quinta-feira, 26 de outubro de 2023

857.- Tempo que te quero.

 

 

Tempo. Tempo que te quero, 

tempo que me tens. 

O que faço contigo? 

O que fazes comigo?


A nossa curiosidade

            pode ser satisfeita

          porque temos a capacidade racional,

        a ferramenta da pesquisa,

      e a sede insaciável da procura

    por respostas,

  que sejam verdadeiras,

e nos satisfaçam.

 

O que é decepcionante

para o ser humano

dotado de capacidades de conhecimento

e compreensão é fazer esforço desordenado

que o leva à dispersão das energias.

 

Quando isso acontece,

há o cansaço, o desanimo a frustração

e até a inaceitável depressão.

 

Até parece

que estamos nos comportando

como turistas,

assistindo belas paisagens

curtindo o universo,

descomprometidos

com a situação da família,

da comunidade,

da cidade,

como gente de fora,

que não ajudam os anfitriões.

 

Só a verdade acalma

e liberta o ser humano.

 

Portanto, a lógica a seguir é esta:

colocar-se a caminho

das descobertas,

dos princípios,

que conduzam

à posse das verdades

fundamentais

e definitivas.

 

Pela manhã, quando jovens,

fazemos perguntas sérias

e importantes;

e só à tardinha da vida

é que buscamos as respostas.

 

Fazer perguntas

e ir atrás delas

é despertar o filósofo

que existe em todo ser humano

capacitado para pensar.

 

Quando não sabemos usar bem

as ferramentas que dispomos,

desperdiçamos energias.

 

Quantas verdades escondidas,

ignoradas ou desprezadas,

que poderiam ter provocado decisões

que certamente nos teriam feito andar

por estradas diferentes,

evitando conflitos pessoais e familiares

 

Passamos a vida

enfrentando e vencendo desafios.

 

Quando estamos preparados

e capacitados, dizemos:

“Pois que venham”.

 

Uma das grandes questões

que fazem cócegas em nossa imaginação,

e aciona a partida da nossa curiosidade

é o tempo.

 

Estamos no tempo e dentro do tempo,

e sofremos a influência do tempo.

 

Somos e existimos no tempo.

 

Dominamos o tempo

e ao mesmo tempo,

nos sentimos escravos dele.

 

Uma pergunta

e uma revelação incomodam

a consciência de cada um de nós.

 

A pergunta:

‘o que temos feito

com o tempo’?

 

A revelação:

‘O tempo foi dado

a cada um

para descobrir

a eternidade’.

 

No dia do nosso nascimento,

embarcamos na nave terra,

que viaja no espaço infinito,

a tamanha velocidade

que não conseguimos acompanhar.

 

E entramos no tempo.

 

Ninguém comprou passagem

e nem teve oportunidade

de escolher o destino.

 

Ninguém nos perguntou

nem informou

o motivo da viagem:

férias, negócios, marte,

galáxias ou a busca do céu.  

 

De qualquer forma,

estamos embarcados,

e viajando.

 

E contamos o tempo.

 

E não há como descer da nave,

nem saberíamos onde descer.

 

Mas ainda há tempo

para decidir

o destino que queremos.

 

Dentro da nave, nascemos,

crescemos, estudamos,

trabalhamos,

sempre junto

com outros passageiros.

 

Dentro desta perspectiva,

nos definimos como viajantes.

 

E viajamos

dentro do que entendemos

como tempo.

 

Para facilitar ou complicar nossa vida

inventamos o relógio.

 

Uma tentativa

de manter o tempo

dentro de um estojo.

 

Mesmo assim,

o tempo

não permanece preso.

 

Está solto.

 

Inventamos os números

para contar e entender

o tempo.

 

Aprisionamos o tempo

em 24 horas, minutos e segundos.

 

Deixamos o tempo um pouco mais livre

dentro de quatro estações

do ano, com 365 dias.

 

E medimos nossa vida

pelos dez, cinquenta, oitenta

ou cem anos.

 

Nascemos, vivemos e morremos.

Nos montamos e desmontamos.

Nos formamos e deformamos.

Ficamos bonitos e enfeiamos.

Nestes espaços, mudamos.

E o tempo permanece,

inalterado.

 

Costumamos dizer:

‘como o tempo passa depressa’.

 

Convém mudar a frase:

‘Como nós passamos depressa’.

 

Vivemos na ilusão

que é o tempo que passa.

 

Inventamos os números,

as horas e as estações

para colocar o tempo

dentro dos nossos conceitos,

achando que o tempo iria submeter-se

ao nosso controle ... Pura ilusão.

 

Na ilusão ainda vivemos,

pois que o tempo não passa

e é na eternidade

que estamos passando nossos dias.

 

O tempo tem outro nome:

Chama-se eternidade.

 

Não queremos

nos sentir perdidos

no espaço que ocupamos.

 

Onde perdi

meus laços com o infinito?

 

Onde enterrei

meus tesouros eternos?

 

Quem foi que me perdeu?

 

O tempo pergunta:

‘Donde veio, para onde vais’?

 

Há algo mais, que não sei?

 

Sim, há

algo bem maior

do que as coisas pequenas

que aqui vemos

e com as quais nos acostumamos.

 

Mesmo que estejamos de passagem,

precisamos fazer alguma coisa.

 

Tempo que te quero,

tempo que me tens.

O que faço contigo?

O que fazes comigo?

 

Reduzes meus dias

encurtas minha vida.

 

Vejo minha vida lá atrás,

e aqui no presente.

 

Não me mostras

lá na frente.

 

 O que escondes de mim?

 

Vivo no teu bojo,

me envolves todo.

 

Nada te escapa.

 

O que há sob a tua capa?

Não te deixas apreender

nem surpreender.

 

Ah, já sei:

Aqui na terra teu nome é tempo.

Lá no céu teu nome é eternidade.

 

Eu sabia, eu intuía:

Já vivemos na eternidade.

 

O tempo

só está nos despistando,

ou provocando?  

 

Tempo que te quero,

tempo que me tens.

O que faço contigo?

O que fazes comigo?


Publicado no Blog Heipo World em 28/07/2016 (328).

Publicado de novo no Blog em 27outub2023.

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski

eneaspb@gmail.com


Nenhum comentário:

Postar um comentário