sábado, 15 de março de 2014

100.- Fé. É igual à aventura do alpinista.




A fé é uma resposta
a um convite:   
Vem e vê’.

Ver, de uma forma diferente:
ver sem os olhos.

Venha,
tome conhecimento,
faça essa experiência
e dê uma resposta.

Fé que é fé
não é ‘minha’ fé.

É um dom, um presente que ganho,
que recebo, que aceito,
um dom pequeno, muito pequeno,
mas que pode crescer.

Como criancinhas 
aprendendo a caminhar, 
somos convidados 
a dar os primeiros passos 
nesta aventura.

Os demais passos 
serão aprendidos.

Ganhamos a bicicleta:
teremos que aprender
a andar com ela
e andar nela.

E, como um presente,
o guardo, ou o uso.

Guardando-o,
não aprendo o manuseio.

Usando-o,
aprendo a andar,
monto e desmonto suas peças
e decoro suas funções.

Em que oportunidades ou ocasiões,
me vestirei deste traje
ou usarei esta ferramenta?

É um uniforme de trabalho diário.

É uma ferramenta de ofício
que se usa todos os dias
e todas as noites.

Mas para que serve?

Não vemos utilidade,
de imediato.

Virão oportunidades difíceis,
dias escuros,
em que o traje da fé,
será necessário
e esta ferramenta
será a única disponível.

Não haverá apoios
onde colocar os pés.

Há que se adiantar
que jamais poderemos dispensar a fé
e caminhar sem ela nesta terra.

É um acessório especial
a ser acoplado
em nosso veiculo vital.

Curto de visão ainda somos,
necessitando de óculos especiais
para ver a vida, e as tramas da vida,
nem sempre claras,
e às vezes, sem os frutos do sucesso.

Falta-nos um olhar abrangente,
onde o fracasso e o sucesso
possam expressar juntos,
uma mesma mensagem.

É essa a utilidade da fé.

Se sem a fé,
o bolo da vida não fermenta,
e se a fé é o fermento essencial da vida,
este ingrediente tem que constar
na receita do bolo da nossa existência.

Também com a fé,
a sabedoria propõe
que façamos parceria.

Com ela, os olhos brilharão,
o sorriso estará estampado
em nosso semblante
e o bom humor dará passos
junto conosco.

O início da experiência da fé
assemelha-se à escalada de uma montanha.

A escalada de uma montanha
leva o alpinista
a curtir o sabor da conquista,
antes de começar.

É com esta esperança
que devemos caminhar.

Na trilha da fé,
as dificuldades são muitas.

Mais do que ferramentas concretas,
lanternas, faróis,
temos apenas setas indicativas
e caminhamos apalpando ‘no escuro’.

Lentamente ganhamos experiência
e os caminhos ficam mais fáceis.

Parábolas, histórias,
lendas e criações de literatura ajudam.
Tudo o que pode ajudar,
vamos buscar e usar.

Escalar uma montanha é arriscado.
Não se escala, sozinho.

Numa escalada,
você sairá dos caminhos naturais
da facilidade, da rotina,
das repetições e do automatismo.

Vai sair da superfície e vai subir.

Subir já diz tudo: exige esforço.

Sair da dimensão
da horizontalidade da vida
é algo que poucas pessoas fazem.

Exige pensamentos,
pesquisas e decisões planejadas.

Mas é também uma aventura.

Mas você vai.
Nem sabe bem porque, mais vai.

Você sabe que o teu corpo vai cansar.

Vai ser difícil, mas mesmo assim
o teu poder de decisão decide ir.

A escalada é difícil,
dura, cansativa, alguns arranhões,
falta de ar, paradas para descansar.

Nessa aventura
de subir a montanha
você consegue convencer o teu corpo
a participar, mesmo sendo penoso e cansativo.

Você aceita o desafio.
Vê a montanha.
Vê a altura.
Vê a distancia afastando-se lentamente.

A altitude te fascina
e ao mesmo tempo te amedronta.

