Olhando apenas o
lado de fora, externo,
permanecemos com a compreensão parcial,
pois estaremos vendo e
analisando
somente um lado da realidade.
Não estaremos vemos o todo.
Queremos conquistar uma nova ciência.
Uma ciência
que nos possibilite olhar o
interior,
o lado de dentro das coisas,
o lado misterioso da vida
que ainda
guarda segredos.
A visão que o
Heipo
procura aprender e vivenciar
supõe penetrar na interioridade
e na
profundidade, nas origens,
razões e finalidades das coisas,
no mundo
infinito que cada um de nós é.
Há o mundo visível
e
há o mundo do invisível.
É, portanto, de
fundamental importância,
conhecer também o lado de dentro das coisas.
Parece-nos ser tão importante
a ponto de fornecer
elementos mais completos
para
a avaliação e conceituação
da parte externa, que aparece.
Nós, humanos,
estamos dotados
com a capacidade conhecida
com o nome de inteligência.
Inteligência é uma palavra
composta de duas raízes latinas:
in que
significa interior
e legere que significa ler.
Assim, inteligência
é a
capacidade que temos
de ler por dentro,
penetrar o interior do objeto.
Nós estamos
acostumados
a ver e a avaliar
tudo o que cai sobre o nosso olhar.
Sobre o que
não vemos,
nos aventuramos ou nos arriscamos
quando falamos.
Existem atualmente
muitas ciências
que estudam o exterior
para entender sobre o interior.
Por exemplo, os
médicos,
através de estudos e pesquisas,
sabem muito sobre nossas doenças
quando analisam nossa face,
tomam nossa temperatura,
observam a pupila dos
nossos olhos
e a cor da nossa pele.
Os psicólogos
avaliam nosso grau de estresse
pelas rugas da nossa face
ou pela agressividade
das nossas palavras.
Nossa maneira de
ser, nossa postura,
nossos atos, às vezes,
falam mais claramente de nós
do que
nossas próprias palavras.
Há um universo
quase infinito dentro das coisas
e, muitas vezes, desconhecido.
O lado de dentro
das coisas
é outro mundo a ser pesquisado
e conhecido, para ser valorizado e amado.
Não há pessoa que tenha
autoridade
para afirmar que não há nada lá dentro
só porque não se vê.
O único obstáculo
para a aquisição desta ciência
é a rapidez e a superficialidade.
Estes dois
elementos modernos
dificultam o cultivo
da ciência do lado de dentro das
coisas.
A cultura na qual estamos envolvidos
quase só ensina a cultivar a
aparência,
isto é, só o que aparece,
o que brilha e o que atrai.
Pouca
importância se dá aos poetas,
artistas, filósofos e teólogos,
que procuram
teimosamente
penetrar por este caminho,
a leitura do interior das coisas.
Você já ficou
maravilhado
diante da grandeza escondida
na pequenez de uma criança?
Quando
escutou
o canto dos passarinhos,
percebeu que aquela melodia
vinha de dentro do
pássaro?
Quando ouviu o ruído suave
dos pequenos riachos e quedas de água,
percebeu que o riacho estava vivo,
expressando-se
e que o que aprecia e sente
está dentro de você?
Quando olhastes
para um
entardecer colorido,
viste algum pintor escondido?
Quando percebestes
o barulho
do vento nas árvores,
movimentando-as, percebestes ali
um elemento real e
invisível?
Quando o vento veio visitar-te,
balançando seus cabelos,
aceitaste
sem medo,
as carícias deste fantasma?
Como é fácil
ignorar as belezas
que nos envolvem.
Um beliscão na
nossa sensibilidade
seria bem-vindo para nos acordar
e percebermos
que estamos
prejudicados.
Perdemos alguns elementos
da nossa personalidade
que
inflacionaram
ou até arruinaram
nossa percepção.
O que é que existe
em nós,
que reduz nosso potencial,
tampa nossos ouvidos,
bloqueia nossa
sensibilidade,
entorpece nossos sensores
impedindo-nos de curtir
as coisas boas
e belas da vida?
Por que alguns curtem tudo isso?
Por que outros não sentem
nada?
Para muita gente,
o que há de bom,
de bonito, harmonioso
e suave nesta natureza toda,
funciona
como despertador
e acorda nossas potencialidades
de admiração, raciocínio e
curtição,
e até nos leva mais adiante.
O que há na raiz
de todas as coisas?
O que há por dentro de cada elemento,
cada pessoa, cada realidade,
seja visível
ou invisível?
