terça-feira, 31 de outubro de 2023

870.- Discernimento.


Gostaria de me sentar à sua frente

e provocar um assunto para conversarmos,

e passarmos o dia todo envolvidos

num tipo de diálogo mais denso,

comprometedor, sério, decisivo.

 

Mas não temos tempo para isso,

porque nos acostumados

a viver na superfície.

 

Ir para as profundezas

exige paradas, olhar no painel,

para perceber para que lado

o vento está nos levando

no mar da vida.

 

É impressionante

como nos acostumamos facilmente

com o sem sentido.

 

É impressionante

observar como todos,

noventa por cento da humanidade acostumou-se com o mundo

no qual vive

e nos adaptamos

a todos os condicionamentos

sugeridos pelas propagandas,

pelos meios de comunicação social,

pela filosofia de vida do conforto,

das diversões, jogos, passatempos,

novelas, filmes ...

os programas

de entretenimento.

 

Noventa por cento da humanidade

é escrava

das velhas formas repetitivas

e condicionadas de pensar e viver.

 

E vivemos nesta realidade mentirosa

como se fosse a verdadeira.

 

Atrofiaram os ideais.

 

Enterraram todos os talentos.

 

Segundo os videntes atuais,

apenas três por cento da humanidade

está antenada com as sutil mudanças,

que estão acontecendo.

 

O primeiro argumento

que coloco para provar-te isso

é o desconhecimento

da função da consciência

na nossa vida.

 

Alguns desconhecem a consciência.

Outros abafaram a sua consciência.

Outros trocaram-na por outros termos,

confundindo-a com interesses egoísticos.

 

O segundo argumento

é que muitas pessoas

estão condicionadas

a viver sob o comando do ego

e nem percebem

como o ego está encarnado

e ditando o seu estilo de vida,

e o que é pior, achando que estão certas.

 

O terceiro argumento

é o pouco caso que fazemos

da nossa própria vida,

não se importando nem um pouco

com as respostas às três perguntas sérias

que todo ser humano tem de responder

a si mesmo: donde vim, para onde vou,

qual o sentido da minha vida.

 

O quarto argumento

é a total apatia

pelo conceito de evolução

e as implicações de responsabilidade

pelo futuro.

 

O quinto argumento

é a resistência  

que se opõem

aos temas ligados à religião

onde são propostos

dois tipos de comportamento:

um filial,

diante do Deus Pai Criador

e o outro de irmão,

diante de todas as outras pessoas.

 

Outro argumento

é o comodismo,

o entreguismo

a todos as formas de limitações,

lamentações e desistências,

diante das dificuldades

que se apresentam.

 

Poucas pessoas

estão interessadas

em que você esteja

no comando

da sua própria vida.

 

Pouca gente lembra-te

dos recursos que você tem.

 

Você mesmo nem dá valor

para a fonte de criatividade

que você é.

 

Você mesmo não se vê

como uma usina,

fonte de energias

e motivações ilimitadas.

 

É deveras assustador

perceber como uma grande parte

da população se adapta

em viver a vida de qualquer jeito,

assim, desestimulada,

desmotivada, acanhada,

entregue ao que está acontecendo

no momento.

 

Sente que está viva

porque está reagindo,

apenas reagindo, sendo resposta

às armadilhas dos exploradores.

 

Ora, percebas que tens o poder em ti,

de discernir, comparar, avaliar,

tomar decisões, fazer escolhas.

 

Todo o dia, a mesma rotina ...

tv, novela, telejornais, entrevistas,

futebol, filmes, joguinhos, programas

de humor, reportagens, internet, celular,

tudo ou quase tudo tomando o seu tempo,

desviando-se da sua essência,

não te dando oportunidades

para parar, pensar,

entrar nas zonas profundas

da sua personalidade ...

 

A cultura

ou a visão de mundo

que bebemos todos os dias

não valoriza o silêncio,

a introspecção ou o diálogo,

o relacionamento consigo mesmo

na sua interioridade.

 

A cultura do mundo externo

é um constante convite

a você sair de si mesmo,

desviar-te da finalidade

para a qual fostes criado(a).

 

E você não percebe nada disso,

A não ser que aconteça algo grave,

uma doença, uma tragédia, forçando-te

a parar e perguntar-se

para onde está te levando

tanta agitação despersonalizante.

 

O que é que bebemos

nas fontes de informação?

Violência, tragédias, brigas, separações,

mediocridade, superficialidade,

mentiras e enganações. 

 

Pão e circo estão nos dando.

