Neste jeito de andar,
e nas estradas da vida,
nosso corpo vai desgastando
e a sabedoria vai amadurecendo.
Como pedra bruta,
o tempo e a vida,
os personagens
e suas ferramentas,
vão tirando lascas
e vão transformando-nos
em estátuas quase perfeitas,
que chegam a falar,
chorar
e
amar.
chorar
e
amar.
Nosso perfil humano
e as nossas ações
falam muito da nossa humanidade,
da nossa maneira de viver
como natureza humana.
Não podemos esquecer
que há mais uma natureza escondida
atrás da natureza humana.
É a natureza divina.
Atrás da aparência
do Heipo mendigo,
andarilho e terráqueo,
há a verdadeira personalidade do Heipo,
herdeiro dos céus, celestial.
Nossos valores interiores
emitem conceitos,
através das nossas palavras,
demonstrando que somos mais
do que aparentamos.
A não ser que nossos relacionamentos
e as trocas de palavras
sejam vãs e infrutíferas.
Envelhecendo,
nos preparamos
para um estilo de vida
eterno e imortal.
Se lermos a vida
e tudo o que dentro dela contém
através deste ponto de vista,
certamente conquistaremos a sabedoria.
Sabedoria
que é algo mais
do que simples conhecimento.
Sabedoria
que é conhecer a origem
e a finalidade da vida,
contemplando as dimensões
de profundidade e verticalidade,
levando ainda em consideração
o contexto todo do universo
nas duas dimensões visíveis e invisíveis.
A tendência do ser humano
é permanecer apenas na dimensão
do mundo visível e na dimensão horizontal,
onde tudo o que acontece
cai dentro da nossa visão
e sentidos orgânicos.
Nesta dimensão
está a rotina
que atua como
fator anestesiante
e acomodante.
Mas há algo mais do que só isso.
Há profundidade a ser pesquisada.
Há a verticalidade a ser considerada.
Há o vasto mundo desconhecido
e inexplorado, o mundo invisível.
Se não considerarmos estas dimensões,
estaremos ignorando
que dentro do vazio visível,
pode estar um cheio
de valores invisíveis.
Desde que nascemos
estamos vivenciando
um processo de envelhecimento lento,
gradativo e degenerativo
na nossa parte biológica e material.
Algumas coisas em nós
estão a morrer.
Outras coisas em nós,
estamos a matar.
Matamos quando ficamos
apáticos e indiferentes
a estas outras dimensões
ou outros mundos.
Existem advertências e avisos,
profecias e poesias,
beliscando a sensibilidade,
para não falecer.
Numa determinada data,
um ponto final
na frase da nossa vida,
e no relógio do nosso tempo,
registrará um último suspiro.
Nada mais existirá
da nossa presença material
neste mundo.
Até o pó,
que dos nossos ossos sobrarem,
desaparecerão.
Permanecerá,
por um tempo,
as lembranças de quem fomos,
na memória dos nossos parentes
e amigos mais próximos.
No entanto,
não obstante
e milagrosamente,
estaremos confiantes,
apegados nas promessas
endereçadas aos que aceitaram
vivenciar os princípios da fé,
frutos do esforço
e da decisão
pessoal.
Estes elementos
estão na dimensão
da verticalidade
e da profundidade.
Estamos paradoxalmente
e simultaneamente
vivendo um outro processo
de evolução,
lenta,
gradativa,
sem limites,
sem barreiras,
sem limitações,
que vai até o infinito
dentro do campo do crescimento.
É a dimensão não visível,
de um futuro
do qual estaremos fazendo parte
como material imaterial
e invisível,
mas eterno.
Envelhecer,
nesta visão,
é caminhar para a plenitude
do desenvolvimento
ao qual estamos aptos
a conquistar.
Este é um processo
de aquisição de potencias
que jamais deixarão de existir,
através das nossas capacidades espirituais.
Envelheço e rejuvenesço.
Quando esta semente
desaparece,
ou morre,
aparece
nova forma
de vida.
Será a semente,
um símbolo,
uma mensagem
desta transformação?
Envelheço e rejuvenesço
simultaneamente
naquilo que sou neste mundo
e naquilo que potencialmente
poderei ser no outro mundo.
Algo fica.
Mas não fica para sempre.
Algo vai.
Mas vai, vai para sempre.
Algo que hoje é imaterial,
as potencialidades cognitivas,
afetivas e espirituais,
talvez passarão
a ser a nova maneira de ser
um novo ser,
uma semente que brota,
explode
e se torna um novo,
um novo ser vivo,
que viverá
para sempre.
Se será assim, não sei.
Mas se for assim, já estou ensaiando.
Já sou muito mais do que fui.
Já deixei de ser aquilo
que não quis que eu fosse.
Semeei, plantei, replantei
e cultivei aquelas pérolas,
aqueles ‘bens’ que no futuro
poderá ser um tesouro
a ser Infinitamente esbanjado.
Será, de alguma forma,
a minha maneira de ser,
imortal.
É para lá que vou.
É para lá
que estou arrumando as malas.
Tá com inveja?
Faça o mesmo.
Tchau e até breve.
Caríssimo amigo,
você poderá ler nestas últimas frases e questionar se tudo isso é apenas linhas
escritas para compor um texto, montagens literárias, revelações ou uma
profecia.
Seja como for,
como autor destas reflexões coloco nelas toda minha esperança.
Neste estilo de
vida, vivi como Heipo. Te confesso que foi muito melhor, pois enchi de vida e esperanças meus
dias de envelhecimento nesta terra.
Se cultivei essa esperança
e com essa esperança adormecerei,
espero acordar rejuvenescido.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 29/02/2016.
eneaspb@gmail.com
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