista, percebida, no
testemunho
de quem acredita.
A fé é uma potencia
divina
encarnada nas
pessoas.
Ela pode se
manifestar
ou ficar dormindo.
Convém ter isto bem
claro
para que a dimensão
da fé
não fique apenas como literatura
morta.
Sempre que se referir
à fé,
ela deve estar
relacionada
com a pessoa humana.
É a pessoa humana
que tem fé ou que
acredita.
É a pessoa humana
que acha e sabe-se impotente
para dizer ‘tenho
fé’, ou ‘não tenho fé’,
ou, eu não tenho
certeza de que ‘tenho fé’.
Ter fé exige abertura
para o que está
aparentemente
fechado.
É um paradoxo, com
entrada e saída.
A fé é um túnel
aparentemente escuro, sem saída,
que tem que ser atravessado,
sem nenhum ‘apoio’.
Mas se tem entrada,
tem saída.
A fé não é uma porta
fechada.
Não é um mistério
indecifrável.
Por enquanto
ela é tão desprezada, porque difícil,
que quase ninguém lhe
dá valor.
Ela é tão pequena
que não aparece.
Ela é invisível.
Mas ela será
promovida
para ciência.
Aí então você
acreditará.
O campo da fé é um
paradoxo.
É o mais terrível
desafio
que a mente humana
consegue enfrentar
e suportar.
A fé é o maior desafio
para o ser humano.
A fé é uma tortura
para nosso cérebro.
É a última prova.
Muita gente se admira e pergunta:
como é que tem gente que tem fé?
Sim, esta é a
pergunta correta,
envolvendo a pessoa
humana.
Ter fé, parece sensato dizer,
é um ato irracional.
Parece, mas nao é irracional.
Depois, mais tarde a razão será auxiliar.
Por enquanto, no começo,
é um ato de teimosia, de repetição.
A resposta para esta
questão é a seguinte:
A fé cresce
na medida em que
convivemos
o mais tempo possível
ou o mais
repetidamente possível
com os valores ou
realidades
que a ela dizem
respeito.
Não é algo automático,
como a criação de um
hábito bom.
Mas segue a mesma
dinâmica.
Nunca terá fé
a pessoa que nunca
vai à missa,
nunca reza,
nunca olha para o céu
estrelado,
nunca se admira
das capacidades e
talentos humanos.
Se não se emociona
com os doentes,
com os fracos,
não ajuda ninguém,
não dá esmolas,
não vê o próximo
como irmão.
Se não lê a Bíblia,
não participa
de nenhum sacramento
alimentador,
não se interessa
com as coisas da
Igreja,
não se insere na
comunidade,
não curte as festas
do Natal e da Páscoa.
Se não se
esforça por entender
a criação do mundo,
não se interessa pela Vida Eterna.
Se não vê nada além do
visível,
do tato, da audição,
da degustação.
Nunca terá fé a
pessoa que não antevê nada
além da fronteira da
vida e da morte,
nem mesmo duvida
da existência do Pai
Criador,
porque não O vê nem o
toca.
Se ao menos tentasse,
terias respostas
re-veladoras,
não porém, plenamente
convencíveis.
A fé vela e re-vela.
Abre e fecha.
Mostra e esconde.
Mas não se demonstra.
A fé mora na neblina,
esconde-se na
natureza.
A fé já mostrou sua
cara
naqueles que viveram
das promessas
que já se cumpriram,
que se cumprem
e se cumprirão.
É uma tontura
ou um desequilíbrio
mental.
É um experimentar a
razão
como vacilante, meio
cega,
quase impotente.
É um constante algo
lá na frente, nunca alcançado.
É uma provocação.
É um não, dito com
autoridade,
para o rebelde
adolescente que sou eu.
Na insegurança,
é um farol, uma
luzinha.
Na dúvida,
é uma semente de
esperança.
Na esperança curtida,
a quase certeza
de que o nosso Deus
Criador
é também nosso Pai.
E se aceitamos e
acreditamos
que o Deus é nosso
Pai,
aceitamos e
acreditamos
que Ele quer dar para
nós suas heranças.
Aceitar essa
Paternidade
e vivenciar o estado
de filiação
é aceitar e abraçar a
fé.
A fé foge, escapa,
esconde-se da pesquisa,
mas está por aí, invisível.
