O homem é um caniço,
mas um caniço pensante.
Blaise Pascal*
Blaise Pascal*
nasceu em 19/06/1623 e morreu em 19/08/1662.
Foi cientista, físico, filósofo,
matemático e teólogo francês.
Nasceu em Clermont-Ferrand, França e faleceu em
Paris, França. Foi um dos pensadores que mais profundamente percebeu
a pequenez
do ser humano,
mas não ficou só aí, percebeu também
a nossa grandeza.
Percebemos a grandeza
para a
qual fomos criados?
Desconhecemos
sim, porque nada ou quase nada tem feito para escapar dos limites que se
apresentam à condição humana.
Duas observações
são necessárias para motivar o desenvolvimento deste texto.
Primeira: somos daqui, da terra.
Aqui nascemos, vivemos, agitamo-nos e morremos.
Segunda: desconhecemos a grandeza
para a qual fomos projetados.
Desconhecemos e não damos a devida importância a esta realidade.
E não nos importamos.
Estas atitudes confirmam que usamos muito pouco do potencial que temos à
disposição.
Não estamos sendo suficientemente inteligentes.
Considero mais uma atitude de fraqueza do que de coerência.
É incoerente não dar importância a algo que é de extrema importância.
Destas duas
afirmações a primeira é mais fácil de aceitar, por ser evidente.
Estamos aqui e tudo o que acontece por aqui nos é familiar e fácil de
digerir.
Vemos, lemos, tocamos, medimos, ingerimos, avaliamos, somamos, registramos e
raramente fica alguma coisa sem explicação.
A segunda afirmação pode ser tão verdadeira, mas não atrai nossa curiosidade
porque não estamos habituados a entrar no campo do diferente, uma dimensão
acima da qual estamos acostumados.
A dimensão da galinha está na via horizontal.
A da águia está na dimensão de altura e
horizontalidade.
Esta segunda dimensão exige o esforço.
O esforço é a senha que abre os arquivos do aperfeiçoamento.
Nesta segunda dimensão, há o necessário esforço para decifrar códigos,
vislumbrar sinais, acenos, pistas, acenos. Exige um pouquinho de esforço, mas
compensa.
Uma das leis da vida é que todo esforço compensa.
Toda atitude de moleza enfraquece, despersonaliza e aliena.
Queremos
fortalecer as afirmações acima com a frase do jornalista americano Orison Swett
Marden*: “O maior pecado do ser humano é ignorar suas forças interiores,
seus poderes criadores e sua herança divina”. *Orison Swett Marden 26/07/1850-10/03/1924. Foi jornalista, editor e
escritor americano. Nasceu em Thornton Gore, New Hampshire/EUA. Fundador da
revista Sucesso. Autor do Livro: Empurrando para frente. Seus temas
relacionam-se à força de vontade e pensamento positivo.
E, para que
reconheçamos a importância do assunto que queremos tratar neste capítulo,
transcrevemos a frase de um dos cientistas da atualidade dentro do campo da
física teórica e quântica, Stephen William Hawkin*: “Se confinássemos nossa
atenção somente aos problemas terrestres, estaríamos limitando o espírito
humano”. Stepen William Hawking
08/01/1942. É físico teórico e cosmólogo ingles. Especialista no campo da
relatividade e gravidade quântica. Doutor em cosmología. É portador da doença
‘distrofia neuromuscular’, semelhante à esclerose, deixando-o quase paralisado.
Nasceu em Oxford, Reino Unido.
Parece que alguma
coisa está errada na humanidade que não percebe a abertura para alguma coisa
maior, superior ao natural.
Essa atitude de indiferença gera a desmotivação para a pesquisa daquilo que não
é conhecido.
O comportamento, a
psicologia e a filosofia de algumas pessoas demonstram que muitas
potencialidades naturalmente humanas permanecem pequenas dentro do estoque dos
nossos projetos, anseios e ideais.
Muitas capacidades que existem em nós já deveriam estar em estágio adiantado,
mas permanecem na infância ou na adolescência da maturação.
