domingo, 26 de janeiro de 2014

19.- Alma. Será que é lá, dentro da semente, que mora a alma?



"Só a semente
que rompe sua casca 
é capaz de se atrever
à aventura da vida." 
Gibran K Gibran

Gibran Kahlil Gibran 06/01/1883-10/04/1931 
foi ensaísta, filósofo, prosador, conferencista, 
pintor, poeta e artista libanês. 
Nasceu em Bicharre, na Líbia e morreu 
em Nova Iorque, EUA. Autor de dois livros famosos: 
Asas Partidas e O Profeta.  

         Por essa frase percebemos 
o quanto os poetas contribuíram 
para que o processo da evolução continuasse. 

Dentro da casca está a energia 
e a razão de ser da semente. 

Dentro da casca está o embrião 
daquilo que iremos ser depois do tempo. 

Mais uma vez
a semente rompe a casca
e explode o ponto de partida
que inspirou este texto.

Sobre o mundo visível, 
concreto e real 
estamos com as prateleiras 
cheias de livros.

 Sobre as coisas invisíveis 
sentimos dificuldades de falar, 
de escrever e de encontrar 
a suficiente umidade 
que a semente precisa para explodir.


Imaginar é fácil,
mas olhando profundamente
sobre as coisas da natureza,
principalmente sobre a transformação das sementes
e com a mudança radical
que ocorre com o bicho da seda,
não podemos parar e ficar só nas aparências.

Vamos tentar olhar lá,
por dentro do invisível.

Dentro da casca
tem alguma força invisível
que anima a semente,
primeiro a morrer e,
depois, transformada,
surgir com uma nova forma de vida.

Será que existe uma alma,
como semente,
dentro do nosso próprio corpo?

Mas o que é a alma.
É algo parecido com semente?

É padrão do ser humano exigente 
não desistir quando não vê 
e não recebe respostas concretas. 

É do jeitão do Heipo
 procurar respostas definitivas. 

Temos as ferramentas para este desafio. 

Fala-se da alma. 
Mas, não vemos a alma. 
Por isso não sabemos muito 
dessa semente invisível.

Não sabemos bem o que é a alma.
Fala-se dela, mas ninguém nos mostra.

Como é a alma?

Será que a alma é uma semente?
Uma semente que está guardada ou presa?

Escondida ou atrofiada, ou trancada,
querendo manifestar-se e explodir?

Qual é o jeito ou o tipão da alma?


Qual é o tipo de semente
que gera a alma?


Uma semente com formas estranhas
ou uma forma invisível?

Acho que é ali, na alma,
que mora o Heipo
de cada ser humano.

Não nos deixem no meio da estrada.


Mil encruzilhadas abertas convidam-nos.

Sabemos que ainda não chegamos
ao destino final.

Uma estrada certa deve haver.

Nesta estrada
queremos colocar nossos passos.

Se o caminho não é mais pelo chão da terra,
há os rios e mares, o ar e a intuição.

Não aportaremos o barco
em nenhum lugar
sem antes definirmos
a rota para o porto final.

E não deixaremos
nosso barco, sem leme.

Uma rota, um norte ou um sul,
para algum lugar devemos nos dirigir,
e tentar chegar e aportar
no horizonte prometido.

Já sabemos onde não está.
Onde está, logo,
logo saberemos.

O vento está favorável.
Icemos as velas.

Coloquemos as mãos
no leme do barco.

De novo fazemos a pergunta que cutuca:

Onde está a alma?
Como é a alma?
De que elemento ela é feita?

Parece que ela é algo muito simples,
tão simples que nem chama atenção.

Será ela a própria simplicidade?
Ou irmã ou filha dela?

Quando falamos da alma
estamos tentando falar
das experiências
da dimensão espiritual.

Não obstante 
nos apalparmos e beliscarmos, 
nossa materialidade 
convive com a dimensão 
da espiritualidade.

Precisamos buscar textos 
em filósofos, teólogos, 
cientistas, professores,  
escritores e poetas 
que falaram sobre a alma.

Vamos estacionar a nossa pesquisa 
nos pensamentos do cientista 
e sacerdote Pierre Teilhard de Chardin*, 
referindo-se sobre a alma.

“A conquista do dom da liberdade 
coloca as energias do espírito 
em posição de superioridade absoluta 
em relação à energia física, 
cuja desagregação, pela morte, 
já não consegue aniquilar ou reabsorver 
a integridade psíquica liberada 
em forma de pensamento. 

A soma de todo o pensamento liberado 
pela mesma unidade psíquica, 
que se denomina ‘alma’, 
é uma energia individual, 
indestrutível e intransferível. 

Não pode rescindir-se 
em seus fatores primos, 
nem retornar aos átomos e moléculas 
porque é uma energia livre. 

Constitui o assim chamado ‘
átomo do espírito’, 
cuja natureza enriquecida 
pelo dom da liberdade 
lhe confere 
uma indivisibilidade definitiva, 
preservando-o 
contra todas aquelas forças de dissolução 
que podem reduzir à multiplicidade 
qualquer espécie de energia tangencial, 
inclusive o próprio átomo material”. 

Pierre Teilhard de Chardin 01/05/1881-10/04/1955. 
Foi sacerdote, filósofo, teólogo, antropólogo, 
geólogo e escritor francês. 
Pertenceu à Ordem Religiosa dos Jesuítas. 
Nasceu em Orcines, na França 
e morreu em Nova Iorque, EUA. 
Elaborou as sínteses da evolução 
da nossa espécie humana e divina. 
Construiu uma visão integradora 
entre ciência e teologia. 
Através das suas obras 
legou-nos uma filosofia 
que reconcilia a ciência do mundo material 
com as forças sagradas do divino.

Este tema sobre a alma é vastíssimo. 

Voltaremos a ele.

Eneas Paulo Budel Bogucheski

Atualizado em 14/01/2017
Atualizado em 12/04/2026

eneaspb@gmail.com  41 98854 5166




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