A nossa sábia razão encontra muita
dificuldade
para se adaptar a um estilo de comportamento
que não é próprio da
normalidade rotineira.
Mas, por ser lenta no amadurecimento,
como uma
semente de mostarda,
torna-se mais tarde, uma árvore,
uma ciência.
A semente de
mostarda é pequena,
mas carrega dentro de si,
força suficiente para
transformar-se em árvore.
A semente de mostarda
pode transformar-se na
ciência da teologia.
A ciência que estuda
tudo o que está relacionado
com o
nosso Pai do céu, Jesus Cristo,
vida da Igreja, vida eterna,
vida no Espírito, Alma, Céu ...
A razão
aceita estudar
as coisas do nosso
Pai.
Neste patamar
a razão já fez
parceria com a fé.
No princípio, a razão é quase
contra,
opõe resistências, naturais,
frente à dimensão sobrenatural.
Depois,
ela é fundamental
quando promovida para
ciência.
A lógica também vai entrando
no campo da
razão e da fé:
só quem observa
o comportamento de outros
que “possuem fé”,
só
quem pesquisa, quem busca,
quem quer ter fé,
consegue vislumbres,
acenos,
pistas, migalhas
que alimentam a frágil fé.
E este tipo de
alimento, chega a sustentar
a fragilidade da fé.
A fé não tem apenas
o aspecto de
fragilidade.
Ela carrega também
uma força vigorosa.
Uma força invencível.
Uma força
incompreensível.
Existem vestígios na
história.
A fé é uma aventura
quase imprópria para
humanos.
Mas o humano há de
superar-se.
Há de abrir-se para o
reino superior.
E neste reino
superior,
a fé é a primeira
ferramenta.
Cultivar um jardim,
uma horta, uma flor,
é fácil. Você vê os
resultados.
Cultivar a fé
é como cultivar uma
sede
que nunca se sacia.
Te deixa sempre
insatisfeito.
Sentir a emoção do amor presente
é fácil, sentir, experimentar, verbalizar.
Sentir a fé é como uma saudade
de um amor ausente e doloroso.
É difícil de explicar com palavras.
É também difícil se fazer entender.
Mas há testemunhos na História.
A fé é também um ato de
obediência.
Obediência ao nosso
Pai.
Acreditar no nosso
Pai
é dar uma resposta.
Dar uma resposta é
obedecer.
A fé é uma realidade.
Ela existe encarnada
nas pessoas.
Se buscada torna-se
uma consequência,
um dom, um presente
do Deus Pai.
A fé, se ignorada torna-se
um tormento,
um vazio com espaço, a espera de algo
que preencha este
vazio.
A aventura da fé
é uma aventura
parecida com aquela
de querer subir o
pico mais alto do mundo
sem os apetrechos de
segurança
que os alpinistas
usam.
A conquista da fé
exige,
portanto, algumas
ferramentas.
Ferramentas próprias
e adequadas.
Porém, quando no caminho da
fé,
lá no meio dos altos
picos,
olhando para baixo,
tem-se a segurança
de que não vamos
cair,
porque estamos já
amparados,
apoiados com as ferramentas,
próprias dos
andarilhos,
dos escaladores de
montanhas,
amparados na
confiança do Pai,
que caminha junto, invisível.
Por favor,
não tente escalar
nenhuma montanha
sem os apetrechos de
segurança
próprio dos
alpinistas.
Da mesma forma,
não se consegue
adquirir a fé,
sem as ferramentas
adaptadas
para tal finalidade.
Por isso vamos tentar propor
uma tese* sobre
a fé:
um ponto de partida
e evidências.
*(Tese: Uma
tese é uma proposta
de um princípio que pode vir a ser confirmado ou não.
Caso
se confirme, com a aceitação da proposta,
essa tese poderá se transformar
num
princípio ou conceito,
podendo ser assimilado
como uma verdade
a ser admitida
como boa
e em condições de dar sustentação a argumentos.
Caso não se aceite,
essa tese continua sendo
uma tese escrita contestada com argumentos
que provam
a sua não sustentação por si).
Quem não começa a ter fé,
já, desde agora,
não conseguirá cultivá-la
no momento derradeiro da vida.
