quarta-feira, 25 de outubro de 2023

813.- Heipo. Acreditar no Heipo.




As maiorias de nós, adultos,

é tão assustada, tão civilizada

que acabamos inventando

disfarces e máscaras para nós mesmos

e saímos pela vida com um ar sério,

agindo com imponência.

 

Chamamos a isso, ser adultos.

Eis aí, os adultos,

com nosso trajar adulto,

ocupados com serviços adultos,

apressando os pequeninos

para que venham para o mundo dos adultos,

o mais depressa possível.

 

Querendo que venham

para onde estamos,

como se o nosso estilo de viver

seja o estilo ideal e perfeito.

 

O Heipo é simples.

Sim, você já percebeu,

deixamos de ser simples.

 

Perdemos a simplicidade,

a beleza, a transparência,

o espírito infantil,

a filiação divina.

 

Perdemos

a originalidade.

 

Já não somos

o que deveríamos ser.

 

Mais do que filhos do Deus dos Céus,

teimamos em ser filhos do mundo.

 

Estamos desequilibrados.

 

Deixamos de dar importância

ao eixo que equilibra a vida ideal.

 

Não somos mais os ídolos,

nem despertamos paixões

nos pequeninos.

 

Perdemos qualquer coisa

que nos despersonalizou,

desviando-nos do rumo certo.

 

O que é que anda errado

no nosso mundo de adultos?

 

Por que admiramos e invejamos

o mundo das crianças?

 

Por que deixamos

de brincar

com as crianças?

 

Por que queremos

que as crianças

e os jovens

venham para nosso mundo de adultos?

 

As crianças, os adolescentes e os jovens,

já com boa carga de conhecimentos,

com a natural teimosia,

percebem em nossos semblantes

algo incoerente,

e se assustam,

opondo resistências.

 

Com extraordinária clarividência,

as crianças e os jovens nos perguntam:

Que mundo é este de vocês, adultos,

que querem que nós passemos para ele?

O que tem de bom e promissor por aí?

 

E o mundo infantil opõe resistências,

porque não há muitos atrativos e,

além de tudo, testemunhamos pouca alegria

por estar no mundo adulto.

 

Quem está certo?

Nós adultos ou as crianças,

os adolescentes e jovens?

 

Fomos crescendo, crescendo,

e crescemos até demais

aos nossos próprios olhos.

 

Chegamos a um estágio do conhecimento

que provocou um efeito colateral:

fizemo-nos racionalistas

em dose exagerada

e nos impomos mais como semideuses

do que como herdeiros conscientes

de uma herança filial, eterna.

 

É tendência de a pessoa humana

justificar ou achar desculpas

quando não entende

ou quando não consegue alguma coisa.

 

Acabamos percebendo

quanto nos prejudicamos,

humilhando ou sufocando

nossas capacidades afetivas e espirituais,

desequilibrando nosso emocional

sob o domínio do racional.

 

Nossas potências racionais

são quase perfeitas,

mas esbarram no mistério,

no invisível, no desconhecido,

no não compreensível.

 

Estamos preocupados demais

com o desenvolvimento

das nossas capacidades intelectivas,

racionais, mentais, econômicas,

financeiras e produtivas,

todas voltadas e relacionadas

para a conjugação do verbo ter

 

Tornamo-nos ferramentas

que se medem pela eficiência e eficácia.

 

Não quero afirmar

que não tem que ser assim.

 

São os efeitos colaterais

de uma receita cultural

não muito sábia.

 

Buscar o equilíbrio e a harmonia

das nossas faculdades de integração

é o que sonha o Heipo.

 

O Heipo

nasce e renasce da observação

e da convivência

com as pessoas

portadoras do espírito de infância.

 

O Heipo

gosta de expressar-se sem censura

e sem rodeios, pois ele é autêntico.

 

Ele é por fora,

revelando o que é por dentro.

 

É uma expressão

da unidade interna,

da harmonia conquistada

pela firme decisão

de procurar um ideal de simplicidade,

bondade e de justiça,

valores essenciais,

que são bons para todos.

 

O Heipo

tem o bom-senso

de escolher o que é bom,

útil, simples e alegre,

e continuar cultivando

a criança na criança,

mantendo o espírito de criança no jovem,

imitando a criança no homem e na mulher,

cheios de vida, nos anos vividos.

 

Os Heipos

serão necessários para o futuro.

