A experiência da liberdade
é a maior das experiências
que fazemos como humanos,
aqui na terra,
como filhos e herdeiros
do nosso Deus e Pai,
Criador e Cientista.
De tão grande que é essa qualidade
que reconhecemos a dificuldade
em administrá-la.
Mas é bem aqui
que sentimos quão grandes
e importantes somos.
Talvez esteja nessa qualidade
a fonte e a força da autoestima.
Sou alguém
e sinto-me livre.
Sinto-me livre
porque sou alguém.
O meu maior poder, acho eu, para mim,
é ter consciência de que sou livre.
E sentir-me livre.
Temos e exercemos o poder
que a liberdade nos concede.
É difícil perceber
a enormidade desta qualidade
que temos e somos.
A liberdade é um atributo divino
que nós, humanos,
já recebemos
antecipadamente.
É algo que o Pai tem em abundância
e nós, filhos, temos o necessário.
Essa liberdade
é experimentada por nós
de uma forma ainda limitada,
mas ela se manifesta como um poder
que nos mostra o quanto somos grandes
e poderosos humanamente.
Por outro lado, não estamos
ou não nos sentimos credenciados ainda,
a
efetivarmos esta experiência
de uma forma perfeita.
Com o uso da
liberdade
podemos criar um
novo ambiente.
Podemos conquistar
independência
financeira
ou econômica.
Podemos criar a nós mesmos,
escolher direção,
profissão
e maneira de ser.
Possuímos a
capacidade
para deixar de ser
só criatura
e decidir pelas
ações
de finalizadores
do mundo
e do
aperfeiçoamento
de nós mesmos.
A consciência
e o gosto da
liberdade,
que nós
experimentamos,
é que nos projetam para dentro
e para fora de nós
mesmos.
Temos dois mundos
onde podemos
investir
nossa liberdade:
O mundo de dentro
de nós mesmos,
ou o mundo de fora de nós.
Esta liberdade, quando sentida
num grau bastante
elevado,
provoca o êxtase
em nossas
entranhas.
Como é gostoso sentir-se livre,
sentir a liberdade, e mover-se
dentro dela.
E como é difícil para o ser humano,
sentir-se
prisioneiro ou impedido
de ser e agir como gostaria.
Cada um de nós
dispõe sobre si mesmo,
isto é, possui
plena autoridade
para decidir o
rumo
que queremos dar
para nossa própria
vida.
Temos este poder.
A liberdade leva ao
crescimento
da nossa
personalidade ou nos
rebaixa.
Nosso destino pessoal
depende das nossas
decisões,
porque somos
livres.
Portanto, ter liberdade
exige maturidade.
Esta liberdade
é fruto de crescimento,
amadurecimento,
do conhecimento da
verdade,
dos princípios da
justiça e do amor.
Não são poucas
as
ferramentas incorporadas
nesse processo libertador.
A liberdade
alcança a
perfeição
quando estiver
ordenada
para o Criador,
nosso fim último.
Podemos deduzir
que sem uma relação de filiação
com nosso Pai criador,
não estamos vivenciando
nossa verdadeira liberdade.
Se não somos ou não estamos livres
significa que estamos vivendo
sob o regime de
escravos.
É para a liberdade
que as pessoas foram criadas.
É a nossa opção
e o nosso 'destino', ser livre.
O nosso destino é a liberdade.
Fomos destinados a
sermos livres:
não deixar, não permitir
que sejamos castrados da nossa
liberdade;
não aceitar a situação ou condição de escravos.
No caminho
da conquista da liberdade
existe a interferência
com a liberdade dos outros.
Nesse caminho,
a lei e a justiça entram em campo.
Nós, pessoas humanas
não somos apenas pensamento
e liberdade.
Somos fraternidade
regida por leis
que disciplinam a convivência.
Não perdemos a liberdade
submetendo-nos às leis
da convivência humana,
mas a
aperfeiçoamos
pelo enriquecimento proporcionado
pelas relações humanas.
Veja como as profissões se entrelaçam
e uma depende e complementa a outra.
É de inteira
responsabilidade de cada pessoa
a decisão entre sujeitar-se a ser escravo,
ou
procurar andar no caminho das ações
que nos fazem ser cada vez mais livres,
e
por consequência, mais desenvolvidos
e amadurecidos, mais agregados
ou mais
unidos, e, por isso, mais fortes.
