domingo, 26 de janeiro de 2014

25.- Vida. Descobrindo o sentido da vida.

 

Estamos na vida.

Olhamos em volta.

 

Vemos todo mundo agitado,

correndo, trabalhando, divertindo-se.

 

O que é que estão procurando?

 

– Estão procurando o sentido da vida.

 

Qual é a questão mais fundamental da vida?

 

É uma ou são múltiplas

as questões que exigem respostas e que respondem plenamente nossas carências?

 

Depende do que consideramos importante

para nossa vida.

 

A filosofia, a poesia e as literaturas todas,

novelas, filmes e livros

plantam sonhos em cada um de nós.

 

Sonhos realizáveis? Realistas?

 

Ou será que nós nos deixamos induzir

ou seduzir por uma literatura gostosa,

mas sem nenhum fundamento,

e sem perspectivas para o futuro?

 

Se não respondem a contento, por que ainda assim continuamos escravos das atrações?

 

Somos conscientes

destas expectativas todas,

que povoam nossa

racionalidade e nossa imaginação?

 

Por quê, então,

não tomamos as devidas decisões

em direção ao que convém fazermos?

 

O que é que queremos realmente?

 

Somos seres autênticos

ou somos seres humanos,

manipuláveis?

 

 

Sou dono do meu próprio nariz?

 

Ou tem gente

que tem poder

sobre o meu nariz?

 

Alguém tem interesse

em manipular-me?

 

Quem é responsável

pelo meu próprio destino?

 

Por coerência vital devo conduzir-me

para ser aquele que fui destinado a ser.

 

          Nos caminhos por onde andamos,

                 vivemos uns ao lado dos outros.

 

E neste grande espaço onde nos movemos,

corremos, andamos, nos divertimos

e também trabalhamos,

estão outros humanos como nós.

 

Todos nós temos nossas responsabilidades,

tarefas e serviços que

nos ocupam e preocupam.

 

Grande parte do tempo

vivemos fechados

dentro dos nossos próprios interesses.

 

Quase não prestamos atenção ao ambiente

e nas pessoas que estão na nossa volta.

 

Parece que estamos dentro

de uma nave espacial,

com piloto automático.

 

Não ouvimos nenhum aviso,

nenhuma orientação

ou advertência.

 

E acontece de às vezes nos assustarmos

com toda esta situação.

 

                        Não somos robôs.

 

Basta olhar um pouco mais atentamente

e perceberemos

que sempre há alguém ao nosso lado

passando ou vivendo

na mesma situação.

 

             Quando éramos crianças,

                 éramos dependentes.

 

Agora já somos adultos,

somos maiores,

somos grandes

e não precisamos mais de ajuda.

 

 

Desaprendemos da arte

de ajudar os outros.

 

Nós mesmos

não sabemos pedir ajuda.

 

 Experimentamos nossos limites,

impotências, fraquezas e covardia.

 

Somos grandes

e nos sentimos pequenos diante da dor.

 

Somos grandes

e nos sentimos pequenos diante da morte.

 

Somos grandes

e nos sentimos pequenos e impotentes

diante de tanta necessidade que vemos na

vida existente, real, fora da telinha e das páginas brancas dos livros.

 

Parece que o ser humano

tem que ser, antes

aluno da vida,

ensinado pelo sofrimento,

pela penúria, pela fome, pela ansiedade,

pela opressão, pelas cruzes e espinhos da vida

para aprender a ser resposta para os outros.

 

Tem que sofrer para saber

o que é o sofrimento dos outros.

 

Não sentiremos nenhuma sensibilidade

diante da fraqueza,

dos vícios dos outros nossos irmãos,

dos sofrimentos dos nossos iguais, 

das carências de cada ser humano,

se cada um de nós não passar

 por estas cruzes e carências.

 

Não adianta fazer poesias e rimas

diante das pessoas que sofrem.

 

"Não adianta recitar receitas culinárias

para quem passa fome". Leonardo Boff.

 

Onde está nossa força,

nossa coragem,

nossa grandeza?

 

Mostramos nossa força,

nos atos de solidariedade.

 

São os sofredores

que acolhem os sofridos.

 

Diante dos fracos,

nos enfraquecemos.

 

Diante dos mais pobres,

percebemos que temos com que ajudar.

 

Diante dos derrotados,

nos sentimos

arrasados.

 

Diante dos desanimados,

não sabemos como ajudar.

 

Diante dos órfãos

erguemos as mãos para os céus.

 

Diante dos oprimidos,

sufocamos os gritos por justiça,

lá dentro da garganta.

 

Em frente à injustiça,

nos revoltamos.

 

Aí soltamos o animal

que está dentro de nós.

 

 

Em frente dos velhos pais

não sabemos como atualizá-los.

 

No meio deste mundo

estamos todos atolados.

 

E não há outra saída,

a não ser,

fazer o que deve ser feito.

 

Não há outra forma de realizar-se

neste chão, plataforma de acesso ao céu,

a não ser servindo os outros nas suas

necessidades.

 

Por isso, tens que ser médico

se estás diante de um doente.

 

Tens que ser pai

se alguém, perto de você,

é órfão ou está carente.

 

Tens que ser sacerdote

se alguém precisa de conselho e perdão.

 

Ser companheiro

se tens um amigo descarrilhado.

 

É da própria constituição humana

ajudar e servir.

 

Tens que ser

uma resposta às expectativa

de quem está ao seu lado.

 

Se assim não for, sua presença

será apenas desnecessária,

superficial e vazia, sem eco.

 

Não há tempero, nem fermento, nem luz,

nem entusiasmo, tampouco paixão e amor,

nem sabor no modo de ser cristão,

se assim não for.

 

É o egoísmo, nosso único inimigo,

a única fonte do atraso

na chegada do ideal da vida fraterna.

 

Não suportamos tratamentos desiguais,

pois a natureza e o universo grita que somos

todos iguais.

 

O maior, o grande, é aquele que serve.

 

Serve como resposta

às necessidades dos outros.

 

O ser humano

alcança a sua promoção de pessoa,

quando encontra o sentido da vida.

 

E o sentido da vida pessoal aparece e

acontece quando se descobre

que fomos feito um para o outro.

 

Na dimensão social também é assim: veja que todas as profissões existem como se fosse uma teia de aranha, interligando todos, e todos atendendo as necessidades dos outros.

 

 Eneas Paulo Budel Bogucheski                   

Atualizado em 01/02/2016

eneaspb@gmail.com 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário