Se um dia acontecer
de eu ficar estranho,
ou esquisito,
tipo extraterrestre,
fique atento ...
Ache graça e sorria.
A experiência pessoal
de unidade
é algo fantástico.
Somos uma potencialidade
tão grande e surpreendente
que, às vezes, nos encantamos
com nosso próprio pensamento,
com as emoções e com
o nosso procedimento.
Quando se está de mãos dadas
com os valores da ética,
da bondade,
do amor,
da arte,
da ternura,
da simpatia,
com expressões de alegria,
contentamento e êxtase,
estamos fazendo
a experiência humana
mais profunda,
tão profundamente humana,
que até ultrapassa nossos limites
de contentamento.
Quase explodimos.
Aí a gente se espanta e pergunta:
O que é isso, minha gente?
Se um dia acontecer,
de eu ficar meio diferente,
fora de mim,
estranho ou esquisito,
descartem todas as possibilidades doentias.
Se acontecer,
acreditem,
será em decorrência
de ter entrado numa órbita diferente.
Será a consequência
de ter percebido
um vislumbre,
uma faísca
da grandiosidade,
do nosso Pai dos céus.
Ele quase se mostra
para o filho curioso,
ao olhar para o lado onde ‘mora’,
ou aqui, dentro de mim,
e aí, dentro de ti, e lá,
lá no céu estrelado.
Pasmado
diante do pôr de sol,
ou das múltiplas tonalidades de cores
do entardecer,
quase O vemos.
Extasiado,
miro a face das pessoas,
vislumbrando nas expressões de bondade,
reflexos indecifráveis,
da imagem do Criador,
nosso Pai Eterno.
As pessoas
e a natureza toda
em harmonia,
gritam,
querendo revelar o Artista,
escondido entre as obras de arte
que visualizamos.
Analfabetos,
iletrados nas ciências das perfeições,
usamos apenas nossos olhos.
Mas quando nossos olhos
acolhem e enviam para nosso íntimo
as belezas de fora, nossa boca se abre,
as palavras não aparecem
e a mudez trava tudo.
Com o beiço caído
o bem e o belo
despertam a capacidade pequena e imperfeita
de querer admirar algo maior
que nosso ser consegue.
Este dom que não é nosso,
parece coisa emprestada,
que não sabemos manusear.
Quando me ponho a admirar
este Universo,
orquestra afinada,
unidade compreendida
como beleza e ordem,
perfeita,
dentro da multiplicidade
de elementos,
me calo,
me extasio,
e me incluo em tudo e em todos.
É um experimentar infinito
dentro de um corpo finito,
humano, e que muitas vezes
quase explodiu
por ter ficado pasmado,
como que “fora de mim”
ou, no mais profundo da minha identidade,
ou na mais radical experiência
de finitude,
ou na infinita experiência
de já antever a realidade
de filho do Pai do céu.
Se acontecer
de eu ficar demasiado tempo,
olhando para cima,
para o céu estrelado e infinito,
acreditem,
de verdade,
que estou sendo
transportado lá para cima.
E, se lá eu ficar,
não queiram me buscar,
e nem terei pressa em voltar.
Entendam-me e invejem-me.
É o Heipo desejando expressar-se.
É a minha
mais profunda e verdadeira natureza,
querendo ser livre, e manifestar-se
como filho e herdeiro
de todos estes bens maravilhosos.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 06/02/2016eneaspb@gmail.com
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