É triste o escritor
que
escreve
mas não
consegue
escutar o
eco,
o retorno emotivo
do leitor.
O escritor
deseja,
sentindo,
semear
suas letras
no coração
do universo.
Há tantos
tipos de solos,
pedregoso,
arenoso, poluído,
espinhoso,
seco, lavado, invadido,
há também
a terra boa, que produz frutos.
O escritor
deseja,
com emoções,
alimentar
o humus do ser humano,
a fome de
afetividade e de realização.
O escritor
não se sente realizado
se não
consegue irrigar, umedecer
a ‘flor da
pele’ da mulher.
É triste o
escritor
que
escreve para os ventos.
Suas
letras perdem-se,
nos ares e
mares,
e afundam
nas águas paradas.
O escritor
fica triste
porque as
palavras, as ideias,
as letras,
nascem e logo morrem,
quando
colocadas no túmulo dos papeis,
e não são
vivificadas no coração da gente.
Endereçadas
para a interioridade,
morreram
na periferia do pensar árido.
As letras,
as palavras
desejam
ultrapassar
as
barreiras do juízo,
do
julgamento,
dos erros
de ortografia,
da falta
de rima,
para aterrissar
no coração.
O escritor
escreve
para o coração,
mais do
que para a razão.
O leitor
que se deixa envolver pela crítica
não
absorve, não degusta o sabor do alimento.
A mente que
sempre quer ter razão,
não deixa
espaço e nem condições
para a
palavra chegar ao coração.
Ela, a
razão,
quer
sempre estar no comando.
Mais do
que a racionalidade
o ser
humano sobre-existe ou sobrevive
por causa
da sensibilidade.
Eu não me
sei vivo.
Não me
penso,
não me leio
como
pensamento.
Eu me leio,
me ‘sinto’ um ser vivo,
mais
sensível, sujeito a variações
em meu
humor.
A mente é
neutra.
É o
sentir, a sensibilidade,
que me dá
a certeza da vida.
É de
afeto, de ternura,
de carinho
e de compreensão
que encho
de entusiasmo
e alegria
os meus dias.
O escritor
escreve as
letras
que nascem
lá das raízes,
da profundidade,
da sensibilidade.
O
escritor leu a vida,
lê-se
a si mesmo e se conhece.
Sabe
que o que falta lá dentro,
aquilo
que preenche o vazio
de
cada ser humano
não
cabe na cabeça
mas
tem o espaço
a
ser preenchido,
no
coração.
É
o sentir, os sentimentos, as emoções
que
fazem a diferença nas pessoas,
não
a inteligência.
É
o coração poeta
que
semeia.
É
o coração poeta
que
colhe.
Quando
você lê,
você
se posiciona
e
ativa sua cabeça pensante.
Terias
muito mais deleite e prazer
se
deixasse que seu coração
comandasse
o destino
do
que teus olhos colhem.
Se
lês com a mente,
o
coração não sente.
Se
lês com os olhos do coração,
a
emoção te surpreende.
Se
lês com todo o teu seu,
com
sua mente, com coração
e
com os sentimentos,
você
consegue entrar
e
participar do cenário,
onde
as letras se unificam,
onde
o conteúdo da leitura se desenvolve,
e
então você sente esquentar lá dentro
as
energias que brotam do coração.
E
é bem aí que você se sente vivo,
junto com os vivos.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 01/04/2023

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