Desconhecemos a grandeza
para a qual fomos criados.
Nascemos para a eternidade,
não para o tempo.
Inicialmente,
uma pergunta
para abrir a porta do diálogo:
Percebemos a grandeza
para a qual fomos criados?
Desconhecemos sim,
porque pouco, ou quase nada
temos feito para escapar
dos limites que se apresentam
à nossa condição humana.
Duas observações iniciais
são necessárias para motivar
o desenvolvimento deste texto,
e, finalmente, a terceira tese,
a conclusão tentando mostrar
que nascemos para uma vida eterna.
Primeira tese: somos daqui, da terra.
Aqui nascemos, vivemos,
agitamo-nos e morremos.
Daqui deve nascer
a tomada de consciência
de que nascemos para algo maior.
Não convém ficar estacionado aqui na terra.
Se não acordar, fica por aqui mesmo.
Há que despertar, acordar,
olhar para fora
dos horizontes terráqueos.
Segunda tese:
desconhecemos a grandeza
para a qual fomos projetados.
Desconhecemos
e não damos a devida importância
a essa realidade.
Muitos, por opção,
não querem se incomodar
com religião,
com o estudo da teologia,
com a interpretação de sinais,
linguagem, literatura,
além daquilo
que a racionalidade alcança.
Estas atitudes
confirmam que usamos muito pouco
do potencial que temos à disposição.
Ou, por omissão, descuido
ou resistências v
amos deixando para depois.
Não estamos sendo
suficientemente inteligentes.
É incoerente
não dar importância
a algo que é de extrema importância.
Destas duas afirmações
a primeira é mais fácil de aceitar,
por ser evidente.
Estamos aqui
e tudo o que acontece por aqui
nos é familiar e fácil de digerir, de explicar
de entender.
Permanece nas fronteiras
do conhecível pela racionalidade.
Vemos, lemos, tocamos,
medimos, ingerimos, avaliamos,
somamos, registramos
e raramente fica alguma coisa
sem explicação.
A segunda afirmação
pode ser tão verdadeira,
mas não atrai nossa curiosidade
porque não estamos habituados
a entrar no campo do diferente,
uma dimensão acima
da qual estamos acostumados,
onde é necessário
ter um mínimo grau de consciência
e maturidade espiritual.
A dimensão terráquea,
está na via horizontal.
A dimensão da vida eterna
está na via vertical.
Se não esticarmos
o pescoço para cima,
para o alto,
não cresceremos
em estatura e sabedoria.
Para sermos vencedores
na dimensão terrena
usamos toda nossa força e capacidades,
na segunda dimensão
também existem exigências,
esforços redobrados.
O esforço
é a senha que abre os arquivos
do aperfeiçoamento.
Nesta segunda dimensão,
há o necessário esforço
para decifrar códigos,
vislumbrar sinais, acenos, pistas.
Exige um pouquinho mais de esforço,
mas compensa.
Uma das leis da vida
é que todo esforço compensa.
Toda atitude de moleza enfraquece,
despersonaliza e aliena.
Queremos fortalecer as afirmações acima
com a frase do jornalista norte-americano:
“O maior pecado do ser humano
é ignorar suas forças interiores,
seus poderes criadores
e sua herança divina”.
*Orison Swett Marden
Outro cientista da atualidade afirmou:
“Se confinássemos nossa atenção
somente aos problemas terrestres,
estaríamos limitando o espírito humano”.
Stepen William Hawking
Parece que alguma coisa está errada
na humanidade que não percebe
a abertura para alguma coisa maior,
superior ao natural.
Essa atitude de indiferença
gera a desmotivação
para a pesquisa
daquilo que não é conhecido.
O comportamento, a psicologia
e a filosofia de algumas pessoas
demonstram que muitas potencialidades,
naturalmente humanas,
permanecem pequenas, desativadas,
reduzindo a sede
dos nossos anseios e ideais.
Muitas capacidades que existem em nós
já deveriam estar em estágio adiantado,
mas permanecem na infância
ou na adolescência da maturação.
Como adolescentes,
opomos resistências
a certos princípios educativos
que facilitam o desabrochar
e o amadurecimento
da personalidade infinita
que existe latente
dentro do ser humano.
