Lá, bem longe, existiram os profetas.
Depois, meio perto, vieram os poetas.
Hoje, meio longe, estão os políticos.
Como seria bom
e o mundo mais moderno e fraterno
se os políticos hoje,
exercessem as funções
dos profetas e dos poetas.
Ah, se os políticos fossem poetas!
O mundo teria poesia nas leis,
na ruas, nas casas, na burocracia,
nas profissões e até no congresso.
No
passado os profetas
falavam em nome do Deus
que
os inspirava,
instigava e
até exigia
que
transmitissem o que Ele queria.
A
leitura
dos
livros dos profetas,
que
estão na Bíblia
revelam
a personalidade
dos
personagens dessa profissão
tão
rara na história.
Os
profetas eram
pessoas
totalmente
envolvidas no
meio social
em
que estavam inseridos.
Faziam
a leitura
do
que estava acontecendo,
e levavam ao conhecimento dos anciãos,
as possíveis soluções.
Demonstravam
preocupação
e
descontentamento.
Eram
autênticos e coerentes.
Quase
todos foram martirizados.
Se
escapou algum, foi por milagre.
Hoje
não há mais profetas,
mas
profecias continuam
aparecendo
e
são comunicadas muito claramente.
E
quem capta
são aqueles que estão antenados.
Não
havendo profecia,
o
povo se corrompe,
diziam
os antigos.
Ora,
se não tem mais profetas
temos
que produzi-los.
Mas
ninguém mais arrisca ser profeta.
É
perigoso.
Há
muita exposição.
Há
muita incompreensão.
É
difícil interpretá-los
de
acordo com os nossos interesses.
Mas
temos que dar um jeito.
Somos
brasileiros.
Damos
um jeitinho.
Hoje
não temos mais profetas.
Mas hoje eles estão ativos
exercendo
a profissão camuflada
de
poetas.
Veja
bem
como
a função de poeta
se
identifica
com
a dos antigos profetas.
"O poeta
quando escreve seus
versos,
exerce a função de
professor,
ensinando a teima da
esperança."
Jean Giono
Leia poesia
e perceba nas linhas e
entrelinhas,
como “o poeta se desgasta
diante da indiferença”.
Otto Lara
Resende
Se
não existir mais profetas,
quem
vai iluminar,
quem
vai acender a chama
do
fogo que queima?
"O poeta
é o alimento vivo
da chama com que
ilumina”.
José Martí Y Perez
Dentro
do campo
em que estamos envolvidos,
"O poeta é o sacerdote
do invisível."
Wallace Stevens
Mais do que os políticos,
"O poeta é o senhor
e despertador
de todas as
exaltações humanas."
Erasmo Shallkytton
"Os poetas odeiam o ódio
e fazem guerra à guerra."
Pablo Neruda
"Os poetas são como
pássaros.
A menor coisa os faz
cantar."
François René Auguste de Chateaubriand
Vejo
na personalidade dos poetas
a
incorporação do peso
da
existência humana.
Até
parece
que
querem carregar
os
conflitos e desequilíbrios
de
todas as pessoas,
nas
suas próprias costas.
Não
se parecem
com
alguém lá de longe,
trazido
para a memória,
bem
pertinho de nós, os profetas?
"Não é o poeta,
o profeta dos nossos
dias,
aqueles que mais
despertam o bem
que dorme no fundo do
nosso coração?"
Rubem Alves
Percebam
como na história, os profetas,
os livros, os
intelectuais, os
escritores
e
os poetas foram
os grandes inspiradores
dos
mais elevados ideais da
humanidade.
Todos
os políticos
tiveram
oportunidade
para
direcionar a sociedade
para
o bem comum
e
para a construção da cidade celeste,
mas
poucos estão cadastrados
nas
páginas de honra do livro da história.
Muitos
profetas
foram
sacrificados
porque
indicavam os faróis,
as
rotas e as mensagens libertadoras.
A
história
profetiza
os acontecimentos do futuro,
revelando
as lições
que
estavam escondidas no
passado.
Se no passado
o profeta lia o presente
e se reportava ao futuro,
hoje o poeta
tira as lições do passado,
compara com o presente
e, como engenheiro e arquiteto,
descreve nitidamente o futuro.
O poeta
lembra que existe o futuro.