Você aceita caminhar e escalar.

E você vai, porque o fascínio
e a expectativa é maior do que o medo,
ou do que a covardia.

Há um desafio e uma provocação:
você é convidado e desafiado 
a escalar a montanha da fé.

Se a tua determinação
não for suficientemente forte,
vendo a montanha,
você terá a tentação de desistir
ao contato com as primeira dificuldades.

Aí o teu corpo poderá ficar preguiçoso.

Não havendo motivação
suficientemente forte,
poderá ocorrer desistência.

Se não sente motivação nenhuma
não há combustível que anime
quem quer que seja.

Sem a curiosidade
ou motivações superiores,
o alpinista não antevê
um momento de glória
que lhe dê forças para superar
os obstáculos da subida.

Antes de começar a escalada,
quando ouvia alguém falar
da beleza da visão lá de cima,
a tua mente idealizava e via teu corpo
conquistando as alturas.

Sentia que havia motivação
para o teu ego.

Porém, já neste momento
temos que abrir
a mochila de ferramentas
e verificar se dentro dela
tem motivações de satisfação egoística.

E não tem.

Na mochila,
com todo material necessário
para a escalada da montanha,
você vai precisar, além de tudo,
de uma boa porção de coragem.

Vai ter de levar
um pacotinho de ousadia
ou teimosia pura.

Não leve lógica nenhuma.
Não vai ter utilidade,
e não servirá de apoio.

Somente o bastão,
o cajado, seu terceiro pé,
sua terceira mão.  

Para você que está indo,
vá preparado para não ver
e mesmo assim, acreditar em algo
que você não viu nem verá, por enquanto.

Você não usará as mãos,
nem qualquer tipo de toque.

Você não apalpa.

Você não vai usar os olhos.

Nem os ouvidos.

Deixe na gaveta os cinco sentidos.

Ative a intuição e acione o botão da fé.

No caminho da fé,
querendo e teimando,
brigando com o vento,
você não conseguirá nenhum êxito,
pois que ainda não está preparado.

Nesta primeira fase, lembre-se que você
apenas foi convidado e desafiado.

Com toda calma e serenidade
que te for capaz, aceite e ande.

Somente esteja aberto
e preste atenção.

Tem que haver abertura.

Preste bem atenção:
a fé não existe.
Não existe mesmo.

A fé como substantivo próprio
que não existe, porque você não a toca.

Ela é indelével. Transparrente. Invisível.

Você não vê a fé.
Vê apenas pessoas que acreditam.

A fé é vista, percebida, no testemunho
de quem acredita.

A fé é uma potencia divina
encarnada nas pessoas.

Ela pode se manifestar
ou ficar dormindo.

Convém ter isto bem claro
para que a dimensão da fé
não fique apenas como literatura morta.

Sempre que se referir à fé,
ela deve estar relacionada
com a pessoa humana.

É a pessoa humana
que tem fé ou que acredita.

É a pessoa humana
que acha e sabe-se impotente
para dizer ‘tenho fé’, ou ‘não tenho fé’,
ou, eu não tenho certeza de que ‘tenho fé’.

Ter fé exige abertura
para o que está
aparentemente fechado.

É um paradoxo, com entrada e saída.

A fé é um túnel
aparentemente escuro, sem saída,
que tem que ser atravessado,
sem nenhum ‘apoio’.

Mas se tem entrada, tem saída.

A fé não é uma porta fechada.

Não é um mistério indecifrável.

É apenas uma outra dimensão divina,
enxertada na dimensão humana. 

Por enquanto
ela é tão desprezada, porque difícil,
que quase ninguém lhe dá valor.

Ela é tão pequena
que não aparece.

Ela é invisível.

Mas ela será promovida
para ciência.

Aí então você acreditará.

O campo da fé é um paradoxo.

É o mais terrível desafio
que a mente humana
consegue enfrentar
e suportar.

A fé é o maior desafio
para o ser humano.

A fé é uma tortura para nosso cérebro.

É a última prova.