Existe uma placa orientadora:
dirigir-nos pelo espírito,
para sermos livres.
Existem dois princípios de ação:
um leva à
liberdade e o outro
leva à escravidão.
A leitura sobre o corpo
e as inclinações pessoais
ensinam-nos a tirar lições
libertadoras ou escravizantes.
Ainda de uma forma
antiquada,
ouvimos dizer que a carne,
ou os desejos egoísticos
possuem
aspirações contrárias ao espírito,
pois que se entende
que o corpo vive para o
agora
e alimenta-se com as coisas de agora.
O espírito quer viver para sempre
e
alimenta-se com alimentos eternos.
Se atendermos às
inclinações,
desejos e instintos,
sem o domínio da razão,
estamos sendo
escravos
das nossas tendências.
Estas tendências
ou instintos,
nos mantém no nível da animalidade.
Se colocarmos um cabresto
nessas potencialidades,
dominando-as,
sob o comando da nossa racionalidade
e
espiritualidade,
tiramos proveito dessas forças
e ajustamos nosso leme.
É com princípios superiores
que se governam e administram reinos
ou forças inferiores.
É com as capacidades racionais e espirituais
que colocamos ordem no corpo
e nas paixões e inclinações cegas.
Colocamos olho e
reta razão
nessas capacidades ou instintos animais,
que ainda comandam muito
do
nosso ser promovido para humanos.
A prática habitual
das tendências instintivas
nos
escravizam.
Sim, escravizam,
porque estas atitudes geram vícios
e criam dependências, cegam nossa razão,
enfraquecem a força volitiva,
e se a apatia e a preguiça
também entrarem neste
palco,
até o nosso espírito se entrega.
Para sair dessa
é
necessário um retreinamento
planejado e trabalhado
a duras penas por longos
meses.
A partir da
leitura do corpo
pode-se passar para a leitura
de um corpo maior,
como uma
família, organização, clube,
grupo, ou ampliando mais a reflexão,
avaliar a
associação de moradores,
o Bairro, a cidade, enfim, a sociedade
como um todo, e
finalmente,
a humanidade treinada, desenvolvida,
vivendo os princípios
da
fraternidade universal.
Percebe-se nesta
leitura
a horizontalidade das ações.
Essas tendências, não administradas,
tomam
conta dos nossos hábitos
e nos tiram do caminho da liberdade.
"Fomos feitos como
as águias,
para voar no espaço infinito
e não como galinhas a permanecer
ciscando
o chão atrás de alimentos perecíveis,
e, mesmo tendo asas para voar,
não voam
mais porque a cultura do conforto
as escravizou." (Leonardo Boff)
As consequências
desta cultura horizontal,
diminuem, aprisionam, entorpecem,
acomodam,
desgastam, provocam doenças,
geram o estresse, envelhecem
e deformam o corpo
pessoal.
As consequências
vão muito mais longe:
Interferem no corpo social, e escravizam,
limitam, põem
algemas em nosso espírito fraterno.
Estes elementos
horizontais
são originários do egoísmo e do orgulho
ou da personalidade não
amadurecida,
por isso, desequilibrada do seu eixo fundamental
que é a
verdadeira liberdade.
De onde nosso
corpo retira energias?
Se alimentamos somente as tendências egoístas
do nosso
próprio corpo, não vamos longe.
Caso alimentemos o
espírito pessoal e social,
com a dieta alimentar prescrita
pelos frutos da
conquista da liberdade
haveremos de alçar voo como as águias.
Por isso dizemos
que é preciso fazer violência,
fazer guerra contra si mesmo,
contra as
tendências escravizantes
das inclinações egoísticas e do ambiente
no qual
estamos inseridos.
Queremos manter a unidade substancial
que existe em nós.
Aplicar o
princípio:
o mais perfeito deve governar
o menos perfeito.
O mais completo e mais capaz
deve governar e administrar
o
menos capacitado.
O que permanece para sempre
deve ter comando sobre o que desaparece.
Avaliamos o gênero
alimentício
de cada uma das nossas exigências
e alimentamos mais aquelas
que produzem mais e melhores resultados
em
termos de garantia da qualidade de vida,
paz, consciência tranquila e
serenidade.
Alguém disse que a
paz é fruto da guerra.
Mas, uma só guerra é permitida:
a guerra contra tudo
aquilo
que não permite o nosso amadurecimento
e a nossa promoção
para o próximo
degrau
na escala da perfeição da pessoa.
