quarta-feira, 25 de outubro de 2023

836.- Grandeza. Desconhecemos a grandeza para a qual fomos criados.



Desconhecemos a grandeza 

para a qual fomos criados. 


Nascemos para a eternidade, 

não para o tempo.

 


Inicialmente,

        uma pergunta

            para abrir a porta do diálogo:

 

            Percebemos a grandeza

            para a qual fomos criados? 

 

Desconhecemos sim,

porque pouco, ou quase nada

temos feito para escapar

dos limites que se apresentam

à nossa condição humana.

 

Duas observações iniciais

são necessárias para motivar

o desenvolvimento deste texto,

e, finalmente, a terceira tese,

a conclusão tentando mostrar

que nascemos para uma vida eterna.


Primeira tese: somos daqui, da terra.

Aqui nascemos, vivemos,

agitamo-nos e morremos.

 

Daqui deve nascer

a tomada de consciência

de que nascemos para algo maior.

Não convém ficar estacionado aqui na terra.

Se não acordar, fica por aqui mesmo.

Há que despertar, acordar,

olhar para fora

dos horizontes terráqueos.


Segunda tese:

desconhecemos a grandeza

para a qual fomos projetados. 


Desconhecemos

e não damos a devida importância

a essa realidade. 

 

Muitos, por opção,

não querem se incomodar

com religião,

com o estudo da teologia,

com a interpretação de sinais,

linguagem, literatura,

além daquilo

que a racionalidade alcança. 


Estas atitudes

confirmam que usamos muito pouco

do potencial que temos à disposição. 

Ou, por omissão, descuido

ou resistências v

amos deixando para depois.


Não estamos sendo

suficientemente inteligentes. 


É incoerente

não dar importância

a algo que é de extrema importância.

 

Destas duas afirmações

a primeira é mais fácil de aceitar,

por ser evidente. 

Estamos aqui

e tudo o que acontece por aqui

nos é familiar e fácil de digerir, de explicar

de entender.

Permanece nas fronteiras

do conhecível pela racionalidade.


Vemos, lemos, tocamos,

medimos, ingerimos, avaliamos,

somamos, registramos

e raramente fica alguma coisa

sem explicação. 


A segunda afirmação

pode ser tão verdadeira,

mas não atrai nossa curiosidade

porque não estamos habituados

a entrar no campo do diferente,

uma dimensão acima

da qual estamos acostumados,

onde é necessário

ter um mínimo grau de consciência

e maturidade espiritual. 


A dimensão terráquea,

está na via horizontal.

 

A dimensão da vida eterna

está na via vertical.  

 

Se não esticarmos

o pescoço para cima,

para o alto,

não cresceremos

em estatura e sabedoria.


Para sermos vencedores

na dimensão terrena

usamos toda nossa força e capacidades,

na segunda dimensão

também existem exigências,

esforços redobrados.  


O esforço

é a senha que abre os arquivos

do aperfeiçoamento. 


Nesta segunda dimensão,

há o necessário esforço

para decifrar códigos,

vislumbrar sinais, acenos, pistas.

Exige um pouquinho mais de esforço,

mas compensa. 


Uma das leis da vida

é que todo esforço compensa. 


Toda atitude de moleza enfraquece,

despersonaliza e aliena. 

 

Queremos fortalecer as afirmações acima

com a frase do jornalista norte-americano:

“O maior pecado do ser humano

é ignorar suas forças interiores,

seus poderes criadores

e sua herança divina”.

*Orison Swett Marden

 

Outro cientista da atualidade afirmou:

“Se confinássemos nossa atenção

somente aos problemas terrestres,

estaríamos limitando o espírito humano”.

Stepen William Hawking

 

Parece que alguma coisa está errada

na humanidade que não percebe

a abertura para alguma coisa maior,

superior ao natural. 


Essa atitude de indiferença

gera a desmotivação

para a pesquisa

daquilo que não é conhecido.

 

O comportamento, a psicologia

e a filosofia de algumas pessoas

demonstram que muitas potencialidades,

naturalmente humanas,

permanecem pequenas, desativadas,

reduzindo a sede

dos nossos anseios e ideais. 


Muitas capacidades que existem em nós

já deveriam estar em estágio adiantado,

mas permanecem na infância

ou na adolescência da maturação.

 

Como adolescentes,

opomos resistências

a certos princípios educativos

que facilitam o desabrochar

e o amadurecimento

da personalidade infinita

que existe latente

dentro do ser humano.

