domingo, 26 de janeiro de 2014

1089.- Grandeza. O homem é um caniço, mas um caniço pensante.




O homem é um caniço,
mas um caniço pensante.

Blaise Pascal*
Blaise Pascal* nasceu em 19/06/1623 e morreu em 19/08/1662. 
Foi cientista, físico, filósofo, matemático e teólogo francês. 
Nasceu em Clermont-Ferrand, França e faleceu em Paris, França.              Foi um dos pensadores que mais profundamente percebeu 
a pequenez do ser humano, 
mas não ficou só aí, percebeu também 
a nossa grandeza.

      Percebemos a grandeza 
      para a qual fomos criados? 

      Desconhecemos sim, porque nada ou quase nada tem feito para escapar dos limites que se apresentam à condição humana.

Duas observações são necessárias para motivar o desenvolvimento deste texto.


Primeira: somos daqui, da terra.

Aqui nascemos, vivemos, agitamo-nos e morremos.


Segunda: desconhecemos a grandeza para a qual fomos projetados. 

Desconhecemos e não damos a devida importância a esta realidade. 

E não nos importamos. 

Estas atitudes confirmam que usamos muito pouco do potencial que temos à disposição. 

Não estamos sendo suficientemente inteligentes. 

Considero mais uma atitude de fraqueza do que de coerência. 

É incoerente não dar importância a algo que é de extrema importância.

Destas duas afirmações a primeira é mais fácil de aceitar, por ser evidente. 

Estamos aqui e tudo o que acontece por aqui nos é familiar e fácil de digerir. 

Vemos, lemos, tocamos, medimos, ingerimos, avaliamos, somamos, registramos e raramente fica alguma coisa sem explicação. 

A segunda afirmação pode ser tão verdadeira, mas não atrai nossa curiosidade porque não estamos habituados a entrar no campo do diferente, uma dimensão acima da qual estamos acostumados. 

A dimensão da galinha está na via horizontal.

A da águia está na dimensão de altura e horizontalidade.  

Esta segunda dimensão exige o esforço. 

O esforço é a senha que abre os arquivos do aperfeiçoamento. 

Nesta segunda dimensão, há o necessário esforço para decifrar códigos, vislumbrar sinais, acenos, pistas, acenos. Exige um pouquinho de esforço, mas compensa. 

Uma das leis da vida é que todo esforço compensa. 

Toda atitude de moleza enfraquece, despersonaliza e aliena. 

Queremos fortalecer as afirmações acima com a frase do jornalista americano Orison Swett Marden*: “O maior pecado do ser humano é ignorar suas forças interiores, seus poderes criadores e sua herança divina”. *Orison Swett Marden 26/07/1850-10/03/1924. Foi jornalista, editor e escritor americano. Nasceu em Thornton Gore, New Hampshire/EUA. Fundador da revista Sucesso. Autor do Livro: Empurrando para frente. Seus temas relacionam-se à força de vontade e pensamento positivo.

E, para que reconheçamos a importância do assunto que queremos tratar neste capítulo, transcrevemos a frase de um dos cientistas da atualidade dentro do campo da física teórica e quântica, Stephen William Hawkin*: “Se confinássemos nossa atenção somente aos problemas terrestres, estaríamos limitando o espírito humano”. Stepen William Hawking 08/01/1942. É físico teórico e cosmólogo ingles. Especialista no campo da relatividade e gravidade quântica. Doutor em cosmología. É portador da doença ‘distrofia neuromuscular’, semelhante à esclerose, deixando-o quase paralisado. Nasceu em Oxford, Reino Unido.  

Parece que alguma coisa está errada na humanidade que não percebe a abertura para alguma coisa maior, superior ao natural. 

Essa atitude de indiferença gera a desmotivação para a pesquisa daquilo que não é conhecido.

O comportamento, a psicologia e a filosofia de algumas pessoas demonstram que muitas potencialidades naturalmente humanas permanecem pequenas dentro do estoque dos nossos projetos, anseios e ideais. 

Muitas capacidades que existem em nós já deveriam estar em estágio adiantado, mas permanecem na infância ou na adolescência da maturação.