Muita gente se admira e pergunta:
como é que tem gente que tem fé?

Sim, esta é a pergunta correta,
envolvendo a pessoa humana.

Ter fé, parece sensato dizer,
é um ato irracional.

Parece, mas nao é irracional. 
Depois, mais tarde a razão será auxiliar.

Por enquanto, no começo,
é um ato de teimosia, de repetição.

A resposta para esta questão é a seguinte:

A fé cresce
na medida em que convivemos
o mais tempo possível
ou o mais repetidamente possível
com os valores ou realidades
que a ela dizem respeito.

Não é algo automático,
como a criação de um hábito bom.
Mas segue a mesma dinâmica.

Nunca terá fé
a pessoa que nunca vai à missa,
nunca reza,
nunca olha para o céu estrelado,
nunca se admira
das capacidades e talentos humanos.

Se não se emociona 
com os  doentes,
com os fracos,
não ajuda ninguém,
não dá esmolas,
não vê o próximo como irmão.

Se não lê a Bíblia,
não participa
de nenhum sacramento alimentador,
não se interessa
com as coisas da Igreja,
não se insere na comunidade,
não curte as festas do Natal e da Páscoa.

Se não  se  esforça por entender
a criação do mundo,
não se interessa pela Vida Eterna.

Se não vê nada além do visível,
do tato, da audição, da degustação.

Nunca terá fé a pessoa que não antevê nada
além da fronteira da vida e da morte,
nem mesmo duvida
da existência do Pai Criador,
porque não O vê nem o toca.

Se ao menos tentasse,
terias respostas re-veladoras,
não porém, plenamente convencíveis.

A fé vela e re-vela.
Abre e fecha.
Mostra e esconde.
Mas não se demonstra.

A fé mora na neblina,
esconde-se na natureza.

A fé já mostrou sua cara
naqueles que viveram das promessas
que já se cumpriram,
que se cumprem
e se cumprirão.

É uma tontura
ou um desequilíbrio mental.

É um experimentar a razão
como vacilante, meio cega,
quase impotente.

É um constante algo
lá na frente, nunca alcançado.

É uma provocação.

É um não, dito com autoridade,
para o rebelde adolescente que sou eu.

Na insegurança,
é um farol, uma luzinha.

Na dúvida,
é uma semente de esperança.

Na esperança curtida,
a quase certeza
de que o nosso Deus Criador
é também nosso Pai.

E se aceitamos e acreditamos
que o Deus é nosso Pai,
aceitamos e acreditamos
que Ele quer dar para nós suas heranças.

Aceitar essa Paternidade
e vivenciar o estado de filiação
é aceitar e abraçar a fé.

A fé foge, escapa,
esconde-se da pesquisa,
mas está por aí, invisível.

       A nossa sábia razão encontra muita dificuldade 
       para se adaptar a um estilo de comportamento 
       que não é próprio da normalidade rotineira. 

Mas, por ser lenta no amadurecimento, 
como uma semente de mostarda, 
torna-se mais tarde, uma árvore, 
uma ciência. 
A semente de mostarda é pequena, 
mas carrega dentro de si, 
força suficiente para transformar-se em árvore.

A semente de mostarda 
pode transformar-se na ciência da teologia. 
A ciência que estuda 
tudo o que está relacionado 
com o nosso Pai do céu, Jesus Cristo, 
vida da Igreja, vida eterna, 
vida no Espírito, Alma, Céu ...  

A razão
aceita estudar
as coisas do nosso Pai.

Neste patamar
a razão já fez parceria com a fé.

No princípio, a razão é quase contra,
opõe resistências, naturais,
frente à dimensão sobrenatural.

Depois,
ela é fundamental
quando promovida para ciência.

A lógica também vai entrando 
no campo da razão e da fé: 
só quem observa 
o comportamento de outros 
que “possuem fé”, 
só quem pesquisa, quem busca, 
quem quer ter fé, 
consegue vislumbres, 
acenos, pistas, migalhas 
que alimentam a frágil fé.