Desconhecer a verdade
sobre a natureza,
sobre o universo,
sobre o sentido da vida,
provoca desequilíbrios na pessoa.
Desconhecer a grandeza
da pessoa humana bem como
a grandeza do universo
pode influenciar negativamente
o humor e o sentido da vida
de muita gente.
Por ser imagem e semelhança com o Criador,
o ser humano não cresce
se não procurar identificar-se
e assimilar as qualidades
do seu Pai, na sua vida.
As doenças, os hospitais,
as depressões testemunham e confirmam
a influência da ignorância,
do desconhecimento
das leis fundamentais da vida,
como a lei do amor e do serviço.
Ser útil para os outros
é a fórmula e a resposta do sentido da vida
e do equilíbrio no relacionamento humano
entre as profissões e profissionais.
Quase todos os nossos projetos estão elaborados
para o horizonte terráqueo,
dentro dos limites geográficos
e dentro do
alcance
das nossas visões pessoais.
Acordemos os engenheiros e arquitetos
que reconstruirão a nova Torre de Babel,
agora construída sobre novos fundamentos:
o fundamento do Heipo.
Como o Heipo queremos subir, ver no céu,
nosso definitivo aposento.
A motivação que levou à construção
da Torre de Babel estava correta,
construções para cima, para o céu.
Queremos uma casa permanente,
lá em cima, onde teremos uma vista
para todos os cantos do universo infinito.
Algumas coisas na vida funcionam
como os carros que precisam ser reabastecidos
nos postos de gasolina. Quando o carro está
pifando, e a luzinha
avisando que a gasolina
já está na reserva, procuramos
um posto e reabastecemos.
Acontece na vida, muitas e muitas vezes,
sinais de desanimo.
Quando menos percebemos,
encostamos o carro da nossa vida
na garagem do abatimento,
das frustrações e decepções,
e ficamos lamentando a falta de motivação,
ideias, entusiasmo e inspiração.
Ora, quando algo nos falta,
ou quando algo começa a nos preocupar,
a lógica nos impulsiona para a busca das
soluções.
Reabastecemos o veículo com combustível.
Reabastecemos nossos ideais com pesquisa,
conhecimento e motivações.
A busca da solução é comparável
ao ato de procurar um posto de gasolina
para encher o tanque quando percebemos
que está quase faltando combustível.
Vou apresentar para vocês um posto de gasolina,
com combustível apropriado
para esta parte do texto.
Encha o teu tanque de motivações
sobre a verdadeira grandeza que somos nós.
E saibamos também quais as promessas
que nos foram feitas pelo Criador,
nosso Pai dos céus.
Vamos então encher o tanque
com as convicções sobre a nossa grandeza,
esse potencial tão desconhecido,
lendo e assimilando o que os escritores
deixaram registrado.
A grandeza é uma condição
espiritual.
Mathew Arnold*.Matthew Arnold 24/12/1822-
15/04/1888. Foi poeta e crítico literário inglês.
Nasceu em Laleham e morreu em Liverpool,
Reino Unido.
Este poeta percebeu que o
valor maior que existe
no ser humano é a sua
capacidade espiritual.
Cultivar o que há de melhor e
maior
em cada um de nós, é bom senso
e sabedoria.
Ignorar esta capacidade ou não
lhe dar
a devida atenção é o maior de
todos os defeitos
que a pessoa humana pode
cultivar.
Dizer que o homem é uma mistura
de força e fraqueza, de luz e treva,
de pequenez e grandeza, não é julgá-lo,
é
definí-lo.
Denis Diderot*.
Esta frase justifica e dá forças
para o título deste texto.
Denis Diderot
05/10/1713-31/07/1784.
Foi escritor, filósofo e ensaísta
francês.
Nasceu em Langres, França e
morreu
em Paris, França.
Somos, portanto, seres especiais,
portadores de potencialidades
que nos projetam para além do que somos
e aparentamos.
Estas potencialidades
agitam-se em nossas entranhas,
esperando, como as sementes,
explodir, serem descobertas,
treinadas e aperfeiçoadas.
Seremos pessimistas, tristes e derrotados
se ficarmos, como as galinhas que possuem asas
e não voam.
