Um dos recursos
valiosos
da pedagogia da
cultura oriental
é ensinar através dos
paradoxos.
Neste texto
vamos procurar
perceber
como esta pedagogia
pode ter resultados
surpreendentes
em nossa maneira de
ver as coisas.
Fazendo uma leitura
da sociedade da qual
fazemos parte,
percebemos que não
aprendemos ainda,
a viver a vida
dentro das excelentes
regras
da convivência
humana.
As influências da
sociedade
econômica e capitalista
nos transformaram
em consumidores.
Criaram necessidades
perucas
e sufocaram as
necessidades essenciais
do ser humano.
Elegeram o dinheiro
como moeda corrente
da felicidade e da
realização humana.
E o quanto nos
despersonalizamos
porque fazemos do
dinheiro,
e de tudo o que a ele
está relacionado,
o deus das nossas
vidas.
A consequência desta
escolha
é a transformação dos
nossos irmãos
em concorrentes e inimigos.
A Sociologia
criou as classes
sociais.
As diferenças nas
classes sociais
são fundamentadas no
dinheiro.
A diferença entre
rico e pobre
é medida pela
quantidade de dinheiro
que cada um demonstra
possuir.
Os primeiros lugares
e os privilégios
estão nas mãos
de quem tem mais
dinheiro.
Aquele que possui
mais dinheiro
tem mais cultura,
mais conhecimento,
mais influência, mais
acesso às conquistas
e por isso tem mais
poder.
Mas é interessante
observar
que o dinheiro
escraviza.
O pobre é livre.
O rico é escravo.
É um paradoxo
interessante.
O rico é triste.
O pobre é feliz.
O dinheiro
cria desigualdade e
discriminações.
Cria preconceitos.
Exclui.
Exige proteção e
segurança.
E as consequências
do reinado deste
valor
viola os direitos
humanos
e desconsidera a lei
moral.
Por causa do
dinheiro,
a ganância entra em
campo.
Entra no campo e
entra no jogo.
Veja claramente
quais as consequências
do dinheiro
como deus: as
injustiças, a corrupção
e a pobreza material.
Estas três geram as
consequências
que os ricos não
gostam:
a violência,
insegurança,
sequestros, roubos,
assaltos.
A má distribuição da
riqueza
produz efeitos
colaterais
indesejáveis.
A sobrevivência
é uma das
necessidades básicas
da vida.
Para quem sente falta
do que é essencial,
a animalidade,
o instinto de
sobrevivência
prevalece.
A pessoa humana
não quer passar fome.
Não consegue viver
com a barriga vazia.
Imagine a situação
de um pai e uma mãe
que não sabe como
conseguir ‘alimento’
para seus filhos:
Vai roubar, assaltar
...
praticar a violência.
Pratica a violência
porque não conhece
outro meio,
mais rápido,
para conseguir
o que está necessitando.
Para roubar
enfrenta o medo,
domina o medo,
sufoca o medo.
O instinto de
sobrevivência
desperta o animal
que está no DNA
dos nossos
ancestrais.
Por isso, a educação
para todos,
geraria meios
necessários
para conseguir
empregos
ou meios de
sobrevivência humana.
Por isso, a
ignorância,
a falta de meios
mantém as pessoas
num nível de
subdesenvolvimento,
sub nutrição, sub
respeito, ... no sub mundo.
Como seria bom
se todos fossem
solidários
com todos.
Se não falta nada a
ninguém,
não haveria
necessidade de roubar,
assaltar, violentar.
E os pobres ficaram
com a solidariedade
entre eles,
a moeda que os mantém
vivos.
Há riqueza
escondida na pobreza.
Uma meta a ser buscada.
Estrela a ser perseguida.
Verdade a ser cultivada.
Observemos a vida:
Os pobres
não possuem nada
e riem gostosamente,
com uma autoridade
que provoca inveja.
Os pobres
são os verdadeiros
atores
da autenticidade.
Poucas coisas
os contentam.
Não são ambiciosos.
Não possuem nada
para esconder.
O nada e o tudo
que possuem
estão às claras.
São totalmente
dependentes dos outros.
Estão morando
dentro do Jardim da
casa do Pai,
no bairro Terra.
E são os preferidos
do Paizão do céu.
Foram contemplados
com muitos ‘aparelhos
e lugares’ gratuitos.
Têm o ar,
o sol,
a água,
a chuva,
as estrelas,
o dia e a noite,
as estradas,
as piscinas dos mares,
para banharem-se de
graça (ainda).
Sentem-se
como os lírios dos
campos:
sustentados,
vestidos,
alimentados pelo Pai
do céu,
que sensibiliza
alguns irmãos
para cuidarem deles.