E este tipo de alimento, chega a sustentar
a fragilidade da fé.

A fé não tem apenas
o aspecto de fragilidade.

Ela carrega também
uma força vigorosa.

Uma força invencível.

Uma força incompreensível.

Existem vestígios na história.


A fé é uma aventura
quase imprópria para humanos.

Mas o humano há de superar-se.

Há de abrir-se para o reino superior.

 
E neste reino superior,
a fé é a primeira ferramenta.


Cultivar um jardim,
uma horta, uma flor,
é fácil. Você vê os resultados.


Cultivar a fé
é como cultivar uma sede
que nunca se sacia.

Te deixa sempre insatisfeito.


Sentir a emoção do amor presente
é fácil, sentir, experimentar, verbalizar. 

 
Sentir a fé é como uma saudade
de um amor ausente e doloroso.

 
É difícil de explicar com palavras.

É também difícil se fazer entender.

Mas há testemunhos na História.

 
A fé é também um ato de obediência.
Obediência ao nosso Pai.

 
Acreditar no nosso Pai 
é dar uma resposta.

Dar uma resposta é obedecer.

 
Não dá para dizer: a fé não existe.

A fé é uma realidade.

Ela existe encarnada nas pessoas.

Se buscada torna-se uma consequência,
um dom, um presente do Deus Pai.

 
A fé, se ignorada torna-se um tormento,
um vazio com espaço, a espera de algo
que preencha este vazio.

A aventura da fé
é uma aventura
parecida com aquela
de querer subir o pico mais alto do mundo
sem os apetrechos de segurança
que os alpinistas usam.


A conquista da fé exige,
portanto, algumas ferramentas.
Ferramentas próprias e adequadas.


Porém, quando no caminho da fé,
lá no meio dos altos picos,
olhando para baixo,
tem-se a segurança
de que não vamos cair,
porque estamos já amparados,
apoiados com as ferramentas,
próprias dos andarilhos,
dos escaladores de montanhas,
amparados na confiança do Pai,
que caminha junto, invisível.


      Por favor,
não tente escalar nenhuma montanha
sem os apetrechos de segurança
próprio dos alpinistas.

      Da mesma forma,
não se consegue adquirir a fé,
sem as ferramentas adaptadas
para tal finalidade.


Por isso vamos tentar propor 
uma tese* sobre a fé: 
um ponto de partida 
e evidências.

*(Tese: Uma tese é uma proposta 
de um princípio que pode vir a ser confirmado ou não. 
Caso se confirme, com a aceitação da proposta, 
essa tese poderá se transformar 
num princípio ou conceito, 
podendo ser assimilado 
como uma verdade 
a ser admitida como boa 
e em condições de dar sustentação a argumentos. 
Caso não se aceite, essa tese continua sendo 
uma tese escrita contestada com argumentos 
que provam a sua não sustentação por si).

Quem não começa a ter fé, 
já, desde agora, 
não conseguirá cultivá-la 
no momento derradeiro da vida.

(Lembre-se, estas afirmações 
são apresentadas como uma tese, 
não como um dogma, 
ou como um princípios 
ou lei inquestionável). 

Quem não sabe manusear 
as ferramentas da fé no caminho, 
quando chegar a hora definitiva, 
não saberá escolher um caminho libertador.

Entrará em profunda depressão.

Se antes já não antevia nada, 
agora faltará tudo, 
pois que o essencial 
para entrar no túnel da morte 
é a lanterna da fé.

Nos momentos difíceis da vida, 
sem a ferramenta da fé, 
entramos facilmente em desespero, 
principalmente frente às tragédias, 
acidentes ou mesmo diante da doença 
e da morte de familiares, 
diante do desemprego 
ou diante de qualquer grande dificuldade.

É justamente 
nos momentos mais difíceis da vida 
que sentimos falta da fé.

É nestes momentos também 
que sentimos que ela existe, 
mas estamos despreparados para vivenciá-la, 
pois que não a fizemos nossa companheira de viagem.