Nestas condições, focados na terra,
os olhos direcionam-se só para baixo,
ciscando o chão da vida,
envolvidos com o pessimismo
e tudo o que condiciona e se relaciona
a este fator de fracasso.
Não é este nosso ideal.
O personagem Heipo
vem com outra proposta.
Voltamos ao conteúdo do livro
do escritor Leonardo Boff*,
“A Galinha e a Águia:
uma metáfora da condição humana”,
para fazer algumas reflexões
a partir do rico conteúdo
que se encontra no livro.
O escritor compara as duas dimensões
na qual o ser humano está envolvido:
a dimensão da terra
e a dimensão do infinito
que está dentro de nós.
“Seremos possuidores de um comportamento
otimista e alegre se, como as águias,
possuidoras de asas, experimentarmos
a liberdade dos espaços,
e voarmos alto, procurando as oportunidades
que o universo disponibiliza”.
Leonardo
Boff 14/12/1938. É teólogo, filósofo,
escritor
e professor universitário brasileiro.
Nasceu
em Concórdia/SC.
Expoente
da Teologia da Libertação no Brasil.
A Águia e a Galinha:
uma metáfora da condição humana.
Editora Vozes, Petrópolis–RJ.
Este livro
proporciona um aprofundamento
necessário à compreensão
do que aqui foi abordado rapidamente.
As galinhas desde
sempre, possuem asas.
Elas voavam.
Lá pelas tantas da caminhada,
os homens se tornaram caçadores.
Tinham dificuldades para caçar galinhas.
Tiveram a ideia de criá-las fechadas
ou cercadas.
As galinhas criadas em ambiente fechado,
o tempo deixaram de voar, mesmo soltas.
Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas.
E elas já não podiam voar.
Hoje, as galinhas, mesmo as soltas,
já não voam mais. Continuam tendo asas.
Mas por que não voam mais?
Acostumaram-se.
Atrofiaram uma das suas potencialidades.
Adaptaram-se ao conforto, à acomodação.
Não exploram mais lugares novos,
situações novas.
Trazendo o exemplo
para a nossa vida,
temos de fazer uma reflexão.
Não temos asas e não voamos.
Mas intimamente
possuímos algumas capacidades
que nos identificam com as águias.
Temos asas sim, e temos que voar.
Pode ser que tenhamos muito da galinha,
mas temos muito mais das águias.
Temos asas invisíveis.
Cada um de nós precisa avaliar
se não está sacrificando a águia
que está dentro de si.
Já estamos capacitados
e projetados para alcançar
a nova dimensão divina.
Desde que nascemos,
nascemos equipados com asas invisíveis ...
Por isso o Heipo insiste
em levar o leitor a recuperar
a sua originalidade.
Esta originalidade está perdida
em algum lugar
dentro da nossa própria
personalidade.
Está escondida ou dormindo dentro de nós.
Pelo que vimos até agora,
percebemos a riqueza e o potencial
da pessoa humana.
O reino humano
está classificado apenas
a uma dimensão inferior
que a dimensão divina.
Estamos apenas abaixo dos anjos,
lemos em algum lugar da Bíblia.
Mas já estamos capacitados
com alguns atributos que nos projetam
para fora do reino humano.
Porém, até o dia de hoje
nossas incapacidades atuais
não estão suficientemente treinadas.
Um pouco mais na frente,
serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.
Pouco sabemos sobre a dimensão divina.
Mas é algo que precisamos saber.
Não podemos fugir ou ignorar tal realidade.
A indiferença ou apatia, neste campo,
atrapalha ou interrompe a evolução.
O que sabemos é que,
ou aceitamos esta dimensão superior
da qual já
temos algo, ou negamos
a existência do nosso Pai, Criador do universo,
e aí tudo ficará sem explicação mesmo.
E nós acabaremos morrendo na praia.
Tão perto e tão longe.
Tão íntimas e tão desconhecidas qualidades
divinas escondidas no humano.
Na linha que o Heipo vem apresentando,
percebemos que possuímos algumas
características que não são próprias de nós,
humanos.
Ou melhor, são próprias dos seres humanos
evoluídos, que ultrapassaram a definição
e condição animal, domesticaram
e canalizaram as forças dos instintos
pelo comando da razão.
