quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

38.- Herdeiros. Quem somos nós? Nós somos os herdeiros.




Quem somos nós?


Aqui, neste chão,
somos pobres andarilhos,
como os mendigos,
andando pela avenida Terra,
mendigando respostas definitivas.

Não aceitamos a condição de mortais.
Somos filhos do Deus, Eterno,
Criador do céu e da Terra.

Somos filhos e herdeiros
do Todo-Poderoso.

A morte nos incomoda, 
pois sabemos 
que estamos caminhando para ela, 
como cegos, impotentes, dependentes,
pelas ruas da apreensão e da insegurança.

 
Como andarilhos, 
caminha ao nosso lado, 
a precariedade, a insegurança 
e somente carregamos 
o substancialmente necessário 
para não morrer. 

Como andarilhos, 
chega o momento 
em que temos que enfrentar 
a mais dura batalha, 
talvez a mais difícil da vida. 

Quem somos nós?

Somos os herdeiros,
mas estamos vivendo como pobres,
terráqueos, longe de casa.


Diferente seria nosso proceder 
se vivêssemos acreditando em recompensas, 
sabendo de antemão, que seremos ricos, 
herdeiros de bens infinitos.

Como vive um mendigo,
um andarilho,
um herdeiro,
consciente que é rico?

Seria mais ou menos 
nos mesmos moldes 
em que estamos vivendo?  

Não. Ainda não.

Constatamos duas respostas:

A primeira, 
sem a participação da fé, 
vivemos sob a tese 
de que tudo acaba com a morte.  
Tudo acontece apenas 
na dimensão da horizontalidade, 
sem recompensas.
 
Nesta dimensão 
só cabe e só entra 
o que a vista abarca.
 
A materialidade, 
os limites e a certeza 
são as ferramentas mais usadas 
nesta dimensão.
  
Nessa visão ocorrem 
consequências de desgaste 
envelhecimento e desaparecimento.


       A segunda, 
com a participação da fé,
entramos no campo das religiões. 

Religião é o ato de re-ligar 
o que está desligado. 

 
Essa missão de procurar religar-nos à fonte, 
ao absoluto, é o termo que impõe 
a necessidade de fazer algo 
com a dimensão profunda, 
real e verdadeira do ser humano 
composto e unificado pelo espírito eterno 
que habita cada um de nós. 

Se estamos desligados, 
isto é, sem afinidade com a divindade, 
ou com nossa originalidade extraterrestre, 
teremos que re-ligar 
para voltar à normalidade. 


O que fazer então?

Passar no cartório 
e ler o Novo Testamento 
onde aparecem as Cláusulas 
contendo os direitos e deveres 
dos herdeiros.

E estas condições, 
os mandamentos, 
resumem-se em considerar 
e amar o Deus Pai Criador, 
acima de todas as coisas, 
como a origem e o fim da história 
e da vida terrena e da vida eterna, 
e que, este projeto é executado 
considerando os outros 
como filhos dele e nossos irmãos. 


Portanto, a herança nos é antecipada, 
na condição de vivermos 
como filhos e irmãos.


Como isso se processa? 

É um projeto 
e um processo comunitário. 

Não é de forma alguma, 
um valor pessoal, individual. 

Se fosse individual, 
cairia no egoísmo, 
onde prevalece o padrão de comportamento: 
‘cada um por si’. 

Como é um projeto comunitário, 
a prática desta filosofia de vida 
é aplicada fraternalmente, 
vivendo na presença do nosso Pai, 
praticando os princípios da ajuda mútua, 
como filhos e irmãos. 

Como andarilhos, 
permanecemos sujeitos ao sofrimento, 
às doenças, às fragilidades inerentes à vida, 
à própria morte, às fraquezas da força de vontade, 
à fragilidade das convicções 
do caráter e da personalidade, 
o desânimo e o pessimismo, 
a propensão ao egoísmo 
e ao orgulho, ao poder 
e à ganância. 

Tudo o que prejudica o próximo 
e não o promove 
para a condição de herdeiro 
são dificuldades 
a serem superadas. 

Tudo aquilo que prejudica o irmão 
e o impede de conquistar 
uma condição de vida digna 
de filhos e herdeiros do reino dos céus, 
deverá ser objeto 
de planejamento estratégico 
político e social, 
para promover a condição humana 
para a condição divina, 
objeto da herança.


Não vejo nenhuma outra porta aberta 
para vivenciar todos estes valores disponíveis, 
a não ser seguindo o exemplo 
e os ensinamentos do Jesus Cristo. 

Vivermos já como filhos adotivos 
do nosso Deus que é Uno e Trindade.
 
 
E todas as ferramentas 
e condições estão disponíveis, 
a todo momento.


Na carne da fragilidade humana, 
viajamos como andarilhos, 
mas esperançosos 
da herança prometida.


A atitude coerente 
é não ficar passivo, 
apenas esperando, 
gastando tudo, 
irresponsavelmente.  

Como vocês podem ver, 
o nosso Pai amoroso, 
criador do céu e da terra, 
nos convocou para participar da vida Dele, 
desde já, como filhos e como irmãos.  

Já nos deu todas as condições, 
todos os dons e todas as ferramentas.

A resposta depende de nós. 
Por isso, não responder, 
não ingressar na fraternidade, 
é condenar-se a si mesmo, 
recusando algo tão necessário,
natural e sobrenatural 
para nossa subsistência eterna. 

É tão grande esta responsabilidade pessoal, 
que o Deus da Vida, 
que convocou e chamou cada um de nós 
a participar da vida dele,  
deixou  a possibilidade 
de cada um decidir-se 
pelo destino da própria vida, 
com Ele, no Céu ou sem Ele, 
no inferno do isolamento.

Existem muitas citações evangélicas 
que podem auxiliar nossa determinação 
em gravar estas verdades 
com letras de aço ou de ouro 
na nossa consciência.


"O mundo criado
aguarda ansiosamente
a manifestação dos filhos do Deus Pai.

De maneira que já não é escravo,
mas filho e se filho,
também herdeiro do Deus Pai.

Assim já não sois estrangeiros e hóspedes,
mas concidadãos dos santos
e membros da família do Deus Pai.

Agradecei ao Deus Pai
que vos tornou capazes
de participar da herança
dos santos na luz.


Vede que prova de amor
nos deu o Deus Pai:
sermos chamados filhos de Deus.
E nós o somos.

Desde já somos filhos do Deus Pai,
mas o que nós seremos
                   ainda não se manifestou".
              Palavra do São Paulo aos Romanos. 
 

Eneas Paulo Budel Bogucheski 
eneaspb@gmail.com   -  41 98854 5166        

Atualizado em 03/02/2016.
Atualizado em 30/05/2026.




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