As maiorias de nós, adultos,
é tão
assustada, tão civilizada
que
acabamos inventando
disfarces
e máscaras para nós mesmos
e saímos
pela vida com um ar sério,
agindo
com imponência.
Chamamos
a isso, ser adultos.
Eis aí,
os adultos,
com nosso
trajar adulto,
ocupados
com serviços adultos,
apressando
os pequeninos
para que
venham para o mundo dos adultos,
o mais
depressa possível.
Querendo
que venham
para onde
estamos,
como se o
nosso estilo de viver
seja o
estilo ideal e perfeito.
O Heipo é
simples.
Sim, você
já percebeu,
deixamos
de ser simples.
Perdemos
a simplicidade,
a beleza,
a transparência,
o
espírito infantil,
a
filiação divina.
Perdemos
a
originalidade.
Já não
somos
o que
deveríamos ser.
Mais do
que filhos do Deus dos Céus,
teimamos
em ser filhos do mundo.
Estamos
desequilibrados.
Deixamos
de dar importância
ao eixo
que equilibra a vida ideal.
Não somos
mais os ídolos,
nem
despertamos paixões
nos
pequeninos.
Perdemos
qualquer coisa
que nos
despersonalizou,
desviando-nos
do rumo certo.
O que é
que anda errado
no nosso
mundo de adultos?
Por que
admiramos e invejamos
o mundo
das crianças?
Por que
deixamos
de
brincar
com as
crianças?
Por que
queremos
que as
crianças
e os
jovens
venham
para nosso mundo de adultos?
As
crianças, os adolescentes e os jovens,
já com
boa carga de conhecimentos,
com a
natural teimosia,
percebem
em nossos semblantes
algo
incoerente,
e se
assustam,
opondo
resistências.
Com
extraordinária clarividência,
as
crianças e os jovens nos perguntam:
Que mundo
é este de vocês, adultos,
que
querem que nós passemos para ele?
O que tem
de bom e promissor por aí?
E o mundo
infantil opõe resistências,
porque
não há muitos atrativos e,
além de
tudo, testemunhamos pouca alegria
por estar
no mundo adulto.
Quem está
certo?
Nós
adultos ou as crianças,
os
adolescentes e jovens?
Fomos
crescendo, crescendo,
e
crescemos até demais
aos
nossos próprios olhos.
Chegamos
a um estágio do conhecimento
que
provocou um efeito colateral:
fizemo-nos
racionalistas
em dose
exagerada
e nos
impomos mais como semideuses
do que
como herdeiros conscientes
de uma
herança filial, eterna.
É
tendência de a pessoa humana
justificar
ou achar desculpas
quando
não entende
ou quando
não consegue alguma coisa.
Acabamos
percebendo
quanto
nos prejudicamos,
humilhando
ou sufocando
nossas
capacidades afetivas e espirituais,
desequilibrando
nosso emocional
sob o
domínio do racional.
Nossas
potências racionais
são quase
perfeitas,
mas
esbarram no mistério,
no
invisível, no desconhecido,
no não
compreensível.
Estamos
preocupados demais
com o
desenvolvimento
das
nossas capacidades intelectivas,
racionais,
mentais, econômicas,
financeiras
e produtivas,
todas
voltadas e relacionadas
para a
conjugação do verbo ter.
Tornamo-nos
ferramentas
que se
medem pela eficiência e eficácia.
Não quero
afirmar
que não
tem que ser assim.
São os
efeitos colaterais
de uma
receita cultural
não muito
sábia.
Buscar o
equilíbrio e a harmonia
das
nossas faculdades de integração
é o que
sonha o Heipo.
O Heipo
nasce e
renasce da observação
e da
convivência
com as
pessoas
portadoras
do espírito de infância.
O Heipo
gosta de
expressar-se sem censura
e sem
rodeios, pois ele é autêntico.
Ele é por
fora,
revelando
o que é por dentro.
É uma
expressão
da
unidade interna,
da
harmonia conquistada
pela
firme decisão
de
procurar um ideal de simplicidade,
bondade e
de justiça,
valores
essenciais,
que são
bons para todos.
O Heipo
tem o
bom-senso
de
escolher o que é bom,
útil,
simples e alegre,
e
continuar cultivando
a criança
na criança,
mantendo
o espírito de criança no jovem,
imitando
a criança no homem e na mulher,
cheios de
vida, nos anos vividos.
Os Heipos
serão
necessários para o futuro.