São livres
como os pássaros dos
céus.
Observemos os
Evangelhos.
Neles estão
escondidas
e reveladas várias
verdades.
Estas verdades,
são para nós,
os paradoxos
educadores.
São os pobres,
os bem-aventurados.
São eles,
os herdeiros dos
céus.
São eles,
os sujeitos
das promessas
do Pai Criador do
Universo.
Estes possuem a
convicção
de que são guiados
pela mão do Pai
Eterno,
e sustentados por sua
bondade
e misericórdia.
Além de tudo isto,
são animados por sua
presença
e alimentados pela
bondade
dos doadores de
esmolas,
praticantes da
caridade
ensinada pelo Filho
Jesus Cristo.
Os pobres
são capazes de amar,
gratuitamente,
apesar das humilhações
públicas.
Os pobres
são pacientes nas
tribulações
e aflições.
Não possuem neuroses
nem depressões.
São fortes
na adversidade.
Estão sempre
disponíveis.
Não possuem campos
para cuidar,
nem bens para
administrar.
Os pobres
são ricos em esperança.
Só um pouco de
comida,
todo dia, basta.
Não temos aqui a
cidade permanente.
Estamos de passagem.
Só o Pai dos céus é o
necessário, finalmente.
A verdadeira pobreza
está no fundo das
coisas
e relaciona-se com o
Espírito.
A pobreza
é o lugar
privilegiado do divino:
o filho do Pai
Criador do céu
nasceu numa gruta,
numa manjedoura.
Verdadeira pobreza
é a mais elevada
escola
de cursos superiores:
a escola do amor
gratuito.
É na pobreza
que estão revelados
os grandes testemunhos
concretos
de amor gratuito.
A pobreza
é o lugar maior
da poderosa atração
da misericórdia
divina.
Na pobreza
facilita-se o
encontro
com o nosso Pai
amoroso
e misericordioso,
como no exemplo do
Filho Pródigo.
A pobreza
é o barco mais seguro
para atravessar o rio
da vida
nesta terra
passageira
cheia de piratas e
marajás.
É ... quem quer ser
pobre?
Ninguém.
... É a força da
cultura.
É a força da
economia.
É o deus conforto.
É o deus egoísmo
que se impõe
à nossa natureza
humana.
A riqueza
pode ser benfazeja,
quando vê na pobreza,
a caderneta de
poupança
dos rendimentos dos
valores do céu.
Não temos semeado
entre nós cristãos,
a cultura da pobreza,
nem invejamos a
riqueza dos pobres.
Não dá pontos nas
pesquisas.
Não agrada os gregos,
nem os americanos,
judeus,
brasileiros,
espanhóis ou argentinos,
nem políticos,
religiosos,
evangélicos ou
cristãos.
Não agrada os filhos
deste século
nem os filhos de
qualquer milênio.
Será apenas um prêmio
eterno
para os autênticos
pobres.
Não frequentamos
a escola da pobreza,
dos pobres.
Quando percebemos que somos ricos?
Há, sim... esta
resposta está pronta:
- basta responder
quem se aproxima primeiro,
um do outro?
- basta ver
quem é que vai em
direção ao outro,
para pedir;
- basta ver
quem é que toma a
decisão
de ir em direção ao
outro.
É sempre o pobre
que nos procura.
É sempre o pobre
que pede.
Raramente é o rico
que procura o pobre.
Quem são os pobres?
Eles são de outra
classe social,
a classe mais
favorecida
para entrar no reino
dos céus.
Paradoxo infernal ou
celestial?
Há aqui
mais um grande
paradoxo:
Os pobres e incultos,
os excluídos da
sociedade,
nosso Pai dos céus
escolheu
para serem exemplos
e modelos
para ensinar aos instruídos,
as fórmulas
de como fazer
para ter parte na
herança
dos céus.
Por isso não
aprendemos ainda,
como funciona
este Dom da pobreza,
muito mais por
teimosia
do que opção pessoal.
Não queremos
e não aceitamos
ser pobres.
E por isso não sabemos
curtir
com sabedoria a
gratuidade da vida
e a bondade do nosso
Pai.
Há
riqueza na pobreza?
É a pobreza
que nos tem
constituído herdeiros
e reis do reino dos
céus
e não as falsas
riquezas.
São Francisco de Assis
Sua pobreza
inesperada
abriu os olhos
que a riqueza tinha
mantido fechados.
Boccaccio.
A maior pobreza
não é a da fome,
mas a da ausência
do Deus Pai na vida.
Jacques Loew
À virtude da pobreza,
acrescenta-se a da
coragem,
fruto da liberdade da
pessoa humana
no que diz respeito à
sua própria vida.
