Criança e Adulto.
Se perdemos o espírito de infância,
perdemos o sentido e a finalidade da vida.
Recuperar o espírito de infancia
deveria ser o ideal dos adultos.
A meta de cada adulto seria essa:
recuperar o espírito de infância.
Quem perde a origem,
perde a finalidade.
Quando somos crianças
vivemos no
mundo perfeito:
somos amados, acolhidos,
valorizados e respeitados.
Amamos, somos amados
e brincamos.
E experimentamos
e fazemos quase tudo que gostamos.
Como é bom ser criança.
Com o tempo,
fomos crescendo
e fomos perdendo a
originalidade,
a espontaneidade e a simplicidade.
O mundo bonito, bom, gostoso,
alegre e
descomprometido,
nos balançava
nos braços afetivos dos pais,
parentes, amigos e
educadores.
Experimentamos
o valor da amizade e das
brincadeiras.
Degustamos o sabor dos pés de moleque,
capilé,
pirulitos, picolés,
aventuras na chuva e na lama,
nas trilhas das matas,
nos
rios e cachoeiras,
nos piquenique e viagens.
Chegando na idade adulta, verificamos
que tudo isto ficou lá para trás?
Não dá para ir até lá,
na infancia, de novo,
buscar o que nos realizava?
Todos aqueles valores
só fazia parte daquela
geração?
Hoje, temos saudades daquele mundo
em que
recebíamos tudo de graça,
sem saber ainda o salário
que a maturidade nos
cobraria
(ou nos pagaria).
Mas mesmo assim,
muitos valores lá atrás
conquistados,
ainda hoje permanecem, tendo valia.
Há um mundo aos nossos pés,
e obediente às nossas mãos.
Um mundo de pessoas
iguais a cada um de nós.
Gostamos de conversar,
divertir-se, estudar, trabalhar
e ser alguém
querido e reconhecido.
Há um mundo sadio e construtivo
saudável, alegre e digestivo,
inteligente, criativo e bondoso,
moderado ou mesmo, sem limites.
Esse viver a fase adulta
com espírito de infância,
é um fruto que carrega a nossa bateria,
com carga interna,
de porções iguais ou desiguais,
das delícias daquela época.
Na fase adulta,
O amor-doação entra em cena.
O agir responsável acontece.
O serviço se realiza
quando o amor está presente.
Na infância, tudo é graça.
É graça porque é de graça.
E graças são valores
que necessitamos
e recebemos sem pedir.
Se vivemos a fase adulta
com espírito de infância,
a graça e várias graças,
se farão presentes.
Porque graças são coisas graciosas,
afetivas, carinhosas, e acolhedoras.
Graças são coisas engraçadas,
grávidas de boas expectativas,
atendimento às carências.
Graças são partos da bondade.
E, com graças,
a solução de vários problemas
acontecem, serenamente,
com o espírito de infância.
Porque graças são comportamentos divertidos,
semblantes serenos,
mãos abertas,
abraços apertados,
sorrisos largos,
gargalhadas sem censuras,
ajuda recebida,
desejos de felicidades,
bons-dias
desejados com autenticidade.
Graça é infância espiritual.
É simplicidade no vestir,
no andar, no falar, no olhar,
no brincar e até no trabalhar.
Graça é o jeito legal
de ser do Heipo.
Graça é a harmonia dos passos
na dança da
vida.
Graça é inocência original.
Nada nem ninguém há
que não se encante
com o estado de graça
de um adulto.
Estamos determinados
a recuperar
a nossa originalidade,
nosso espírito de infância.
Por que demoramos tanto
para perceber a perda?
- Uma névoa encobria as verdades.
- Os espelhos estavam embaçados.
- Nossa face andava triste e deformada.
- Nossos sonhos mal construídos.
Um grito explode dentro de cada um,
em resposta a esta maneira de ser e viver,
original. Um grito de liberdade,
de leveza na maneira de ser.
Isto tudo é muito engraçado!
É possível a gente ser adulto
e criança ao mesmo tempo?
Ora, se nós adultos não brincarmos,
não terá graça nenhuma viver sem alegria,
neste mundo adulterado.
Por isso, de novo, insistimos
se perdermos nosso espírito de crianças,
perderemos a originalidade.
e, quem perde a originalidade
corre o risco de perder também
o sentido e a finalidade desta vida.
Eneas
Paulo Budel Bogucheski
Atualizado
em 04/02/2016
Atualizado em 03/06/2026
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