 

Desconhecer a verdade

sobre a natureza,

sobre o universo,

sobre o sentido da vida,

provoca desequilíbrios na pessoa. 


Desconhecer a grandeza

da pessoa humana bem como

a grandeza do universo

pode influenciar negativamente

o humor e o sentido da vida 

de muita gente. 


Por ser imagem e semelhança com o Criador,

o ser humano não cresce

se não procurar identificar-se

e assimilar as qualidades

do seu Pai, na sua vida.

 

As doenças, os hospitais,

as depressões testemunham e confirmam

a influência da ignorância,

do desconhecimento

das leis fundamentais da vida,

como a lei do amor e do serviço.

 

Ser útil para os outros

é a fórmula e a resposta do sentido da vida

e do equilíbrio no relacionamento humano

entre as profissões e profissionais. 

 

 

Quase todos os nossos projetos estão elaborados

para o horizonte terráqueo, 

dentro dos limites geográficos 

e dentro do alcance

das nossas visões pessoais.

 

Acordemos os engenheiros e arquitetos

que reconstruirão a nova Torre de Babel,

agora construída sobre novos fundamentos:

o fundamento do Heipo. 


Como o Heipo queremos subir, ver no céu,

nosso definitivo aposento.

A motivação que levou à construção

da Torre de Babel estava correta,

construções para cima, para o céu.

 

Queremos uma casa permanente,

lá em cima, onde teremos uma vista

para todos os cantos do universo infinito.

 

Algumas coisas na vida funcionam

como os carros que precisam ser reabastecidos

nos postos de gasolina. Quando o carro está

 pifando, e a luzinha avisando que a gasolina

já está na reserva, procuramos

um posto e reabastecemos.

 

Acontece na vida, muitas e muitas vezes,

sinais de desanimo.  

 

Quando menos percebemos,

encostamos o carro da nossa vida

na garagem do abatimento,

das frustrações e decepções,

e ficamos lamentando a falta de motivação,

ideias, entusiasmo e inspiração.

 

Ora, quando algo nos falta,

ou quando algo começa a nos preocupar,

a lógica nos impulsiona para a busca das

 soluções.

 

Reabastecemos o veículo com combustível.

 

Reabastecemos nossos ideais com pesquisa,

 conhecimento e motivações.

 

A busca da solução é comparável

ao ato de procurar um posto de gasolina

para encher o tanque quando percebemos

que está quase faltando combustível. 

 

Vou apresentar para vocês um posto de gasolina,

com combustível apropriado 

para esta parte do texto.

 

Encha o teu tanque de motivações

sobre a verdadeira grandeza que somos nós.

 

E saibamos também quais as promessas

que nos foram feitas pelo Criador,

nosso Pai dos céus.

 

Vamos então encher o tanque

com as convicções sobre a nossa grandeza,

esse potencial tão desconhecido,

lendo e assimilando o que os escritores

 deixaram registrado.

 

A grandeza é uma condição espiritual.

Mathew Arnold*.Matthew Arnold 24/12/1822-

15/04/1888. Foi poeta e crítico literário inglês.

 Nasceu em Laleham e morreu em Liverpool,

Reino Unido.

Este poeta percebeu que o valor maior que existe

no ser humano é a sua capacidade espiritual.

 

Cultivar o que há de melhor e maior

em cada um de nós, é bom senso e sabedoria.

 

Ignorar esta capacidade ou não lhe dar

a devida atenção é o maior de todos os defeitos

que a pessoa humana pode cultivar.

 

Dizer que o homem é uma mistura 

de força e fraqueza, de luz e treva, 

de pequenez e grandeza, não é julgá-lo, 

é definí-lo.

Denis Diderot*.

Esta frase justifica e dá forças

para o título deste texto.

 

Denis Diderot 05/10/1713-31/07/1784.

Foi escritor, filósofo e ensaísta francês.

Nasceu  em Langres, França e morreu

em Paris, França.

 

Somos, portanto, seres especiais,

portadores de potencialidades

que nos projetam para além do que somos

e aparentamos.

 

Estas potencialidades

agitam-se em nossas entranhas,

esperando, como as sementes,

explodir, serem descobertas,

treinadas e aperfeiçoadas.

 

Seremos pessimistas, tristes e derrotados

se ficarmos, como as galinhas que possuem asas

e não voam.

