Alguém teria que escrever
um romance ou editar um
livro
procurando revelar o ideal de um jovem
ou o jovem ideal.
Eu tentei.
Criei o personagem
Heipo
e tentei escrever o que de melhor existe
em cada pessoa humana.
Aí o Heipo apareceu
e
você botou os olhos neste texto
que quer crescer e se tornar um livro,
(que cresceu, evoluiu e se tornou um livro).
O Heipo é a melhor
parte
que existe em você.
Ele se apresenta de diversas formas,
romântico ou natural, e às vezes,
como
poeta ou como profeta
ou até mesmo, como um mendigo,
andarilho no mundo,
carente.
Cada ser humano que
passa ao nosso lado
é um ser original,
diferente e único.
Somos todos iguais,
mas somos todos
diferentes.
Algo é comum em todos
nós:
caminhamos sobre a
terra
usando nossos pés.
Temos a mesma origem
e teremos todos o
mesmo fim.
Nesta travessia,
nesta aventura,
nada
nos diferencia.
Somos andarilhos
e mendigos
e não percebemos
ainda
o herdeiro escondido
no mendigo.
De cada uma das
pessoas
com quem convivemos
temos algo a aprender.
Cada um é professor
ou mestre,
aluno ou discípulo,
carregado de
experiência únicas,
que fazemos questão
de partilhar.
Somos portadores
de
antenas de percepção,
sintonia, olhares
vivos
e ouvidos atentos.
Somos em parte
imperfeitos,
mas já somos, em
grande parte,
perfeitos,
pois já estamos
equipados
com ferramentas ideais
para agir e reagir
com charme,
provocando admiração.
Não somos robôs.
Esta é uma verdade:
não somos robôs.
Não estamos
desligados
da tomada da sensibilidade.
Estes seres humanos
que passam e vivem ao
nosso lado,
estão equipados com
afeto,
ternura e sentimentos.
Somos seres
extremamente
importantes,
de valor.
Esta é a verdade
que queremos
respeitada.
Somos um complexo de
emoções,
racionalidade e
espiritualidade.
Somos seres especiais
com capacidades
que ultrapassam nossa
humanidade.
Somos os ricos
herdeiros,
vestidos ainda,
com
trajes de mendigos.
O Heipo é o poeta ou
o profeta
escondido em cada
pessoa humana.
O Heipo vem para o
palco
quando entra
na profundidade do seu próprio ser,
onde está escondida,
empoeirada ou sufocada
a saudade eterna do
Criador
que é o Deus e Pai.
A saudade do Deus Pai
é aquela sutil
insatisfação
que sentimos de vez
em quanto
perante esta vida que
vivemos,
e que nos faz perguntar
pelo sentido da vida
ou pelo significado
de tudo que existe.
As reações
de inconformismo
é o jeito do Heipo
reagir a tudo o que
não responde,
ansiando em viver e
vibrar
com todos os valores,
e
expressar com
autenticidade
os tesouros que
possui,
em sua interioridade.
E, quando o Heipo é
atrofiado,
sufocado, desvirtuado
e
despersonalizado,
ele procura
compensar o vazio,
no desvio.
Quando uma pessoa
humana
desconhece o Heipo,
ignora o ideal da
vida,
acostuma-se com a
rotina
e vai vivendo
de qualquer jeito,
acostumando-se com as
lamentações,
com as tristezas,
com o pessimismo
e com o derrotismo.
Amargurada,
amargura
a vida dos outros.
Torna-se uma pessoa
insatisfeita,
dividida,
desnorteada, pesada,
e com nada e com
ninguém
encontra companhia
que lhe satisfaça,
por muito tempo.
Insegura, vive como
órfão,
sem pai nem mãe, sem
irmãos,
sem companheiros de
caminhada.
Onde foi parar o
encanto da vida?
Onde anda
o
divertimento,
o piquenique,
o
passeio em família?
Porque a orquestra
soa tão distante?
Em verdade vos digo:
se não mudardes
e não voltardes a
cultivar
as qualidades
próprias das crianças,
de modo algum
entrareis
no reino dos realizados,
e, portanto, não
desfrutarás
das alegrias mais puras e
perderás os maiores
dons
que lhes foram destinados.
