Lavo
meu rosto.
Olho
no espelho.
Eu
só vejo no meu rosto,
um
pontinho preto,
no
meio dos meus olhos.
De
noite, nós duas,
a
pupila dos meus olhos
e
a alma do meu espírito,
dormimos
e descansamos,
num
mesmo cômodo,
na
mesma cama.
A
menina do meu olhar
acorda
minha alma,
nos
aposentos
do
coração.
E
um silêncio total,
contagiante,
toma conta
do
infinito universo interior.
O
salão do universo
é
vasto e silencioso.
Desaparecem
as imagens
que
os olhos costumam ver.
Quando
os olhos
não
servem para mais nada
a
alma toma seu lugar
e
uma nova forma de ver
entra
em um cenário
totalmente
diferente.
Dentro
do mundo do espírito,
não
há imagens, sons,
cores
ou contornos.
Tudo
é ausência
de
tudo o que é daqui,
do
mundo visível.
Lá,
no outro lado,
só
há a luz, que sobrevive,
no
meio da escuridão
dos
olhos fechados,
que
já não vê mais nada,
somente
uma tela negra ou azul,
transportando
estrelinhas
em
contínuo movimento,
levando
o invisível
para
passear
por
toda uma imensidão,
inimaginável.
Não
há mais nada
de
tudo aquilo
que
existe aqui.
O
espírito
não
precisa de nada
para
existir, mover-se, ser.
Não
precisa de apoios,
de
referências,
de
pontos cardeais.
Para
ir para o mundo
do
espírito,
é
necessário aprender
a
ver com o espírito,
antes
de chegar a hora
de
perder os olhos físicos.
É
aqui que convidamos
a
menina teimosa,
a
teimar, insistir,
não
desistir,
até
conseguir.
Olhar
para além,
olhar
para dentro da neblina,
onde
a luz da alma, ainda fraca,
vai
percebendo mais claramente
o
mundo invisível,
que
dispensa toda forma de contato
ou
de conhecimento sensível.
Lembre-se.
Não
temos mais o corpo
que
servia para acumular experiências,
saberes,
sabores,
sons,
cheiros,
alegrias
e dores.
Só
ficou a alma,
que
permaneceu,
sobreviveu,
porque
com o infinito,
se
envolveu.
Ir adiante,
ou desistir?
Ilusão, ficção,
ou literatura?
Teimosia,
loucura
ou lucidez?
Algumas
linhas,
para
encher de tempo,
ou
um lugar para a alma
se
encher de eternidade?
41.98854-5166

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