Como adolescentes,
opomos resistências a certos princípios educativos que facilitam o desabrochar
e o amadurecimento da personalidade infinita que existe latente dentro do ser
humano.
Desconhecer a
verdade sobre a natureza, sobre o universo, sobre o sentido da vida, provoca
desequilíbrios na pessoa.
Desconhecer a grandeza da pessoa humana bem como a grandeza do universo pode
influenciar negativamente o humor e o sentido da vida de muita gente.
Por ser imagem e semelhança com o Criador, o ser humano não cresce se não
procurar identificar-se e assimilar as qualidades do seu Pai, na sua vida.
As doenças, os
hospitais, as depressões testemunham e confirmam a influência da ignorância, do
desconhecimento das leis fundamentais da vida, como a lei do amor e do serviço.
Ser útil para os
outros é a fórmula e a resposta do sentido da vida e do equilíbrio no
relacionamento humano entre as profissões e profissionais.
Quase todos os
nossos projetos estão elaborados para o horizonte terráqueo, dentro dos limites
geográficos e dentro do alcance das nossas visões pessoais.
Acordemos os
engenheiros e arquitetos que reconstruirão a nova Torre de Babel, agora
construída sobre novos fundamentos: o fundamento do Heipo.
Como o Heipo queremos subir, ver no céu, nosso definitivo aposento. A motivação
que levou à construção da Torre de Babel estava correta, construções para cima,
para o céu.
Queremos uma casa
permanente, lá em cima, onde teremos uma vista para todos os cantos do universo
infinito.
Algumas coisas na
vida funcionam como os carros que precisam ser reabastecidos nos postos de
gasolina. Quando o carro está pifando, e a luzinha avisando que a gasolina já
está na reserva, procuramos um posto e reabastecemos.
Acontece na vida,
muitas e muitas vezes, sinais de desanimo. Quando menos percebemos,
encostamos o carro da nossa vida na garagem do abatimento, das frustrações e
decepções, e ficamos lamentando a falta de motivação, ideias, entusiasmo e
inspiração.
Ora, quando algo
nos falta, ou quando algo começa a nos preocupar, a lógica nos impulsiona para
a busca das soluções. Reabastecemos o veículo com combustível. Reabastecemos
nossos ideais com pesquisa, conhecimento e motivações.
A busca da solução
é comparável ao ato de procurar um posto de gasolina para encher o tanque
quando percebemos que está quase faltando combustível.
Vou apresentar
para vocês um posto de gasolina, com combustível apropriado para esta parte do
texto. Encha o teu tanque de motivações sobre a verdadeira grandeza que somos
nós. E saibamos também quais as promessas que nos foram feitas pelo Criador, nosso
Pai dos céus.
Vamos então encher
o tanque com as convicções sobre a nossa grandeza, esse potencial tão
desconhecido, lendo e assimilando o que os escritores abaixo deixaram
registrado.
A grandeza é uma condição espiritual. Mathew Arnold*.Matthew Arnold 24/12/1822-15/04/1888. Foi poeta e crítico literário
inglês. Nasceu em Laleham e morreu em Liverpool, Reino Unido.
Este poeta percebeu que o valor maior que existe no
ser humano é a sua capacidade espiritual. Cultivar o que há de melhor e maior
em cada um de nós, é bom senso e sabedoria. Ignorar esta capacidade ou não lhe
dar a devida atenção é o maior de todos os defeitos que a pessoa humana pode
cultivar.
"Dizer
que o homem é uma mistura de força e fraqueza, de luz e treva, de pequenez e
grandeza, não é julgá-lo, é definí-lo." Denis
Diderot*. Esta frase justifica e dá forças para o título deste texto. Denis Diderot 05/10/1713-31/07/1784. Foi
escritor, filósofo e ensaísta francês. Nasceu em Langres, França e
faleceu em Paris, França.
Somos, portanto,
seres especiais, portadores de potencialidades que nos projetam para além do
que somos e aparentamos. Estas potencialidades agitam-se em nossas entranhas,
esperando, como as sementes, explodir, serem descobertas, treinadas e
aperfeiçoadas.