Evoluir, na direção
e na dimensão
da liberdade
é a regra permanente.
Falta-nos
aperfeiçoar
a nossa capacidade espiritual.
É nesta capacidade
que existe a
condição de filho do Pai celeste.
Só com o desabrochar dessa potencialidade
é
que estaremos aptos a assumir
os bens que nos foram prometidos.
Somos os
herdeiros do reino dos céus.
Para essa tarefa
somos livres
para aceitar ou recusar.
Eis o poder da liberdade.
Então, imortalizemo-nos
o quanto for possível, já.
Os frutos do espírito
nascem com a prática do amor
com a conjugação do verbo amar
em todos os tempo e modos.
A lei do Espírito abrange todas as esferas.
Não encontra limite nem opositores.
A todos agrada, por isso, liberta.
E é essa liberdade que nos é própria.
É esta a liberdade
que nos move e transforma
em filhos do Pai celeste.
A prática da liberdade
revela a filiação divina,
por isso, buscamos o alimento
que nos é próprio,
isto é, a paz e a alegria,
a longanimidade, a benignidade,
a bondade, a fidelidade,
a mansidão e, o autodomínio.
Todos estes valores
exigem postura atlética,
domínio de si mesmo,
domínio das tendências, instintos, egoísmo,
que despersonalizam e estacionam.
Adquirir a posse
desta verdadeira liberdade
supõe o cultivo das potencialidades
que o Heipo tem
trazido nos textos publicados.
Nos Livros do Novo Testamento
encontramos as
afirmações
que precisamos para fortalecer este texto:
- “Foi para a liberdade
que o Jesus Cristo nos libertou.
Ficai, portanto, firmes
e não vos curveis de novo
ao jugo da escravidão”.
- “Desde agora participamos
da ‘liberdade da glória
dos filhos do Deus Pai”.
Existe uma liberdade
que cria algemas.
Escraviza, reduz, estaciona.
Existe a outra liberdade
que cria asas:
liberta de todas as amarras,
de todos os limites e deformações.
Gostaria de
insistir
na importância do dom da liberdade
que nos foi dado e do qual sentimos
tanto orgulho
em tê-la e em exercê-la.
Transcrevo abaixo
algumas linhas
do Padre Pierre Teilhard de Chardin
sobre liberdade*,
extraídas do Livro “Evolução
e Antropologia no espaço e no
tempo”:
“Chamada à existência,
a pessoa está condenada
a realizar, livremente
e com todos os meios ao seu alcance,
a sua própria perfeição.
Apesar da liberdade,
não pode retirar-se do campo da luta,
porque as leis da existência infundem,
acima de tudo,
um senso de responsabilidade.
Nem sequer é permitido
à pessoa estagnar
nos caminhos da vida.
O desejo do absoluto,
a sede do infinito
e o anseio da imortalidade
enchem de inquietação os seus dias,
impulsionando a buscar
e empregar todos os meios necessários
para alcançar a posse dos bens estáveis.
A pessoa está condenada a realizar
a sua própria criação,
que é, em última análise,
a sua própria salvação.
A liberdade foi dada ao ser humano
como penhor da sua própria realização
e quanto maior for a realização,
tanto maior deverá ser a liberdade.
O aumento da liberdade
tem por objetivo
sempre maiores criações.
Crescer em liberdade
para crescer em realizações.
A liberdade
é a própria manifestação
da força divina e invencível,
encarnada no ser humano.
O homem é livre
porque é filho do Pai celeste.
Mais do que uma dignidade
é uma responsabilidade de ação.
A responsabilidade
provém da necessidade
de criar, em si mesmo e no mundo,
a verdadeira imagem dessa dignidade,
revelando qualidades divinas
na vida e na ação...”.*
*Pierre Teilhard de Chardin
01/05/1881-10/04/1955. Foi sacerdote, filósofo, teólogo, antropólogo, geólogo e
escritor francês. Pertenceu à Ordem Religiosa dos Jesuítas. Nasceu em Orcines,
na França e morreu em Nova Iorque, EUA. Elaborou as sínteses da evolução da
nossa espécie humana e divina. Construiu uma visão integradora entre ciência e
teologia. Através das suas obras legou-nos uma filosofia que reconcilia a
ciência do mundo material com as forças sagradas do divino.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
Atualizado
em 04/02/2016
Atualizado em 09/06/2026
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