quinta-feira, 26 de outubro de 2023

855.- Envelhecer. Entardecer da vida.

 

Já recebi o sol

de 73 invernos.

Nasci em 28.06.1950.

 

Dentro do dia é o entardecer,

o momento que me provoca

e me leva mais à reflexão.

 

O entardecer vai escurecendo,

e a luz vai ficando menos agressiva.

 

Não queremos que a tardinha

nos tire o bom humor

porque o dia já está indo embora

levando nossas luzes.

 

A noite vem chegando de mansinho,

respeitando o tempo da adaptação.

 

Quando vamos entrando

na fase do envelhecimento

começamos a ficar mais esquecidos,

porém, mais agradecidos.

 

Nosso corpo envelhece, porém,

nosso espírito não enfraquece.

 

Ocupar-se com o entardecer da vida

é uma tarefa mais espiritual

do que psicológica ou física. 

 

Este tempo do entardecer da vida

é mais de aceitação das fases da natureza

do que de violentação das suas leis.

 

Passou a primavera, o verão voou,

chegou-nos o outono, o cair das folhas,

o inverno deixou suas marcas,

o sol nasceu, o dia também passou

e o entardecer da vida, não atrasou,

nem se adiantou. Veio e aí está.

 

Nesta fase da vida

aumenta o sentimento de gratidão,

mas aumenta também

nossa dependência dos outros.

 

E aumenta ainda mais a sensibilidade,

a necessidade de agradecer quem nos ajuda

a dar os passos mais vagarosamente.

 

Ficamos mais moles, mais chorões,

mais sentimentais, porém, e felizmente,

menos exigente e menos críticos.

 

Cedemos com mais facilidade.

 

Detestamos discutir,

pois nos faltam forças e argumentos.

 

Que a tardinha nos livre

do hábito de resmungar, de reclamar,

de sugerir ou recusar, seja lá o que for.

 

Se alguém vai nos carregar nas costas,

não queremos ser uma barra de gelo,

desajeita, gelada, lisa, difícil de carregar.

 

Queremos ser como uma blusa,

um cobertor leve, um agasalho,

para quem nos carrega

nestes últimos degraus da existência.

 

Queremos envelhecer com forças,

mesmo sabendo que chegou a hora

de enfrentar e aceitar nossas fragilidades.

 

Ainda restam energias neste corpo.

Ainda corre sangue quente

nos rios e vales da nossa natureza.

 

Alguma coisa boa

deve ter restado neste corpo,

nesta alma, nesta chama

que está se apagando.

 

Entardecendo,

vamos descarregando dos ombros

as bagagens que fomos acumulando

ao longo dos anos.

 

Já é hora de andar mais devagar,

mais leves, como o sereno da noite,

semeando serenidade.

 

O peso dos anos pesa, sim,

mas ao largar, desapegar

das coisas, das pessoas,

das lembranças,

nos preparamos melhor

para vestir o pijama

da vida eterna.

 

Parece-me ser este o maior sofrimento

deste momento do entardecer da vida,

desapegar-se da própria vida, entregá-la,

devolvê-la, com gratidão ao Criador.

 

Não nos compete decidir ficar por aqui.

 

Sabemos que não dá, que é impossível.

 

Então, que seja ainda

uma escolha da sabedoria,

desapegar-se, entregar-se,

e se este é o único remédio,

tomemo-lo decididamente,

e assim, mais leves e conscientes,

abramos o coração para a esperança

das promessas do Jesus Cristo à Vida Eterna. 

 

Antes de terminar o entardecer,

antes que a noite chegue

antes de morrer,

coloquemos uma última meta,

que a morte seja natural,

como a noite é,

a porta de saída,

para um novo e definitivo

alvorecer.  

 

No entardecer da vida temos mais tempo, inclusive para nós mesmos. Nesta fase, a solidão nos vem como companheira, pois passamos a gostar mais do silêncio do que da agitação. Então, vá até uma livraria ou peça para seus netos pedirem pela internet alguns livros sobre a arte de envelhecer com sabedoria.

 

Ou entre em contato comigo pelo e-mail eneaspb@gmail.com pois tenho muito material disponível para enviar-te.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com  

41.98854-5166.

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