 

Nestas condições, focados na terra,

os olhos direcionam-se só para baixo,

ciscando o chão da vida,

envolvidos com o pessimismo

e tudo o que condiciona e se relaciona

a este fator de fracasso. 

 

Não é este nosso ideal.

 

O personagem Heipo 

vem com outra proposta.

 

Voltamos ao conteúdo do livro

do escritor Leonardo Boff*,

“A Galinha e a Águia:

uma metáfora da condição humana”,

para fazer algumas reflexões

a partir do rico conteúdo

que se encontra no livro. 


O escritor compara as duas dimensões

na qual o ser humano está envolvido:

a dimensão da terra

e a dimensão do infinito

que está dentro de nós. 


Seremos possuidores de um comportamento

 otimista e alegre se, como as águias,

 possuidoras de asas, experimentarmos 

a liberdade dos espaços,

e voarmos alto, procurando as oportunidades

que o universo disponibiliza”.

 

Leonardo Boff 14/12/1938. É teólogo, filósofo,

escritor e professor universitário brasileiro.

Nasceu em Concórdia/SC.

Expoente da Teologia da Libertação no Brasil.

A Águia e a Galinha:

uma metáfora da condição humana.

Editora Vozes,  Petrópolis–RJ.

 

Este livro 

proporciona um aprofundamento 

necessário à compreensão

do que aqui foi abordado rapidamente.

 

As galinhas desde sempre, possuem asas. 


          Elas voavam. 


         Lá pelas tantas da caminhada, 

os homens se tornaram caçadores. 

Tinham dificuldades para caçar galinhas.

 Tiveram a ideia de criá-las fechadas 

ou cercadas. 

As galinhas criadas em ambiente fechado, 

o tempo deixaram de voar, mesmo soltas. 

Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas. 

E elas já não podiam voar. 


Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, 

já não voam mais. Continuam tendo asas. 


Mas por que não voam mais? 


Acostumaram-se. 


Atrofiaram uma das suas potencialidades.


 Adaptaram-se ao conforto, à acomodação. 


Não exploram mais lugares novos, 

situações novas.

 

          Trazendo o exemplo 

para a nossa vida, 

temos de fazer uma reflexão. 


          Não temos asas e não voamos. 


         Mas intimamente 

possuímos algumas capacidades 

que nos identificam com as águias. 


        Temos asas sim, e temos que voar. 


       Pode ser que tenhamos muito da galinha,

mas temos muito mais das águias. 


        Temos asas invisíveis. 

Cada um de nós precisa avaliar 

se não está sacrificando a águia 

que está dentro de si. 


         Já estamos capacitados 

e projetados para alcançar 

a nova dimensão divina. 


         Desde que nascemos, 

nascemos equipados com asas invisíveis ... 

Por isso o Heipo insiste 

em levar o leitor a recuperar 

a sua originalidade.

 

Esta originalidade está perdida 

em algum lugar 

dentro da nossa própria personalidade.

 

Está escondida ou dormindo dentro de nós. 

 

Pelo que vimos até agora,

percebemos a riqueza e o potencial

da pessoa humana. 


         O reino humano 

está classificado apenas 

a uma dimensão inferior 

que a dimensão divina. 


         Estamos apenas abaixo dos anjos,

 lemos em algum lugar da Bíblia. 


        Mas já estamos capacitados 

com alguns atributos que nos projetam 

para fora do reino humano. 


Porém, até o dia de hoje 

nossas incapacidades atuais 

não estão suficientemente treinadas.

 

Um pouco mais na frente,

serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.

 

Pouco sabemos sobre a dimensão divina. 


Mas é algo que precisamos saber. 


Não podemos fugir ou ignorar tal realidade. 


A indiferença ou apatia, neste campo,

 atrapalha ou interrompe a evolução.

 

O que sabemos é que, 

ou aceitamos esta dimensão superior 

da qual já temos algo, ou negamos

a existência do nosso Pai, Criador do universo,

e aí tudo ficará sem explicação mesmo. 


E nós acabaremos morrendo na praia. 


Tão perto e tão longe. 


Tão íntimas e tão desconhecidas qualidades

 divinas escondidas no humano.

 

Na linha que o Heipo vem apresentando,

 percebemos que possuímos algumas

 características que não são próprias de nós,

 humanos. 


Ou melhor, são próprias dos seres humanos

 evoluídos, que ultrapassaram a definição 

e condição animal, domesticaram 

e canalizaram as forças dos instintos 

pelo comando da razão. 