A fé é uma crença
que vai amadurecendo
até se transformar em filosofia de vida.

A filosofia de vida
vai  amadurecendo até tornar-se ciência.

Ela se torna ciência quando
é sentida como certeza experimental.

E pela experiência,
a certeza racional toma parte.


        Feche os olhos e veja.

Chegando até este patamar,
definimos alguns princípios 
que deixam as sombras mais claras 
e as dúvidas menos inteiras.

Não somos ainda perfeitos.

Estamos ainda na terra.

Somos filhos do nosso Pai do céu,
e andamos, como peregrinos, mendigando fé,
nos caminhos pela Terra. 


Este Pai que não nos abandona,
mas não é paternalista.
Deixa em nossas mãos
e sob as nossas responsabilidades
o uso dos nossos talentos.

Não nos deixa órfãos.

Não retira nossas capacidades.

Não afasta os obstáculos
dos nossos caminhos.

O esforço e o sofrimento
são condições para a conquista da fé.

        A religião sempre existiu,
        desde o início da humanidade.

O número de pessoas envolvidas
com a aventura da fé
é imenso.

O número de mártires
e de santos
que testemunharam esta fé,
não pode ser mentira,
romance ou uma idiotice 
ou uma falta de bom-senso.


Esta mesma fé que está dentro
do âmbito da religião é também a fé
que está dentro dos muros das cidades.

Ela está dentro da vida social.

Ela robustece,
sublima e aperfeiçoa
nossas capacidades humanas.


Não é algo que não compreendemos;
é algo que supera nossa compreensão.


Exige um passo adiante.
Exige uma resposta de confiança.


Tentaremos chegar a dizer como o profeta:
‘Sei em quem coloquei minha confiança’.


        Eis aí a pessoa humana completa,
        pronta, acabada, vencedora,
        aceitando, mesmo com resistências,
        entrar na dinâmica da fé. 

Deixou de ser um fraco.

Conseguiu superar
os limites da racionalidade.

Primeiro, abandonando-a
ou superando-a,
e depois,
com a ajuda da própria razão,
confirmando a experiência da fé.

Mesmo com todos estes argumentos, 
testemunhos,  escritos e meios,  
lembre-se sempre, 
que a fé  é uma minúscula luzinha, 
quase imperceptível 
aos olhos e juízos humanos.

É muito difícil enxergar a fé, 
porque lá onde ela está, 
é difícil vê-la, 
porque ela é sempre pequena, 
tão pequena que é comparada 
com a menor de todas as sementes.

Ela é comparada 
com o tamanho, “menor” 
que uma semente de mostarda, 
mas, sabemos, dentro dela 
existe uma força, invisível,
milagrosa, poderosa, 
capaz de produzir vida nova.

Felizmente, 
neste campo
 existem algumas evidências 
que facilitam nossa escalada.

Algumas evidências 
que fortalecem a semente 
da nossa frágil fé.

 Reflita, pense e repense 
nos seguintes fatores 
e elementos existenciais:

A - A história
- Todos os povos, 
por mais ignorantes que sejam, 
cultivam a religiosidade.

- Reinos políticos desmoronam, 
acabam, desaparecem.

- Religiões, por outro lado, 
sempre aumentam, 
vivem tempos de crises,
mas permanecem, 
sobrevivendo de gerações em gerações. 

- Grandes personalidades, 
cientistas,  políticos, diplomatas, 
foram homens profundamente religiosos.

- Nunca soubemos que a fé 
reduziu a personalidade 
de um ser humano.

- Sabemos sim, que a fé, 
já foi responsável 
por muitos feitos históricos 
que algumas pessoas fizeram 
que nem exércitos ou multidões 
conseguiriam fazer.

- Muitas pessoas aceitaram o martírio 
e foram suficientemente fortalecidos 
para suportarem situações de extremo sofrimento. 
Histórias neste sentido não faltam.

- A História, na literatura religiosa, é entendida
como História da Salvação.