Seremos
pessimistas, tristes e derrotados se ficarmos, como as galinhas que possuem
asas e não voam. Nestas condições, focados na terra, os olhos direcionam-se só
para baixo, ciscando o chão da vida, envolvidos com o pessimismo e tudo o que
condiciona e se relaciona a este fator de fracasso. Não é este nosso
ideal. O personagem Heipo vem com outra proposta.
Voltamos ao
conteúdo do livro do escritor Leonardo Boff*, “A Galinha e a Águia: uma
metáfora da condição humana”, para fazer algumas reflexões a partir do rico
conteúdo que se encontra no livro.
O escritor compara as duas dimensões na qual o ser humano está envolvido: a
dimensão da terra e a dimensão do infinito que está dentro de nós.
“Seremos possuidores
de um comportamento otimista e alegre se,
como as águias,
possuidoras de asas,
experimentarmos a liberdade dos espaços,
e voarmos alto,
procurando as oportunidades
que o universo disponibiliza”.
Leonardo Boff
14/12/1938. É teólogo, filósofo, escritor e professor universitário brasileiro.
Nasceu em Concórdia/SC. Expoente da Teologia da Libertação no Brasil. A Águia e a Galinha: uma metáfora da condição
humana. Editora Vozes, Petrópolis–RJ.
Este livro proporciona um aprofundamento
necessário à compreensão
do que aqui
foi abordado rapidamente.
As galinhas desde sempre, possuem asas.
Elas voavam.
Lá pelas tantas da caminhada, os homens se
tornaram caçadores. Tinham dificuldades para caçar galinhas. Tiveram a ideia de
criá-las fechadas ou cercadas. As galinhas criadas em ambiente fechado, com o
tempo deixaram de voar, mesmo soltas. Das galinhas criadas soltas, cortavam as
asas. E elas já não podiam voar. Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, já não
voam mais. Continuam tendo asas. Mas por que não voam mais? Acostumaram-se.
Atrofiaram uma das suas potencialidades. Adaptaram-se ao conforto,
à acomodação. Não exploram mais lugares novos, situações novas.
Trazendo o exemplo para a nossa vida, temos que fazer uma reflexão.
Não temos asas e não voamos.
Mas intimamente possuímos algumas capacidades
que nos identificam com as águias.
Temos asas sim, e temos que voar.
Pode ser que tenhamos muito da galinha, mas temos
muito mais das águias.
Temos asas invisíveis. Cada um de nós precisa
avaliar se não está sacrificando a águia que está dentro de si.
Já estamos capacitados e projetados para
alcançar a nova dimensão divina.
Desde que nascemos, nascemos equipados com
asas invisíveis ... Por isso o Heipo insiste em levar o leitor a procurar
recuperar a sua originalidade.
Esta originalidade
está perdida em algum lugar dentro da nossa própria personalidade.
Está escondida ou
dormindo dentro de nós.
Pelo que vimos até
agora, percebemos a riqueza e o potencial da pessoa humana.
O reino humano está classificado
apenas a uma dimensão inferior que a dimensão divina.
Estamos apenas abaixo dos anjos,
lemos em algum lugar da Bíblia.
Mas já estamos capacitados com
alguns atributos que nos projetam para fora do reino humano.
Porém, até o dia de hoje nossas incapacidades atuais não estão suficientemente
treinadas.
Um pouco mais na
frente, serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.
Pouco sabemos
sobre a dimensão divina.
Mas é algo que precisamos saber.
Não podemos fugir
ou ignorar tal realidade.
A indiferença ou apatia, neste campo,
atrapalha ou interrompe a evolução.
O que sabemos é
que, ou aceitamos esta dimensão superior da qual já temos algo, ou negamos a
existência do nosso Pai, Criador do universo, e aí tudo ficará sem explicação
mesmo.
E nós acabaremos morrendo na praia.
Tão perto e tão longe.
Tão íntimas e tão desconhecidas,
qualidades divinas escondidas,
no humano.
Na linha que o
Heipo vem apresentando, percebemos que possuímos algumas características que
não são próprias de nós, humanos.