Mas já
existem alguns Heipos
que
vieram do futuro
e estão
residindo no presente,
neste
tempo, que chamamos agora,
nesta
época que se chama hoje,
neste
hoje que é um presente,
degustado,
curtido.
Um
presente,
de um
futuro antecipado.
Um Heipo
é um
profeta.
Um Heipo
é um
símbolo da pessoa humana ideal.
A pessoa
humana
é símbolo
do Criador.
O Heipo
tem a
intenção de despertar
em cada
leitor
a vontade
racional
de
reconquistar
a
personalidade original,
perdida
ou enroscada
em
lugares ou objetos
que não
retribuem
energias
de realização.
O Heipo
tem a
intenção
de
demonstrar
que fomos
adquirindo
a malícia
e a esperteza
como
sinônimos de inteligência.
Estes
defeitos
provocam
atitudes
de
desconfiança e fechamento,
prejudicando
o tipo ideal
de
relacionamento fraterno.
Quanto
gostaria
de
carregar de valor o Heipo,
a tal
clareza de compreensão e assimilação
que te
fizesse encantar-se por ele.
Muito do
que somos
revela
nosso Criador,
nosso
Pai.
E muito
do que não conhecemos em nós,
e nos
outros,
revela a
falta de conhecimento
que temos
do nosso Criador.
Nós,
humanos,
já
possuímos duas qualidades
de poder
infinito:
a
capacidade de conhecer
e a
capacidade de amar.
Estas
capacidades
são mais
bem experimentadas
por
aqueles que se consideram
filhos e
herdeiros dos bens Dele.
Estas
duas capacidades são ilimitadas.
Para
conhecer nosso Pai Criador,
o Deus
Infinito e perfeito,
Uno e
Amoroso,
temos que
ter condições filiais,
e essa já
a temos, basta-nos exercê-las.
Só
podemos dizer ‘tal pai, tal filho’,
pelas
semelhanças que nos identificam.
Está aqui
a confirmação
de que o
Heipo é herdeiro
dos bens
do Paizão dos céus,
do
universo infinito, desde já.
Temos a
capacidade
de conhecer,
que já é
infinita,
e a
capacidade de amar
sem
limites.
Estes
dois atributos do Deus Pai
já estão
à nossa disposição para usarmos.
Nós,
humanos,
fazemos
parte dos personagens
como
segundo figurante,
sujeitos
e objetos de todo o planejamento
e obra da
criação.
Fomos
elevados
à
dignidade existencial
por
sermos imagem
e
semelhança com o Deus Criador.
Ainda
mais, carregamos a dignidade
de ser
‘lugar de morada’
do
Espírito Santo, do Deus invisível,
presente
e atuante fora e além do alcance e poder
dos
nossos olhos materiais.
Somos e
fomos criados
para
sermos filhos do Pai Eterno e,
finalmente,
herdeiros das propriedades
e valores
celestes.
Quer mais
do que isto?
Estamos
falando em participação
no plano
do Criador. Fazemos parte.
Já temos
a participação
no Jardim
que Ele pediu
para
administrarmos.
Assim, mantemos a criança,
ganhamos
maturidade,
sem perder
a simplicidade.
Reavivar
a criança
que ainda
mora em cada um de nós,
é a função
do Heipo.
Se nos
concentrarmos
na
filosofia do Heipo,
estaremos
nos concentrando
nas
possibilidades.
É para
frente
que
estamos indo
e não
para o passado.
Do
passado aprendemos como não ser,
o que convém
evitar, do que fugir,
e no que
não se apegar.
Somos
portadores de potências
e forças
capazes de abrir
novas
estradas.
Temos a
missão
de
revelar
e não
esconder
o que
somos.
O
processo é evolutivo e lento.
Supõe
entrar por este caminho,
familiarizar-se
com o conhecimento
desta
realidade, transformando o conhecimento
em
convicções e ações.
Somos
filhos do Criador do Universo,
filhos e
herdeiros
de todos
os bens
que Ele
preparou para nós,
como
filhos queridos.
Caminharemos focando
a dimensão espiritual e eterna do ser humano.
O ser
humano,
além da
sobrevivência,
busca a
transcendência,
porque
não é daqui.
É natural
que
queira conhecer e alcançar
a sua
finalidade última.
O Heipo
fundamenta
a
grandeza e a dignidade do ser humano,
que,
consciente ou inconscientemente,
não
aceita ser diminuído, excluído,
ridicularizado,
desprezado ou manipulado,
porque é
embaixador e filho do Pai,
Criador
do Céu e da Terra.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 31/08/2022

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