-O mistério da origem da vida. 
 A minha e a tua vida.  

B)  A existência de Templos e Igrejas
Objetos, animais, lugares e rios sagrados.

- Nessa dimensão da fé, sempre houve 
a participação de milhões de pessoas. 
Estariam todas eles enganadas?

- A permanência de Instituições religiosas 
ao longo dos séculos e milênios. 

- Só aquela entidades ou empresas 
que contém valores permanentes permanecem.

- Os livros Sagrados: O Alcorão, A Bíblia, 
Dez Mandamentos. O Evangelho.
A ciência da Teologia.
Os anjos e santos. 
A extensa bibliografia religiosa, abrangente. 

C - A Ordem e harmonia do Universo
A grandeza dos mares. 
A Harmonia dos astros. 
O infinito dos espaços. 
A cadeia alimentar. 
A evolução dos reinos minerais, vegetais, 
animal, humano e espiritual, 
que se auto doam e se auto completam. 
O micro e o macro cosmos.
A ciência física.

D- Os valores fundamentais da vida. 
Os direitos humanos.
A justiça,
o amor, 
o perdão, 
a verdade, 
a liberdade, 
a solidariedade
a fraternidade. 
O estágio de perfeição em que nos encontramos. 
A consciência que temos de tudo isso.

As dificuldades iniciais com relação à convivência 
com tudo aquilo que se relaciona 
com a dimensão da fé 
está na não aceitação 
e no não efetivar contato 
com esta relação acima, 
por isso, é para você, leitor, 
uma responsabilidade, 
a partir deste momento, 
decidir-se entre aperfeiçoar 
a sua cultura sobre a fé, 
ou simplesmente permanecer 
onde se encontra estacionado.

Assim, nunca mais terás a ousadia de afirmar que a responsabilidade pela falta de fé pessoal, seja repassada para os outros, quem quer que seja.

       Quando fica difícil assimilar 
o que as letras falam sobre a fé, 
tentamos mais uma etapa, 
vinculando a fé na crença numa pessoa.

       Vejamos o que disse o pensador  
          Gabriel Marcel.

       A fé é mais fidelidade
à pessoa do Jesus Cristo
que adesão a um formulário dogmático.
Gabriel Marcel

Existem teólogos
que afirmam que o Cristianismo
não é mais religião.

Nesta linha de pensamento
e auxiliado pela definição de fé
do filósofo Gabriel Marcel,
o Cristianismo,
como projeto da encarnação,
vida, paixão, morte e ressurreição
do Jesus Cristo,
deixou de ser religião
e passou a ser vivido
como filosofia de vida
baseada no amor
e no serviço aos humanos.

Mais do que preocupação com o além,
o cristianismo ou o próprio Jesus Cristo,
colocou como critérios
de condenação ou salvação,
ações ou omissões
relacionadas à vida
daqueles que estão juntos,
bem próximos e visíveis
de cada um de nós.

A vivencia
dos valores do Jesus Cristo
deixados nos Evangelhos,
conhecidos e vivenciados
com fidelidade pelos cristãos,
se torna hoje, a libertação
de todo e qualquer tipo de religião
para ser vida seguindo o exemplo
da sua própria pessoa.

Completou Jesus Cristo:
“aprendei de mim
que sou manso
e humildade de coração”.


São Mateus deixou registrado no capítulo 28,31-46 
o testamento do Jesus Cristo. 
Está escrito assim:


Quando o Filho do Homem
vier em sua glória,
e todos os anjos com ele,
então se assentará no trono da sua glória.
E serão reunidas em sua presença
todas as nações e ele separará
os homens uns dos outros,
como o pastor separa as ovelhas.
Então dirá o rei
aos que estiverem à sua direita:
Vinde benditos do meu pai,
recebei por herança o Reino
preparado para vós
desde a fundação do mundo,
pois tive fome e me destes de comer.
Tive sede e me destes de beber.
Era forasteiro e me recolhestes.
Estive nu e me vestistes,
doente e me visitastes,
preso e viestes ver-me.
Então alguns lhe responderão:
Senhor, quando foi que te vimos
com fome e te alimentamos,
com sede e te demos de beber?
Quando foi que te vimos
forasteiro e te recolhemos
ou nu e te vestimos?
Quando foi que te vimos
doente ou preso
e fomos te ver?
Ao que lhes responderá o rei:
Em verdade vos digo:
cada vez que o fizestes
a um desses meus irmãos
mais pequeninos,
a mim o fizestes.
Em seguida dirá
aos que estiverem à sua esquerda:
Apartai-vos de mim, malditos,
ide para o fogo eterno 
preparado para o diabo
e para os seus anjos.
Porque tive fome
e não me destes de comer.
Tive sede e não me destes de beber.
Fui forasteiro
e não me recolhestes.
Estive nu e não me vestistes,
doente e preso e não me visitastes.
Então, também eles responderão:
Senhor, quando é que te vimos
com fome ou com sede,
forasteiro ou nu,
doente ou preso
e não te servimos?
E ele responderá com estas palavras:
Em verdade vos digo:
todas as vezes que deixastes
de fazer a um destes pequeninos,
foi a mim que o deixastes de fazer.
E irão para o castigo eterno,
enquanto os justos
irão para a vida eterna”.

Acho que no texto acima existem pistas 
para acionar a chama da fé, 
ainda sufocada dentro de muitos de nós.

Então, aproveitamos a oportunidade 
para lembrar que existem pistas 
para despertar a fé.

Existem acenos, convites, anúncios, outdoors. 
Talvez as paisagens do mundo todo 
sejam mensagens procurando despertar a fé 
que dorme lá dentro de cada um de nos,
aguardando o momento para despertar. 


       A fé encaixa-se, 
numa primeira escala, 
dentro de uma classe inferior de conhecimento, 
porém com capacidade de amadurecer 
até chegar a uma classe especial de sabedoria.

Podemos dizer que 
antes de qualquer conhecimento adquirido,
a fé seja um instinto natural na pessoa humana.

Temos certeza, por enquanto, 
que a fé não é a ciência definitiva. 
Mas será.  

A fé refere-se, em primeiro lugar 
na crença num Deus 
e a tudo que está ligado 
direta ou indiretamente a ele.

Esse Deus é alguém parecido conosco, 
ou nós somos parecidos com Ele, 
como pessoa.

Então, como primeira etapa, 
estudamos a fé como algo natural, 
impreciso e vago.

É o lugar ou a condição 
onde nascem as perguntas 
e por isso, vai acionar o motor da razão 
para buscar respostas.

A fé não é portanto, algo a ser desprezado, 
mas algo a ser considerado 
como motor de partida, 
sem o qual o processo de amadurecimento 
não consegue movimentar-se.

Lá na frente teremos um capítulo todo 
procurando conhecer melhor este Deus, 
nosso Criador e Pai.

Com a ajuda do Padre Basílio Caballero, 
podemos dizer que

o objeto principal da fé
não está a nível do visível e demonstrável,
mas no plano da experiência vivencial,
da comunhão e da opção pessoal.

Mas também não está
desprovida de base objetiva,
pois se funda em fatos reais
da intervenção histórica
do Deus Pai,
do homem-Deus-Filho,
Jesus Cristo
que pisou nesta terra
e, especialmente na pessoa
do Espírito Santo, invisível,
porém sempre atuante
em nós e no mundo atual”.


A busca, a procura,
a pesquisa da fé
é essencialmente necessária
para nós, humanos racionais.

Não levar em consideração essa realidade
 é sinal evidente de recusa, de rejeição, 
e indiferença com relação ao futuro 
que nos está reservado.

A minha esperança é que, 
com este longo texto, 
eu consiga despertar o teu empenho 
em querer saber a verdade, 
profunda, última resposta 
ao porque você está vivo 
e ainda está neste mundo.


Eneas Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166

Atualizado em 11/03/2016. 
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