domingo, 26 de janeiro de 2014

13.- Dormindo e enganados.



Podemos estar dormindo,
            e ainda, por cima, sendo enganados. 

            Se estiverem nos enganando, 
            viveremos só o possível. 

            Ee há algo mais, 
            construiremos o impossível

Às vezes acontece de estarmos dormindo 
profundamente, e sonhando.

Acordamos repentinamente.

O que nos acorda
é a vontade de transformar o sonho
em realidade.

Estamos dentro da vida. 
Estamos vivendo. 

Estamos todos juntos dentro da nave da vida, 
viajando pelo universo, sem perceber 
a altíssima velocidade na qual estamos envolvidos. 

Não temos ideia da velocidade que a terra viaja. 
Nem sequer percebemos. 
Apenas percebemos a diferença entre o dia e noite, 
porque aqui onde estamos, temos o sol 
que nos ajuda e serve de referencia. 

Se estudarmos um pouquinho a ciência da astronomia, 
ficaremos até assustados sabendo um pouquinho só, 
do tamanho do universo. 

Assim também em muitas ciências, 
reconhecemos o pouco conhecimento que temos.

 O universo cultural é grande. 

O estoque do conhecimento é ilimitado. 

O que sabemos é apenas um pingo, 
um ponto de caneta numa folha branca. 

Por mais que queiramos e conquistemos, 
está longe a data em que conseguiremos 
abranger a totalidade.

 “Se enganados, vivemos o possível; 
esperançosos, sonhamos sonhos impossíveis”. 

Se estivermos sendo enganados 
pela cultura, pela literatura, pelas filosofias, 
psicologias e todas as outras ciências, 
pelo que já foi escrito e pelo que sabemos da história, 
estamos vivendo o que nos é possível, como galinhas; 
porém, se acreditarmos em nossas potencialidades de águias, 
os nossos sonhos serão realizados.


     Águias que somos,
     feitos para voar nas alturas,
     não aceitemos permanecer como galinhas,
     que também possuem asas,
     mas não voam mais,
     porque a cultura do conforto acomodou.


Caminhemos juntos.
Sejamos parceiros nesta pesquisa,
nesta ânsia de coisas melhores.

Não me deixem acostumar por estas terras.
Não permitam que eu goste de morar por aqui.
Não se acostumem também.

Cutuquemos a acomodação.


Não insistamos em fincar raízes na terra árida.
Procuremos a terra fértil
onde se encontram os principais
e mais importantes nutrientes
que alimentam o impossível,
sonhável e desejável.

Colaborem comigo.

Mostrem-me, decifrem e deem-me
os mistérios que alimentem a natureza infinita,
que mora neste mais do que finito,
que sou eu, que somos nós, com sede insaciável.

Saciem minha sede com água pura,
da verdadeira e própria fonte,
e forneçam-me alimentos que eternizem.

Queiramos junto, adquirir a virtude da teimosia.

Busquemos juntos o caminho 
e o alimento certo,
que contenham nutrientes apropriados.

Teimemos contra a própria correnteza,
nem que seja uma oposição 
à nossa própria natureza.

Não posso e não podemos aceitar
que a própria natureza nos limite.

Não aceitemos, passivamente,
entregar-nos para os limites.

Não fomos criados para
permanecer no mundo do fechado,
do pouco, do túmulo lacrado
da morte sem sentido,
sem aberturas para o futuro.

Não tiremos de nós
as poucas esperanças
que nos vêm dos bons profetas
e dos sensíveis poetas.

Afastemos de nós
os profetas do mau agouro,
que não avistam nada além das fronteiras.

Estes, não nos fazem pensar,
nem imaginar sobre ‘algo a mais’
que possa existir.

Não acho próprio da natureza humana
permanecer preso
só no que vemos e tocamos.

Não suporto a ideia de ser só isso.

É muito pouco.
        Deve ter muito mais.
        Não, não quero estar satisfeito.

Não aceitemos permanecer
no campo limitado da matéria
ou nos limites geográficos
da natureza visível e palpável.

Asas não as temos.
Não conseguimos ainda,
mas sonhamos voar.

Nossa existência não é natural.
Ela é sobrenatural.

Sentimos isso.
Fazemos esta experiência.

