terça-feira, 4 de março de 2014

81.- Cachorro. O cachorro é um animal esperando promoção para humano.


 

O cachorro

é um animal

que está esperando uma oportunidade

para ser promovido

à dimensão humana. 

 

Na longa história da humanidade,

alguns animais evoluíram

e alcançaram a dimensão superior

graças à curiosidade

e ao instinto de procura

por melhores condições de vida.

 

Se houver atrativo

na dimensão humana,

alguns animais, talvez os cachorros,

de tanto desejar e invejar

as boas condições em que vivemos,

procurarão e encontrarão

os meios para esta promoção. 

 

Veja como já existem tantos animais, principalmente gatos e cachorros,

que já vivem como gente. 

 

Por alguns minutos,

vamos olhar

e conversar um pouco

sobre os cachorros. 

 

Você curte a convivência

com algum animal?

 

Com um cachorro,

por exemplo.

 

Tentar entabular um diálogo

ou monólogo com um cachorro,

para, pelo menos ou pelo mais,

você perceber as diferenças

que há entre estes dois mundos.

 

Você começa percebendo as diferenças,

e logo assusta-se com as semelhanças

que há entre nós, animais e humanos.

 

Aproxime-se de um cachorro,

que seja manso, ou domesticado.

Aqui há semelhanças.  

 

Fale com ele

e veja como ele presta atenção,

direcionando as orelhas na sua direção.

Semelhanças.  

 

Parece que ele se esforça

para entender a sua linguagem.

 

Ele entende de cachorrez e humanez.

Nós entendemos pouco de cachorrez. 

 

Rosne e lata para ele

e verás pela primeira vez

um cachorro rindo de você.  

Au, au, auuuuuu!

 

Se ele estiver estressado,

faça algo para ele se divertir.

 

Perceba como ele se diverte.

 

Jamais um cachorro diz 'não'

a uma brincadeira.

 

Ele sabe da importância

de praticar o verbo brincar.

 

Se ele não quiser brincar,

você sabe que ele está doente.

Leve-o ao veterinário. 

 

Mas se ele estiver realmente triste,

não conseguirás tirá-lo

da sua situação ‘psicológica’.

 

Ele nem se levanta.

Nem abre bem os olhos.

É um baita fingido

quando está com preguiça.

 

Olhe detalhadamente

para o focinho dele.

 

Olhe o formato do nariz dele. 

 

É tão diferente do nosso, não é?

 

 

Existem muitas semelhanças

entre os animais e nós.

 

 

Não se assuste,

mas temos muito a aprender com eles,

para melhorar a  animalidade

que ainda conservamos

dentro da nossa promovida humanidade.

 

 

Lembre-se que antes de sermos humanos

passamos pela fase animal.

 

 

Foi só quando adquirimos

a capacidade de raciocinar

e adquirir consciência

dos nossos pensamentos e atos

é que alcançamos a promoção humana.

 

 

Perceba o quanto de humano

existe nos animais,

principalmente na raça canina.

 

 

As manifestações de alegria,

são as mais visíveis.

 

 

E há outras também. 

 

 

Verifique a maneira engraçada

como se coloca em posição de alerta.

 

 

Note as diversas funções do rabo:

recolhido, firme ou imóvel,

levantado, agitado,

significando sempre uma comunicação,

dizendo que está com medo,

está em posição de sentido,

está fora de sentido,

está alegre,

está bravo,  desconfiado, 

pesquisando, imaginando

uma canela ossuda ou carnuda.

 

 

Perceba os registros

e tons da sua linguagem:

rosnar, latido festivo, latido ameaçador,

latido de exibicionismo,

ganidos suplicantes,

uivos ou serenatas noturnas.

 

 

Note as particularidades,

as diferenças entre um cachorro e outro,

se houver outro por perto.

 

 

Veja suas cores,

seu tipo de pêlo

ou penteado.

 

 

Eles têm autoestima,

sentem ciúmes,

e até brigam

para receberem mais atenção.

 

 

Perceba a impressionante afeição

para com o seu patrão e amigos,

expressando explicitamente,

sem vergonha nenhuma,

seu apego e sua amizade animal

com o seu superior do Reino Humano.

 

 

De ninguém passa despercebida

a sua conhecida fraqueza

diante da tentação de um poste,

diante de uma árvore ou arbusto.

 

 

Não dá para entender

a sua milenar aversão aos gatos.

 

 

Sua demonstração de obediência

é prontamente acatada.

 

 

A humildade

é demonstrada quando atende o seu dono.

 

 

Gostaria de acompanhar seu dono

onde quer que fosse.

 

 

Veja quanto de humanidade há,

na pronta recuperação,

ou rápido esquecimento,

logo após um corridão,

por uma aprontada.

 

 

Não guarda rancor do ‘dono’.  

       

 

Ele não avalia o teu exterior.

 

 

Veja por exemplo,

a falta de sensibilidade

nas demonstrações de saudades,

ignorando a roupa limpa,

do amigo humano,

que ficou ausente de casa,

durante alguns dias.   

 

 

A recepção festiva,

todos os dias,

antecipando-se

no portão de casa.

 

 

Escute à noite,

o diálogo a distancia,

entre seus amigos.

 

 

Perceba

as inumeráveis marchas

ou ritmos de andar e correr,

com impecável sincronia

com os movimentos das orelhas,

rabo e pernas.

 

 

O que é incrível nos cachorros:

possuem marcha a ré.

 

          

Agora, uma dica:

quando você estiver nervoso e tenso,

vá brincar com um cachorro.

Ele tem mil e um segredos

para fazer você rir,

extroverter-se

e relaxar seus músculos.

 

 

Com o cachorro

você pode praticar

uma potência humana:

afinar a sua sensibilidade.

 

 

Tudo o que existe fora de você

foi criado com a intenção

de tirar você de dentro do teu egoísmo.

 

 

Todos os pensamentos negativos,

todas as tensões e preocupações 

que carregas dentro de você,

te fazem mal.

 

 

Aprender a sair de dentro de nós mesmos

é uma sabedoria a ser conquistada. 

 

 

E os cães estão aí, para ajudar-te.

 

 

Treinar para ficar atento

aos convites exteriores

e para a degustação

de milhões de terapias

disponíveis na natureza toda,

fazem de nós, seres superiores,

dignos do nome de ‘reis da criação’.

 

 

Sabe quando um cachorro

se parece com a gente?

 

 

Quando se põe a brincar conosco,

quando nos escuta, obedece,

recebe um xingão

e vem depois, de novo,

como se nada tivesse acontecido.

 

 

Quando a gente chega em casa

e ele vem nos receber festivamente.

 

 

Você percebeu

que os cachorros brincam

mais com as pessoas do que entre eles?

 

 

Não é estranho?

 

 

E você percebeu que,

mesmo velhos, eles continuam a brincar?

 

 

Querem brincar sempre.

 

 

Nós é que envelhecemos

e deixamos de brincar.

 

 

E curiosamente,

nós adultos,

não brincamos mais

desde que deixamos de ser crianças.

 

 

Este texto canino foi Inspirado no Livro do Frei Ovídio Zanini, “Quem não ama é doente”. 

 

Tomei a liberdade de incluir algumas uivadas e latidas.

 

Mais uma dica:

Se você quer ler exercícios práticos

na arte de amar,

e cultivar a arte de observar a natureza,

procure este livro na Secretaria da Igreja

das Mercês, em Curitiba. 

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 23/02/2016.
       eneaspb@gmail.com

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