"Só a semente
que rompe sua casca
é capaz de se atrever
à aventura da vida."
Gibran
K Gibran
Gibran
Kahlil Gibran 06/01/1883-10/04/1931
foi ensaísta, filósofo, prosador,
conferencista,
pintor, poeta e
artista libanês.
Nasceu em Bicharre, na Líbia e morreu
em Nova Iorque, EUA.
Autor de dois livros famosos:
Asas Partidas e O Profeta.
Por essa frase percebemos
o
quanto os poetas contribuíram
para que o processo da evolução continuasse.
Dentro da casca está a energia
e a razão de ser da semente.
Dentro
da casca está o embrião
daquilo que iremos ser depois do tempo.
Mais uma vez
a semente rompe a casca
e explode o ponto de partida
que inspirou este texto.
Sobre
o mundo visível,
concreto e real
estamos com as prateleiras
cheias de livros.
Sobre as coisas invisíveis
sentimos dificuldades de falar,
de escrever e
de encontrar
a suficiente umidade
que a semente precisa para explodir.
Imaginar é fácil,
mas olhando profundamente
sobre as coisas da natureza,
principalmente sobre a transformação das sementes
e com a mudança radical
que ocorre com o bicho da seda,
não podemos parar e ficar só nas aparências.
Vamos tentar olhar lá,
por dentro do invisível.
Dentro
da casca
tem
alguma força invisível
que
anima a semente,
primeiro
a morrer e,
depois,
transformada,
surgir
com uma nova forma de vida.
Será que existe uma alma,
como semente,
dentro do nosso próprio
corpo?
Mas o que é a alma.
É algo parecido com
semente?
É
padrão do ser humano exigente
não desistir quando não vê
e não recebe respostas
concretas.
É do jeitão do Heipo
procurar respostas
definitivas.
Temos as ferramentas para este
desafio.
Fala-se da alma.
Mas, não vemos a alma.
Por isso não sabemos muito
dessa
semente invisível.
Não sabemos bem o que é a alma.
Fala-se dela, mas ninguém nos mostra.
Como é a alma?
Será que a alma é uma
semente?
Uma semente que está
guardada ou presa?
Escondida ou atrofiada, ou
trancada,
querendo manifestar-se e
explodir?
Qual é o jeito ou o
tipão da alma?
Qual é o tipo de semente
que gera a alma?
Uma semente com formas
estranhas
ou uma forma invisível?
Acho que é ali, na alma,
que mora o Heipo
de cada ser humano.
Não nos deixem no meio da estrada.
Mil encruzilhadas
abertas convidam-nos.
Sabemos que ainda não
chegamos
ao destino final.
Uma estrada certa deve
haver.
Nesta estrada
queremos colocar nossos
passos.
Se o caminho não é mais
pelo chão da terra,
há os rios e mares, o ar
e a intuição.
Não aportaremos o barco
em nenhum lugar
sem antes definirmos
a rota para o porto
final.
E não deixaremos
nosso barco, sem leme.
Uma rota, um norte ou um
sul,
para algum lugar devemos
nos dirigir,
e tentar chegar e aportar
no horizonte prometido.
Já sabemos onde não
está.
Onde está, logo,
logo saberemos.
O vento está favorável.
Icemos as velas.
Coloquemos as mãos
no leme do barco.
De novo
fazemos a pergunta que cutuca:
Onde está a alma?
Como é a alma?
De que elemento ela é
feita?
Parece que ela é algo
muito simples,
tão simples que nem
chama atenção.
Será ela a própria
simplicidade?
Ou irmã ou filha dela?
Quando
falamos da alma
estamos
tentando falar
das
experiências
da
dimensão espiritual.
Não
obstante
nos apalparmos e beliscarmos,
nossa materialidade
convive com a
dimensão
da espiritualidade.
Precisamos
buscar textos
em filósofos, teólogos,
cientistas, professores,
escritores
e poetas
que falaram sobre a alma.
Vamos
estacionar a nossa pesquisa
nos pensamentos do cientista
e sacerdote Pierre
Teilhard de Chardin*,
referindo-se sobre a alma.
“A conquista do dom da liberdade
coloca as energias do espírito
em posição de
superioridade absoluta
em relação à energia física,
cuja desagregação, pela
morte,
já não consegue aniquilar ou reabsorver
a integridade psíquica liberada
em forma de pensamento.
A soma de todo o pensamento liberado
pela mesma unidade psíquica,
que se
denomina ‘alma’,
é uma energia individual,
indestrutível e
intransferível.
Não pode rescindir-se
em seus fatores primos,
nem retornar aos átomos e
moléculas
porque é uma energia livre.
Constitui o assim chamado ‘
átomo do espírito’,
cuja natureza enriquecida
pelo
dom da liberdade
lhe confere
uma indivisibilidade definitiva,
preservando-o
contra todas aquelas forças de dissolução
que podem reduzir à multiplicidade
qualquer espécie de energia tangencial,
inclusive o próprio átomo material”.
Pierre
Teilhard de Chardin 01/05/1881-10/04/1955.
Foi sacerdote, filósofo, teólogo, antropólogo,
geólogo e escritor francês.
Pertenceu à Ordem Religiosa dos Jesuítas.
Nasceu em
Orcines, na França
e morreu em Nova Iorque, EUA.
Elaborou as sínteses da
evolução
da nossa espécie humana e divina.
Construiu uma visão integradora
entre ciência e teologia.
Através das suas obras
legou-nos uma filosofia
que
reconcilia a ciência do mundo material
com as forças sagradas do divino.
Este
tema sobre a alma é vastíssimo.
Voltaremos a ele.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 14/01/2017
Atualizado em 12/04/2026
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
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