Como adolescentes, opomos resistências a certos princípios educativos que facilitam o desabrochar e o amadurecimento da personalidade infinita que existe latente dentro do ser humano.

Desconhecer a verdade sobre a natureza, sobre o universo, sobre o sentido da vida, provoca desequilíbrios na pessoa. 

Desconhecer a grandeza da pessoa humana bem como a grandeza do universo pode influenciar negativamente o humor e o sentido da vida de muita gente. 

Por ser imagem e semelhança com o Criador, o ser humano não cresce se não procurar identificar-se e assimilar as qualidades do seu Pai, na sua vida.

As doenças, os hospitais, as depressões testemunham e confirmam a influência da ignorância, do desconhecimento das leis fundamentais da vida, como a lei do amor e do serviço.

Ser útil para os outros é a fórmula e a resposta do sentido da vida e do equilíbrio no relacionamento humano entre as profissões e profissionais. 

Quase todos os nossos projetos estão elaborados para o horizonte terráqueo, dentro dos limites geográficos e dentro do alcance das nossas visões pessoais.

Acordemos os engenheiros e arquitetos que reconstruirão a nova Torre de Babel, agora construída sobre novos fundamentos: o fundamento do Heipo. 

Como o Heipo queremos subir, ver no céu, nosso definitivo aposento. A motivação que levou à construção da Torre de Babel estava correta, construções para cima, para o céu. 

Queremos uma casa permanente, lá em cima, onde teremos uma vista para todos os cantos do universo infinito.

Algumas coisas na vida funcionam como os carros que precisam ser reabastecidos nos postos de gasolina. Quando o carro está pifando, e a luzinha avisando que a gasolina já está na reserva, procuramos um posto e reabastecemos.

Acontece na vida, muitas e muitas vezes, sinais de desanimo.  Quando menos percebemos, encostamos o carro da nossa vida na garagem do abatimento, das frustrações e decepções, e ficamos lamentando a falta de motivação, ideias, entusiasmo e inspiração.

Ora, quando algo nos falta, ou quando algo começa a nos preocupar, a lógica nos impulsiona para a busca das soluções. Reabastecemos o veículo com combustível. Reabastecemos nossos ideais com pesquisa, conhecimento e motivações.

A busca da solução é comparável ao ato de procurar um posto de gasolina para encher o tanque quando percebemos que está quase faltando combustível. 

Vou apresentar para vocês um posto de gasolina, com combustível apropriado para esta parte do texto. Encha o teu tanque de motivações sobre a verdadeira grandeza que somos nós. E saibamos também quais as promessas que nos foram feitas pelo Criador, nosso Pai dos céus.

Vamos então encher o tanque com as convicções sobre a nossa grandeza, esse potencial tão desconhecido, lendo e assimilando o que os escritores abaixo deixaram registrado.

A grandeza é uma condição espiritual. Mathew Arnold*.Matthew Arnold 24/12/1822-15/04/1888. Foi poeta e crítico literário inglês. Nasceu em Laleham e morreu em Liverpool, Reino Unido.

Este poeta percebeu que o valor maior que existe no ser humano é a sua capacidade espiritual. Cultivar o que há de melhor e maior em cada um de nós, é bom senso e sabedoria. Ignorar esta capacidade ou não lhe dar a devida atenção é o maior de todos os defeitos que a pessoa humana pode cultivar.

"Dizer que o homem é uma mistura de força e fraqueza, de luz e treva, de pequenez e grandeza, não é julgá-lo, é definí-lo." Denis Diderot*. Esta frase justifica e dá forças para o título deste texto. Denis Diderot 05/10/1713-31/07/1784. Foi escritor, filósofo e ensaísta francês. Nasceu  em Langres, França e faleceu em Paris, França.

Somos, portanto, seres especiais, portadores de potencialidades que nos projetam para além do que somos e aparentamos. Estas potencialidades agitam-se em nossas entranhas, esperando, como as sementes, explodir, serem descobertas, treinadas e aperfeiçoadas.

Seremos pessimistas, tristes e derrotados se ficarmos, como as galinhas que possuem asas e não voam. Nestas condições, focados na terra, os olhos direcionam-se só para baixo, ciscando o chão da vida, envolvidos com o pessimismo e tudo o que condiciona e se relaciona a este fator de fracasso.  Não é este nosso ideal. O personagem Heipo vem com outra proposta.

Voltamos ao conteúdo do livro do escritor Leonardo Boff*, “A Galinha e a Águia: uma metáfora da condição humana”, para fazer algumas reflexões a partir do rico conteúdo que se encontra no livro. 

O escritor compara as duas dimensões na qual o ser humano está envolvido: a dimensão da terra e a dimensão do infinito que está dentro de nós. 

Seremos possuidores 
de um comportamento otimista e alegre se, 
como as águias, possuidoras de asas, 
experimentarmos a liberdade dos espaços, 
e voarmos alto, procurando as oportunidades 
que o universo disponibiliza
Leonardo Boff 14/12/1938. É teólogo, filósofo, escritor e professor universitário brasileiro. Nasceu em Concórdia/SC. Expoente da Teologia da Libertação no Brasil. A Águia e a Galinha: uma metáfora da condição humana. Editora Vozes,  Petrópolis–RJ. 

Este livro proporciona um aprofundamento 
necessário à compreensão 
do que aqui foi abordado rapidamente.

          As galinhas desde sempre, possuem asas. 

          Elas voavam. 

         Lá pelas tantas da caminhada, os homens se tornaram caçadores. Tinham dificuldades para caçar galinhas. Tiveram a ideia de criá-las fechadas ou cercadas. As galinhas criadas em ambiente fechado, com o tempo deixaram de voar, mesmo soltas. Das galinhas criadas soltas, cortavam as asas. E elas já não podiam voar. Hoje, as galinhas, mesmo as soltas, já não voam mais. Continuam tendo asas. Mas por que não voam mais? Acostumaram-se. Atrofiaram uma das suas potencialidades. Adaptaram-se ao conforto, à acomodação. Não exploram mais lugares novos, situações novas.

          Trazendo o exemplo para a nossa vida, temos que fazer uma reflexão. 

          Não temos asas e não voamos. 

         Mas intimamente possuímos algumas capacidades que nos identificam com as águias. 

        Temos asas sim, e temos que voar. 

       Pode ser que tenhamos muito da galinha, mas temos muito mais das águias. 

        Temos asas invisíveis. Cada um de nós precisa avaliar se não está sacrificando a águia que está dentro de si. 

         Já estamos capacitados e projetados para alcançar a nova dimensão divina. 

         Desde que nascemos, nascemos equipados com asas invisíveis ... Por isso o Heipo insiste em levar o leitor a procurar recuperar a sua originalidade.

Esta originalidade está perdida em algum lugar dentro da nossa própria personalidade.

Está escondida ou dormindo dentro de nós. 

Pelo que vimos até agora, percebemos a riqueza e o potencial da pessoa humana. 

         O reino humano está classificado apenas a uma dimensão inferior que a dimensão divina. 

  Estamos apenas abaixo dos anjos, 
  lemos em algum lugar da Bíblia. 

        Mas já estamos capacitados com alguns atributos que nos projetam para fora do reino humano. 

Porém, até o dia de hoje nossas incapacidades atuais não estão suficientemente treinadas.

Um pouco mais na frente, serão aperfeiçoadas e atingirão o nível ideal.

Pouco sabemos 
sobre a dimensão divina. 

Mas é algo que precisamos saber. 

Não podemos fugir 
ou ignorar tal realidade. 

A indiferença ou apatia, neste campo, 
atrapalha ou interrompe a evolução.

O que sabemos é que, ou aceitamos esta dimensão superior da qual já temos algo, ou negamos a existência do nosso Pai, Criador do universo, e aí tudo ficará sem explicação mesmo. 

E nós acabaremos morrendo na praia. 

Tão perto e tão longe. 

Tão íntimas e tão desconhecidas, 
qualidades divinas escondidas, 
no humano.

Na linha que o Heipo vem apresentando, percebemos que possuímos algumas características que não são próprias de nós, humanos. 

