Tempo. Tempo que te quero,
tempo que me tens.
O que faço contigo?
O que fazes comigo?
pode
ser satisfeita
porque
temos a capacidade racional,
a ferramenta
da pesquisa,
e a
sede insaciável da procura
por
respostas,
que
sejam verdadeiras,
e nos
satisfaçam.
O que
é decepcionante
para o
ser humano
dotado
de capacidades de conhecimento
e
compreensão é fazer esforço desordenado
que o
leva à dispersão das energias.
Quando
isso acontece,
há o
cansaço, o desanimo a frustração
e até
a inaceitável depressão.
Até
parece
que
estamos nos comportando
como
turistas,
assistindo
belas paisagens
curtindo
o universo,
descomprometidos
com a
situação da família,
da
comunidade,
da
cidade,
como
gente de fora,
que
não ajudam os anfitriões.
Só a
verdade acalma
e
liberta o ser humano.
Portanto,
a lógica a seguir é esta:
colocar-se
a caminho
das
descobertas,
dos
princípios,
que
conduzam
à
posse das verdades
fundamentais
e
definitivas.
Pela
manhã, quando jovens,
fazemos
perguntas sérias
e
importantes;
e só à
tardinha da vida
é que
buscamos as respostas.
Fazer
perguntas
e ir
atrás delas
é
despertar o filósofo
que
existe em todo ser humano
capacitado
para pensar.
Quando
não sabemos usar bem
as
ferramentas que dispomos,
desperdiçamos
energias.
Quantas
verdades escondidas,
ignoradas
ou desprezadas,
que
poderiam ter provocado decisões
que
certamente nos teriam feito andar
por estradas
diferentes,
evitando
conflitos pessoais e familiares
Passamos
a vida
enfrentando
e vencendo desafios.
Quando
estamos preparados
e
capacitados, dizemos:
“Pois
que venham”.
Uma das grandes questões
que fazem cócegas em nossa imaginação,
e aciona a partida da nossa curiosidade
é o tempo.
Estamos no tempo e dentro do tempo,
e sofremos a influência do tempo.
Somos e existimos no tempo.
Dominamos o tempo
e ao mesmo tempo,
nos sentimos escravos dele.
Uma pergunta
e uma revelação incomodam
a consciência de cada um de nós.
A pergunta:
‘o
que temos feito
com
o tempo’?
A revelação:
‘O
tempo foi dado
a
cada um
para
descobrir
a
eternidade’.
No dia
do nosso nascimento,
embarcamos
na nave terra,
que
viaja no espaço infinito,
a tamanha
velocidade
que
não conseguimos acompanhar.
E
entramos no tempo.
Ninguém
comprou passagem
e nem
teve oportunidade
de
escolher o destino.
Ninguém
nos perguntou
nem
informou
o
motivo da viagem:
férias,
negócios, marte,
galáxias
ou a busca do céu.
De
qualquer forma,
estamos
embarcados,
e
viajando.
E
contamos o tempo.
E não
há como descer da nave,
nem
saberíamos onde descer.
Mas
ainda há tempo
para
decidir
o
destino que queremos.
Dentro
da nave, nascemos,
crescemos,
estudamos,
trabalhamos,
sempre
junto
com
outros passageiros.
Dentro
desta perspectiva,
nos
definimos como viajantes.
E
viajamos
dentro
do que entendemos
como
tempo.
Para
facilitar ou complicar nossa vida
inventamos
o relógio.
Uma tentativa
de
manter o tempo
dentro
de um estojo.
Mesmo
assim,
o
tempo
não
permanece preso.
Está
solto.
Inventamos
os números
para
contar e entender
o
tempo.
Aprisionamos
o tempo
em 24
horas, minutos e segundos.
Deixamos
o tempo um pouco mais livre
dentro
de quatro estações
do ano,
com 365 dias.
E
medimos nossa vida
pelos dez,
cinquenta, oitenta
ou cem
anos.
Nascemos,
vivemos e morremos.
Nos
montamos e desmontamos.
Nos
formamos e deformamos.
Ficamos
bonitos e enfeiamos.
Nestes
espaços, mudamos.
E o
tempo permanece,
inalterado.
Costumamos
dizer:
‘como o tempo passa
depressa’.
Convém
mudar a frase:
‘Como nós passamos
depressa’.
Vivemos
na ilusão
que é
o tempo que passa.
Inventamos
os números,
as
horas e as estações
para
colocar o tempo
dentro
dos nossos conceitos,
achando
que o tempo iria submeter-se
ao
nosso controle ... Pura ilusão.
Na
ilusão ainda vivemos,
pois
que o tempo não passa
e é na
eternidade
que
estamos passando nossos dias.
O
tempo tem outro nome:
Chama-se
eternidade.
Não
queremos
nos
sentir perdidos
no espaço
que ocupamos.
Onde
perdi
meus
laços com o infinito?
Onde
enterrei
meus
tesouros eternos?
Quem
foi que me perdeu?
O
tempo pergunta:
‘Donde veio, para onde
vais’?
Há
algo mais, que não sei?
Sim, há
algo
bem maior
do que
as coisas pequenas
que
aqui vemos
e com
as quais nos acostumamos.
Mesmo
que estejamos de passagem,
precisamos
fazer alguma coisa.
Tempo que
te quero,
tempo que
me tens.
O que faço
contigo?
O que
fazes comigo?
Reduzes
meus dias
encurtas
minha vida.
Vejo minha
vida lá atrás,
e aqui no
presente.
Não me
mostras
lá na
frente.
O que escondes de mim?
Vivo no
teu bojo,
me
envolves todo.
Nada te escapa.
O que há sob
a tua capa?
Não te
deixas apreender
nem
surpreender.
Ah, já
sei:
Aqui na
terra teu nome é tempo.
Lá no céu
teu nome é eternidade.
Eu sabia,
eu intuía:
Já vivemos
na eternidade.
O tempo
só está
nos despistando,
ou
provocando?
Tempo que
te quero,
tempo que
me tens.
O que faço
contigo?
O que
fazes comigo?
Publicado no Blog Heipo World em 28/07/2016 (328).
Publicado de novo no Blog em 27outub2023.
Eneas Paulo Budel Bogucheski

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