quarta-feira, 25 de outubro de 2023

829.- Sofrimento. Um olhar amoroso sobre o sofrimento.




Um olhar amoroso sobre o sofrer.

 

Amei sofrendo, sofri sorrindo”.

Assim disse e assim viveu

um dos meus professores,

frei Eurico de Melo.

 

O sofrimento é um dos elementos

que faz parte do pacote da vida.

 

Não dá para escolher um pacote

que não tenha lá dentro, o sofrimento.

 

Desconhecer ou ignorar

ou recusar o sofrimento

afetará o amadurecimento das frutas.

 

Desconhecer os valores do sofrimento

nos fechará para os mistérios desta vida,

e seremos parciais, levemente desumanos.

 

Ninguém gosta de sofrer. Mas convém

ser alguém educado por essa disciplina.  

 

Fomos mal-educados na escola da vida.

Nossos pais e professores tentaram,

de todas as maneiras desqualificar

os talentos do professor sofredor.

 

Quem se atreve a dizer

que sofrer seja algo bom?

 

Vamos olhar algumas lições

pelo lado avesso das páginas dos livros

que borraram e dificultaram a leitura

das letras apagadas pelo suor e pelo sangue.  

 

O que a escola não ensinou

a vida teve o cuidado de ensinar.

 

A mãe, ao dar à luz uma nova vida,

o faz através das dores do parto.

 

O maratonista, o esportista, para vencer,

aceita a sofrida rotina dos treinamentos.

 

O estudante, para receber seu diploma,

se impõe uma necessária fidelidade

à disciplina.

 

Aquele que deseja algo de valor

sabe que precisa sacrificar-se.

 

Até que enfim,

estamos chegando ao ponto

de ver e sentir que o sofrimento

é um grande benfeitor,

o melhor dos professores.

 

Não é através do sofrimento

que amadurecemos?

Que passamos de fase,

nos joguinhos da vida?

 

É o nosso sofrer

que desperta nossa sensibilidade

diante das dificuldades

e sofrimentos dos outros.

 

Nós somos unos, mas existimos

com quatro tipos de corpos,

todos eles, professores e sofredores.

 

Sofremos dores

não somente no (1) corpo físico,

cansaço, feridas, envelhecimento,

limitações no andar, subir, descer,

febres, doenças, invalidez, morte.

 

Sentimos dores em nosso (2) corpo mental,

com pesadas e monstruosas dúvidas,

angústias, depressões, pensamentos confusos,

perda de memória, esquecimento.

 

É bem aqui que sofremos

sem saber os por quês

das dores de cabeça,

e das vãs preocupações.

 

Neste corpo mental

é que nascem e crescem

os sofrimentos inúteis,

que causam doenças físicas

e aceleram nosso envelhecimento.

 

Carregamos também

o (3) corpo emocional,

invisível, mas real,

que faz falta

quando não sente,

e que fere e magoa quando sente.

 

Experimentamos emoções sofridas,

dor do amor não correspondido

ou mal-entendido.

 

Sentimos falta de carinho,

de afeto, de reconhecimento.

 

São dores emocionais.

 

As dores neste corpo têm solução,

quando se descobre e se vive

a partir do verbo amar,

o amor que vai e que vem.  

 

Temos ainda

o (4) corpo espiritual,

no qual sofremos de incertezas,

falta de fé, falta da vivência

de um tipo de espiritualidade filial,

próxima, íntima, com nosso Pai Criador.

 

O nosso corpo espiritual é o mais forte

diante das dores e sofrimentos.

A alma tem mais recursos.

 

Aliás, o corpo espiritual

se forma e se robustece

justamente por causa dos sofrimentos.

 

É só neste corpo espiritual

que o sofrimento ganha significado

transcendente.

 

Todas as dores, aqui,

ganham significado redentor.

 

As dores e sofrimentos compreendidos

tornam-se ferramenta

de sublimação,

edificação e salvação.

 

Quem aceita e carrega sua cruz,

qualquer tipo de sofrimento,

é diferente daquele

que não sabe por que sofre.

 

Neste corpo espiritual

tudo ganha claridade,

razão de ser, sentido e direção.

 

Se o sofrimento é compreendido,

integrado como professor

da disciplina REALIDADE,

será aceito e colaborará

para que o fardo se torne leve.

 

O sofrimento é aquele bom amigo

que nos tira do mundo virtual,

beliscando, ferindo, avisando

sobre as exigências

do amadurecimento.

 

Então, um outro professor,

Henri Caffarel

ensinou mais uma lição:

“Quando o meu amor é exigente

você cresce, amadurece

e se veste de compreensão

e de fervorosa compaixão”.

 

Leia outros textos

em meu blog:

https://heiposworld.blogspot.com


Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 06/04/2023

eneaspb@gmail.com

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