domingo, 16 de março de 2014

102.- Fé. A natural resistência em entrar na caverna da fé.




Mesmo diante de tantas evidências,

provas e testemunhos da história,

a dificuldade e resistências 

para entrar
 
na caverna da fé,

revela a limitação que temos,

diante desta potência que está aqui,

mas parece que está além

da nossa frágil condição humana.

 

O tema da fé

 tem a sua importância

para o nosso agir, aqui e agora.

 

Voltamos para ele, porque nos é necessário.

 

Não dá para viver sem fé.

 

Viver sem se preocupar com a fé

é a mesma coisa que não se preocupar

com o futuro.

 

Ora,

para onde estamos indo?

 

Estamos indo para o futuro.

 

 

 

Nasceu?

Então não dá

para não participar

desta aventura:

Temos sim,

de entrar dentro da caverna da fé.

 

Precisamos da história,

de historinhas,

de parábolas,

de símbolos

e de tantos elementos auxiliares

para nos ajudar nesta conquista.

 

Dizem que lá dentro da caverna

existem paisagens, paredões,

colunas, buracos, penhascos,

salas enormes

e fendas estreitas,

morcegos, insetos,

escuridão.

 

E até um rio

 resolveu entrar

e explorar

o que lá dentro tem.

 

Mas não é possível ver nada

a não ser com a ajuda

de algum meio de iluminação externo,

como a lanterna.

 

Note bem,

'meio de iluminação externo'.

 

Se é externo,

é de fora do local natural.

 

Este lembrete se aplica em toda nossa pesquisa e nesta aventura da caminhada dentro da caverna da fé.

 

Pois bem, dentro da caverna escuta-se barulho de gotas de água caindo e de água correndo.

 

Há um rio dentro da caverna.

Um rio, também aventureiro.

 

Há um rio

que anda e corre

dentro das entranhas da terra.

 

Este rio

entra dentro da montanha

e vai cavando ...

e vai modelando as margens.

 

Vai enfrentando dificuldades,

mas vai abrindo caminho,

mesmo no escuro.

 

No escuro,

vai fazendo seu caminho.

 

O rio sabe

que numa hora ou outra

vai sair

de dentro da montanha,

lá na frente,

a uns onze ou doze mil metros abaixo.

Como na Caverna do Diabo,

Em Eldorado, São Paulo.

 

E o rio

não vai em linha reta.

 

Vai construindo contornos,

desviando obstáculos,

vencendo dificuldades.

 

Não consegue ir em linha reta

por causa dos vários obstáculos

que vai encontrando.

 

Mas, mesmo no escuro,

a água mantém-se viva e esperta,

carregada de energias

e de esperanças,

agindo

e fazendo caminho.

 

Aproveitando o andar

e acontecer na caverna,

comparamos:

sabemos que estamos na terra.

 

E na terra,

num determinado momento

da nossa caminhada,

acontece uma blitz

ou um cheque mate:

ou enfrentamos

o envolvimento com a fé

ou caminharemos

a vida toda com ela,

como um espinho no sapato,

ou a acionar interrogações.

 

Meios existem.

Trilhas existem.

 

Caso não existissem,

estaríamos realmente

no escuro.

 

Voltamos a insistir:

não existem motivos

ou desculpas

para deixar para depois,

ou tentar convencer-se

de que a fé é uma aventura

para fracos e ignorantes.

 

A todo momento

recebemos convites

sutis ou velados,

convidando-nos

a  abrir mão

da habitual

e rotineira segurança.

 

Deixar-nos iludir

pelo medo,

pela insegurança,

pela preguiça

e pela moleza,

vai prejudicar-nos

e comprometer-nos

a viver a vida

de uma forma vazia,

superficial,

sem gosto,

sem sentido,

sem coerência.

 

Se você continuar,

conseguirá,

num determinado momento ,

a satisfação

de ter conseguido

superar e viver

a maior de todas as aventuras

que o ser humano pode enfrentar:

entrar e sair vivo

e consciente

de dentro de uma caverna,

especial.

 

De você entrar ou não,

nesta caverna,

vai depender

de ter ou não

brilho nos olhos

e serenidade nos passos.

 

Após o caminho já percorrido,

ainda estamos descontentes.

 

Ainda estamos inseguros

e insatisfeitos.

 

Parece um filme

que está em andamento

e termina sem um fim ...

 

Será, a resistência,

uma defesa ou uma recusa

às respostas claras que procuramos,

e não encontramos,

a segurança que esperamos

e não chega nunca?

 

Será mesmo,

que a vivência da dimensão da fé,

é experimentar

a sede que não sacia,

a verdade que não contenta,

a neblina que não deixa ver claro?

 

Pois se houvesse clareza suficiente,

não haveria necessidade da fé.

 

Se houvesse certeza absoluta,

a fé não faria sentido.

 

 

Então, temos que entrar na caverna?

 

Usando apenas a fé como ferramenta?

 

 

 

Se sairmos dela,

 

         do outro lado,

 

                 então a fé

 

                           foi útil.

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 13/03/2016. 

eneaspb@gmail.com


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