Queremos viver mais o sobrenatural
do que a dimensão perecível do natural.

Muito mais do que para baixo,
forças íntimas e profundas
empurram-nos para cima.

Não nos interessamos tanto 
em pesquisar o fundo da terra. 

Enche-nos de espanto
e encanto os espaços lá de cima. 

Mais do que com pesadelos,
povoamos e alimentamos nossa imaginação
com sonhos e ideais.

Muito mais do que a passividade,
o movimento nos remete para o alto.

Muito mais que as resistências,
motivações despertam sonhos e ideais.

Mais do que natureza de galinhas,
nossa infraestrutura contém DNA de águias.

Mais do que nos contentarmos com cavernas,
procuramos o progresso no fogo,
na caça, na agricultura, na indústria,
no domínio dos mares e dos ares.

Nos espaços siderais,
irmãos nossos,
já voaram procurando o infinito.

      Não, não somos órfãos.
            Traços e pistas do Pai dos céus
            existem por toda parte.

Não, não somos só humanos.
A alegria nos diz isso.
Queremos sempre a alegria por perto.
Desejamos cultivar a fonte da alegria
na nossa própria horta.

Somos pessoas humanas,
com potencial espiritual infinito,
abertos ao ilimitado,
pela imagem e semelhança
com o Cientista,
Criador da Terra e dos Céus,
que cria para a eternidade.

Prefiro ser um iludido
e viver nesta esperança
a sofrer numa vida triste
sem saída para a imortalidade.


     Extasia-nos
     e nos desperta,
     um convite,
     um aceno,
     um chamado lá
     das estrelas.

Quem saciará a fome
e desejos de conhecer o céu?

Estes escritores procuramos.
Estes cientistas esperamos.

Que mãe parirá estes necessários
novos escritores, novos profetas,
novos poetas, cientistas do além?

Por favor, reitores, cientistas, filósofos,
artistas e poetas,
rabisquem linhas
e profiram palavras
que alarguem e prolonguem
estes sonhos, necessidades básicas,
das nossas esperanças.

Políticos,
assinem projetos ousados,
capazes de fazer acontecer,
a esperança brotar de novo, de verde,
em todos os povos 
e a justiça desfilar 
em carros abertos 
pelas avenidas povoadas
de pessoas atendidas 
em suas necessidades básicas. 

Teólogos,
alimentem nossa fé
no Criador do Universo.

Ele é nosso Pai.
Revelem-nos o rosto Dele
e as moradas que está preparando para nós.

Queremos provas desta filiação.
Não queremos ser filhos sem heranças.
Queremos acreditar nas promessas
de que somos herdeiros dos céus.

Não esvaziem o conteúdo misterioso 
do Criador, nosso Pai.

Não nos deixem famintos,
alimentando-nos com a ignorância destes dons.

Falem do nosso Papai do céu.
Nós, filhos, não queremos nos sentir órfãos.
Não aceitamos essa condição.

Não escondam as verdades eternas.

Permitam-nos curtir 
o mistério da natureza Divina
e abram os espaços mostrando-nos
o impossível, o infinito e o Incognoscível.

Demonstrem as evidências do espírito.
Falem da ressurreição após a morte,
da vida, da vida eterna.

Queremos continuar vivendo eternamente.

Não nos deixem curtindo ilusões e fantasias
ou mentiras que viajam pelos séculos.


Profissionais de todas as ocupações,
insistam, percam o sono,
invistam neste financiamento,
nas provas e demonstrações
que os mistérios não são fechados
ou impossíveis de serem lidos.

O livro da história já nos contou muitas verdades.
Verdades eternas permanecem com o passar dos anos.

Já temos um sul.
Já temos a esperança
de que tais ideais são possíveis.


Não se acovardem.
Não nos reduzam a coisa pequena.


Andarilhos e mendigos, sim, 
mas andarilhos herdeiros dos céus.

Acordemos.
Não nos deixemos viver 
no mundo das enganações. 

Acorde sua consciência.
Abra os olhos. Leia a realidade.
Sinta suas insatisfações diante deste mundo. 

 

Eneas Paulo Budel Bogucheski      

Atualizado em 29/01/2016
Atualizado em 18/04/2026

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