 

As propagandas

que os meios de comunicação

lançam no ar

para que nos tornemos

pessoas consumistas,

levam-nos, sutilmente,

para a acomodação

da nossa força de vontade,

para a acomodação mental,

para o comodismo no diálogo,

no intercâmbio de valores

que só existem na profundidade

da nossa personalidade.

 

Fomos ensinamos a cultivar o ego, alimentados pelo orgulho,

pela afirmação de si, pelas posses,

pela ganância, pela vaidade,

pela formosura externa.

 

Não fomos educados

a formar o nosso senso crítico.

 

Por quê?

- Porque a base da nossa personalidade

é formada por valores morais,

verdade, coerência, transparência, autenticidade, humildade.

 

E isso deixou de ser valorizado

no mundo

do ‘tudo é permitido’.

 

Não querendo estar subordinado

às leis da moral e da religião,

escolhemos a escravidão,

sujeitos às leis do instinto animal,

da livre escolha, do prazer,

das festas e alegrias

para preencher um vazio.

 

E vejam onde estamos?

 

Em que condições estamos:

escravizados, alienados,

ausentes de nós mesmos

e dos ideais maiores,

condizentes com a nossa imagem

e semelhança divina. 

 

Escravos acorrentados

com algemas de conforto.

 

O critério

para se avaliar qualquer coisa

não é mais o valor intrínseco,

mas a fama, o poder,

as articulações possíveis,

as coligações de poder.

 

As últimas gerações

foram domesticadas.

 

E agora?

 

O princípio maior das ciências

é o de buscar

a evolução constantemente.

 

Os valores da religião,

da verdadeira espiritualidade,

tem essa função de possibilitar

a formação e educação 

da consciência

 

O princípio maior das religiões

é o de avisar às pessoas

que elas necessitam de conversão,

trocar os hábitos ruins por bons,

adquirir virtudes,

aperfeiçoar-se na arte

das manifestações amorosas,

praticar o perdão

e ajudar até os inimigos.

 

Onde estão os poetas,

despertadores e ressuscitadores

da sensibilidade,

avisando-nos que estamos mortos?

 

Onde os artistas escultores,

que tiram as lascas

das pedras mortas,

construindo ou reconstruindo

estátuas vivas, que respiram?

 

Onde estão os trabalhadores

do exercício da literatura séria, comprometida

com o que o povo precisa ler

para deixar renascer o brio,

a fortaleza, a robustez

das grandes personalidades

que o mundo está necessitando.

 

Escritores,

 profetizem,

alertem,

indiquem caminhos.

 

Se temos sensibilidade,

visão clara,

auxiliemos aqueles que estão envolvidos

no nevoeiro, sem norte e sem sul,

sem leste e oeste.

 

Onde estão os escritores místicos,

que, como profetas,

 devem alertar-nos,

acordar-nos da sonolência,

da anestesia que o mundo nos aplica?

 

E vocês, leitores,

abram-se e leiam outros escritores,

de outras culturas, outras religiões,

outras visões de mundo,

se trazem aberturas, revelações,

experiências de libertação.

 

Chequem suas crenças.

 

Renovem-se.

 

Entrem no novo mundo

da sintonia fina,

das dimensões superiores,

dos valores do mundo invisível, transcendental.

 

Há tanta literatura boa disponível.

 

Abandone o teu barquinho.

 

Arrisque-se desembarcar

numa ilha deserta e verás

como conseguirá sobreviver.

 

Convém formar um novo tipo de gente

para viver neste mundo novo

que estamos percebendo

ser possível construir.

 

Uma classe nova de pessoas deve surgir, comprometida apenas com valores,

valores da paz, da justiça,

da vida fraterna compartilhada

em todas as suas carências

e possibilidades.

 

Será necessário o martírio

para que essa classe se multiplique

e produza os efeitos necessários

às urgentes mudanças transformadoras.

 

Faça coligações.

Convide amigos

a construir juntos,

 projetos de renovação.

 

Monte equipes.

 

Desperte, motive, construa.

 

Saia da vida inútil,

improdutiva.

 

Rebente suas simpáticas

e deliciosas cadeias.

 

Persiga ideais nobres,

com alegria.

 

Renove-se.

 

Evolua.

 

Leia outras vezes este texto.

 

Releia até que brotem da terra fértil

que ainda existe em sua personalidade,

os ideais que valem a pena perseguir.

 

Avalie-se. Defina e escreva metas.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 08/10/2023

eneaspb@gmail.com

Atualizado e Publicado no FACE em 08/10/2023

Publicado no blog em 31/10/2023.

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