quarta-feira, 5 de março de 2014

86.- Caminhos. Outros caminhos além das fronteiras. 2a.parte.



Um fino e sutil

mistério,

não totalmente explicado,

vivido numa calma tensão,

esconde

uma ansiedade

ou uma expectativa

na profundidade estrutural

da qual somos feitos:

duas naturezas,

uma humana e outra divina.

 

O que há de humano em nós

já conhecemos

e quase esgotamos

todo o conhecimento

disponibilizado.

 


Aquilo que de divino há em nós,

a 'imagem e semelhança'

com nosso Criador’,

está coçando.

 

Andarilho somos, caminhantes.

 

Caminhamos, procurando.

 

Procurando encontros.

 

Procurando respostas.

 

 

Nas estradas da vida

por onde andamos, já sabemos.

 

Por onde andaremos?

 

 

Saberemos.

 

 

Escolheremos e definiremos

onde queremos ir.

 

 

Quase todos os caminhos conhecemos.

 

 

Quase todos os caminhos percorremos.

 

 

Por eles andamos com segurança

e às vezes com medo.

 

 

Muitos caminhos

nos levaram a lugar nenhum.

 

 

Poucos caminhos

nos deram alegria e satisfação.

 

 

Outro caminho tem.

 

 

Sabemos que tem.

 

 

Outro caminho devemos arriscar.

 

 

Uma nova Terra deve existir.

 

 

Não gostamos de fronteiras.

 

 

Não gostamos de limites.

 

 

Não gostamos de delimitações.

 

Nós temos muito em comum:

não gostamos de limites.

 

Algo nos atrai.

 

 

Sentimos

uma saudade

que chama,

acena

e espera.

 

 

Encontramos resistências?

 

Quem está no comando?

 

É a senhora Razão

e o senhor Pensamento.

 

A senhora Razão abandonar?

Dispensar o Senhor Pensamento?

Ousaremos esta inovação?

 

Deixar a razão

e o pensamento

de lado? 

 

 

Descartá-los?

 

Será que este casal já deu

todas as dicas que tinha

e agora devemos buscar

recursos novos,

além deles?

 

Será que o poder

das potências racionais

esgotaram-se?

 

 

Será que a dona Razão

e o senhor Pensamento

já não conseguem doar mais nada?

 

Já serviram?

Haverá outra faculdade de conhecimento,

mais aperfeiçoada?

 

 

Até às fronteiras eles nos levam. 

... Só até as fronteiras.

 

Até as fronteiras

não vemos nada de novo

.... eles já nos avisaram de tudo.

 

 

A razão e o pensamento

insistem em não deixar arriscar.

 

 

Só com eles convivemos todo este tempo.

Estamos acostumados com eles.

 

Para além das fronteiras

deve estar algo

que não tem fronteiras.

 

Mas a razão diz que não há mais nada.

 

 

Mas somos teimosos.

 

 

Não desistimos

se existem alternativas.

 

 

Existe no meio uma barreira.

 

 

E então, a razão e o pensamento,

caminhando de mãos dadas,

chegaram até o limite, a fronteira,

e morreram.

 

 

Do lado de cá,

a razão,  o pensamento e a morte.

 

 

E do lado de lá?

Quem é que serve de apoio?

Quem é o professor ou o manda chuva?

 

 

 

Não dá para ir mais adiante, por enquanto.

 

 

Estamos procurando se existem meios para pularmos ou atravessarmos a barreira que está aí, na frente, bem no caminho.

 

 

Haveremos de desistir?

 

 

Quem escolheremos para nosso guia,

daqui para a frente?

 

 

O senhor Medo ou a Senhora Fé?

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 25/02/2016


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