(Lembre-se, estas afirmações
são apresentadas
como uma tese,
não como um dogma,
ou como um princípios
ou lei
inquestionável).
Quem não sabe manusear
as ferramentas da fé
no caminho,
quando chegar a hora definitiva,
não saberá escolher um caminho
libertador.
Entrará em profunda depressão.
Se antes já não antevia nada,
agora faltará
tudo,
pois que o essencial
para entrar no túnel da morte
é a lanterna da fé.
Nos momentos difíceis da vida,
sem a
ferramenta da fé,
entramos facilmente em desespero,
principalmente frente às
tragédias,
acidentes ou mesmo diante da doença
e da morte de familiares,
diante
do desemprego
ou diante de qualquer grande dificuldade.
É justamente
nos momentos mais difíceis da
vida
que sentimos falta da fé.
É nestes momentos também
que sentimos que ela
existe,
mas estamos despreparados para vivenciá-la,
pois que não a fizemos
nossa companheira de viagem.
A fé é uma crença
que vai amadurecendo
até se transformar em
filosofia de vida.
A filosofia de vida
vai amadurecendo até tornar-se ciência.
Ela se torna ciência quando
é sentida como certeza experimental.
E pela experiência,
a certeza racional toma parte.
Feche os olhos e veja.
Chegando até este patamar,
definimos alguns
princípios
que deixam as sombras mais claras
e as dúvidas menos inteiras.
Não somos ainda
perfeitos.
Estamos ainda na
terra.
Somos filhos do nosso
Pai do céu,
e andamos, como peregrinos, mendigando fé,
nos caminhos pela Terra.
Este Pai que não nos
abandona,
mas não é paternalista.
Deixa em nossas mãos
e sob as nossas
responsabilidades
o uso dos nossos
talentos.
Não nos deixa órfãos.
Não retira nossas
capacidades.
Não afasta os
obstáculos
dos nossos caminhos.
O esforço e o
sofrimento
são condições para a
conquista da fé.
A religião sempre
existiu,
desde o início da
humanidade.
O número de pessoas
envolvidas
com a aventura da fé
é imenso.
O número de mártires
e de santos
que testemunharam
esta fé,
não pode ser mentira,
romance ou uma idiotice
ou uma falta de
bom-senso.
Esta mesma fé que está dentro
do âmbito da religião é também a fé
que está dentro dos
muros das cidades.
Ela está dentro da
vida social.
Ela robustece,
sublima e aperfeiçoa
nossas capacidades
humanas.
Não é algo que não
compreendemos;
é algo que supera
nossa compreensão.
Exige um passo
adiante.
Exige uma resposta de
confiança.
Tentaremos chegar a
dizer como o profeta:
‘Sei em quem coloquei
minha confiança’.
Eis aí a pessoa
humana completa,
pronta, acabada,
vencedora,
aceitando, mesmo com resistências,
entrar na dinâmica da fé.
Deixou de ser um
fraco.
Conseguiu superar
os limites da racionalidade.
Primeiro, abandonando-a
ou superando-a,
e depois,
com a ajuda da
própria razão,
confirmando a experiência da fé.
Mesmo com todos estes argumentos,
testemunhos, escritos e meios,
lembre-se sempre,
que a fé é
uma minúscula luzinha,
quase imperceptível
aos olhos e juízos humanos.
É muito difícil enxergar a fé,
porque lá onde
ela está,
é difícil vê-la,
porque ela é sempre pequena,
tão pequena que é
comparada
com a menor de todas as sementes.
Ela é comparada
com o tamanho, “menor”
que uma
semente de mostarda,
mas, sabemos, dentro dela
existe
uma força, invisível,
milagrosa, poderosa,
capaz de produzir vida nova.
Felizmente,
neste campo
existem algumas
evidências
que facilitam nossa escalada.
Algumas evidências
que fortalecem a
semente
da nossa frágil fé.
Reflita, pense e repense
nos seguintes fatores
e elementos existenciais:
A - A
história.
- Todos os povos,
por mais ignorantes que sejam,
cultivam a religiosidade.
- Reinos políticos desmoronam,
acabam,
desaparecem.
- Religiões, por outro lado,
sempre aumentam,
vivem tempos de crises,
mas permanecem,
sobrevivendo de gerações em gerações.
