quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

42.- Liberdade. A extraordinária experiência da liberdade.




   A experiência da liberdade
é a maior das experiências
que fazemos como humanos,
aqui na terra,
como filhos e herdeiros
do nosso Deus e Pai,
Criador e Cientista.

De tão grande que é essa qualidade
que reconhecemos a dificuldade
em administrá-la. 

Mas é bem aqui
que sentimos quão grandes
e importantes somos. 

Talvez esteja nessa qualidade 
a fonte e a força da autoestima. 

    Sou alguém
    e sinto-me livre.

    Sinto-me livre
    porque sou alguém.

    O meu maior poder, acho eu, para mim,
    é ter consciência de que sou livre. 
    E sentir-me livre. 

Temos e exercemos o poder
que a liberdade nos concede. 

É difícil perceber
a enormidade desta qualidade
que temos e somos. 

A liberdade é um atributo divino
que nós, humanos,
já recebemos
antecipadamente.

É algo que o Pai tem em abundância
e nós, filhos, temos o necessário.

Essa liberdade
é experimentada por nós
de uma forma ainda limitada,
mas ela se manifesta como um poder
que nos mostra o quanto somos grandes
e poderosos humanamente.

Por outro lado, não estamos 
ou não nos sentimos credenciados ainda, 
a efetivarmos esta experiência 
de uma forma perfeita.

Com o uso da liberdade
podemos criar um novo ambiente. 

Podemos conquistar
independência financeira 
ou econômica. 

Podemos criar a nós mesmos,
escolher direção, profissão
e maneira de ser.

Possuímos a capacidade
para deixar de ser só criatura
e decidir pelas ações
de finalizadores do mundo
e do aperfeiçoamento 
de nós mesmos. 

A consciência
e o gosto da liberdade,
que nós experimentamos,
é que nos projetam para dentro
e para fora de nós mesmos.

Temos dois mundos
onde podemos investir
nossa liberdade:
O mundo de dentro de nós mesmos,
ou o mundo de fora de nós. 

Esta liberdade, quando sentida
num grau bastante elevado,
provoca o êxtase
em nossas entranhas. 

Como é gostoso sentir-se livre,
sentir a liberdade, e mover-se 
dentro dela.  

E como é difícil para o ser humano,
sentir-se prisioneiro ou impedido
de ser e agir como gostaria.

Cada um de nós dispõe sobre si mesmo,
isto é, possui plena autoridade
para decidir o rumo
que queremos dar
para nossa própria vida.

Temos este poder.

A liberdade leva ao crescimento
da nossa personalidade ou nos rebaixa. 

Nosso destino pessoal
depende das nossas decisões,
porque somos livres. 

Portanto, ter liberdade
exige maturidade. 

Esta liberdade
é fruto de crescimento,
amadurecimento,
do conhecimento da verdade,
dos princípios da justiça e do amor. 


Não são poucas 
as ferramentas incorporadas 
nesse processo libertador.

A liberdade
alcança a perfeição
quando estiver ordenada
para o Criador,
nosso fim último.

Podemos deduzir 
que sem uma relação de filiação 
com nosso Pai criador, 
não estamos vivenciando 
nossa verdadeira liberdade. 

Se não somos ou não estamos livres 
significa que estamos vivendo 
sob o regime de escravos.

É para a liberdade
que as pessoas foram criadas.

É a nossa opção
e o nosso 'destino', ser livre.

O nosso destino é a liberdade.

Fomos destinados a sermos livres: 
não deixar, não permitir 
que sejamos castrados da nossa liberdade; 
não aceitar a situação ou condição de escravos.

No caminho
da conquista da liberdade
existe a interferência
com a liberdade dos outros.

Nesse caminho,
a lei e a justiça entram em campo.

Nós, pessoas humanas 
não somos apenas pensamento 
e liberdade.

Somos fraternidade
regida por leis
que disciplinam a convivência.

Não perdemos a liberdade 
submetendo-nos às leis 
da convivência humana, 
mas a aperfeiçoamos 
pelo enriquecimento proporcionado 
pelas relações humanas. 

Veja como as profissões se entrelaçam 
e uma depende e complementa a outra.

É de inteira responsabilidade de cada pessoa 
a decisão entre sujeitar-se a ser escravo, 
ou procurar andar no caminho das ações 
que nos fazem ser cada vez mais livres, 
e por consequência, mais desenvolvidos 
e amadurecidos, mais agregados 
ou mais unidos, e, por isso, mais fortes. 

