quinta-feira, 26 de outubro de 2023

852.- Quem sou? Sou um errante, desconcertante, aprendente.


Quem sou eu?


Sou um desconhecido

e conhecido

ao mesmo tempo.  


Às vezes encantado

e outras vezes,

desconcertado

comigo mesmo.

 

Se o mundão lá fora

ainda decepciona

é porque alguma coisa

não está funcionando direito 

aqui dentro do meu próprio mundo.

 

Desde que nasci

acho que deveria estar envolvido

em constante processo de evolução,

passando de fase continuamente,

adquirindo a humilde visão

de quem sou

e em que estágio

ainda me encontro.

 

Sinto vergonha

de ser o que ainda sou

e sinto-me incapaz

de me ver onde deveria estar.

 

É um atrevimento da nossa parte

aventurar-nos ou atrever-nos

a falar de natureza divina

quando nem nos conhecemos

como humanos.

 

Acredito que o conhecimento

de si mesmo,

como filhos da Terra

seja um pré-requisito

para querer conhecer-nos

como filhos dos céus.

 

Ou talvez seja algo

que acontece simultaneamente.

 

Quanto mais nos experimentamos

como humanos, conscientes,

mais luzes teremos

para nos enxergar como divinos,

herdeiros dos céus.

 

Mas, conhecer-se a si mesmo

é algo maravilhoso, fantástico,

pois que somos o resumo

do universo externo.

 

Viajar para conhecer

o universo exterior

sem conhecer o universo interior

é a mesma coisa que querer viajar sem mapa,

sem destino certo, sem farol, sem companhia,

sem condições de degustar

as paisagens e as pessoas.

 

Desconhecer o universo interior,

meu mundo físico, mental e espiritual

não me deixa em condições

de diálogo profundo

com meus companheiros de viagem.

 

Eles não vão entender-me,

se eu não me entendo.

 

Eles não vão simpatizar

e comungar comigo

se minhas acomodações internas

estiverem fora de ordem e confusas.

 

Se estou em conflito comigo mesmo

só verei conflitos fora de mim.

Se há guerras lá fora

é porque muita gente vive guerreando

dentro do seu próprio universo.

 

Sem o autoconhecimento, quem sou,

serei ineficiente em quase tudo

em que eu me envolver.

 

Sem saber quem sou

facilmente aceitarei

viver no mundo da ilusão,

no mundo virtual, dos pensamentos

e imaginações.

 

É só a realidade nua e crua que me educa,

me põe no chão, me conecta e me envolve

na ação, com os outros, meus irmãos. 

 

Quando alguém diz que não te entende,

ele tem razão pois você mostrou para ele

a sua imagem ideal, seus pensamentos,

e não suas deficiências e necessidades.

 

Quando nos conhecemos a nós mesmos

não nos permitimos

usar máscaras ou mentiras,

mas humildemente,

demonstramos o nível

que nossa consciência já chegou,

expondo simplesmente,

nossa natureza humana,

igual à de todo mundo.

 

Ninguém é por demais

o que somos de menos.

 

Todos viemos do mesmo lugar

e todos iremos também

para o pó da Terra que somos.

 

Acho difícil uma pessoa

conviver bem consigo mesma

quando existem dois tipos diferentes

de personalidade

em conflito

dentro de si:

um verdadeiro e outro falso.

 

Geralmente o verdadeiro eu se impõe,

quando o eu inferior é conhecido.

 

Como sei? Ora, o eu verdadeiro

não aceita incoerência,

a permanência da mentira

em meu próprio ser.  

 

Só serei verdadeiro comigo mesmo

se for verdadeiro com os outros.

só serei verdadeiro com os outros

se eu for verdadeiramente eu mesmo,

caso contrário estarei dividido,

enfraquecido,

sem méritos e créditos.

 

A paz que tanto necessitamos

nasce dentro de nós mesmos

e se encontra aqui, na harmonia,

na posse consciente

do meu eu verdadeiro.

 

Tantas e tantas pessoas

procuram fora de si,

envolvendo-se com diversões,

jogos, conversas, atividades mil,

quando o que realmente procuram

e precisam é de um encontro pacífico

consigo mesmos.

 

Parar.

 

Silenciar.

 

Assistir-se a si mesmo,

como se fosse uma TV, 

vendo-se a si mesmo(a)

perguntar-se como confrontar-se,

como ajustar-se com sua própria paz.

 

Você é a sua própria Pátria.

 

Não se ponha para fora

da sua própria casa.

 

Você é o seu próprio patrimônio.

Não se gaste com o que não te traz retorno.

Invista tempo e recursos em si mesmo(a).

 

Se as pessoas são levianas e superficiais

é porque nas nossas relações com elas,

também somos levianos e superficiais.

 

Se procuro ser verdadeiro e profundo

em meus relacionamentos com você,

é justamente por esta razão

que te escrevo e te revelo,

quem sou. 

 

Quem sou?

Sou uma parte visível,

fácil de definir.

 

E uma parte invisível,

escondida, impossível

de se ver,

difícil de interpretar.

 

Mas no fundo,

somos iguais.

 

Se você se conhecer

saberá quem sou,

e também me amará.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

41.98854-5166


Criado e publicado no FACE em 30/07/2023.

Publicado no Blog em 27/10/2023.

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