Uma vez desperto,
o Heipo é a esperança
de que as coisas comecem a melhorar,
para si e para os
outros
e para toda a humanidade.
Onde existe um Heipo
desperto
ali a história toma
uma direção definida
e construtiva.
Quando o Heipo
desperta
tudo começa a andar
nos trilhos.
Tudo recomeça a
dirigir-se naturalmente
para o seu fim,
a realização máxima
das suas potencialidades
em direção à
perfeição.
"Todo ser
como tal é bom, isto é,
é capaz de satisfazer
as necessidades de um outro ser
e
de lhe comunicar
as perfeições que lhe faltam".
Este é o
maior pensamento
do filósofo Aristóteles.
Este é também o princípio primeiro
editado pelo Deus Pai
Criador do Céu e da Terra.
Está escrito no
Livro do Gênesis
que quando o Deus Criador
terminou a sua obra,
viu que tudo
era bom.
O Heipo
é a tendência natural
das pessoas,
para a bondade, para
a verdade,
para a beleza, para a
dignidade,
para a sacralidade, para a perfeição
e para a imortalidade.
Há um Heipo por perto
quando observa ao seu
lado,
uma pessoa curiosa,
ansiosa e teimosa,
com olhar perdido nos
horizontes,
procurando algo,
que parece estar lhe
faltando.
Há um Heipo por perto
quando você percebe
alguém
olhando
espontaneamente para o céu,
mirando e admirando
as estrelas,
querendo alcançá-las
com as mãos.
O Heipo
é filho da dona Terra
e do Senhor dos Céus.
O Heipo
é terráqueo
com potência
capaz de atender
a
muitas expectativas.
Plantados aqui,
quando a casca
desgastar,
a semente explodirá.
A nova criatura,
de dentro da semente
que explode,
nasce para outro
espaço,
não mais para a
terra,
por não caber dentro
dela,
mas para o infinito,
onde o espaço é
ilimitado
e onde cabe nossa
sede e vontade
de viver para sempre.
O dia quase não tem
importância
quando se anseia pela
noite chegar.
E quando a noite
chega,
Heipos olham para o
céu
e contemplam as
estrelas.
E ficam ali, perdendo
tempo,
pensando não sei o
quê.
Imóvel, cabeça
erguida,
mirando o alto.
Horas e horas olhando
para as estrelas,
que vem se mostrar
durante as noites,
querendo dizer algo,
sem ruídos,
sem palavras.
Mas as estrelas
gritam alto,
tão altas e tão longe,
a mensagem do Deus
Criador,
Pai bondoso.
Quantas mensagens
elas anseiam entregar.
E há poucos Heipos,
olhando,
escutando, tentando interpretar.
O Heipo
é aquela qualidade
divina
que se instala na
pessoa humana
desde o seu
nascimento,
que o faz olhar para
cima,
olhar para o alto,
procurando ver no
espaço infinito,
a sua Pátria
definitiva.
O Heipoé um extraterrestre
que constrói a sua
nave aqui na terra,
e quando morre,
vai nesta nave, até o céu,
onde é a definitiva
morada.
O nosso Pai do céu
precisou do homem da
terra
para encarnar-se.
O Criador dos céus e
da terra
criou o homem e a
mulher
à sua imagem e
semelhança,
prevendo que um dia
viria morar aqui,
e não seria um
estranho.
Quando seu Filho,
de fato veio,
como já tinha um
molde aqui na terra,
foi fácil ajustar-se
nele.
O Criador dos céus e
da terra
precisou do ser
humano para expressar-se
de uma maneira
futura, no presente.
O Heipo é aquela graça,
aquele jeito de ser
igual ao Pai,
Criador e Gerador.
O Heipo
é aquele personagem
já quase divino
que se manifesta na
pessoa humana
que é consciente de
ser Filho do Pai Celeste.
O Heipo
é um personagem meio
estranho,
parece um mendigo,
bem diferente, muito
humano,
quase divino,
artista, muito anjo.
É surpreendente.
É misterioso.
Mas já um pouco,
do
jeitão de viver, de lá.
