Gostaria de me sentar à sua frente
e
provocar um assunto para conversarmos,
e
passarmos o dia todo envolvidos
num
tipo de diálogo mais denso,
comprometedor,
sério, decisivo.
Mas
não temos tempo para isso,
porque
nos acostumados
a
viver na superfície.
Ir
para as profundezas
exige
paradas, olhar no painel,
para
perceber para que lado
o
vento está nos levando
no
mar da vida.
É impressionante
como nos acostumamos
facilmente
com o sem sentido.
É impressionante
observar como todos,
noventa por cento da
humanidade acostumou-se com o mundo
no qual vive
e nos adaptamos
a todos os
condicionamentos
sugeridos pelas
propagandas,
pelos meios de
comunicação social,
pela filosofia de
vida do conforto,
das diversões, jogos,
passatempos,
novelas, filmes ...
os programas
de entretenimento.
Noventa por cento da
humanidade
é escrava
das velhas formas
repetitivas
e condicionadas de
pensar e viver.
E vivemos nesta
realidade mentirosa
como se fosse a
verdadeira.
Atrofiaram os ideais.
Enterraram todos os
talentos.
Segundo os videntes
atuais,
apenas três por cento
da humanidade
está antenada com as sutil
mudanças,
que estão
acontecendo.
O primeiro argumento
que coloco para
provar-te isso
é o desconhecimento
da função da
consciência
na nossa vida.
Alguns desconhecem a
consciência.
Outros abafaram a sua
consciência.
Outros trocaram-na
por outros termos,
confundindo-a com
interesses egoísticos.
O segundo argumento
é que muitas pessoas
estão condicionadas
a viver sob o comando
do ego
e nem percebem
como o ego está
encarnado
e ditando o seu
estilo de vida,
e o que é pior, achando
que estão certas.
O terceiro argumento
é o pouco caso que
fazemos
da nossa própria
vida,
não se importando nem
um pouco
com as respostas às
três perguntas sérias
que todo ser humano
tem de responder
a si mesmo: donde
vim, para onde vou,
qual o sentido da
minha vida.
O quarto argumento
é a total apatia
pelo conceito de
evolução
e as implicações de
responsabilidade
pelo futuro.
O quinto argumento
é a resistência
que se opõem
aos temas ligados à
religião
onde são propostos
dois tipos de
comportamento:
um filial,
diante do Deus Pai
Criador
e o outro de irmão,
diante de todas as
outras pessoas.
Outro argumento
é o comodismo,
o entreguismo
a todos as formas de
limitações,
lamentações e
desistências,
diante das
dificuldades
que se apresentam.
Poucas pessoas
estão interessadas
em que você esteja
no comando
da sua própria vida.
Pouca gente lembra-te
dos recursos que você
tem.
Você mesmo nem dá
valor
para a fonte de
criatividade
que você é.
Você mesmo não se vê
como uma usina,
fonte de energias
e motivações
ilimitadas.
É deveras assustador
perceber como uma
grande parte
da população se
adapta
em viver a vida de
qualquer jeito,
assim, desestimulada,
desmotivada,
acanhada,
entregue ao que está
acontecendo
no momento.
Sente que está viva
porque está reagindo,
apenas reagindo,
sendo resposta
às armadilhas dos
exploradores.
Ora, percebas que
tens o poder em ti,
de discernir,
comparar, avaliar,
tomar decisões, fazer
escolhas.
Todo o dia, a mesma
rotina ...
tv, novela,
telejornais, entrevistas,
futebol, filmes,
joguinhos, programas
de humor,
reportagens, internet, celular,
tudo ou quase tudo
tomando o seu tempo,
desviando-se da sua
essência,
não te dando
oportunidades
para parar, pensar,
entrar nas zonas
profundas
da sua personalidade
...
A cultura
ou a visão de mundo
que bebemos todos os
dias
não valoriza o
silêncio,
a introspecção ou o
diálogo,
o relacionamento
consigo mesmo
na sua interioridade.
A cultura do mundo
externo
é um constante
convite
a você sair de si
mesmo,
desviar-te da
finalidade
para a qual fostes criado(a).
E você não percebe
nada disso,
A não ser que
aconteça algo grave,
uma doença, uma
tragédia, forçando-te
a parar e
perguntar-se
para onde está te
levando
tanta agitação
despersonalizante.
O que é que bebemos
nas fontes de
informação?
Violência, tragédias,
brigas, separações,
mediocridade,
superficialidade,
mentiras e
enganações.
Pão e circo estão nos
dando.
As propagandas
que os meios de
comunicação
lançam no ar
para que nos tornemos
pessoas consumistas,
levam-nos, sutilmente,
para a acomodação
da nossa força de
vontade,
para a acomodação
mental,
para o comodismo no
diálogo,
no intercâmbio de
valores
que só existem na
profundidade
da nossa
personalidade.
Fomos ensinamos a
cultivar o ego, alimentados pelo orgulho,
pela afirmação de si,
pelas posses,
pela ganância, pela
vaidade,
pela formosura
externa.
Não fomos educados
a formar o nosso
senso crítico.
Por quê?
- Porque a base da
nossa personalidade
é formada por valores
morais,
verdade, coerência,
transparência, autenticidade, humildade.
E isso deixou de ser
valorizado
no mundo
do ‘tudo é
permitido’.
Não querendo estar
subordinado
às leis da moral e da
religião,
escolhemos a
escravidão,
sujeitos às leis do
instinto animal,
da livre escolha, do
prazer,
das festas e alegrias
para preencher um
vazio.
E vejam onde estamos?
Em que condições
estamos:
escravizados,
alienados,
ausentes de nós
mesmos
e dos ideais maiores,
condizentes com a
nossa imagem
e semelhança
divina.
Escravos acorrentados
com algemas de
conforto.
O critério
para se avaliar
qualquer coisa
não é mais o valor
intrínseco,
mas a fama, o poder,
as articulações
possíveis,
as coligações de
poder.
As últimas gerações
foram domesticadas.
E agora?
O princípio maior das
ciências
é o de buscar
a evolução
constantemente.
Os valores da
religião,
da verdadeira
espiritualidade,
tem essa função de
possibilitar
a formação e
educação
da consciência
O princípio maior das
religiões
é o de avisar às
pessoas
que elas necessitam
de conversão,
trocar os hábitos
ruins por bons,
adquirir virtudes,
aperfeiçoar-se na
arte
das manifestações
amorosas,
praticar o perdão
e ajudar até os
inimigos.
Onde estão os poetas,
despertadores e
ressuscitadores
da sensibilidade,
avisando-nos que
estamos mortos?
Onde os artistas
escultores,
que tiram as lascas
das pedras mortas,
construindo ou
reconstruindo
estátuas vivas, que
respiram?
Onde estão os
trabalhadores
do exercício da
literatura séria, comprometida
com o que o povo
precisa ler
para deixar renascer
o brio,
a fortaleza, a
robustez
das grandes
personalidades
que o mundo está necessitando.
Escritores,
profetizem,
alertem,
indiquem caminhos.
Se temos
sensibilidade,
visão clara,
auxiliemos aqueles
que estão envolvidos
no nevoeiro, sem
norte e sem sul,
sem leste e oeste.
Onde estão os
escritores místicos,
que, como profetas,
devem alertar-nos,
acordar-nos da
sonolência,
da anestesia que o
mundo nos aplica?
E vocês, leitores,
abram-se e leiam
outros escritores,
de outras culturas,
outras religiões,
outras visões de
mundo,
se trazem aberturas,
revelações,
experiências de
libertação.
Chequem suas crenças.
Renovem-se.
Entrem no novo mundo
da sintonia fina,
das dimensões
superiores,
dos valores do mundo
invisível, transcendental.
Há tanta literatura
boa disponível.
Abandone o teu
barquinho.
Arrisque-se
desembarcar
numa ilha deserta e
verás
como conseguirá
sobreviver.
Convém formar um novo
tipo de gente
para viver neste
mundo novo
que estamos
percebendo
ser possível
construir.
Uma classe nova de
pessoas deve surgir, comprometida apenas com valores,
valores da paz, da
justiça,
da vida fraterna
compartilhada
em todas as suas
carências
e possibilidades.
Será necessário o
martírio
para que essa classe
se multiplique
e produza os efeitos
necessários
às urgentes mudanças
transformadoras.
Faça coligações.
Convide amigos
a construir juntos,
projetos de renovação.
Monte equipes.
Desperte, motive,
construa.
Saia da vida inútil,
improdutiva.
Rebente suas
simpáticas
e deliciosas cadeias.
Persiga ideais
nobres,
com alegria.
Renove-se.
Evolua.
Leia outras vezes
este texto.
Releia até que brotem
da terra fértil
que ainda existe em
sua personalidade,
os ideais que valem a
pena perseguir.
Avalie-se. Defina e
escreva metas.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 08/10/2023
Atualizado e Publicado no FACE em 08/10/2023
Publicado no blog em 31/10/2023.

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