Mesmo diante de
tantas evidências,
provas e testemunhos
da história,
a dificuldade e resistências
para entrar
na
caverna da fé,
revela a limitação
que temos,
diante desta potência
que está aqui,
mas parece que está
além
da nossa frágil
condição humana.
O tema da fé
tem a sua importância
para o nosso agir,
aqui e agora.
Voltamos para ele,
porque nos é necessário.
Não dá para viver sem
fé.
Viver sem se
preocupar com a fé
é a mesma coisa que
não se preocupar
com o futuro.
Ora,
para onde estamos
indo?
Estamos indo para o
futuro.
Nasceu?
Então não dá
para não participar
desta aventura:
Temos sim,
de entrar dentro da
caverna da fé.
Precisamos da história,
de historinhas,
de parábolas,
de símbolos
e de tantos elementos auxiliares
para nos ajudar nesta conquista.
Dizem que lá dentro
da caverna
existem paisagens,
paredões,
colunas, buracos,
penhascos,
salas enormes
e fendas estreitas,
morcegos, insetos,
escuridão.
E até um rio
resolveu entrar
e explorar
o que lá dentro tem.
Mas não é possível
ver nada
a não ser com a ajuda
de algum meio de
iluminação externo,
como a lanterna.
Note bem,
'meio de iluminação
externo'.
Se é externo,
é de fora do local
natural.
Este lembrete se aplica em toda nossa
pesquisa e nesta aventura da caminhada dentro da caverna da fé.
Pois bem, dentro da caverna escuta-se barulho
de gotas de água caindo e de água correndo.
Há um rio dentro da
caverna.
Um rio, também
aventureiro.
Há um rio
que anda e corre
dentro das entranhas
da terra.
Este rio
entra dentro da montanha
e vai cavando ...
e vai modelando as
margens.
Vai enfrentando
dificuldades,
mas vai abrindo
caminho,
mesmo no escuro.
No escuro,
vai fazendo seu
caminho.
O rio sabe
que numa hora ou
outra
vai sair
de dentro da
montanha,
lá na frente,
a uns onze ou doze
mil metros abaixo.
Como na Caverna do
Diabo,
Em Eldorado, São Paulo.
E o rio
não vai em linha
reta.
Vai construindo
contornos,
desviando obstáculos,
vencendo dificuldades.
Não consegue ir em
linha reta
por causa dos vários
obstáculos
que vai encontrando.
Mas, mesmo no escuro,
a água mantém-se viva
e esperta,
carregada de energias
e de esperanças,
agindo
e fazendo caminho.
Aproveitando o andar
e acontecer na
caverna,
comparamos:
sabemos que estamos
na terra.
E na terra,
num determinado
momento
da nossa caminhada,
acontece uma blitz
ou um cheque mate:
ou enfrentamos
o envolvimento com a
fé
ou caminharemos
a vida toda com ela,
como um espinho no
sapato,
ou a acionar
interrogações.
Meios existem.
Trilhas existem.
Caso não existissem,
estaríamos realmente
no escuro.
Voltamos a insistir:
não existem motivos
ou desculpas
para deixar para
depois,
ou tentar
convencer-se
de que a fé é uma
aventura
para fracos e
ignorantes.
A todo momento
recebemos convites
sutis ou velados,
convidando-nos
a abrir mão
da habitual
e rotineira segurança.
Deixar-nos iludir
pelo medo,
pela insegurança,
pela preguiça
e pela moleza,
vai prejudicar-nos
e comprometer-nos
a viver a vida
de uma forma vazia,
superficial,
sem gosto,
sem sentido,
sem coerência.
Se você continuar,
conseguirá,
num determinado
momento ,
a satisfação
de ter conseguido
superar e viver
a maior de todas as
aventuras
que o ser humano pode
enfrentar:
entrar e sair vivo
e consciente
de dentro de uma
caverna,
especial.
De você entrar ou
não,
nesta caverna,
vai depender
de ter ou não
brilho nos olhos
e serenidade nos
passos.
Após o caminho já percorrido,
ainda estamos
descontentes.
Ainda estamos
inseguros
e insatisfeitos.
Parece um filme
que está em andamento
e termina sem um fim
...
Será,
a resistência,
uma
defesa ou uma recusa
às
respostas claras que procuramos,
e
não encontramos,
a
segurança que esperamos
e
não chega nunca?
Será
mesmo,
que
a vivência da dimensão da fé,
é
experimentar
a
sede que não sacia,
a
verdade que não contenta,
a
neblina que não deixa ver claro?
Pois
se houvesse clareza suficiente,
não
haveria necessidade da fé.
Se
houvesse certeza absoluta,
a
fé não faria sentido.
Então,
temos que entrar na caverna?
Usando
apenas a fé como ferramenta?
Se
sairmos dela,
do
outro lado,
então a
fé
foi útil.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 13/03/2016.
eneaspb@gmail.com
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