O Heipo tem fome.
Fome de viver
profundamente,
por isso é meio
esquisito, ansioso,
com ar de quem está
sempre procurando,
e nunca encontrando.
Cada pessoa humana,
quer viver mais do
que experimenta
como pessoa.
Por isso o ser humano
sonha
em conhecer o mundo
lá de fora,
todo o Universo.
E sonha também
conhecer
o Criador deste
Universo infinito.
Cultivar o Heipo anjo
e o Heipo artista
é condição de
coerência vital.
Dar chances
para que o Heipo se
manifeste
é condição de saúde,
de equilíbrio
e desenvolvimento.
É criar condições
para que o ser humano
satisfaça
a potencialidade que
anseia
pela perfeição.
O Heipo
tem sede do Infinito.
O Infinito é o único
lugar
onde o Heipo cabe.
Nada pode prender,
sufocar ou destruir
o espírito que vive
no Heipo vivo,
desperto e ativo.
Se você não libertar
o teu Heipo,
ele se fechará, ele
se guardará
e você não sentirá
mais,
deixará de vibrar e
cantar,
perderá a graça em
tudo o mais.
Nesta condição
experimentará a limitação,
a angústia, a
depressão, os desequilíbrios,
pois que não estarás
alimentando o centro,
o eixo da sua
verdadeira personalidade.
O filme da sua vida
deixará de ser colorido
e o mundo não mais
lhe sorrirá
e os teus olhos
deixarão de brilhar.
Os teus lábios
secarão
e o sorriso murchará.
E o bom humor natural
não terá mais graça
e se imporá como o
mau humor.
Não permita isso.
Você tem o poder
de comandar sua vida.
O Heipo
quer mostrar
que o real talvez
seja outra coisa,
outra arte ou outra
dimensão.
Não aceitemos
cavalgar na ilusão,
na mentira que galopa
na garupa
da realidade visível,
se ela não responder
aos anseios da nossa humanidade.
Não podemos nos
acostumar
a curtir a vida
sem sentir o
verdadeiro sabor
desta vida.
Tem mais saber e
sabor
dentro da vida.
O Heipo não é
apenas
uma criação da imaginação.
Não é fantasia nem idealismo.
Não é também
literatura sem finalidade.
O Heipo é algo
concreto
que existe em cada pessoa humana.
Você experimentou
diversos sentimentos e pensamentos
enquanto lia estas linhas.
Era ele, o Heipo
querendo manifestar-se
mais livremente,
sem complexos de inferioridade,
incapacidades ou limitações.
Existe uma mensagem
na insatisfação:
é a fina chama que
não quer apagar-se.
Você tem o poder
de manter acesa esta
capacidade.
Liberte o teu Heipo.
Dê asas para ele.
Seja verdadeiramente
o sujeito
da construção da tua
vida pessoal.
A ti foi dada uma
vida.
Você está vivendo.
Você está no palco
dos vivos.
Foi escalado para
jogar no time principal.
Não está só na
arquibancada, aplaudindo.
Até aqui estamos
vencendo.
Bem aventurados somos
nós,
desde nosso
nascimento.
Não fomos projetados
para viver nos
infernos,
no mundo da amargura
ou da desesperança,
do sem sentido e sem
finalidade.
Fomos feitos
para viver como
Heipos,
amadurecidos e
transformados
nos filhos do Paizão
dos céus.
Você ter chegado até
aqui,
nas linhas e nas entrelinhas deste texto,
deve ter tirado a conclusão
de
que o Heipo é a sua própria alma.
Portanto, se vive,
tem alma.
A alma é esta
dimensão infinita
que vive dentro deste
nosso corpo finito.
É o anjo vivendo no
artista.
É o artista desejando
já ser o anjo.
O Heipo
tenta viver no aqui e
no agora,
como viverá logo mais,
na eternidade que tem
aqui o seu começo.
Vivemos como
mendigo e andarilho, sim,
mas cada um de nós é herdeiro
de uma fortuna
inimaginável,
eterna.
Eneas Paulo Budel Bogucheski
Atualizado em 21/09/2016
Atualizado em 26/04/2026
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