- Grandes personalidades,
cientistas, políticos, diplomatas,
foram homens profundamente religiosos.
- Nunca soubemos que a fé
reduziu a
personalidade
de um ser humano.
- Sabemos sim, que a fé,
já foi responsável
por
muitos feitos históricos
que algumas pessoas fizeram
que nem exércitos ou
multidões
conseguiriam fazer.
- Muitas pessoas aceitaram o martírio
e foram
suficientemente fortalecidos
para suportarem situações de extremo sofrimento.
Histórias neste sentido não faltam.
- A História, na literatura religiosa, é entendida
como História da Salvação.
-O mistério da origem da vida.
A minha e a tua vida.
B) A
existência de Templos e Igrejas;
Objetos, animais, lugares e rios sagrados.
- Nessa dimensão da fé, sempre houve
a participação de milhões de pessoas.
Estariam todas eles enganadas?
- A permanência de Instituições religiosas
ao
longo dos séculos e milênios.
- Só aquela entidades ou empresas
que contém
valores permanentes permanecem.
- Os livros Sagrados: O Alcorão, A Bíblia,
Dez
Mandamentos. O Evangelho.
A ciência da Teologia.
Os anjos e santos.
A extensa bibliografia religiosa, abrangente.
C - A Ordem e harmonia do Universo.
A grandeza
dos mares.
A Harmonia dos astros.
O infinito dos espaços.
A cadeia alimentar.
A
evolução dos reinos minerais, vegetais,
animal, humano e espiritual,
que se
auto doam e se auto completam.
O micro e o macro cosmos.
A ciência física.
D- Os valores fundamentais da vida.
Os
direitos humanos.
A justiça,
o amor,
o perdão,
a verdade,
a liberdade,
a solidariedade
a fraternidade.
O estágio de perfeição em que nos encontramos.
A consciência que temos de
tudo isso.
As dificuldades iniciais com relação à convivênciacom tudo aquilo que se relacionacom a dimensão da féestá na não aceitaçãoe no não efetivar contatocom esta relação acima,por isso, é para você, leitor,uma responsabilidade,a partir deste momento,decidir-se entre aperfeiçoara sua cultura sobre a fé,ou simplesmente permaneceronde se encontra estacionado.
Assim, nunca mais terás a ousadia de afirmar que a responsabilidade pela falta de fé pessoal, seja repassada para os outros, quem quer que seja.
Quando
fica difícil assimilar
o que as letras falam sobre a fé,
tentamos mais uma
etapa,
vinculando a fé na crença numa pessoa.
Vejamos
o que disse o pensador
Gabriel Marcel.
A fé é mais fidelidade
à pessoa do Jesus
Cristo
que adesão a um formulário
dogmático.
Gabriel Marcel
Existem teólogos
que afirmam que o Cristianismo
não é mais religião.
Nesta linha de pensamento
e auxiliado pela definição de fé
do filósofo Gabriel Marcel,
o Cristianismo,
como projeto da encarnação,
vida, paixão, morte e ressurreição
do Jesus Cristo,
deixou de ser religião
e passou a ser vivido
como filosofia de vida
baseada no amor
e no serviço aos humanos.
Mais do que preocupação com o além,
o cristianismo ou o próprio Jesus Cristo,
colocou como critérios
de condenação ou salvação,
ações ou omissões
relacionadas à vida
daqueles que estão juntos,
bem próximos e visíveis
de cada um de nós.
A vivencia
dos valores do Jesus Cristo
deixados nos Evangelhos,
conhecidos e vivenciados
com fidelidade pelos cristãos,
se torna hoje, a libertação
de todo e qualquer tipo de religião
para ser vida seguindo o exemplo
da sua própria pessoa.
Completou Jesus
Cristo:
“aprendei de mim
que sou manso
e humildade de
coração”.
São Mateus deixou registrado no capítulo
28,31-46
o testamento do Jesus Cristo.
Está escrito assim:
“Quando o Filho do
Homem
vier em sua glória,
e todos os anjos com
ele,
então se assentará no
trono da sua glória.
E serão reunidas em
sua presença
todas as nações e ele
separará
os homens uns dos
outros,
como o pastor separa
as ovelhas.
