domingo, 26 de janeiro de 2014

32.- Infinito. O infinito faz cócegas e desafia.



Olhar para cima,
procurando saídas.
Sonhar com a eternidade
e pôr-se a caminho,
construindo-a.

Há algo mais
que nossas capacidades mentais
possibilitam conhecer.

 
Há algo mais
além do que nossos olhos veem.

 
Há algo mais para lá
do que nossos sentimentos
experimentam e sentem.

 
Há algo mais
que a fé diz existir
e que ainda nos escapa.

 
Há algo em nós
que é sobrenatural,
e que nos ultrapassa
e que esconde ‘algo’.

 
Há algo mais
que nos provoca,
atraindo-nos e nos chama
e nos deixa ansiosos.

 
O que é desconhecido
quer se fazer conhecido.

 
O que nos mantém presos e inseguros
é a sensação do despreparo.

 
Se nos sentimos despreparados
é porque não nos conhecemos o suficiente.

 
Receamos conhecer o desconhecido
que promete mais
e nos acomodamos com o conhecido
que não nos realiza.

 
Em cada um de nós
existem possibilidades desconhecidas,
ainda dormindo.


Abrir-se ou aventurar-se
no campo do infinito
é a maior de todas as ambições humanas.

 
É uma aventura, quase um escape,
um querer fugir do mundo pequeno.

 
É uma revolta
contra tudo aquilo
que não preenche,
não completa, não realiza
e deixa um sutil sentimento 
de frustração.

 
Abrir-se para o infinito
é romper as fronteiras e os limites.

 
É vivenciar os melhores valores
que tens à sua própria disposição.


Estes valores, vivenciados,
provam a existência do céu.


O infinito 
faz cócegas no finito.

O infinito 
desperta a curiosidade.

 
O infinito, abre as portas 
para esperanças novas.

 
Sou o mais completo, complexo
e complicado ser da criação.

 
Mas experimento também
a força da limitação.

 
Mas esta limitação,
é apenas um detalhe,
um componente do todo.

 
Não é um obstáculo
intransponível.

 
Tenho ideais
mais altos e mais fortes
do que sou.

 
Tenho sonhos infinitos
que querem alargar
os limites do que sei 
e experimento.

 
Minha fragilidade humana limita
o que de eterno há em mim.

 
O que há de finito em mim,
serve de copo para recepcionar 
o infinito.


Cabe? Cabe sim,
vazando, escapando,
segurando as sobras
que satisfazem.

                         
Quão pequeno sou,
quase incapaz,
mas teimoso e esperançoso,
tento fazer caber
dentro das minhas limitações,
o maior”, o imenso, o infinito.

 
Há de caber o que não posso conter?
Se não couber todo, há de vazar.

 
Mais mérito há de ser assim,
do que manter vazio
um espaço criado
para recepcionar o infinito.


Está para acontecer,
a qualquer momento,
se não me arrebento,
coisa grande vai acontecer.

 
      Será que estamos à porta?
           ou à beira, do fim? 
                 Ou de um novo grande evento?

                       Um recomeço?

 
   Vamos continuar.

    É melhor arriscar,
    do que ficar por aqui, parado.


    Aqui, a ‘coisa’ vai acabar.
       Lá, a ‘coisa’ está sempre a começar.


  Esta inquietação
    atrai e convida,
      e se expõe e se impõe.
   
   É uma atração.
       Espera um sim.   
            Exige uma resposta.  

 
Não há como resistir.

Não é algo comum.

 Não faz parte da rotina.

 Escapa das nossas mãos e visões.

 

Não vejo a mesma ânsia nos outros,
     meus irmãos, meus iguais.

Será um dom ou uma teimosia? 
Um desequilíbrio da minha natureza?

 
Na grande síntese da vida
     apenas três realidades existem:
          o mundo, o homem e o nosso Pai Criador.

Destas três a que menos conhecemos
é o nosso próprio Pai Criador,
o Criador do Cosmos 
e do Infinito. 

 O que sei e o que não sei,
do Deus Uno e Trino,
merece maior investimento meu.

 
 O mundo visível, já o conhecemos,
    mesmo que superficialmente,
      pois que somos barro da terra.


O mundo invisível
esconde códigos e senhas
e estamos começando a decifrá-los.


Do homem temos um razoável conhecimento
     pela História e pela lida, no dia a dia.


Estamos continuamente,
uns ao lado dos outros.


 E muitos de nós,
causamos espanto e surpresas.

 
Na natureza humana 
surgem algumas interrogações.

 
As definições filosóficas e científicas
não esgotaram a intimidade,
o conteúdo e as promessas feitas
às criaturas humanas,
imagem e semelhança do Pai Criador.

 
Há ansiedade insatisfeita.
Há profundidade infinita
na natureza humana
que só o infinito pode suavizar,
que só o infinito pode ‘encher’.

                                               
Do Deus Pai e do Deus Filho
   e do Deus Espírito Santo,
      as fontes de pesquisas são infinitas.

E é por aqui que agora havemos de pisar.

Esta parceria, promover para aliança,
   é a mais acertada tacada
      do nosso último empreendimento
        na escalada da pirâmide da perfeição.


Devemos desistir?
Mas por que deixar como está?
Na escuridão?
Ignorando a fonte da Luz
que nos faz enxergar
lá do outro lado, do IN-finito.

 
Quero morar lá, onde mora o Infinito.

Algo em mim impulsiona,
    energiza e anima
        o que tenho de humano,
           em direção a algo mais,
               além deste mundo,
                     além do que vejo,
                        sinto e percebo.

 
Algo condiciona e impulsiona
   meu frágil ser,
      a expressar-se
         mais do que posso.

 Algo me anima
   a querer e poder
     mais do que sou.

 
Não ao não,
mas sim ao sim.

    Sinto cócegas.
    Preciso me coçar.


Numa hora quero ser mais livre,
     quero voar, mas não consigo, não tenho asas.

        Noutra hora quero transportar-me
             para o alto da montanha,
                 sem dar os passos
                        por entre as pedras.

 
Querendo ser mais
    experimento as barreiras,
         as cadeias, as cordas,
                as correntes, as carências,
                    as impotências e a paralisia.

 
Eis que ainda sou uma mistura de massas,
   composta pela síntese mineral,
      vegetal, animal e humana,
          habitado por migalhas de infinito.

 
Quero devolver-me ao infinito
   mesmo sendo massa pesada.


Sei que minha alma é leve 
e transparente.

 
Estou na terra, 
mas não sou terráqueo.

     Se daqui eu fosse, 
        seria muito mais sossegado.

 Mas tem coisa dentro de mim
   que cutuca o bicho preguiça,
     que desperta outro bicho,
       escondido, atrás desta natureza humana,
            projetada para novos horizontes,
                novos espaços, novo jeito de ser,
                    ainda desconhecido.


De repente, de novo,
    experimento-me
        curtindo uma expectativa
           uma esperança,
              ou uma ânsia,
                  uma saudade
                     que me parece 
                     não ser minha.

 
Uma sensação
de que não sou daqui.

 
Não me acostumo
com minhas limitações.

 
Meus limites temporários
fazem-me esquecer
que sou humano,
limitado pelos dois pés.

 
E me fazem sentir
o que é ser já, eterno, sem ser.

 
E aí o tempo passa
e eu não percebo
o tempo passar.

 
Será esta a sensação
de sentir, que não sou daqui?


Eis que sou e estou
morando no tempo.

 
No Céu, fora do tempo,
  o meu e nosso Pai,
     o Artista que nos criou,
        o Perfeito está sempre chamando
            Vem’.

 
     Existe uma ânsia,
     uma vontade ou um sonho
     que arde dentro de cada um de nós,
     pessoas humanas realmente,
     e divinas potencialmente.

 
O que há de humano em nós,
contenta-nos ou nos humilha.

 
O que há de divino em nós
manifesta-se como sede
que não sacia,
e como obra de arte,
inacabada.

 
Eneas Paulo Budel Bogucheski           
Atualizado em 02/02/2016
Atualizado em 22/05/2026

eneaspb@gmail.com 

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