domingo, 26 de janeiro de 2014

22.- Heipo. O Heipo já está gastando a herança.




Alguém teria que escrever 
um romance ou editar um livro 
procurando revelar o ideal de um jovem 
ou o jovem ideal. 


Eu tentei. 
Criei o personagem Heipo 
e tentei escrever o que de melhor existe 
em cada pessoa humana. 


Aí o Heipo apareceu 
e você botou os olhos neste texto 
que quer crescer e se tornar um livro,
(que cresceu, evoluiu e se tornou um livro). 




O Heipo é a melhor parte 
que existe em você. 


Ele se apresenta de diversas formas, 
romântico ou natural, e às vezes, 
como poeta ou como profeta 
ou até mesmo, como um mendigo, 
andarilho no mundo, carente. 


Cada ser humano que passa ao nosso lado
é um ser original, diferente e único.



Somos todos iguais,
mas somos todos diferentes.



Algo é comum em todos nós:
caminhamos sobre a terra 
usando nossos pés.

Temos a mesma origem
e teremos todos o mesmo fim.


Nesta travessia,
nesta aventura, 
nada nos diferencia.



Somos andarilhos e mendigos
e não percebemos ainda
o herdeiro escondido no mendigo.


De cada uma das pessoas
com quem convivemos
temos algo a aprender.


Cada um é professor ou mestre,
aluno ou discípulo,
carregado de experiência únicas,
que fazemos questão de partilhar.


Somos portadores 
de antenas de percepção,
sintonia, olhares vivos 
e ouvidos atentos.


Somos em parte imperfeitos,
mas já somos, em grande parte, 
perfeitos,
pois já estamos equipados
com ferramentas ideais
para agir e reagir com charme,
provocando admiração.


Não somos robôs.


Esta é uma verdade: 
não somos robôs.


Não estamos desligados
da tomada da sensibilidade.


Estes seres humanos
que passam e vivem ao nosso lado,
estão equipados com afeto,
ternura e sentimentos.

Somos seres
extremamente importantes,
de valor.


Esta é a verdade
que queremos respeitada.


Somos um complexo de emoções,
racionalidade e espiritualidade.


Somos seres especiais
com capacidades
que ultrapassam nossa humanidade.


Somos os ricos herdeiros,
vestidos ainda, 
com trajes de mendigos.


O Heipo é o poeta ou o profeta
escondido em cada pessoa humana.


O Heipo vem para o palco
quando entra
na profundidade do seu próprio ser,
onde está escondida, 
empoeirada ou sufocada
a saudade eterna do Criador 
que é o Deus e Pai.


A saudade do Deus Pai
é aquela sutil insatisfação
que sentimos de vez em quanto
perante esta vida que vivemos,
e que nos faz perguntar
pelo sentido da vida
ou pelo significado
de tudo que existe.


As reações
de inconformismo
é o jeito do Heipo
reagir a tudo o que não responde,
ansiando em viver e vibrar
com todos os valores, e
expressar com autenticidade
os tesouros que possui,
em sua interioridade.



E, quando o Heipo é atrofiado,
sufocado, desvirtuado e
despersonalizado,
ele procura
compensar o vazio, 
no desvio.


Quando uma pessoa humana
desconhece o Heipo,
ignora o ideal da vida,
acostuma-se com a rotina
e vai vivendo
de qualquer jeito,
acostumando-se com as lamentações,
com as tristezas,
com o pessimismo
e com o derrotismo.


Amargurada, 
amargura a vida dos outros.

Torna-se uma pessoa insatisfeita,
dividida, desnorteada, pesada,
e com nada e com ninguém
encontra companhia
que lhe satisfaça,
por muito tempo.


Insegura, vive como órfão,
sem pai nem mãe, sem irmãos,
sem companheiros de caminhada.



Onde foi parar o encanto da vida?


Onde anda 
o divertimento, 
o piquenique, 
o passeio em família?


Porque a orquestra 
soa tão distante?


Em verdade vos digo: 
se não mudardes
e não voltardes a cultivar
as qualidades próprias das crianças,
de modo algum entrareis 
no reino dos realizados,
e, portanto, não desfrutarás 
das alegrias mais puras e
perderás os maiores dons
que lhes foram destinados.


Uma vez desperto,
o Heipo é a esperança 
de que as coisas comecem a melhorar,
para si e para os outros 
e para toda a humanidade.

Onde existe um Heipo desperto
ali a história toma uma direção definida
e construtiva.


Quando o Heipo desperta
tudo começa a andar nos trilhos.


Tudo recomeça a dirigir-se naturalmente
para o seu fim,
a realização máxima das suas potencialidades
em direção à perfeição.


"Todo ser como tal é bom, isto é, 
é capaz de satisfazer 
as necessidades de um outro ser 
e de lhe comunicar 
as perfeições que lhe faltam"

Este é o maior pensamento 
do filósofo Aristóteles. 

Este é também o princípio primeiro 
editado pelo Deus Pai 
Criador do Céu e da Terra.


Está escrito no Livro do Gênesis 
que quando o Deus Criador 
terminou a sua obra, 
viu que tudo era bom.


O Heipo
é a tendência natural das pessoas,
para a bondade, para a verdade,
para a beleza, para a dignidade,
para a sacralidade, para a perfeição
e para a imortalidade.


Há um Heipo por perto
quando observa ao seu lado,
uma pessoa curiosa, ansiosa e teimosa,
com olhar perdido nos horizontes,
procurando algo,
que parece estar lhe faltando.


Há um Heipo por perto
quando você percebe alguém
olhando espontaneamente para o céu,
mirando e admirando as estrelas,
querendo alcançá-las com as mãos.



O Heipo
é filho da dona Terra
e do Senhor dos Céus.


O Heipo
é terráqueo
com potência
capaz de atender 
a muitas expectativas.


Plantados aqui,
quando a casca desgastar,
a semente explodirá.

A nova criatura,
de dentro da semente que explode,
nasce para outro espaço,
não mais para a terra,
por não caber dentro dela,
mas para o infinito,
onde o espaço é ilimitado
e onde cabe nossa sede e vontade
de viver para sempre.


O dia quase não tem importância
quando se anseia pela noite chegar.


E quando a noite chega,
Heipos olham para o céu
e contemplam as estrelas.


E ficam ali, perdendo tempo,
pensando não sei o quê.


Imóvel, cabeça erguida, 
mirando o alto.


Horas e horas olhando para as estrelas,
que vem se mostrar durante as noites,
querendo dizer algo, sem ruídos,
sem palavras.

Mas as estrelas gritam alto,
tão altas e tão longe,
a mensagem do Deus Criador,
Pai bondoso.


Quantas mensagens 
elas anseiam entregar.


E há poucos Heipos, olhando, 
escutando, tentando interpretar.


O Heipo
é aquela qualidade divina
que se instala na pessoa humana
desde o seu nascimento,
que o faz olhar para cima,
olhar para o alto,
procurando ver no espaço infinito,
a sua Pátria definitiva.

O Heipoé um extraterrestre
que constrói a sua nave aqui na terra,
e quando morre,
vai nesta nave, até o céu,
onde é a definitiva morada.


O nosso Pai do céu
precisou do homem da terra
para encarnar-se.


O Criador dos céus e da terra
criou o homem e a mulher
à sua imagem e semelhança,
prevendo que um dia viria morar aqui,
e não seria um estranho.


Quando seu Filho,
de fato veio,
como já tinha um molde aqui na terra,
foi fácil ajustar-se nele.


O Criador dos céus e da terra
precisou do ser humano para expressar-se
de uma maneira futura, no presente.


O Heipo é aquela graça,
aquele jeito de ser igual ao Pai,
Criador e Gerador.


O Heipo
é aquele personagem já quase divino
que se manifesta na pessoa humana
que é consciente de ser Filho do Pai Celeste.


O Heipo
é um personagem meio estranho,
parece um mendigo,
bem diferente, muito humano,
quase divino, artista, muito anjo.


É surpreendente.

É misterioso.


Mas já um pouco, 
do jeitão de viver, de lá.


O Heipo tem fome.


Fome de viver profundamente,
por isso é meio esquisito, ansioso,
com ar de quem está sempre procurando,
e nunca encontrando.


Cada pessoa humana,
quer viver mais do que experimenta
como pessoa.


Por isso o ser humano sonha
em conhecer o mundo lá de fora,
todo o Universo.

E sonha também conhecer
o Criador deste Universo infinito.


Cultivar o Heipo anjo
e o Heipo artista
é condição de coerência vital.


Dar chances
para que o Heipo se manifeste
é condição de saúde, de equilíbrio 
e desenvolvimento.



É criar condições
para que o ser humano satisfaça
a potencialidade que anseia 
pela perfeição.



O Heipo
tem sede do Infinito.


O Infinito é o único lugar 
onde o Heipo cabe.


Nada pode prender, 
sufocar ou destruir
o espírito que vive no Heipo vivo,
desperto e ativo.


Se você não libertar o teu Heipo,
ele se fechará, ele se guardará
e você não sentirá mais,
deixará de vibrar e cantar,
perderá a graça em tudo o mais.


Nesta condição experimentará a limitação,
a angústia, a depressão, os desequilíbrios,
pois que não estarás alimentando o centro,
o eixo da sua verdadeira personalidade.


O filme da sua vida 
deixará de ser colorido
e o mundo não mais lhe sorrirá
e os teus olhos deixarão de brilhar.

Os teus lábios secarão 
e o sorriso murchará.

E o bom humor natural 
não terá mais graça
e se imporá como o mau humor.

Não permita isso. 
Você tem o poder 
de comandar sua vida. 


O Heipo
quer mostrar
que o real talvez seja outra coisa,
outra arte ou outra dimensão.


Não aceitemos cavalgar na ilusão,
na mentira que galopa na garupa 
da realidade visível,
se ela não responder 
aos anseios da nossa humanidade.


Não podemos nos acostumar
a curtir a vida
sem sentir o verdadeiro sabor 
desta vida.


Tem mais saber e sabor 
dentro da vida.


O Heipo não é apenas 
uma criação da imaginação. 

Não é fantasia nem idealismo. 

Não é também literatura sem finalidade.


O Heipo é algo concreto 
que existe em cada pessoa humana.

Você experimentou 
diversos sentimentos e pensamentos 
enquanto lia estas linhas. 

Era ele, o Heipo querendo manifestar-se 
mais livremente, 
sem complexos de inferioridade, 
incapacidades ou limitações.



Existe uma mensagem na insatisfação:
é a fina chama que não quer apagar-se.


Você tem o poder
de manter acesa esta capacidade.


Liberte o teu Heipo. 
Dê asas para ele. 


Seja verdadeiramente o sujeito
da construção da tua vida pessoal.


A ti foi dada uma vida.

Você está vivendo.

Você está no palco dos vivos.


Foi escalado para jogar no time principal.
Não está só na arquibancada, aplaudindo.

Até aqui estamos vencendo.



Bem aventurados somos nós,
desde nosso nascimento.


Não fomos projetados
para viver nos infernos,
no mundo da amargura
ou da desesperança,
do sem sentido e sem finalidade.


Fomos feitos
para viver como Heipos,
amadurecidos e transformados
nos filhos do Paizão dos céus.


Você ter chegado até aqui, 
nas linhas e nas entrelinhas deste texto, 
deve ter tirado a conclusão 
de que o Heipo é a sua própria alma.


Portanto, se vive, tem alma.


A alma é esta dimensão infinita
que vive dentro deste nosso corpo finito.

É o anjo vivendo no artista.
É o artista desejando já ser o anjo.


O Heipo
tenta viver no aqui e no agora,
como viverá logo mais,
na eternidade que tem aqui o seu começo.


Vivemos como mendigo e andarilho, sim, 
mas cada um de nós é herdeiro 
de uma fortuna inimaginável,
eterna. 


Eneas Paulo Budel Bogucheski               

Atualizado em 21/09/2016
Atualizado em 26/04/2026

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