E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual,

 aperfeiçoa esta nossa pobre natureza,

 elevando-a para o nível da espiritualidade 

ou dignidade de filho do Deus Criador, 

ou Imagem e Semelhança Dele. 


Estas afirmações são verdadeiras. 

Tão verdadeiras 

que quase não acreditamos.

 

Estudando e pesquisando as capacidades 

de aprendizagem e domínio de nós mesmos,

 fomos percebendo uma força extra, 

enxertada ou acoplada em nossa estrutura

 pessoal, isto é, a capacidade espiritual 

que nos promove para além da animalidade 

e da marca registrada de humanos. 


Esta capacidade espiritual, 

rompe, ultrapassa a horizontalidade 

e projeta-nos para a dimensão vertical, 

da altura e profundidade, 

num campo ilimitado.

 

Neste momento podemos fazer uma avaliação

 da nossa caminhada até o dia de hoje: 

em qual das dimensões estão 

os nossos sonhos e projetos? 



Na dimensão horizontal ou na vertical? 



Na dimensão horizontal existem limites 

e barreiras, mantendo-nos por aqui mesmo. 


Na vertical há o infinito que atrai 

e nos projeta para além de nós mesmos.

 

Lendo os livros da história, 

percebemos que ela é evolutiva. 


        Se lá no distante passado 

andávamos de quatro, 

olhando quase só para o chão, 

evoluindo, passamos a andar 

só com os dois pés. 


Ficamos em pé, ficamos maiores.  


Levantamos nossos olhos e começamos 

a olhar para mais longe e para cima. 


Já não olhamos tanto para o chão.

 

E foi a partir desta situação e condição 

de pessoas eretas que vislumbramos 

um universo infinito.

 


Nosso criador, que é nosso Pai, mora nos céus. 


Por isso, por um instinto de saudades 

ou de esperanças, 

não nos cansamos 

de olhar para lá. 


Somos filhos e herdeiros dos céus, 

mas ainda estamos na terra. 


Mas há uma semente viva, 

escondida nalguma parte de nós.


Não estamos contentes 

porque ainda não estamos completos. 


Ainda há muito a evoluir. 


Desta situação e condição de incompletude,

 brotam perguntas que viajam 

para além das fronteiras do conhecido 

pela razão.

 

A dimensão divina ainda não é para nós 

a desejada dimensão limpa, transparente 

e perfeita. 

Existem resistências 

em nossa natureza humana, 

revoltadas pelo sentimento de incompletude.


Temos apenas alguns elementos ou atributos

 dentro da constituição humana 

que nos despertam e cutucam, 

provocam e ficam sem respostas definitivas. 



Mas já temos experiências,

e por mais fracas que sejam 

nos convencem. 


O principal meio disponibilizado para nós 

nesta aventura é a fé. 



Por mais fracos que sejamos, 

aceitamos as dúvidas e nos pomos a caminho,

 com a livre convicção que é preferível 

e mais vantajoso caminharmos 

de olhos vendados nesta escalada 

do que, de olhos abertos 

não encontrarmos as respostas definitivas 

para o sentido da vida e da morte. 


Aceitar a deficiência parcial 

das nossas faculdades neste campo 

não é de todo ingênuo e impeditivo, 

mas desafio e provocação 

para a busca das respostas definitivas.


 Na dimensão divina está o Ser e a existência

 do nosso Pai Criador, o Deus Trindade. 


Nessa dimensão reside o mistério. 


Mistério não como algo 

que não pode ser conhecido, 

mas mistério como algo 

que é inesgotável o conteúdo de conhecimento. 


Mas o Mistério foi revelado como Pai. 


O Filho veio, esteve aqui e revelou o Pai Nosso. 

E a grande notícia é que somos filhos 

à Sua Imagem e Semelhança. 

Não só filhos, mas herdeiros.

 

Acreditar nesta verdade 

exigirá toda a reviravolta existencial: 

passar a cultivar a dimensão do mistério 

e do invisível. 


É o novo desafio, a nova ciência, 

a última e definitiva ciência.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski 

Criado em 12/03/2014.

Republicado no Blog em 25/10/23.

eneaspb@gmail.com 41-98854-5166

Publicado no Blog Heipo World em 12/03/2014

Atualizado em 29/01/2016. 

Atualizado e publicado no FACE em 20/04/2023. 

Re-Publicado no Blog Heipo’s World em 25/10/2023

Texto original foi publicado sob o n. 10 em 12/03/2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário