sexta-feira, 27 de outubro de 2023

860.- Não me reduzam a coisa pequena e permitam-me que estique o texto.


Não sufoquem

meus altos ideais.

 

Ajudem-me

a encontrar as chaves.

 

Ajudem-me

a encontrar

a porta de saída.

 

Permitam-me

projetar-me

para fora

deste pequeno mundinho.

 

Ajudem-me

abrir as portas

para o infinito.

 

Não me reduzam

a coisa pequena

 

Não sufoquem

meus altos ideais.

 

Ajudem-me

a encontrar

a porta de saída

e as chaves. 

 

Permitam-me

projetar-me

para fora

deste pequeno mundinho.

 

Ajudem-me

abrir as portas

para o infinito.

 

Você também está nessa.

 

Interprete a sua ânsia.

Satisfaça a sua sede.

Complete a sua metade.

 

Na noite estrelada

levante os olhos para cima,

viaje pelo espaço sideral.

 

Necessitamos de nutrientes

de eternidade.

 

Migalhas de infinito

procuram espaço

para pernoitar

em nossa

alma.

 

Dentro dos quatro ‘cantos’ do Universo,

estudando geografia, nos deparamos

com os conceitos de fronteiras, limites, terra,

ar, água, fogo, matéria, vácuo, montanhas, rios,

mares, florestas, planetas, sois, estrelas, astros,

galáxias, buracos negros. 


Não haverá, por acaso, buracos brancos,

ou talvez, paraísos, além do alcance

das nossas visões?

 

Estamos acostumados

com os conceitos de limites

e fronteiras.


Quem criou o conceito

de infinito e de eterno,

ao ter criado o ser humano,

plantou nele a possibilidade

de num determinado tempo ou fase,

esticar os neurônios

e alargar as forças da alma,

ou de toda natureza humana.

 

Nosso Pai

criou-nos

para outros mares,

outros campos,

outros ares,

outros continentes,

outros mundos

e outros espaços.


Nosso Pai criou-nos

junto com outros filhos

e irmãos nossos.

 

Deus nosso Pai

possui um projeto

para imortalizar-nos.


Ele é eterno

e quer que nós,

seus filhos,

também o sejamos.

 

Não me deixem acostumar por aqui.

 

Não me deixem acostumar

por estas terras.

Não permitam que eu goste

de morar por aqui.

Não se acostumem também.

Cutuquemos a acomodação.

Não insistamos em fincar raízes

na terra árida.

 

Procuremos a terra fértil

onde se encontram os principais

e mais importantes nutrientes

que alimentam o impossível,

sonhável e desejável.

 

Procurem,

decifrem e deem-me os mistérios

que alimentem a minha natureza infinita.

 

Saciem minha sede

com água pura,

da verdadeira fonte,

e forneçam-me alimentos

que me eternizem.

 

Queiramos junto,

adquirir a virtude da teimosia.

Buscando o caminho e o alimento certo,

que contenham nutrientes apropriados.

 

Teimemos contra a própria correnteza,

nem que seja oposição à nossa própria natureza.

 

Não posso e não podemos aceitar

que a própria natureza

nos reduza ainda mais.

 

Não aceitemos, passivamente,

entregar-nos para os limites.

 

Não fomos criados para

permanecer no mundo do fechado,

do pouco, do túmulo lacrado,

da morte sem sentido,

sem aberturas para o futuro,

sem dar chances ao infinito

ser parceiro permanente.

 

Quero encontrar abertura

para a eternidade.

 

Não tiremos de nós

as poucas esperanças

que nos vêm dos bons profetas

e dos sensíveis poetas.

 

Afastemos de nós

os profetas do mau agouro,

que não avistam nada além das fronteiras.

Estes, não nos fazem pensar,

nem imaginar sobre ‘algo a mais’

que possa existir.

 

Não acho próprio da natureza humana

permanecer preso

só no que vemos e tocamos.

 

Não suporto a ideia de ser só isso.

É muito pouco.

Deve ter muito mais.

 

Não, não quero estar satisfeito.

Não aceitemos permanecer

no campo limitado da matéria

ou nos limites geográficos horizontais

da natureza visível e palpável.

Ainda há a explorar,

a dimensão de profundidade

e a dimensão da verticalidade.

 

Asas não as temos.

Não conseguimos ainda,

mas sonhamos voar.

 

Nossa existência não é só natural.

 

Ela é também, sobrenatural.

Sentimos isso.

Fazemos esta experiência.

Queremos viver mais o sobrenatural

do que a dimensão perecível do natural.

 

Algo nos diz, talvez um fantasma

sussurrando em nossos ouvidos,

insistindo que acreditemos

que a natureza essencial,

que não aparece, é sobrenatural.

 

Muito mais do que para os lados,

forças íntimas e profundas

empurram-nos para cima, para o alto,

exigindo alicerces de profundidade.

 

Não é o chão da rotina

que trará novidades.

 

Até as árvores, no reino irmão da natureza,

crescem para cima e abrem seus galhos,

alargando os braços,

numa atitude de acolhimento e

ansiosos para crescer para o céu.

 

E até nós, humanos,

crescemos bem menos em estatura,

muito mais em compreensão

e espichamento do desejo

para ir além

do que até onde já chegamos.

 

Mais do que com pesadelos,

povoamos e alimentamos nossa imaginação

com sonhos e ideais.

 

Onde está a resposta

do porquê vivemos?

 

Onde está a essência

e o essencial?

 

Tem que ter algo mais.

 

O que até hoje tivemos

é muito pouco.

Não nos contentou.

Não nos deu respostas satisfatórias.

Deve ter muito mais aí,

pelo mundão afora.

 

O essencial

ainda não foi posto na mesa

para nossa refeição.

Onde estão os garçons,

aqueles que servem pratos especiais?

 

Muito mais do que a passividade,

é o movimento que nos remete para o alto.

Muito mais que as resistências,

são as motivações

que despertam sonhos e ideais.

 

Nossos irmãos ancestrais não se contentaram

nem se realizaram no mundo das cavernas.

Procuraram o progresso no fogo,

na caça, na agricultura,

na indústria,

no domínio dos mares,

no voar com os aviões pelos ares.

E jamais chegaram dizendo: chegamos.

 

Nos espaços siderais, irmãos nossos,

já voaram procurando o infinito.

 

Não, não somos órfãos.

Traços e pistas do nosso Pai e Pai dos céus

existem por toda parte.

 

Não, não somos só humanos.

A alegria nos diz isso.

Queremos sempre a alegria por perto.

Desejamos cultivar a fonte da alegria

na nossa horta.

 

Somos pessoas humanas,

com potencial espiritual infinito,

abertos ao ilimitado,

pela imagem e semelhança

com o Cientista,

Criador da Terra e dos Céus,

que cria para a eternidade,

e este finito no qual vivemos,

não nos sacia.  

 

Extasia-nos

e nos desperta,

um convite,

um aceno,

um chamado lá das estrelas.

 

Quem saciará a fome

e o desejo de conhecer o céu?

 

Estes escritores procuramos.

Estes cientistas esperamos.

 

Que mãe parirá estes necessários

novos escritores,

novos profetas,

novos poetas,

cientistas do além?

 

Por favor,

reitores, cientistas, filósofos,

artistas e poetas,

rabisquem linhas

e profiram palavras

que alarguem e prolonguem

estes sonhos, necessidades básicas,

das nossas esperanças.

 

Políticos,

assinem projetos ousados,

capazes de fazer acontecer,

a esperança brotar de novo, de verde,

em todos os povos.

 

Teólogos,

alimentem nossa fé

no Criador do Universo.

 

Ele é nosso Pai.

Revelem-nos o rosto Dele

e as moradas que está preparando para nós.

 

Profissionais de todas as ocupações,

Insistam, percam o sono,

invistam neste financiamento,

nas provas e demonstrações

que os mistérios não são fechados

ou impossíveis de serem lidos.

 

Queremos provas desta filiação.

 

Não queremos ser filhos

sem heranças.

 

Queremos acreditar nas promessas

de que somos herdeiros dos céus.

 

Não esvaziem

o conteúdo misterioso do Criador,

nosso Pai.

 

Não nos deixem famintos

do pão que alimenta para a eternidade.

 

Falem do nosso Papai do céu.

Nós, filhos, não queremos nos sentir órfãos.

 

Não aceitamos essa condição.

Não escondam as verdades eternas.

 

Permitam-nos curtir

o mistério da natureza Divina

e abram os espaços mostrando-nos

o impossível, o infinito e o Incognoscível.

 

Demonstrem as evidências do espírito.

Falem da ressurreição após a morte,

da vida, da vida eterna.

 

Queremos continuar vivendo eternamente.

Não nos deixem curtindo ilusões e fantasias

ou mentiras que viajam pelos séculos.

 

O livro da história

já nos contou muitas verdades.

 

Verdades eternas permanecem

com o passar dos anos.

 

Já temos um sul.

 

Já temos a esperança

de que tais ideais são possíveis.

 

Caminhemos juntos.

 

Sejamos parceiros nesta pesquisa,

nesta ânsia de coisas melhores e maiores.

 

Prefiro ser um iludido

e viver nesta esperança

a sofrer numa vida triste sem

saída para a imortalidade.

 

 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com

41.98854-5166


Atualizado e republicado no FACEBOOK 14/09/2023.

Publicado no Blog Heipo World em 27/10/2023.

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