Então dirá o rei
aos que estiverem à
sua direita:
Vinde benditos do meu
pai,
recebei por herança o
Reino
preparado para vós
desde a fundação do
mundo,
pois tive fome e me
destes de comer.
Tive sede e me destes
de beber.
Era forasteiro e me
recolhestes.
Estive nu e me vestistes,
doente e me
visitastes,
preso e viestes
ver-me.
Então alguns lhe
responderão:
Senhor, quando foi
que te vimos
com fome e te
alimentamos,
com sede e te demos
de beber?
Quando foi que te
vimos
forasteiro e te
recolhemos
ou nu e te vestimos?
Quando foi que te
vimos
doente ou preso
e fomos te ver?
Ao que lhes
responderá o rei:
Em verdade vos digo:
cada vez que o
fizestes
a um desses meus
irmãos
mais pequeninos,
a mim o fizestes.
Em seguida dirá
aos que estiverem à
sua esquerda:
Apartai-vos de mim, malditos,
ide para o fogo
eterno
preparado para o
diabo
e para os seus anjos.
Porque tive fome
e não me destes de
comer.
Tive sede e não me
destes de beber.
Fui forasteiro
e não me recolhestes.
Estive nu e não me
vestistes,
doente e preso e não
me visitastes.
Então, também eles
responderão:
Senhor, quando é que
te vimos
com fome ou com sede,
forasteiro ou nu,
doente ou preso
e não te servimos?
E ele responderá com
estas palavras:
Em verdade vos digo:
todas as vezes que
deixastes
de fazer a um destes
pequeninos,
foi a mim que o
deixastes de fazer.
E irão para o castigo
eterno,
enquanto os justos
irão para a vida
eterna”.
Acho que no texto acima existem pistas
para
acionar a chama da fé,
ainda sufocada dentro de muitos de nós.
Então, aproveitamos a oportunidade
para
lembrar que existem pistas
para despertar a fé.
Existem acenos, convites, anúncios, outdoors.
Talvez as paisagens do mundo todo
sejam mensagens procurando despertar a fé
que
dorme lá dentro de cada um de nos,
aguardando o momento para despertar.
A fé
encaixa-se,
numa primeira escala,
dentro de uma classe inferior de
conhecimento,
porém com capacidade de amadurecer
até chegar a uma classe
especial de sabedoria.
Podemos dizer que
antes de qualquer
conhecimento adquirido,
a fé seja um instinto natural na pessoa humana.
Temos certeza, por enquanto,
que a fé não é a
ciência definitiva.
Mas será.
A fé refere-se, em primeiro lugar
na crença
num Deus
e a tudo que está ligado
direta ou indiretamente a ele.
Esse Deus é alguém parecido conosco,
ou nós
somos parecidos com Ele,
como pessoa.
Então, como primeira etapa,
estudamos a fé
como algo natural,
impreciso e vago.
É o lugar ou a condição
onde nascem as
perguntas
e por isso, vai acionar o motor da razão
para buscar respostas.
A fé não é portanto, algo a ser desprezado,
mas algo a ser considerado
como motor de partida,
sem o qual o processo de
amadurecimento
não consegue movimentar-se.
Lá na frente teremos um capítulo todo
procurando conhecer melhor este Deus,
nosso Criador e Pai.
Com a ajuda do Padre Basílio Caballero,
podemos dizer que
“o objeto
principal da fé
não está a nível do
visível e demonstrável,
mas no plano da
experiência vivencial,
da comunhão e da
opção pessoal.
Mas também não está
desprovida de base
objetiva,
pois se funda em fatos reais
da intervenção
histórica
do Deus Pai,
do homem-Deus-Filho,
Jesus Cristo
que pisou nesta terra
e, especialmente na
pessoa
do Espírito Santo, invisível,
porém sempre atuante
em nós e no mundo
atual”.
A
busca, a procura,
a
pesquisa da fé
é
essencialmente necessária
para
nós, humanos racionais.
Não levar em consideração essa
realidade
é sinal evidente de recusa, de rejeição,
e indiferença com relação ao
futuro
que nos está reservado.
A minha esperança é que,
com este longo
texto,
eu consiga despertar o teu empenho
em querer saber a verdade,
profunda,
última resposta
ao porque você está vivo
e ainda está neste mundo.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
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Atualizado em 11/03/2016.
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