Da pobreza
e da coragem
resultarão a
partilha,
a solidariedade,
a luta pela igualdade
e pela justiça.
Padre Jaldemir Vitório, SJ.
O espírito de pobreza
não consiste em
parecer pobre,
mas em viver
pobremente,
o que é a mesma
coisa.
O espírito de pobreza
não consiste na
ausência de ideias,
mas em estar
desprendido
das próprias ideias.
O espírito de pobreza
não consiste na
ausência da vontade,
mas em ser dócil à
vontade do Deus Pai.
Não há espírito de
pobreza
sem humildade.
Cardeal Saliège
A bem-aventurança da pobreza.
Esta renúncia
supõe abrir mão
de todas as ambições
pessoais,
de todo anseio de
acumular
e de buscar segurança
nos bens deste mundo.
Quem segue o Jesus
Cristo
deve dispor-se a
segui-lo
no despojamento
não só dos bens
materiais,
mas também dos seus
apegos e preconceitos,
de modo a fazer-se
totalmente livre
para o serviço
do reino do Pai dos
céus.
Padre Jaldemir Vitório, SJ.
Que ninguém chore
a sua pobreza:
a todos está aberto o
reino do nosso Pai.
Que ninguém deplore
seus pecados:
o perdão se levantou
do túmulo.
Que ninguém tema a
morte:
a morte do Senhor
já nos tornou livres.
Santo Hipólito.
O Deus dos céus,
sendo rico,
se fez pobre por nós,
a fim de nos
enriquecer
com sua pobreza.
Segunda Carta do Apóstolo São Paulo
aos Coríntios, capítulo 8 versículo 9.
Não é esta,
a riqueza escondida
que procuramos?
A verdadeira riqueza
está escondida
fora do lugar
onde a procuramos.
Mas não queremos perder a oportunidade, por
isso, transcrevemos algumas frases e seus respectivos autores, sobre a riqueza.
A riqueza
diante do Deus Pai
é uma vida aberta ao
Evangelho,
que abre a vida ao
mistério
para além das
fronteiras da morte.
Frei Luiz Henrique F. de Aquino. OFM
Ajuntai riquezas
no céu,
onde nem traça
nem ferrugem os
corroem,
onde nem arrombam
nem roubam os ladrões.
Mateus 6,20
A maior riqueza
é a alegria
de um coração
que ama.
Carlos Afonso Schmitt
Tenho uma riqueza
que não poderá ser
roubada,
que nunca poderei
gastar toda,
que não poderá ser
afetada
pelas crises
econômicas
e quedas de títulos:
essa riqueza
é a minha alegria de
viver.
Napoleão Hill
A verdadeira riqueza
de um homem
é o bem que ele faz
ao seu semelhante.
Mahatma Gandhi
Serás sempre rico
das riquezas
que doaste.
Marcial
Sei, Senhor,
que toda riqueza
que não vem de ti
é pobreza para mim.
Santo Agostinho.
O Jesus Cristo
não condena as riquezas
em si,
mas o apego às
riquezas.
Não amaldiçoa a
classe rica,
tal como um demagogo.
Um homem rico
pode estar
desprendido
de suas riquezas
e um pobre obcecado
pelo dinheiro.
O fato de ser rico
é uma
responsabilidade.
Os que mais receberam
em bens materiais,
em cultura e em dons,
têm obrigação
de dividi-los.
Os homens
têm o dever estrito
não tanto de dar,
mas de dividir.
Este é o único
sentido
aceitável da esmola,
na visão cristã do
mundo.
A Esmola
não é uma obrigação
facultativa,
dependendo do
capricho individual,
mas um dever
categórico.
Dever
que à semelhança dos
outros,
deve ser feito com
inteligência
e humildade.
H. M. Oger
Quando as pessoas
se apegam às riquezas
ficam insensíveis
e perdem a capacidade
de amar.
Anízio Freire
Somente os mendigos
podem contar suas riquezas.
William Shakespeare
Quem não considera
o que tem
como a maior riqueza,
será sempre
desditoso,
ainda que seja
dono do mundo.
Epicuro
A porta
mais solidamente
trancada
não resiste aos
ladrões.
As únicas riquezas
verdadeiras,
que não nos podem
tirar,
são as riquezas
divinas.
Fulton Sheen
Após a colocação das duas maneiras de ser,
pobre e rico, das duas atitudes, pobreza e riqueza, as considerações paradoxais
que carregam, e as mensagens que transmitem, levam-nos a concluir que são duas
portas diante das quais a escolha trará consequências eternas. A lógica indica fugir
da pobreza e buscar a riqueza.
Mas o que é mesmo ser pobre?
Qual a riqueza vantajosa?
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 05/03/2016.
Atualizado em 20/03/2026
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