Ou melhor, são próprias dos seres humanos evoluídos, que ultrapassaram a
definição e condição animal, domesticaram e canalizaram as forças dos instintos
pelo comando da razão.
E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual, aperfeiçoa esta nossa pobre
natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade ou dignidade de filho do
Deus Criador, ou Imagem e Semelhança Dele.
Estas afirmações são verdadeiras. Tão verdadeiras que quase não acreditamos.
Estudando e
pesquisando as capacidades de aprendizagem e domínio de nós mesmos, fomos
percebendo uma força extra, enxertada ou acoplada em nossa estrutura pessoal,
isto é, a capacidade espiritual que nos promove para além da animalidade e da
marca registrada de humanos.
Esta capacidade espiritual, rompe, ultrapassa a horizontalidade e projeta-nos
para a dimensão vertical, da altura e profundidade, num campo ilimitado.
Neste momento
podemos fazer uma avaliação da nossa caminhada até o dia de hoje: em qual das
dimensões estão os nossos sonhos e projetos?
Na dimensão horizontal ou na vertical?
Na dimensão horizontal
existem limites e barreiras,
mantendo-nos por aqui.
Na vertical há o infinito que atrai
e nos projeta para além de nós mesmos.
Lendo os livros da
história,
percebemos que ela é evolutiva.
Se lá no distante passado
andávamos de quatro, olhando quase só para o chão, evoluindo, passamos a andar
só com os dois pés.
Ficamos em pé, ficamos maiores.
Levantamos nossos olhos
e começamos a olhar
para mais longe e para cima.
Já não olhamos tanto para o chão.
E foi a partir desta
situação e condição
de pessoas eretas que vislumbramos
um universo infinito.
Nosso criador, que
é nosso Pai,
mora nos céus.
Por isso, por um instinto de saudades ou de esperanças, não nos cansamos de
olhar para lá.
Somos filhos e herdeiros dos céus,
mas ainda estamos na terra.
Mas há uma semente viva,
escondida nalguma parte de nós.
Não estamos
contentes
porque ainda não estamos completos.
Ainda há muito a evoluir.
Desta situação e condição de incompletude, brotam perguntas que viajam para
além das fronteiras do conhecido pela razão.
A dimensão divina
ainda não é para nós a desejada dimensão limpa, transparente e perfeita. Existem
resistências em nossa natureza humana, revoltadas pelo sentimento de
incompletude.
Temos apenas alguns elementos ou atributos dentro da constituição humana que
nos despertam e cutucam, provocam e ficam sem respostas definitivas.
Mas já temos experiências, e por mais fracas que sejam nos convencem.
O principal meio disponibilizado para nós nesta aventura é a fé.
Por mais fracos que sejamos, aceitamos as dúvidas e nos pomos a caminho, com a
livre convicção que é preferível e mais vantajoso caminharmos de olhos vendados
nesta escalada do que, de olhos abertos não encontrarmos as respostas
definitivas para o sentido da vida e da morte.
Aceitar a deficiência parcial das nossas faculdades neste campo não é de todo
ingênuo e impeditivo, mas desafio e provocação para a busca das respostas
definitivas.
Na dimensão
divina está o Ser e a existência do nosso Pai Criador, o Deus Trindade.
Nesta dimensão reside o mistério.
Mistério não como algo que não pode ser conhecido, mas mistério como algo que é
inesgotável o conteúdo de conhecimento.
Mas o Mistério foi revelado como Pai.
O Filho veio, esteve aqui e revelou o Pai Nosso. E a grande notícia é que somos
filhos à Sua Imagem e Semelhança. Não só filhos, mas herdeiros.
Acreditar nesta
verdade exigirá toda a reviravolta existencial: passar a cultivar a dimensão do
invisível.
É o novo desafio, a nova ciência,
a última e definitiva ciência.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Criado em
12/03/2014.
Atualizado
em 29/01/2016 publicado no n. 10.
Atualizado em 14/04/2026 com o numero 1089 e repub neste BLOG.
eneaspb@gmail.com 41 98854 5166
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