 

Mas já existem alguns Heipos

que vieram do futuro

e estão residindo no presente,

neste tempo, que chamamos agora,

nesta época que se chama hoje,

neste hoje que é um presente,

degustado, curtido.

 

Um presente,

de um futuro antecipado.

 

Um Heipo

é um profeta.

 

Um Heipo

é um símbolo da pessoa humana ideal.

 

A pessoa humana

é símbolo do Criador.

 

O Heipo

tem a intenção de despertar

em cada leitor

a vontade racional

de reconquistar

a personalidade original,

perdida ou enroscada

em lugares ou objetos

que não retribuem

energias de realização.

 

O Heipo

tem a intenção

de demonstrar

que fomos adquirindo

a malícia e a esperteza

como sinônimos de inteligência.

 

Estes defeitos

provocam atitudes

de desconfiança e fechamento,

prejudicando o tipo ideal

de relacionamento fraterno.

 

Quanto gostaria

de carregar de valor o Heipo,

a tal clareza de compreensão e assimilação

que te fizesse encantar-se por ele.

 

Muito do que somos

revela nosso Criador,

nosso Pai.

 

E muito do que não conhecemos em nós,

e nos outros,

revela a falta de conhecimento

que temos do nosso Criador.

 

Nós, humanos,

já possuímos duas qualidades

de poder infinito:

a capacidade de conhecer

e a capacidade de amar.

 

Estas capacidades

são mais bem experimentadas

por aqueles que se consideram

filhos e herdeiros dos bens Dele.

 

Estas duas capacidades são ilimitadas.

 

Para conhecer nosso Pai Criador,

o Deus Infinito e perfeito,

Uno e Amoroso,

temos que ter condições filiais,

e essa já a temos, basta-nos exercê-las. 

 

Só podemos dizer ‘tal pai, tal filho’,

pelas semelhanças que nos identificam.

 

Está aqui a confirmação

de que o Heipo é herdeiro

dos bens do Paizão dos céus,

do universo infinito, desde já.

 

Temos a capacidade

de conhecer,

que já é infinita,

e a capacidade de amar

sem limites.

 

Estes dois atributos do Deus Pai

já estão à nossa disposição para usarmos.

 

Nós, humanos,

fazemos parte dos personagens

como segundo figurante,

sujeitos e objetos de todo o planejamento

e obra da criação.

 

Fomos elevados

à dignidade existencial

por sermos imagem

e semelhança com o Deus Criador. 

 

Ainda mais, carregamos a dignidade

de ser ‘lugar de morada’

do Espírito Santo, do Deus invisível,

presente e atuante fora e além do alcance e poder

dos nossos olhos materiais.  

 

Somos e fomos criados

para sermos filhos do Pai Eterno e,

finalmente, herdeiros das propriedades

e valores celestes.

 

Quer mais do que isto?

 

Estamos falando em participação

no plano do Criador. Fazemos parte.

 

Já temos a participação

no Jardim que Ele pediu

para administrarmos.

 

Assim, mantemos a criança,

ganhamos maturidade,

sem perder a simplicidade.

 

Reavivar a criança

que ainda mora em cada um de nós,

é a função do Heipo. 

 

Se nos concentrarmos

na filosofia do Heipo,

estaremos nos concentrando

nas possibilidades. 

 

É para frente

que estamos indo

e não para o passado.

 

Do passado aprendemos como não ser,

o que convém evitar, do que fugir,

e no que não se apegar.

 

Somos portadores de potências

e forças capazes de abrir

novas estradas.

 

Temos a missão

de revelar

e não esconder

o que somos. 

 

O processo é evolutivo e lento.

 

Supõe entrar por este caminho,

familiarizar-se com o conhecimento

desta realidade, transformando o conhecimento

em convicções e ações.

 

Somos filhos do Criador do Universo,

filhos e herdeiros

de todos os bens

que Ele preparou para nós,

como filhos queridos.

 

Caminharemos focando

a dimensão espiritual e eterna do ser humano. 

 

O ser humano,

além da sobrevivência,

busca a transcendência,

porque não é daqui.

 

É natural

que queira conhecer e alcançar

a sua finalidade última.

 

O Heipo fundamenta

a grandeza e a dignidade do ser humano,

que, consciente ou inconscientemente,

não aceita ser diminuído, excluído,

ridicularizado, desprezado ou manipulado,

porque é embaixador e filho do Pai,

Criador do Céu e da Terra.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 31/08/2022

eneaspb@gmail.com

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