Já
recebi o sol
de
73 invernos.
Nasci
em 28.06.1950.
Dentro
do dia é o entardecer,
o
momento que me provoca
e
me leva mais à reflexão.
O
entardecer vai escurecendo,
e
a luz vai ficando menos agressiva.
Não
queremos que a tardinha
nos
tire o bom humor
porque
o dia já está indo embora
levando
nossas luzes.
A
noite vem chegando de mansinho,
respeitando
o tempo da adaptação.
Quando
vamos entrando
na
fase do envelhecimento
começamos
a ficar mais esquecidos,
porém,
mais agradecidos.
Nosso
corpo envelhece, porém,
nosso
espírito não enfraquece.
Ocupar-se
com o entardecer da vida
é
uma tarefa mais espiritual
do
que psicológica ou física.
Este
tempo do entardecer da vida
é
mais de aceitação das fases da natureza
do
que de violentação das suas leis.
Passou
a primavera, o verão voou,
chegou-nos
o outono, o cair das folhas,
o
inverno deixou suas marcas,
o
sol nasceu, o dia também passou
e
o entardecer da vida, não atrasou,
nem
se adiantou. Veio e aí está.
Nesta
fase da vida
aumenta
o sentimento de gratidão,
mas
aumenta também
nossa
dependência dos outros.
E
aumenta ainda mais a sensibilidade,
a
necessidade de agradecer quem nos ajuda
a
dar os passos mais vagarosamente.
Ficamos
mais moles, mais chorões,
mais
sentimentais, porém, e felizmente,
menos
exigente e menos críticos.
Cedemos
com mais facilidade.
Detestamos
discutir,
pois
nos faltam forças e argumentos.
Que
a tardinha nos livre
do
hábito de resmungar, de reclamar,
de
sugerir ou recusar, seja lá o que for.
Se
alguém vai nos carregar nas costas,
não
queremos ser uma barra de gelo,
desajeita,
gelada, lisa, difícil de carregar.
Queremos
ser como uma blusa,
um
cobertor leve, um agasalho,
para
quem nos carrega
nestes
últimos degraus da existência.
Queremos
envelhecer com forças,
mesmo
sabendo que chegou a hora
de
enfrentar e aceitar nossas fragilidades.
Ainda
restam energias neste corpo.
Ainda
corre sangue quente
nos
rios e vales da nossa natureza.
Alguma
coisa boa
deve
ter restado neste corpo,
nesta
alma, nesta chama
que
está se apagando.
Entardecendo,
vamos
descarregando dos ombros
as
bagagens que fomos acumulando
ao
longo dos anos.
Já
é hora de andar mais devagar,
mais
leves, como o sereno da noite,
semeando
serenidade.
O
peso dos anos pesa, sim,
mas
ao largar, desapegar
das
coisas, das pessoas,
das
lembranças,
nos
preparamos melhor
para
vestir o pijama
da
vida eterna.
Parece-me
ser este o maior sofrimento
deste
momento do entardecer da vida,
desapegar-se
da própria vida, entregá-la,
devolvê-la,
com gratidão ao Criador.
Não
nos compete decidir ficar por aqui.
Sabemos
que não dá, que é impossível.
Então,
que seja ainda
uma
escolha da sabedoria,
desapegar-se,
entregar-se,
e
se este é o único remédio,
tomemo-lo
decididamente,
e
assim, mais leves e conscientes,
abramos
o coração para a esperança
das
promessas do Jesus Cristo à Vida Eterna.
Antes
de terminar o entardecer,
antes
que a noite chegue
antes
de morrer,
coloquemos
uma última meta,
que
a morte seja natural,
como
a noite é,
a
porta de saída,
para
um novo e definitivo
alvorecer.
No entardecer da vida temos mais tempo,
inclusive para nós mesmos. Nesta fase, a solidão nos vem como companheira, pois
passamos a gostar mais do silêncio do que da agitação. Então, vá até uma
livraria ou peça para seus netos pedirem pela internet alguns livros sobre a
arte de envelhecer com sabedoria.
Ou entre em
contato comigo pelo e-mail eneaspb@gmail.com pois tenho muito material disponível para enviar-te.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
41.98854-5166.

Nenhum comentário:
Postar um comentário