Talvez sejam os poetas,
os legisladores ideais,
os vereadores, deputados e senadores
que o mundo futuro está esperando.
Você já imaginou como seria este mundo?
As ruas não teriam nomes
de políticos
famosos,
mas de poesias alegres.
As lembranças
que as ruas nos trariam,
seriam benfazejas,
como as rimas das melodias
e as harmoniosas notas musicais.
Certamente os poetas
ensinariam a lei do amor.
Certamente
os hospitais não faleceriam
por insuficiência de amor.
Certamente
as empresas não iriam para a falência
porque a gratuidade
seria a moeda em circulação.
Certamente.
"Para os poetas,
os filósofos e os
santos,
tudo é fraterno e
sagrado.
Todos os
acontecimentos são úteis,
todos os dias são
santos,
todos os homens são
divinos”.
Ralph Waldo Emerson
Pois assim é,
o poeta escreve,
e cada um se lê
naquilo que ele
escreve.
Mais do que qualquer
outro personagem,
o poeta tem o potencial da interpretação,
e com sua sensibilidade
coloca em rimas e harmonia
as soluções pacíficas e benfazejas
para todas as classes sociais.
Eu gosto de ler
assim.
É carinhoso saber
assim.
É afetivo que seja
assim e assado.
O poeta
possui algumas
características
que são proféticas,
pois se empenham
sempre
na busca do sentido,
do significado.
Procuram penetrar na profundidade,
descobrindo as
pérolas preciosas
e tesouros
escondidos.
Domam a rotina,
chicoteiam as mesmices,
constroem escadas
imaginárias
desejando tirar-nos
dos buracos da
existência,
insistindo no destino
superior
da humanidade.
Ao fazer poesia da
vida,
o poeta descreve a
própria vida
na sua simplicidade
e, ao mesmo tempo
descomplica as tramas
nas quais nos
envolvemos.
Quantas vezes
nos sentimos
anestesiados,
insensíveis às
realidades chocantes,
achando normal o que
é agressivo,
apático o que merece
resposta emotiva.
O poeta e a poesia
devolvem-nos a
natureza crua,
original, sem
máscaras.
O poeta e a poesia
devolve a criança
que se perdeu
no meio
dos adultos.
O poeta e a poesia
despertam-nos do
sono,
revelando alegria
na experiência do
sentir-se vivo.
Há nas linhas e
entrelinhas da poesia
o sentido oculto
que nossa
personalidade
anseia realizar.
O poeta aciona a vontade
de ser livre como um
pássaro,
e voar por todos os
espaços do mundo,
curtindo todos os
lugares lindos
que a sensibilidade
treinada
aprendeu a
contemplar.
O que é um poeta?
É um artista,
músico, compositor ou
profeta?
Não é só isso. É mais.
É o acúmulo de todas as coisas imperfeitas
borbulhando, como vulcão em seu ventre,
procurando saídas e soluções.
Veja que não há
violência nos poetas.
Perceba como é suave,
mansa e convincente
a sua comunicação.
A poesia é a
partitura
e o poeta é o
instrumento
que toca a melodia.
E o compositor não
aparece.
O poeta se reporta
com a vida
e com as portas,
com as entradas e
saídas.
São realistas.
O poeta se arrebenta
ou se compromete,
mas insiste em
reabrir as portas
das soluções, do paraíso e da
imortalidade.
O poeta
é um inconformado com
limites,
túmulos ou
fronteiras.
São livres.
Não obedecem as
regras
dos complexos de
inferioridade
ou superioridade.
Não se deixam
encabrestar
por censuras
pessoais,
grupais ou
societárias.
Não possuem pátria,
nem raça, nem
religião.
O único poder
ao qual prestam
honras é à autoridade
que lhes impõem a própria
sensibilidade.
No poeta não há falsidade,
nem máscara, nem compra
ou troca de favores.
Há a coerência
com a verdade
universal.
A verdade transmitida
pelos poetas,
caindo em nossa
interioridade,
brota
espontaneamente,
sem recursos
artificiais.
A maquiagem é
permitida,
se for para embelezar
e revelar a
interioridade,
conhecida através dos
símbolos e códigos.
De dia os homens
trabalham.
Os poetas, quando
trabalham,
acordam com suas
poesias,
aqueles que dormem de
dia.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 10/03/2016.
Atualizado em 31/03/2026
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
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