Talvez exista ali
uma mensagem a ser decifrada,
talvez um mapa de um tesouro,
talvez uma fórmula
de um remédio,
talvez algo de que estamos precisando
e esteja no nosso nariz e
não 'vemos'.
Quando fazemos
para nós mesmos estas perguntas,
as respostas começam a
aparecer.
As respostas não estão sempre prontas.
Quando nos colocamos
em posição de alerta
e acionamos
nossas próprias
potencialidades internas,
aí, vamos entrando e penetrando
além das aparências,
para além dos rostos humanos,
e descobrimos a dignidade,
a fonte do
valor.
Aí, mais em frente,
vamos para além
das fronteiras da pele
e
descobrimos o sangue quente
a vivificar as criaturas humanas,
e também os
animais.
E aí vamos mais fundo
perguntando-nos pelo espírito
que anima e que dá
vida
à nossa massa corporal.
Que coisa é isso?
Agora começa ficar difícil
a fala e as letras.
Do que é que estamos falando
e escrevendo agora?
Estamos tentando
nos entreter
com o espírito.
Como deixar de se perguntar
pelas expressões da vida?
Como não perceber
um espírito por trás
dos movimentos e ventos?
Como não entender a seiva
que caminha pelas raízes,
e circula no interior dos
troncos
a ponta dos galhos, até as folhas,
frutos e sementes,
trazendo vida
e alimento.
Algum tipo de
ferramenta inato em nós
já nos permite ver
além de qualquer paisagem.
Estamos ajustando nossa vista
para além dos horizontes da compreensão,
além das
fronteiras do racional,
do normal e aceitável.
Teremos de exigir o uso do binóculo,
que aproxima virtualmente
os objetos
focados?
O que viria a ser este binóculo?
Sim, já somos
capazes.
Somos capazes de enxergar a mensagem
que o mundo carrega.
Cada coisa é
um Sacramento,
um sinal ou um código a ser decifrado.
"No
efêmero que passa,
podemos
perceber o eterno
que não passa".
Frei Carlos Mesters.
No
tempo,
conseguimos
ler a mensagem
daquilo
que é eterno.
Não é o tempo que voa;
voamos nós e o tempo fica.
Na bondade humana,
nas criaturas todas,
lemos nas entrelinhas
o Criador de todas as coisas.
Tudo o
que está ao nosso dispor,
tanto na natureza
como na nossa própria natureza
humana,
nossas capacidades e talentos,
são ferramentas disponibilizadas
pelo
nosso Pai dos céus, nosso Criador.
O mundo todo,
a
natureza imensa e profunda,
funciona como um vidro transparente
no qual
conseguimos ler dentro das coisas,
sinais, literatura, romance
e a paixão de um
Pai
que ama seus filhos
e lhes entrega um jardim
para ser cultivado.
Lá dentro do
dentro tem coisa...
Muitos livros do
escritor
Leonardo Boff e do frei Carlos Mesters
ensinam esta ciência.
Muitas
reflexões contidas neste texto
tiveram neles a fonte da inspiração.
Vá até o n. 121, reeditada em 25 março 2016,
e leia uma versão mais atualizada.
Eneas Paulo Budel
Bogucheski
eneaspb@gmail.com - 41 98854 5166
Criado em 28/11/2014
Atualizado em
30/01/2016
Reeditado com o n. 689 em 30/10/2019.
Atualizado em 21/04/2026
Leia outros textos no meu blog
https://heiposworld.blogspot.com/
e no FACEBOOK

Coloquei no Face para divulgar este belo trabalho.
ResponderExcluirVALEU COMPANHEIRO. COMEÇAMOS A AMPLIAR PARCERIAS.
ExcluirABRAÇOS.
Parabéns Enéas...muito bom essa mensagem.
ResponderExcluirOLÁ VIZINHO. UM ABRAÇO E OBRIGADO PELO RETORNO.
ExcluirENEAS.
Show! muito bom poder compartilhar de suas reflexões e que essa inquietação inspiradora nos brinde com muitos textos.
ResponderExcluirOLÁ JOÃO CARLOS. OBRIGADO PELO RETORNO.
ExcluirABRAÇOS. ENEAS
Caro amigo Enéas parabens pela sua benevolência em compartilhar suas reflexões com todos nós.
ResponderExcluirOLÁ LUIZ. BOM DIA. OBRIGADO PELO RETORNO. ABRAÇOS. ENEAS.
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