Existe uma placa orientadora:
dirigir-nos pelo espírito,
para sermos livres.

Existem dois princípios de ação: 
um leva à liberdade e o outro 
leva à escravidão.

A leitura sobre o corpo
e as inclinações pessoais
ensinam-nos a tirar lições 
libertadoras ou escravizantes.

Ainda de uma forma antiquada, 
ouvimos dizer que a carne, 
ou os desejos egoísticos 
possuem aspirações contrárias ao espírito, 
pois que se entende 
que o corpo vive para o agora 
e alimenta-se com as coisas de agora. 

O espírito quer viver para sempre 
e alimenta-se com alimentos eternos.

Se atendermos às inclinações, 
desejos e instintos, 
sem o domínio da razão, 
estamos sendo escravos 
das nossas tendências.

Estas tendências ou instintos, 
nos mantém no nível da animalidade. 

Se colocarmos um cabresto 
nessas potencialidades,
dominando-as, 
sob o comando da nossa racionalidade 
e espiritualidade, 
tiramos proveito dessas forças 
e ajustamos nosso leme. 

     É com princípios superiores
     que se governam e administram reinos
     ou forças inferiores.

É com as capacidades racionais e espirituais
que colocamos ordem no corpo
e nas paixões e inclinações cegas.

Colocamos olho e reta razão 
nessas capacidades ou instintos animais, 
que ainda comandam muito 
do nosso ser promovido para humanos. 

A prática habitual 
das tendências instintivas 
nos escravizam.

Sim, escravizam, 
porque estas atitudes geram vícios 
e criam dependências, cegam nossa razão, 
enfraquecem a força volitiva, 
e se a apatia e a preguiça 
também entrarem neste palco, 
até o nosso espírito se entrega. 

Para sair dessa 
é necessário um retreinamento 
planejado e trabalhado 
a duras penas por longos meses.

A partir da leitura do corpo 
pode-se passar para a leitura 
de um corpo maior, 
como uma família, organização, clube, 
grupo, ou ampliando mais a reflexão, 
avaliar a associação de moradores, 
o Bairro, a cidade, enfim, a sociedade 
como um todo, e finalmente, 
a humanidade treinada, desenvolvida, 
vivendo os princípios 
da fraternidade universal.

Percebe-se nesta leitura 
a horizontalidade das ações. 

Essas tendências, não administradas, 
tomam conta dos nossos hábitos 
e nos tiram do caminho da liberdade.

"Fomos feitos como as águias, 
para voar no espaço infinito 
e não como galinhas a permanecer 
ciscando o chão atrás de alimentos perecíveis, 
e, mesmo tendo asas para voar, 
não voam mais porque a cultura do conforto 
as escravizou." (Leonardo Boff)

As consequências desta cultura horizontal, 
diminuem, aprisionam, entorpecem, 
acomodam, desgastam, provocam doenças, 
geram o estresse, envelhecem 
e deformam o corpo pessoal.

As consequências vão muito mais longe: 
Interferem no corpo social, e escravizam, 
limitam, põem algemas em nosso espírito fraterno. 

Estes elementos horizontais 
são originários do egoísmo e do orgulho 
ou da personalidade não amadurecida, 
por isso, desequilibrada do seu eixo fundamental 
que é a verdadeira liberdade.

De onde nosso corpo retira energias? 
Se alimentamos somente as tendências egoístas 
do nosso próprio corpo, não vamos longe.

Caso alimentemos o espírito pessoal e social, 
com a dieta alimentar prescrita 
pelos frutos da conquista da liberdade 
haveremos de alçar voo como as águias.

Por isso dizemos que é preciso fazer violência, 
fazer guerra contra si mesmo, 
contra as tendências escravizantes 
das inclinações egoísticas e do ambiente 
no qual estamos inseridos.

Queremos manter a unidade substancial 
que existe em nós.

Aplicar o princípio: 
o mais perfeito deve governar 
o menos perfeito. 
O mais completo e mais capaz 
deve governar e administrar 
o menos capacitado. 
O que permanece para sempre 
deve ter comando sobre o que desaparece.

Avaliamos o gênero alimentício 
de cada uma das nossas exigências 
e alimentamos mais aquelas 
que produzem mais e melhores resultados 
em termos de garantia da qualidade de vida, 
paz, consciência tranquila e serenidade.

Alguém disse que a paz é fruto da guerra. 
Mas, uma só guerra é permitida: 
a guerra contra tudo aquilo 
que não permite o nosso amadurecimento 
e a nossa promoção 
para o próximo degrau 
na escala da perfeição da pessoa.
 
Evoluir, na direção 
e na dimensão da liberdade 
é a regra permanente. 

Falta-nos aperfeiçoar 
a nossa capacidade espiritual. 

É nesta capacidade 
que existe a condição de filho do Pai celeste. 

Só com o desabrochar dessa potencialidade 
é que estaremos aptos a assumir 
os bens que nos foram prometidos. 

Somos os herdeiros do reino dos céus. 

Para essa tarefa somos livres 
para aceitar ou recusar. 
Eis o poder da liberdade.

Então, imortalizemo-nos
o quanto for possível, já.

Os frutos do espírito
nascem com a prática do amor
com a conjugação do verbo amar
em todos os tempo e modos.

A lei do Espírito abrange todas as esferas.

Não encontra limite nem opositores.

A todos agrada, por isso, liberta.

E é essa liberdade que nos é própria.

É esta a liberdade
que nos move e transforma
em filhos do Pai celeste.

A prática da liberdade
revela a filiação divina,
por isso, buscamos o alimento
que nos é próprio,
isto é, a paz e a alegria,
a longanimidade, a benignidade,
a bondade, a fidelidade,
a mansidão e, o autodomínio.

Todos estes valores
exigem postura atlética,
domínio de si mesmo,
domínio das tendências, instintos, egoísmo,
que despersonalizam e estacionam.

Adquirir a posse desta verdadeira liberdade 
supõe o cultivo das potencialidades 
que o Heipo tem trazido nos textos publicados.

Nos Livros do Novo Testamento 
encontramos as afirmações 
que precisamos para fortalecer este texto:

 

- “Foi para a liberdade
que o Jesus Cristo nos libertou.
Ficai, portanto, firmes
e não vos curveis de novo
ao jugo da escravidão”.


- “Desde agora participamos
da ‘liberdade da glória
dos filhos do Deus Pai”.


Existe uma liberdade
que cria algemas.
Escraviza, reduz, estaciona.


Existe a outra liberdade
que cria asas:
liberta de todas as amarras,
de todos os limites e deformações.

Gostaria de insistir 
na importância do dom da liberdade 
que nos foi dado e do qual sentimos tanto orgulho 
em tê-la e em exercê-la.

Transcrevo abaixo algumas linhas 
do Padre Pierre Teilhard de Chardin 
sobre liberdade*, 
extraídas do Livro “Evolução 
e Antropologia no espaço e no tempo”:


Chamada à existência,
a pessoa está condenada
a realizar, livremente
e com todos os meios ao seu alcance,
a sua própria perfeição.

Apesar da liberdade,
não pode retirar-se do campo da luta,
porque as leis da existência infundem,
acima de tudo,
um senso de responsabilidade.

Nem sequer é permitido
à pessoa estagnar
nos caminhos da vida.

O desejo do absoluto,
a sede do infinito
e o anseio da imortalidade
enchem de inquietação os seus dias, 
impulsionando a buscar
e empregar todos os meios necessários
para alcançar a posse dos bens estáveis.

A pessoa está condenada a realizar
a sua própria criação,
que é, em última análise,
a sua própria salvação.

A liberdade foi dada ao ser humano
como penhor da sua própria realização
e quanto maior for a realização,
tanto maior deverá ser a liberdade.

O aumento da liberdade
tem por objetivo
sempre maiores criações.

Crescer em liberdade
para crescer em realizações.

A liberdade
é a própria manifestação
da força divina e invencível,
encarnada no ser humano.

O homem é livre
porque é filho do Pai celeste.

Mais do que uma dignidade
é uma responsabilidade de ação.

A responsabilidade
provém da necessidade
de criar, em si mesmo e no mundo,
a verdadeira imagem dessa dignidade,
revelando qualidades divinas
na vida e na ação...”.*

*Pierre Teilhard de Chardin 01/05/1881-10/04/1955. Foi sacerdote, filósofo, teólogo, antropólogo, geólogo e escritor francês. Pertenceu à Ordem Religiosa dos Jesuítas. Nasceu em Orcines, na França e morreu em Nova Iorque, EUA. Elaborou as sínteses da evolução da nossa espécie humana e divina. Construiu uma visão integradora entre ciência e teologia. Através das suas obras legou-nos uma filosofia que reconcilia a ciência do mundo material com as forças sagradas do divino. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski           
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166

Atualizado em 04/02/2016
Atualizado em 09/06/2026





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