sexta-feira, 27 de outubro de 2023

858.- Teimosia, loucura ou lucidez?

 

 Levanto-me.

 

Lavo meu rosto.

 

Olho no espelho.

 

Eu só vejo no meu rosto,

um pontinho preto,

no meio dos meus olhos.

 

De noite, nós duas,

a pupila dos meus olhos

e a alma do meu espírito,

dormimos e descansamos,

num mesmo cômodo,

na mesma cama.

 

A menina do meu olhar

acorda minha alma,

nos aposentos

do coração.

 

E um silêncio total,

contagiante, toma conta

do infinito universo interior.

 

O salão do universo

é vasto e silencioso.

 

Desaparecem as imagens

que os olhos costumam ver.

 

Quando os olhos

não servem para mais nada

a alma toma seu lugar

e uma nova forma de ver

entra em um cenário

totalmente diferente.

 

Dentro do mundo do espírito,

não há imagens, sons,

cores ou contornos.

 

Tudo é ausência

de tudo o que é daqui,

do mundo visível.

 

Lá, no outro lado,

só há a luz, que sobrevive,

no meio da escuridão

dos olhos fechados,

que já não vê mais nada,

somente uma tela negra ou azul,

transportando estrelinhas

em contínuo movimento,

levando o invisível

para passear

por toda uma imensidão,

inimaginável. 

 

Não há mais nada

de tudo aquilo

que existe aqui.

 

O espírito

não precisa de nada

para existir, mover-se, ser.

 

Não precisa de apoios,

de referências,

de pontos cardeais.

 

Para ir para o mundo

do espírito,

é necessário aprender

a ver com o espírito,

antes de chegar a hora

de perder os olhos físicos.

 

É aqui que convidamos

a menina teimosa,

a teimar, insistir,

não desistir,

até conseguir.

 

Olhar para além,

olhar para dentro da neblina,

onde a luz da alma, ainda fraca,

vai percebendo mais claramente

o mundo invisível,

que dispensa toda forma de contato

ou de conhecimento sensível.

 

Lembre-se.

Não temos mais o corpo

que servia para acumular experiências,

saberes, sabores,

sons, cheiros,

alegrias e dores.

 

Só ficou a alma,

que permaneceu,

sobreviveu,

porque com o infinito,

se envolveu.

 

         Ir adiante,

         ou desistir?

 

         Ilusão, ficção,

         ou literatura?

 

Teimosia,

loucura

ou lucidez?

 

Algumas linhas,

para encher de tempo,

ou um lugar para a alma

se encher de eternidade?

 

 Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

41.98854-5166

 


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