Quem somos nós?
Aqui, neste chão,
somos pobres andarilhos,
como os mendigos,
andando pela avenida Terra,
mendigando respostas definitivas.
Não aceitamos a
condição de mortais.
Somos filhos do Deus,
Eterno,
Criador do céu e da
Terra.
Somos filhos e
herdeiros
do Todo-Poderoso.
A
morte nos incomoda,
pois sabemos
que estamos caminhando para ela,
como cegos, impotentes, dependentes,
pelas ruas da apreensão e da insegurança.
Como andarilhos,
caminha
ao nosso lado,
a precariedade, a insegurança
e somente carregamos
o substancialmente necessário
para não morrer.
Como andarilhos,
chega o momento
em que temos que enfrentar
a mais dura
batalha,
talvez a mais difícil da vida.
Quem somos nós?
Somos os herdeiros,
mas estamos vivendo
como pobres,
terráqueos, longe de casa.
Diferente seria nosso proceder
se vivêssemos acreditando
em recompensas,
sabendo de antemão, que seremos ricos,
herdeiros de bens
infinitos.
Como vive um mendigo,
um andarilho,
um herdeiro,
consciente
que é rico?
Seria mais ou menos
nos mesmos moldes
em que estamos
vivendo?
Não.
Ainda não.
Constatamos duas respostas:
A primeira,
sem a participação da fé,
vivemos sob a
tese
de que tudo acaba com a morte.
Tudo
acontece apenas
na dimensão da horizontalidade,
sem recompensas.
Nesta
dimensão
só cabe e só entra
o que a vista abarca.
A materialidade,
os limites e a certeza
são as ferramentas mais usadas
nesta dimensão.
Nessa visão ocorrem
consequências de desgaste
envelhecimento e desaparecimento.
A segunda,
com a participação da fé,
entramos no
campo das religiões.
Religião é o ato de re-ligar
o que está desligado.
Essa missão de procurar religar-nos à fonte,
ao absoluto, é o termo que impõe
a necessidade de fazer algo
com
a dimensão profunda,
real e verdadeira do ser humano
composto e unificado pelo
espírito eterno
que habita cada um de nós.
Se estamos desligados,
isto é, sem afinidade com a divindade,
ou com nossa
originalidade extraterrestre,
teremos que re-ligar
para voltar à
normalidade.
O que fazer então?
Passar no cartório
e ler o Novo Testamento
onde
aparecem as Cláusulas
contendo os direitos e deveres
dos herdeiros.
E estas condições,
os mandamentos,
resumem-se em considerar
e amar o Deus Pai
Criador,
acima de todas as coisas,
como a origem e o fim da história
e da vida
terrena e da vida eterna,
e que, este projeto é executado
considerando os
outros
como filhos dele e nossos irmãos.
Portanto, a herança nos é antecipada,
na condição
de vivermos
como filhos e irmãos.
Como isso se processa?
É um projeto
e um processo comunitário.
Não é de forma alguma,
um valor pessoal, individual.
Se fosse individual,
cairia no egoísmo,
onde prevalece o padrão de comportamento:
‘cada um por si’.
Como é um projeto comunitário,
a prática desta filosofia de vida
é aplicada
fraternalmente,
vivendo na presença do nosso Pai,
praticando os princípios da
ajuda mútua,
como filhos e irmãos.
Como andarilhos,
permanecemos sujeitos ao sofrimento,
às doenças, às fragilidades inerentes à
vida,
à própria morte, às fraquezas da força de vontade,
à fragilidade das
convicções
do caráter e da personalidade,
o desânimo e o pessimismo,
a
propensão ao egoísmo
e ao orgulho, ao poder
e à ganância.
Tudo o que
prejudica o próximo
e não o promove
para a condição de herdeiro
são
dificuldades
a serem superadas.
Tudo aquilo que prejudica o irmão
e o impede de conquistar
uma condição de vida
digna
de filhos e herdeiros do reino dos céus,
deverá ser objeto
de
planejamento estratégico
político e social,
para promover a condição humana
para a condição divina,
objeto da herança.
Não vejo nenhuma outra porta aberta
para vivenciar
todos estes valores disponíveis,
a não ser seguindo o exemplo
e os ensinamentos
do Jesus Cristo.
do nosso Deus
que é Uno e Trindade.
E todas as ferramentas
e condições estão disponíveis,
a
todo momento.
Na carne da fragilidade humana,
viajamos como andarilhos,
mas esperançosos
da
herança prometida.
A atitude coerente
é não ficar passivo,
apenas esperando,
gastando tudo,
irresponsavelmente.
Como vocês podem
ver,
o nosso Pai amoroso,
criador do céu e da terra,
nos convocou para
participar da vida Dele,
desde já, como filhos e como irmãos.
Já nos deu todas
as condições,
todos os dons e todas as ferramentas.
A resposta depende
de nós.
Por isso, não responder,
não ingressar na fraternidade,
é condenar-se a
si mesmo,
recusando algo tão necessário,
natural e sobrenatural
para nossa subsistência eterna.
É tão grande esta
responsabilidade pessoal,
que o Deus da Vida,
que convocou e chamou cada um de nós
a participar da vida dele,
deixou a
possibilidade
de cada um decidir-se
pelo destino da própria vida,
com Ele, no
Céu ou sem Ele,
no inferno do isolamento.
Existem muitas
citações evangélicas
que podem auxiliar nossa determinação
em gravar estas
verdades
com letras de aço ou de ouro
na nossa consciência.
"O mundo criado
aguarda ansiosamente
a manifestação dos
filhos do Deus Pai.
De maneira que já não
é escravo,
mas filho e se filho,
também herdeiro do
Deus Pai.
Assim já não sois
estrangeiros e hóspedes,
mas concidadãos dos
santos
e membros da família
do Deus Pai.
Agradecei ao Deus Pai
que vos tornou
capazes
de participar da
herança
dos santos na luz.
Vede que prova de
amor
nos deu o Deus Pai:
sermos chamados
filhos de Deus.
E nós o somos.
Desde já somos filhos
do Deus Pai,
mas o que nós seremos
ainda não se
manifestou".
Palavra do São Paulo aos Romanos.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
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Atualizado em 03/02/2016.
Atualizado em 30/05/2026.
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