Um olhar amoroso sobre o sofrer.
“Amei
sofrendo, sofri sorrindo”.
Assim
disse e assim viveu
um dos
meus professores,
frei
Eurico de Melo.
O
sofrimento é um dos elementos
que faz
parte do pacote da vida.
Não dá
para escolher um pacote
que não
tenha lá dentro, o sofrimento.
Desconhecer
ou ignorar
ou recusar
o sofrimento
afetará o
amadurecimento das frutas.
Desconhecer
os valores do sofrimento
nos
fechará para os mistérios desta vida,
e seremos
parciais, levemente desumanos.
Ninguém
gosta de sofrer. Mas convém
ser alguém
educado por essa disciplina.
Fomos
mal-educados na escola da vida.
Nossos
pais e professores tentaram,
de todas
as maneiras desqualificar
os
talentos do professor sofredor.
Quem se
atreve a dizer
que sofrer
seja algo bom?
Vamos olhar
algumas lições
pelo lado
avesso das páginas dos livros
que
borraram e dificultaram a leitura
das letras
apagadas pelo suor e pelo sangue.
O que a
escola não ensinou
a vida
teve o cuidado de ensinar.
A mãe, ao
dar à luz uma nova vida,
o faz
através das dores do parto.
O
maratonista, o esportista, para vencer,
aceita a
sofrida rotina dos treinamentos.
O estudante, para receber seu diploma,
se impõe
uma necessária fidelidade
à disciplina.
Aquele que
deseja algo de valor
sabe que
precisa sacrificar-se.
Até que
enfim,
estamos
chegando ao ponto
de ver e
sentir que o sofrimento
é um
grande benfeitor,
o melhor
dos professores.
Não é
através do sofrimento
que
amadurecemos?
Que
passamos de fase,
nos
joguinhos da vida?
É o nosso
sofrer
que
desperta nossa sensibilidade
diante das
dificuldades
e
sofrimentos dos outros.
Nós somos unos,
mas existimos
com quatro
tipos de corpos,
todos eles,
professores e sofredores.
Sofremos
dores
não
somente no (1) corpo físico,
cansaço,
feridas, envelhecimento,
limitações
no andar, subir, descer,
febres,
doenças, invalidez, morte.
Sentimos dores
em nosso (2) corpo mental,
com
pesadas e monstruosas dúvidas,
angústias,
depressões, pensamentos confusos,
perda de
memória, esquecimento.
É bem aqui
que sofremos
sem saber
os por quês
das dores
de cabeça,
e das vãs
preocupações.
Neste
corpo mental
é que
nascem e crescem
os sofrimentos
inúteis,
que causam
doenças físicas
e aceleram
nosso envelhecimento.
Carregamos
também
o (3) corpo
emocional,
invisível,
mas real,
que faz
falta
quando não
sente,
e que fere
e magoa quando sente.
Experimentamos
emoções sofridas,
dor do
amor não correspondido
ou
mal-entendido.
Sentimos
falta de carinho,
de afeto,
de reconhecimento.
São dores
emocionais.
As dores
neste corpo têm solução,
quando se
descobre e se vive
a partir
do verbo amar,
o amor que
vai e que vem.
Temos
ainda
o (4) corpo
espiritual,
no qual
sofremos de incertezas,
falta de
fé, falta da vivência
de um tipo
de espiritualidade filial,
próxima,
íntima, com nosso Pai Criador.
O nosso
corpo espiritual é o mais forte
diante das
dores e sofrimentos.
A alma tem
mais recursos.
Aliás, o
corpo espiritual
se forma e
se robustece
justamente
por causa dos sofrimentos.
É só neste
corpo espiritual
que o
sofrimento ganha significado
transcendente.
Todas as
dores, aqui,
ganham
significado redentor.
As dores e
sofrimentos compreendidos
tornam-se
ferramenta
de sublimação,
edificação
e salvação.
Quem
aceita e carrega sua cruz,
qualquer
tipo de sofrimento,
é
diferente daquele
que não
sabe por que sofre.
Neste
corpo espiritual
tudo ganha
claridade,
razão de
ser, sentido e direção.
Se o
sofrimento é compreendido,
integrado
como professor
da
disciplina REALIDADE,
será
aceito e colaborará
para que o
fardo se torne leve.
O
sofrimento é aquele bom amigo
que nos
tira do mundo virtual,
beliscando,
ferindo, avisando
sobre as
exigências
do
amadurecimento.
Então, um
outro professor,
Henri
Caffarel
ensinou
mais uma lição:
“Quando
o meu amor é exigente
você
cresce, amadurece
e
se veste de compreensão
e
de fervorosa compaixão”.
Leia outros textos
em meu blog:
https://heiposworld.blogspot.com
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
Atualizado em 06/04/2023

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