Ou melhor, são próprias dos seres humanos evoluídos, que ultrapassaram a definição e condição animal, domesticaram e canalizaram as forças dos instintos pelo comando da razão. 

E a razão ajudada pela Lei Moral e Espiritual, aperfeiçoa esta nossa pobre natureza, elevando-a para o nível da espiritualidade ou dignidade de filho do Deus Criador, ou Imagem e Semelhança Dele. 

Estas afirmações são verdadeiras. Tão verdadeiras que quase não acreditamos.

Estudando e pesquisando as capacidades de aprendizagem e domínio de nós mesmos, fomos percebendo uma força extra, enxertada ou acoplada em nossa estrutura pessoal, isto é, a capacidade espiritual que nos promove para além da animalidade e da marca registrada de humanos. 

Esta capacidade espiritual, rompe, ultrapassa a horizontalidade e projeta-nos para a dimensão vertical, da altura e profundidade, num campo ilimitado.

Neste momento podemos fazer uma avaliação da nossa caminhada até o dia de hoje: em qual das dimensões estão os nossos sonhos e projetos? 

Na dimensão horizontal ou na vertical? 

Na dimensão horizontal 
existem limites e barreiras, 
mantendo-nos por aqui. 

Na vertical há o infinito que atrai 
e nos projeta para além de nós mesmos.

Lendo os livros da história, 
percebemos que ela é evolutiva. 

        Se lá no distante passado andávamos de quatro, olhando quase só para o chão, evoluindo, passamos a andar só com os dois pés. 

Ficamos em pé, ficamos maiores.  

Levantamos nossos olhos 
e começamos a olhar 
para mais longe e para cima. 

Já não olhamos tanto para o chão.

E foi a partir desta situação e condição 
de pessoas eretas que vislumbramos 
um universo infinito.

Nosso criador, que é nosso Pai, 
mora nos céus. 

Por isso, por um instinto de saudades ou de esperanças, não nos cansamos de olhar para lá. 

Somos filhos e herdeiros dos céus, 
mas ainda estamos na terra. 

Mas há uma semente viva, 
escondida nalguma parte de nós.

Não estamos contentes 
porque ainda não estamos completos. 

Ainda há muito a evoluir. 

Desta situação e condição de incompletude, brotam perguntas que viajam para além das fronteiras do conhecido pela razão.

A dimensão divina ainda não é para nós a desejada dimensão limpa, transparente e perfeita. Existem resistências em nossa natureza humana, revoltadas pelo sentimento de incompletude.

Temos apenas alguns elementos ou atributos dentro da constituição humana que nos despertam e cutucam, provocam e ficam sem respostas definitivas. 

Mas já temos experiências, e por mais fracas que sejam nos convencem. 

O principal meio disponibilizado para nós nesta aventura é a fé. 

Por mais fracos que sejamos, aceitamos as dúvidas e nos pomos a caminho, com a livre convicção que é preferível e mais vantajoso caminharmos de olhos vendados nesta escalada do que, de olhos abertos não encontrarmos as respostas definitivas para o sentido da vida e da morte. 

Aceitar a deficiência parcial das nossas faculdades neste campo não é de todo ingênuo e impeditivo, mas desafio e provocação para a busca das respostas definitivas.

 Na dimensão divina está o Ser e a existência do nosso Pai Criador, o Deus Trindade. 

Nesta dimensão reside o mistério. 

Mistério não como algo que não pode ser conhecido, mas mistério como algo que é inesgotável o conteúdo de conhecimento. 

Mas o Mistério foi revelado como Pai. 

O Filho veio, esteve aqui e revelou o Pai Nosso. E a grande notícia é que somos filhos à Sua Imagem e Semelhança. Não só filhos, mas herdeiros.

Acreditar nesta verdade exigirá toda a reviravolta existencial: passar a cultivar a dimensão do invisível. 

É o novo desafio, a nova ciência,
a última e definitiva ciência.


Eneas Paulo Budel Bogucheski                                     
Criado em 12/03/2014.
Atualizado em 29/01/2016 publicado no n. 10.
Atualizado em 14/04/2026 com o numero 1089 e repub neste BLOG.

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