E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual,
aperfeiçoa esta nossa pobre natureza,
elevando-a para o nível da espiritualidade
ou dignidade de filho do Deus Criador,
ou Imagem e Semelhança Dele.
Estas afirmações são verdadeiras.
Tão verdadeiras
que quase não acreditamos.
Estudando e pesquisando as capacidades
de aprendizagem e domínio de nós mesmos,
fomos percebendo uma força extra,
enxertada ou acoplada em nossa estrutura
pessoal, isto é, a capacidade espiritual
que nos promove para além da animalidade
e da marca registrada de humanos.
Esta capacidade espiritual,
rompe, ultrapassa a horizontalidade
e projeta-nos para a dimensão vertical,
da altura e profundidade,
num campo ilimitado.
Neste momento podemos fazer uma avaliação
da nossa caminhada até o dia de hoje:
em qual das dimensões estão
os nossos sonhos e projetos?
Na dimensão horizontal ou na vertical?
Na dimensão horizontal existem limites
e barreiras, mantendo-nos por aqui
mesmo.
Na vertical há o infinito que atrai
e nos projeta para além de nós mesmos.
Lendo os livros da história,
percebemos que ela é evolutiva.
Se lá no distante passado
andávamos de quatro,
olhando quase só para o chão,
evoluindo, passamos a andar
só com os dois pés.
Ficamos em pé, ficamos maiores.
Levantamos nossos olhos e começamos
a olhar para mais longe e para cima.
Já não olhamos tanto para o chão.
E foi a partir desta situação e condição
de pessoas eretas que vislumbramos
um universo infinito.
Nosso criador, que é nosso Pai, mora nos céus.
Por isso, por um instinto de saudades
ou de esperanças,
não nos cansamos
de olhar para lá.
Somos filhos e herdeiros dos céus,
mas ainda estamos na terra.
Mas há uma semente viva,
escondida nalguma parte de nós.
Não estamos contentes
porque ainda não estamos completos.
Ainda há muito a evoluir.
Desta situação e condição de incompletude,
brotam perguntas que viajam
para além das fronteiras do conhecido
pela razão.
A dimensão divina ainda não é para nós
a desejada dimensão limpa, transparente
e perfeita.
Existem resistências
em nossa natureza humana,
revoltadas pelo sentimento de incompletude.
Temos apenas alguns elementos ou atributos
dentro da constituição humana
que nos despertam e cutucam,
provocam e ficam sem respostas definitivas.
Mas já temos experiências,
e por mais fracas que sejam
nos convencem.
O principal meio disponibilizado para nós
nesta aventura é a fé.
Por mais fracos que sejamos,
aceitamos as dúvidas e nos pomos a caminho,
com a livre convicção que é preferível
e mais vantajoso caminharmos
de olhos vendados nesta escalada
do que, de olhos abertos
não encontrarmos as respostas definitivas
para o sentido da vida e da morte.
Aceitar a deficiência parcial
das nossas faculdades neste campo
não é de todo ingênuo e impeditivo,
mas desafio e provocação
para a busca das respostas definitivas.
Na dimensão divina está o Ser e a existência
do nosso Pai Criador, o Deus Trindade.
Nessa dimensão reside o mistério.
Mistério não como algo
que não pode ser conhecido,
mas mistério como algo
que é inesgotável o conteúdo de conhecimento.
Mas o Mistério foi revelado como Pai.
O Filho veio, esteve aqui e revelou o Pai Nosso.
E a grande notícia é que somos filhos
à Sua Imagem e Semelhança.
Não só filhos, mas herdeiros.
Acreditar nesta verdade
exigirá toda a reviravolta existencial:
passar a cultivar a dimensão do mistério
e do invisível.
É o novo desafio, a nova ciência,
a última e definitiva ciência.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado em 12/03/2014.
Republicado
no Blog em 25/10/23.
eneaspb@gmail.com 41-98854-5166
Publicado no Blog Heipo World em 12/03/2014
Atualizado em 29/01/2016.
Atualizado e publicado no FACE em 20/04/2023.
Re-Publicado no Blog Heipo’s World em 25/10/2023
Texto original foi publicado sob o n. 10 em 12/03/2014.


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